A Bela e a Fera

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Disney renova conto de fadas sem prejudicar sua essência

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Beauty and the Beast
DIREÇÃO: Bill Condon
DURAÇÃO: 129min
GÊNERO: Musical, Fantasia, Romance, Família
PAÍS: EUA
ANO: 2017

5


A Bela e a Fera pode ter “apenas” 26 anos, mas é um clássico absoluto, não há como negar. A história de 1991 foi a primeira animação a ser indicada ao Oscar de Melhor Filme e venceu dois, nas categorias de Trilha Sonora e Canção Original.

Consequentemente, o filme faz parte da memória afetiva de milhares de crianças e adultos, e é centrado em uma história de amor que causa inveja em muitos romances. Em 1993, foi ainda a primeira produção da Disney na Broadway, onde também foi bem-sucedida. Com esse currículo, era apenas questão de tempo até que Bela e a Fera entrasse para o frenesi de live-action do estúdio. A boa notícia é que o projeto fez jus ao seu original.

Bela (Emma Watson) é uma jovem diferente dos moradores de sua aldeia, principalmente de Gaston (Luke Evans), que quer sua mão em casamento. Apaixonada por livros, ela mora com seu pai, Maurice (Kevin Kline), que é aprisionado no castelo da Fera (Dan Stevens) depois de se perder em uma floresta. Bela decide ficar no seu lugar e aos poucos descobre que seu novo lar foi enfeitiçado.

BEAUTY AND THE BEAST

A tarefa de recriar A Bela e a Fera é difícil. Primeiro por se tratar de um filme tão amado por muita gente. Segundo, porque o original de 1991 já é perfeito, um clássico. Mas Bill Condon teve habilidade suficiente para reaproveitar a história da Disney, deixando-a atraente e preservando seus encantos, e ainda soprando ar de novidade à trama.

O live-action é muito parecido com a obra original. Existem diálogos inteiros onde todas as palavras foram preservadas. Para quem quer novidade, Bela e a Fera pode ser frustrante – embora Mogli tenha se dado muito bem ao não ousar em seu roteiro. Mas se o original de 1991 funciona tão bem, não faria sentido distorcê-lo para a nova versão. Mesmo que a trama seja a mesma, existem alguns detalhes que repaginam a história.

BEAUTY AND THE BEAST

Como já foi amplamente divulgado, o capanga LeFou (Josh Gad) nesta versão é gay. Em todo o filme, vemos uma preocupação da Disney em adaptar seu clássico para os novos tempos. Casais interraciais aparecem em diversos momentos e Madame Garderobe (Audra McDonald) veste três vilões como mulheres e diz para eles serem “livres”, para a felicidade de um deles. Tudo é feito de forma sutil e contida. Não é uma revolução, mas é sem dúvidas um importante e necessário passo.

Bela, também, é transformada em uma mulher ainda mais independente – e Emma Watson tem grande influência nisso – , e se consolida como heroína da história, não como princesa. “Ela deve estar chorando em seu quarto”, dizem os objetos mágicos certa hora, e em seguida, vemos Bela amarrando pedaços de pano para tentar fugir pela janela. Em outro momento, ela ensina uma menina a ler, escandalizando sua aldeia e até mesmo um professor.

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A cena, inclusive, ajuda a situar o filme em seu contexto histórico. Ao invés de estar perdido no espaço-tempo, como a maioria dos contos de fadas, A Bela e a Fera faz questão de mostrar que se passa no século XVIII, o que faz muito bem à história. Pequenas referências – como vestimentas e o cravo Maestro Cadenza (Stanley Tucci) – e brincadeiras com a época – como a arcada dentária do mesmo personagem – contribuem para isso.

O filme ainda tapa vários buracos criados em 1991. O motivo pelo qual nenhum aldeão sabe da existência do castelo, a linha temporal dos acontecimentos, a cumplicidade dos conterrâneos de Gaston com sua arrogância e muitas outras questões são solucionadas para tornar esta versão mais madura.

