A Bela e a Fera

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Disney renova conto de fadas sem prejudicar sua essência

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Beauty and the Beast
DIREÇÃO: Bill Condon
DURAÇÃO: 129min
GÊNERO: Musical, Fantasia, Romance, Família
PAÍS: EUA
ANO: 2017

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A Bela e a Fera pode ter “apenas” 26 anos, mas é um clássico absoluto, não há como negar. A história de 1991 foi a primeira animação a ser indicada ao Oscar de Melhor Filme e venceu dois, nas categorias de Trilha Sonora e Canção Original.

Consequentemente, o filme faz parte da memória afetiva de milhares de crianças e adultos, e é centrado em uma história de amor que causa inveja em muitos romances. Em 1993, foi ainda a primeira produção da Disney na Broadway, onde também foi bem-sucedida. Com esse currículo, era apenas questão de tempo até que Bela e a Fera entrasse para o frenesi de live-action do estúdio. A boa notícia é que o projeto fez jus ao seu original.

Bela (Emma Watson) é uma jovem diferente dos moradores de sua aldeia, principalmente de Gaston (Luke Evans), que quer sua mão em casamento. Apaixonada por livros, ela mora com seu pai, Maurice (Kevin Kline), que é aprisionado no castelo da Fera (Dan Stevens) depois de se perder em uma floresta. Bela decide ficar no seu lugar e aos poucos descobre que seu novo lar foi enfeitiçado.

BEAUTY AND THE BEAST

A tarefa de recriar A Bela e a Fera é difícil. Primeiro por se tratar de um filme tão amado por muita gente. Segundo, porque o original de 1991 já é perfeito, um clássico. Mas Bill Condon teve habilidade suficiente para reaproveitar a história da Disney, deixando-a atraente e preservando seus encantos, e ainda soprando ar de novidade à trama.

O live-action é muito parecido com a obra original. Existem diálogos inteiros onde todas as palavras foram preservadas. Para quem quer novidade, Bela e a Fera pode ser frustrante – embora Mogli tenha se dado muito bem ao não ousar em seu roteiro. Mas se o original de 1991 funciona tão bem, não faria sentido distorcê-lo para a nova versão. Mesmo que a trama seja a mesma, existem alguns detalhes que repaginam a história.

BEAUTY AND THE BEAST

Como já foi amplamente divulgado, o capanga LeFou (Josh Gad) nesta versão é gay. Em todo o filme, vemos uma preocupação da Disney em adaptar seu clássico para os novos tempos. Casais interraciais aparecem em diversos momentos e Madame Garderobe (Audra McDonald) veste três vilões como mulheres e diz para eles serem “livres”, para a felicidade de um deles. Tudo é feito de forma sutil e contida. Não é uma revolução, mas é sem dúvidas um importante e necessário passo.

Bela, também, é transformada em uma mulher ainda mais independente – e Emma Watson tem grande influência nisso – , e se consolida como heroína da história, não como princesa. “Ela deve estar chorando em seu quarto”, dizem os objetos mágicos certa hora, e em seguida, vemos Bela amarrando pedaços de pano para tentar fugir pela janela. Em outro momento, ela ensina uma menina a ler, escandalizando sua aldeia e até mesmo um professor.

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A cena, inclusive, ajuda a situar o filme em seu contexto histórico. Ao invés de estar perdido no espaço-tempo, como a maioria dos contos de fadas, A Bela e a Fera faz questão de mostrar que se passa no século XVIII, o que faz muito bem à história. Pequenas referências – como vestimentas e o cravo Maestro Cadenza (Stanley Tucci) – e brincadeiras com a época – como a arcada dentária do mesmo personagem – contribuem para isso.

O filme ainda tapa vários buracos criados em 1991. O motivo pelo qual nenhum aldeão sabe da existência do castelo, a linha temporal dos acontecimentos, a cumplicidade dos conterrâneos de Gaston com sua arrogância e muitas outras questões são solucionadas para tornar esta versão mais madura.

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Outro aspecto que faz deste Bela e a Fera diferente de seu antecessor são as canções. Sim, elas são as mesmas, mas os arranjos musicais foram mudados, algumas letras incrementadas e quatro músicas inéditas adicionadas à trilha sonora. Estas, inclusive, não alcançam o nível de excelência das originais, mas também são muito bonitas, tendo sua função na história. O destaque é para Evermore – cantada por uma Fera que pode causar estranhamento pela voz, mas à qual logo nos adaptamos – , que é extremamente sensível e preenche a falta de música no papel da Fera.