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Outro aspecto que faz deste Bela e a Fera diferente de seu antecessor são as canções. Sim, elas são as mesmas, mas os arranjos musicais foram mudados, algumas letras incrementadas e quatro músicas inéditas adicionadas à trilha sonora. Estas, inclusive, não alcançam o nível de excelência das originais, mas também são muito bonitas, tendo sua função na história. O destaque é para Evermore – cantada por uma Fera que pode causar estranhamento pela voz, mas à qual logo nos adaptamos – , que é extremamente sensível e preenche a falta de música no papel da Fera.

As coreografias e performances também são ótimos, se aproximando de clássicos do gênero musical de forma divertida. Se a reprise de Belle espelha a mais clássicas das cenas de A Noviça Rebelde, Be Our Guest é um banquete aos amantes de musicais. As referências no show de Lumière (Ewan McGregor) são várias: Cabaret, Cantando na Chuva e Moulin Rouge! são só algumas. A cena, inclusive, é um presente para os olhos, extremamente bem feita, colorida, dançante e sofisticada.

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Tecnicamente, o filme é deslumbrante. O design de produção é excelente, combinando elementos do original de 1991 com referências claras ao século XVIII e ainda cenários e objetos elegantes, que invocam um senso de fantasia e imaginação típico dos contos de fadas. Os figurinos de Jacqueline Durran também são belíssimos e o clássico vestido de valsa de Bela é atualizado, não deixando a desejar.

Os efeitos visuais usados para criar os objetos mágicos são perfeitos. As soluções encontradas para seus movimentos são engenhosas e dão credibilidade ao feitiço lançado no castelo – Chip (Nathan Mack), por exemplo, anda como se estivesse em um skate, dando jovialidade ao personagem.

Beauty and the Beast

A Fera deixa a desejar. Seu rosto é bastante humano, tem emoção, mas o seu andar é pesado, visivelmente irreal. Teria sido melhor criar uma Fera a partir de figurino e maquiagem, à la Chewbacca, mas em uma indústria tão enlouquecida com as maravilhas do CGI, é difícil pensar na Disney tomando o caminho dos efeitos práticos em um conto de fadas. Outro pequeno problema é a edição do filme, súbita e com cortes equivocados em determinados momentos,

Mas nada é capaz de parar A Bela e a Fera de ser uma digna e bonita versão de um filme tão amado. Muitos podem criticar a falta de originalidade ou a natureza desnecessária de um filme não tão antigo, mas há espaço em Hollywood para esta versão mais adulta e musical, que ainda confere inventividade e respeito à obra.

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O elenco também contribui para o sucesso do longa. Emma Watson é uma figura forte e que passa um ar de determinação e graça à sua Bela, surpreendendo a todos ao cantar. Luke Evans e Josh Gad formam uma dupla divertidíssima e, enquanto o primeiro tem o ar de arrogância típico de Gaston, o LeFou de Gad rouba as cenas e ainda, de forma sutil, reinventa seu personagem, que agora tem uma quedinha pelo amigo “machão”. Kevin Kline faz um Maurice muito mais profundo, ao contrário do bobalhão pai de Bela de 1991. 

Por fim, o trabalho de vozes é excelente: Audra McDonald e Stanley Tucci são engraçados, Ewan McGregor é charmoso, Ian McKellen dá autoridade ao seu atrapalhado Horloge e Emma Thompson não se deixa intimidar pela difícil tarefa de assumir o papel originado por ninguém menos que Angela Lansbury.

Além de um ótimo entretenimento, um banquete visual e uma trilha sonora emocionante, A Bela e a Fera ainda se mantém fiel à sua mensagem de amor, bastante universal e delicada. Por outro lado, promove a cultura como um elemento tão transformador quanto esse sentimento. É um filme capaz de agradar qualquer um que vá de coração aberto ao cinema, estando envolto em mágica, nostalgia e amor.