As coreografias e performances também são ótimos, se aproximando de clássicos do gênero musical de forma divertida. Se a reprise de Belle espelha a mais clássicas das cenas de A Noviça Rebelde, Be Our Guest é um banquete aos amantes de musicais. As referências no show de Lumière (Ewan McGregor) são várias: Cabaret, Cantando na Chuva e Moulin Rouge! são só algumas. A cena, inclusive, é um presente para os olhos, extremamente bem feita, colorida, dançante e sofisticada.

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Tecnicamente, o filme é deslumbrante. O design de produção é excelente, combinando elementos do original de 1991 com referências claras ao século XVIII e ainda cenários e objetos elegantes, que invocam um senso de fantasia e imaginação típico dos contos de fadas. Os figurinos de Jacqueline Durran também são belíssimos e o clássico vestido de valsa de Bela é atualizado, não deixando a desejar.

Os efeitos visuais usados para criar os objetos mágicos são perfeitos. As soluções encontradas para seus movimentos são engenhosas e dão credibilidade ao feitiço lançado no castelo – Chip (Nathan Mack), por exemplo, anda como se estivesse em um skate, dando jovialidade ao personagem.

Beauty and the Beast

A Fera deixa a desejar. Seu rosto é bastante humano, tem emoção, mas o seu andar é pesado, visivelmente irreal. Teria sido melhor criar uma Fera a partir de figurino e maquiagem, à la Chewbacca, mas em uma indústria tão enlouquecida com as maravilhas do CGI, é difícil pensar na Disney tomando o caminho dos efeitos práticos em um conto de fadas. Outro pequeno problema é a edição do filme, súbita e com cortes equivocados em determinados momentos,

Mas nada é capaz de parar A Bela e a Fera de ser uma digna e bonita versão de um filme tão amado. Muitos podem criticar a falta de originalidade ou a natureza desnecessária de um filme não tão antigo, mas há espaço em Hollywood para esta versão mais adulta e musical, que ainda confere inventividade e respeito à obra.

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O elenco também contribui para o sucesso do longa. Emma Watson é uma figura forte e que passa um ar de determinação e graça à sua Bela, surpreendendo a todos ao cantar. Luke Evans e Josh Gad formam uma dupla divertidíssima e, enquanto o primeiro tem o ar de arrogância típico de Gaston, o LeFou de Gad rouba as cenas e ainda, de forma sutil, reinventa seu personagem, que agora tem uma quedinha pelo amigo “machão”. Kevin Kline faz um Maurice muito mais profundo, ao contrário do bobalhão pai de Bela de 1991. 

Por fim, o trabalho de vozes é excelente: Audra McDonald e Stanley Tucci são engraçados, Ewan McGregor é charmoso, Ian McKellen dá autoridade ao seu atrapalhado Horloge e Emma Thompson não se deixa intimidar pela difícil tarefa de assumir o papel originado por ninguém menos que Angela Lansbury.

Além de um ótimo entretenimento, um banquete visual e uma trilha sonora emocionante, A Bela e a Fera ainda se mantém fiel à sua mensagem de amor, bastante universal e delicada. Por outro lado, promove a cultura como um elemento tão transformador quanto esse sentimento. É um filme capaz de agradar qualquer um que vá de coração aberto ao cinema, estando envolto em mágica, nostalgia e amor.


Meu Amigo, O Dragão

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Disney traz personagem de volta às telas em conto de fadas moderno

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Pete’s Dragon
DIREÇÃO: David Lowery
DURAÇÃO: 103min
GÊNERO: Aventura, Família, Fantasia
PAÍS: EUA
ANO: 2016
4

A onda de live-actions da Disney não sobrevive somente de princesas. Depois de lançar o incrível Mogli – O Menino Lobo e mais uma versão decepcionante de Alice no País das Maravilhas, o estúdio emplaca mais uma adaptação em seu 2016. Dessa vez são as personagens de Meu Amigo o Dragão, de 1977, que voltaram às telas, para recontar uma história que já caiu no esquecimento de muita gente.