La La Land: Cantando Estações

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Musical busca inspiração no passado e surpreende pela beleza e sensibilidade 

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: La La Land
DIREÇÃO: Damien Chazelle
DURAÇÃO: 128min
GÊNERO: Musical, Romance
PAÍS: Estados Unidos
ANO: 2016

5


Os grandes musicais hollywoodianos tiveram sua época de ouro há muitos anos. Hoje, os poucos representantes do gênero que chegam nos cinemas são adaptações de bem sucedidas peças da Broadway, muitas vezes sem originalidade. Foi justamente por isso que Damien Chazelle penou até conseguir ver seu filme, com músicas originais, sendo produzido. Nenhum estúdio queria assumir o risco de financiar um musical à la década de 50, mas La La Land prova que ainda há espaço para inventividade em um gênero que até agora parecia estar morto.

Mia (Emma Stone) é uma aspirante a atriz que trabalha na cafeteria de um dos grandes estúdios cinematográficos de Los Angeles. Após uma série de coincidências, ela conhece Sebastian (Ryan Gosling), um pianista que sonha em abrir seu próprio bar de jazz, e ambos se apaixonam.

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Quando La La Land começa, o público já sabe que assistirá a um grande filme. A cena de abertura, Another Day Of Sun (Mais Um Dia de Sol), é grandiosa e genial. A sequência mostra uma diversidade de pessoas em busca de um sonho em comum: serem reconhecidas por seus talentos. Ironicamente, a letra da música precipita a narrativa que está para ser contada.

A história por trás de La La Land é simples. Jovens em busca de um sonho se apaixonam, uma sinopse nem um pouco estranha aos filmes de Hollywood. A maneira como o longa é narrado, porém, é cheia de originalidade, beleza e charme, o que resulta no melhor filme de 2016 e também em um musical como há muito tempo não visto.

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Chazelle, de apenas 32 anos, é também o responsável pelo roteiro do longa, e combina uma história poderosa com muita técnica e, claro, paixão. La La Land é sentimento do começo ao fim e, justamente por isso, conquista com muita facilidade o seu público, seja pelo romantismo, o visual ou as canções compostas por Justin Hurwitz.

É o tipo de filme que te faz se sentir bem, que te instiga a sonhar. Pode parecer puro escapismo – palavra constantemente associada ao gênero musical – , mas La La Land apresenta uma história poderosa demais para ser reduzido apenas a isso. E escapismo, afinal de contas, não é problema: o cinema não seria o mesmo se não fosse por sua habilidade de transportar o público para novos mundos.

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O romantismo de La La Land é de uma delicadeza ímpar, complementado pela beleza da trilha sonora de Hurwitz e por seu visual nostálgico e colorido. Inocente e poética, é uma história que acha prazer em coisas pequenas, mas nem por isso deixa de acreditar em sonhos grandes.

Formado por Stone e Gosling, o par romântico parece previsível, mas, conforme a história segue, ele acaba fugindo do convencional. O roteiro brinca, de forma genial, com temas que estão além do nosso controle: sorte, acaso, talento e, principalmente, o amor. Todos esses elementos servem de combustível ao casal protagonista.

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Quando o roteiro não encontra palavras para expressar os sentimentos de Mia e Sebastian, o público é agraciado com uma canção ou tema da belíssima trilha sonora de Hurwitz, que adiciona ares de modernidade à grandeza dos musicais do passado. As coreografias, por outro lado, são mais simples, mas capazes de cativar justamente por isso, já que conferem um ar de inocência e diversão à trama.

A trilha sonora de La La Land é imprescindível para fazer o filme funcionar. Uma carta de amor a Los Angeles, o musical ressalta em diversos momentos a riqueza de sons e cores ao nosso redor e, principalmente, a fartura cultural presente na cidade californiana, ponto de encontro de muitos sonhadores, como Mia e Sebastian.

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O filme encontra apoio em uma paleta de cores diferenciada, que realça o aspecto de realismo fantástico próprio dos musicais, com cores bastante saturadas. Na sequência Someone in the Crowd (Alguém na Multidão), os vestidos de Mia e suas três amigas apresentam cada um uma cor vibrante, que ganham ainda mais vida ao serem contrastadas com os ambientes igualmente coloridos do apartamento onde moram.

Por detalhes como estes, La La Land beira a perfeição quanto à sua técnica. Figurino e cenário estão em harmonia, criando momentos mágicos, nostálgicos e surpreendentes.

Stone e Gosling têm perfeita sincronia em cena. O casal, que já trabalhou junto, tem química, e ambos conferem graça e leveza à trama. Ryan Gosling está charmoso e divertido, enquanto Emma Stone prova seu imenso talento com uma atuação encantadora e emocionante.

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Repartido de acordo com as estações do ano, La La Land mostra que, a cada momento da vida, nossas ambições, sentimentos e relacionamentos mudam. Assim como as estações constantemente se alternam, nossa vida também segue em frente. Tendo essa ideia em mente, o roteiro do filme se pergunta, diversas vezes, “e se?” Enquanto isso, homenageia clássicos como Cantando na Chuva, Sinfonia de Paris e Os Guarda-Chuvas do Amor, que brincam com temáticas parecidas.

Chazelle criou em La La Land uma obra-prima, que será lembrada por muito tempo, seja por renovar as forças do gênero musical ou por todos os prêmios que já ganhou – e que ainda deve ganhar no Oscar. Todos são merecidos, afinal, o filme é ousado e dá uma sensação única ao público. La La Land é uma homenagem aos sonhadores, um filme mágico que nos faz levitar, assim como Mia e Sebastian fazem em uma das cenas mais memoráveis e bonitas de Cantando Estações. É um turbilhão de emoções que te faz se sentir incrivelmente bem.


Carol

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Cate Blanchett e Rooney Mara brilham em delicada história de amor

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Carol
DIREÇÃO: Todd Haynes
DURAÇÃO: 118min
GÊNERO: Romance
PAÍS: Reino Unido, EUA
ANO: 2015
5

Quando a Academia anunciou seus indicados à 88a. cerimônia de entrega do Oscar, várias polêmicas surgiram, como já virou costume. Entre a ausência de Ridley Scott na categoria de direção e a de Que Horas Ela Volta no grupo de filmes estrangeiros, a maior controvérsia foi provavelmente a inexistência de atores e atrizes negros nas categorias de atuação. Mais uma vez a Academia deu uma desculpa para ser acusada de conservadora e preconceituosa.

Mas outro grupo menosprezado nessa edição foi o LGBT*. Afinal, o romance Carol, grande sucesso de crítica do ano, ficou de fora das duas principais categorias: Melhor Filme e Melhor Direção. Como se não bastasse ter tirado o Oscar de O Segredo de Brokeback Mountain dez anos atrás – para premiar o esquecível e bagunçado Crash – os membros da Academia agora jogam outra ótima história de amor homossexual para escanteio.

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Ambientado na década de 1950, Carol narra o romance entre a socialite e dona de casa Carol Aird (Cate Blanchett) – que está em um processo de divórcio com o pai de sua filha – e a balconista Therese Belivet (Rooney Mara). Ambas precisam superar as dificuldades impostas por uma sociedade conservadora e também pelo marido da protagonista, Harge (Kyle Chandler).

De todas as histórias de amor do ano, Carol é sem dúvida a mais sensível e bonita. Toda a sua narrativa é construída com delicadeza e a direção de Todd Haynes é excelente, capaz de tratar os impasses da relação das protagonistas com sutileza.

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Desde o primeiro momento, fica clara a atração que Carol e Therese sentem uma pela outra. O caminho até poderem compartilhar seus sentimentos, porém, é longo. Em uma sociedade preenchida de tabus, elas precisam dar pequenos sinais de suas verdadeiras intenções. Uma fotografia ou uma mão no ombro são pequenos gestos, sutis, mas escolhidos de forma inteligente pelo roteirista Phyllis Nagy para preparar terreno para  o florescer daquele romance.