Depois que seus pais morrem em um acidente de carro, Pete (Oakes Fegley) se vê sozinho no meio de uma floresta no Oregon, Estados Unidos. Anos se passam até que o garoto é descoberto pela guarda florestal Grace (Bryce Dallas Howard), que teve a infância marcada pelas histórias de seu pai, Meacham (Robert Redford), que jura já ter visto um dragão naquele mesmo local. Pete pode ser a prova de que a criatura realmente existe.

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Meu Amigo, O Dragão se apoia em um tipo de encantamento típico dos filmes de Steven Spielberg, capazes de dialogar tanto com os pequenos, quanto com os adultos. Coincidência ou não, o diretor estadunidense lançou há poucos meses, em parceria com a própria Disney, seu 30º filme, O Bom Gigante Amigo. Os dois títulos são parecidos em diversos momentos. Ambos falam sobre a inocência e a criatividade da infância e têm efeitos visuais de tirar o fôlego. Mas pelo incrível que pareça, David Lowery é quem sucede ao transformar um roteiro familiar em um verdadeiro conto de fadas moderno.

A história de Pete e seu dragão faz o que Spielberg não conseguiu alcançar com sua releitura da obra de Roald Dahl. É inteligente e divertida, apela para o público infantil e para o adulto e ainda ecoa a obra prima de Spielberg, E.T. – O Extraterrestre, de uma maneira bastante autêntica e nostálgica. O filme somente ajuda o público a ver o tamanho do desastre que O Bom Gigante Amigo é.

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No começo de Pete’s Dragon, o público tem a impressão de que está para ver mais um filme caça-níqueis da Disney, cujos executivos parecem não querer abandonar a onda de live-actions tão cedo. Mas não é preciso muito tempo de tela para notarmos que o filme é uma bonita história sobre amizade.

É impossível não fazer a conexão entre os meninos Elliott e Pete e as criaturas E.T. e – veja só! – Elliot. A versão original para o dragão da Disney chegou aos cinemas cinco anos antes de Spielberg debutar sua obra prima, mas é difícil não sentir estranhamento pela similaridade no nome das duas personagens.

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O roteiro de Meu Amigo, O Dragão faz de uma história relativamente simples uma narrativa que combina aventura, drama e fantasia. É um filme que definitivamente tem alma e sabe equilibrar bem seu sentimentalismo para não cair no exagero. Existe uma discussão bonita sobre infância e amadurecimento, executada com a maestria de E.T. ou Peter Pan. O texto, porém, não é à prova de balas.

Alguns deslizes são cometidos. A falta de explicação e aprofundamento na história dos irmãos interpretados por Wes Bentley e Karl Urban é um deles. Da mesma forma, existe uma temática interessante sobre desmatamento escondida e subutilizada no filme e, em uma época em que questões ecológicas são e precisam ser amplamente discutidas, é uma pena não ver a Disney abordar o assunto com comprometimento para sua jovem audiência – é a ela que o futuro do planeta pertence, afinal.

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No geral, David Lowery faz um maravilhoso trabalho e Pete’s Dragon é diversão garantida para todos os tipos de público. É inevitável não se emocionar com a bonita mensagem presente na história – não estranhe uma lágrima ou outra caindo durante a sessão. A impressão que fica é que a Disney tem melhorado cada vez mais sua habilidade para traduzir seus clássicos para o live-action. No caso de Meu Amigo, O Dragão, o desafio era ainda maior, já que a história não é mais um de seus exuberantes épicos fantasiosos, como Cinderela ou A Bela e a Fera.

É exatamente isso que faz de Pete’s Dragon único. É um filme que se passa na atualidade, não está perdido no espaço-tempo, e, mesmo assim, provoca encantamento como poucas obras são capazes de fazer. É um envolvente e delicado conto de fadas moderno, que merece um lugar ao lado dos sucessos da empresa de Mickey Mouse.


Zootopia

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Disney volta a dar voz aos animais

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO: Zootopia: Essa Cidade é o Bicho
DIREÇÃO: Byron Howard, Rich Moore
DURAÇÃO: 108min
GÊNERO: Animação, Família, Aventura
PAÍS: EUA
ANO: 2016
4

Algumas das animações mais memoráveis da Walt Disney são aquelas protagonizadas por animais. Sejam eles antropomórficos – ou seja, que assumem a forma humana – como em Robin Hood, ou mais “primitivos”, como é o caso de Bambi, os bichos sempre ocuparam um lugar especial nos filmes da empresa de Mickey Mouse. Depois de cinco anos do lançamento de O Ursinho Pooh, o estúdio resolveu, mais uma vez, dar voz aos animais e o resultado é uma divertida sátira de nossa sociedade.

Judy Hopps (Ginnifer Goodwin / Monica Iozzi) é uma coelha que nasceu e cresceu na área rural. Ela sempre teve o sonho de ser policial e, quando enfim consegue se tornar a primeira oficial coelho da cidade de Zootopia, vê seus sonhos frustrados ao saber que ficará encarregada de fiscalizar o trânsito. Mas quando vários predadores começam a desaparecer, Judy vê a oportunidade perfeita para provar seu valor, mas para isso precisa contar com a ajuda da raposa Nick Wilde (Jason Bateman / Rodrigo Lombardi), seu inimigo natural.

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Zootopia reúne originalidade, diversão e um visual de tirar o fôlego. Diferente de seus antecessores mais recentes no departamento animalesco da Disney – como Nem que a Vaca Tussa ou O Galinho Chicken Little -, Essa Cidade é o Bicho é um filme para a família toda. Suas personagens, a estética colorida e as brincadeiras no roteiro encantam as crianças, mas por outro lado, suas críticas à nossa própria sociedade e as paródias aos nossos filmes e marcas só podem ser totalmente compreendidas pelos mais velhos.

O roteiro de Zootopia é interessante pela sutileza com a qual propõe debates importantes. Se por um lado temos uma sociedade aparentemente perfeita – “Zootopia” não deriva de “utopia” à toa -, por outro parece existir uma tensão natural entre as diferentes espécies que habitam a cidade que leva o nome da animação.

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Esse desconforto parece muitas vezes ecoar problemas bastante comuns da nossa própria realidade. Em determinada cena, Judy explica que “só um coelho pode chamar outro de fofo”, e é inevitável não pensar nas inúmeras discussões sobre estereótipos que estão tão presentes no século XXI.

Mesmo que essa seja a face mais interessante do filme, talvez seja ela também a mais problemática. Não pela maneira como esses debates são desenvolvidos, mas pela falta de protagonismo que recebem. Seria ótimo ver Zootopia se aprofundar mais ainda nesses assuntos, ao invés de se ater às soluções infantilizadas que muitas vezes aparecem para resolver os impasses da investigação de Judy Hopps.

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Isso, claro, deixaria o filme mais importante e inteligente, mas não chega a comprometer a trama, que conta com divertidas paródias do filme O Poderoso Chefão, da série Breaking Bad e até mesmo da burocracia presente em nosso dia a dia. Um dos pontos altos da animação é com certeza a cena em que descobrimos que o “Detran” de Zootopia é comandado por preguiças lentas e irritantes.

O visual dos bichos de Zootopia é divertido e Judy Hopps e Nick Wilde formam uma dupla bastante carismática. A cidade em si, por sua vez, é de tirar o fôlego. O design de produção do filme é extremamente competente ao criar um ambiente humano, mas que leva em consideração as peculiaridades e a riqueza existentes no mundo animal. Quando chega a Zootopia, o trem de Judy percorre diferentes áreas – como Tundralândia -, cada uma destinada a um tipo de animal.

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Zootopia tem uma mensagem importante e inspiradora, já que a história de Judy, no fim, não podia ser mais parecida com a de seu próprio predador natural, Nick Wilde. Sua trama mostra, em todos os momentos, a importância de abrir a mente e abandonar os estereótipos que parecem se fortalecer cada dia mais em nossa sociedade e ainda faz isso de maneira bastante divertida, contando com personagens como Gazelle – a antílope cantora interpretada por Shakira – para dar musicalidade e cor ao filme.


Os 12 piores vilões da Disney

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12. Rainha de Copas

Alice no País das Maravilhas (1951)

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Além de maltratar animais e seus súditos, a maior obsessão da Rainha de Copas é cortar cabeças. Preciso dizer mais alguma coisa?


11. Lady Tremaine

Cinderela (1950)

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Lady Tremaine é a madrasta de Cinderela, então deveria cuidar dela, certo? Errado. A vilã faz da enteada uma escrava e tenta acabar com qualquer possibilidade dela ser feliz. Seu maior objetivo? Usar suas filhas para virar realeza, o que prova que ela definitivamente não tem escrúpulos.


10. Jafar

Aladdin (1992)

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Em busca do controle de Agrabah, Jafar escraviza Jasmine, força o Gênio a fazer coisas más e hipnotiza o sultão. Isso tudo depois de usar Aladdin para conseguir a lâmpada mágica. Sua obsessão por poder é tão grande que acaba causando sua própria ruína.


9. Gaston

A Bela e a Fera (1991)

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Gaston é o machismo em pessoa. Seu jeito arrogante é só um detalhe de sua personalidade retrógrada e ignorante. Ao achar que Bela não deve ler para não ‘ter ideias’, o vilão incorpora um dos maiores males da nossa sociedade. E, claro, em busca da mulher que ele acredita ser a única tão bonita quanto ele, Gaston decide incitar o ódio de todo um vilarejo, aprisionar seu possível sogro e matar a Fera. Muito sem noção.


8. Capitão Gancho

Peter Pan (1953)

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Capitão Gancho é bem atrapalhado e certamente faz muita gente rir com o seu medo de crocodilos, mas tentar assassinar um grupo de garotos é prova suficiente de que ele merece estar nesse ranking de maldade. Alguém precisa avisá-lo que matar criancinhas não é legal.


7. Hades

Hércules (1997)

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Tentar matar membros da família é algo recorrente nas histórias da Disney. Hades, o deus do mundo inferior, parece ter sido aquele tio chato desde sempre. Invejoso e mau, ele sequestra o próprio sobrinho e tenta tirar dele seus poderes. Como o plano acaba não dando tão certo, ele manipula Megara e ainda tenta destruir o Monte Olimpo. É o diabo em pessoa.


6. Rainha Má

Branca de Neve e os Sete Anões (1937)

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Os vilões da Disney têm várias obsessões estranhas, mas a da Rainha Má talvez seja a mais impressionante. No filme, ela tenta matar – não uma, mas duas vezes – a própria enteada, a boa e meiga Branca de Neve. Tudo isso para que um espelho a diga que ela é a mulher mais bela de todas. Que absurdo.


5. Úrsula

A Pequena Sereia (1989)

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Talvez a melhor música de todos os vilões da Disney pertença à Úrsula, a bruxa do mar. Aparentemente irmã do rei Tritão, temos aqui uma clássica tentativa de golpe de Estado. Em troca da coroa, Úrsula está disposta a fazer da vida de Ariel um inferno, assim como fez com tantas outras sereias. Além disso, para convencer a protagonista a assinar um contrato, a vilã é extremamente sarcástica. Uma típica falsiane.


4. Cruela Cruel

101 Dálmatas (1961)

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A própria música já diz: Cruella é mais traiçoeira que uma cascavel. A vilã mais estilosa da Disney é também uma das mais arrogantes e inescrupulosas. Seu ar elitista e sua paixão por peles fazem dela uma pessoa realmente má, afinal, só assim para querer machucar 101 cachorrinhos indefesos.


3. Malévola

A Bela Adormecida (1959)

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Amaldiçoar um bebê e usar como justificativa não ter sido convidada para seu batizado é muita cara de pau. Como se tentar destruir a vida de um recém nascido não fosse crueldade suficiente, Malévola ainda faz de tudo para que Aurora e o Príncipe Philip não tenham o seu “felizes para sempre”, transformando-se em um dragão.


2. Scar

O Rei Leão (1994)

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Scar já é um personagem que, só com seu visual e seus trejeitos, consegue botar medo em qualquer criança. Matar seu próprio irmão, ameaçar e manipular seu sobrinho e tomar a coroa dele só ajudam a colocar a reputação do leão para baixo. Não podemos esquecer que o vilão ainda deixa seus súditos passando fome e sede, além de ter um exército de hienas que estranhamente lembra os nazistas.


1. Claude Frollo

O Corcunda de Notre Dame (1996)

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Muita gente nem lembra do vilão de Corcunda de Notre Dame, mas se você assistir ao filme nos dias de hoje, vai ter que concordar que Claude Frollo é muito, mas muito mau. Além de matar os pais de Quasimodo e o maltratar durante toda a sua vida, o personagem ainda inicia uma caça às bruxas contra os ciganos de Paris. Ele também tem uma obsessão bem esquisita por Esmeralda e, em sua busca por ela, incendeia diversas casas da cidade. Para piorar, sua música no filme bota medo. Muito medo.

Operação Big Hero

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Disney aposta em heróis e tecnologia em nova animação

Por Leonardo Sanchez

TÍTULO ORIGINAL: Big Hero 6

DIREÇÃO: Don Hall, Chris Williams

DURAÇÃO: 102min

GÊNERO: Animação, Aventura, Família

PAÍS: Estados Unidos

ANO: 2014


Em 2009, a Walt Disney Company comprou por incríveis 4 bilhões de dólares a Marvel Entertainment e, com isso, tornou-se responsável pela adaptação de muitos de seus heróis para as telas. O destino dos quadrinhos Big Hero 6, porém, tomou um caminho diferente de clássicos como Guardiões da Galáxia: a empresa do Mickey Mouse decidiu explorar a história por meio de seu estúdio de animação, produzindo um filme infantil, mas aliado ao heroísmo presente nos gibis.

Na fictícia cidade de San Fransokyo mora Hiro, um gênio da robótica que, motivado por seu irmão mais velho, decide criar um tipo de tecnologia revolucionário, a fim de conseguir uma vaga na universidade. Quando o seu projeto é roubado por um misterioso vilão, Hiro monta uma equipe de super heróis universitários, que precisam desmascará-lo. O protagonista ainda conta com a ajuda do atrapalhado Baymax, o último projeto de seu irmão.

Operação Big Hero é uma animação extremamente interessante. Tal característica fica evidente na mistura de elementos japoneses com americanos: toda a tecnologia da costa oeste estadunidense está aplicada ao misticismo e ao tradicionalismo da ilha asiática. A cidade fictícia criada é um bem construído híbrido de São Francisco e Tóquio, mostrando desde o início a personalidade única e original do longa metragem. Essa aliança entre heroísmo e modernidade rege o longa do começo ao fim, proporcionando momentos de euforia e curiosidade.

O grande acerto de Big Hero foi a criação de uma trama e de personagens próximos de seu público: Hiro e seus amigos são estudantes normais, que moram em uma cidade grande como tantas outras. A modernidade da história é diferente e bem elaborada, apostando na ciência e não na magia, como normalmente ocorre nos clássicos da companhia. É justamente esse ponto, porém, que deixa transparecer alguns aspectos rasos de seu roteiro. A inventividade tecnológica não é suficiente para encantar totalmente o público. Todos os robôs e máquinas presentes no longa cativam, mas sua racionalidade abre espaço para passagens desconexas ou exageradas.

Ainda assim, Big Hero produz personagens extremamente carismáticas, proporcionando excelentes cenas de ação. Baymax, o Olaf versão 2014, é apaixonante. Seu jeito abobalhado e gentil fascina as crianças e diverte os adultos. A personagem protagoniza ótimas cenas de humor, já que a comédia é um fator bastante presente em Big Hero 6 e contribui de maneira significativa para o ritmo do longa. A comicidade do longa reside na simplicidade, como evidencia a inocência de Baymax.

Operação Big Hero também toca em temas mais profundos. O amor entre irmãos, assim como em Frozen, é explorado de maneira sensível e bonita. Justamente por focar tanto na relação entre Hiro e Tadashi, porém, sobra pouco espaço para os amigos universitários dos dois, cada um com um imenso potencial, embora pouco explorado.

No que diz respeito ao aspecto visual, a animação é impecável. Os cenários são realistas e bonitos, enquanto as personagens também recebem grande atenção da equipe de design gráfico. A parte artística é bem equilibrada, ousando sem exageros ou apelações.

Apesar de previsível, Operação Big Hero é criativo e original. Sua simplicidade tem seus encantamentos e o filme é dotado de enorme sensibilidade, entretendo adultos e crianças. A Disney acerta mais uma vez, produzindo um filme bem humorado e para toda a família. O estúdio conciliou bem seu aspecto clássico e tradicional com as novidades trazidas pela Marvel. Big Hero 6 cumpre seu papel: diverte e está à altura da nova e fértil fase dos estúdios da Walt Disney.