Na cena em que finalmente se declaram e fazem amor – porque seria muito reducionista chamar uma cena tão delicada e bonita simplesmente de “sexo” – temos um dos pontos altos do filme. É um momento sincero, hipnotizante, que para ser tão bom precisa confiar na incrível química entre Blanchett e Mara.

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Por falar nelas, as atrizes estão, como já virou costume, excelentes. Rooney Mara mostra que é uma das melhores jovens atrizes hoje em Hollywood, enquanto Cate Blanchett nos lembra o motivo de ser um dos bastiões de sua geração de atores. Talvez o filme não funcionasse tão bem com outras protagonistas, mas Mara e Blanchett se entregam a seus papeis e comovem o público com todos os sentimentos que estão por trás de seus olhares, gestos e da forma de falar.

Para auxiliar o brilhantismo presente no elenco, direção e roteiro, ainda existe uma parte técnica de altíssima qualidade. A trilha sonora é delicada e encantadora, incorporando a beleza da relação de Therese e Carol em todos os seus acordes. Enquanto isso, a direção de arte nos transporta para uma década de 1950 sem qualquer defeito e os figurinos de Sandy Powell – que também vestiu Blanchett em Cinderela – estão impecáveis e muito elegantes.

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Carol não é uma história piegas, melodramática, de amor. É um relato forte, sobre duas mulheres fortes e uma relação tão forte e verdadeira quanto qualquer outra. É uma pena que não esteja concorrendo ao Oscar de Melhor Filme, primeiro pela visibilidade que daria a seu tema, segundo porque é, sem dúvidas, um dos melhores trabalhos do ano. Em tempos de crescente intolerância, Carol nos mostra a intensidade e a leveza presentes no amor, um sentimento capaz de transformar qualquer coisa a seu redor.


10 músicas de amor da Disney

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10. Love Is An Open Door
Vejo Uma Porta Abrir
Frozen (2013)
Frozen pode ainda ser um recém-nascido em meio a tantos clássicos da Disney, mas sua trilha sonora já conquistou todo mundo. Apesar das condições, digamos, “adversas” do casal que interpreta Love Is An Open Door, não podemos negar que a música é bem fofa.
 

9. Bella Notte
A Dama e o Vagabundo (1955)
Em Dama e o Vagabundo, a canção Bella Notte traduz o amor dos protagonistas com uma bela macarronada e um toque de romantismo italiano. Além disso, nós sabemos que já teve muito casal por aí tentando imitar a cena do jantar à luz de velas, incluindo a parte do beijo de espaguete.
 

8. I See The Light

Vejo Enfim a Luz Brilhar
Enrolados (2010)
Para quem quer surpreender seu amado ou sua amada neste Dia dos Namorados, pegue algumas dicas com o Flynn Rider. Levar Rapunzel para um passeio de barco sob um céu iluminado foi, sem dúvida, uma ideia bastante original. É aí que a princesa entrega seu coração e emplaca I See The Light, outro sucesso romântico da Disney.
 

7. Kiss The Girl

Beije a Moça
A Pequena Sereia (1989)
Para um primeiro encontro, até que o príncipe Eric não se saiu tão mal, mas custava ter “beijado a moça”? Mesmo que o selinho não tenho rolado, todos os animais que estavam bisbilhotando o casal se saíram muito bem na performance de Kiss The Girl, que acabou contribuindo bastante para o ponto alto do romance entre Ariel e seu pretendente.
 

6. Once Upon a Dream

Era Uma Vez no Sonho
A Bela Adormecida (1959)
Um dos primeiros clássicos musicais da Disney, Once Upon A Dream não podia ficar fora da lista. Mesmo que o romance entre Aurora e Príncipe Philip tenha começado de forma rápida, ainda acreditamos em “amor à primeira vista” e, além disso, Aurora jura que já conhecia ele de seus sonhos, como diz na canção. Talvez seja o destino mesmo.
 

5. I Won’t Say

Não Direi
Hércules (1997)
A trilha sonora de Hércules é diferente de todas as outras da Disney, graças às Musas, que ainda tornam o filme divertidíssimo. Em I Won’t Say não podia ser diferente: o coro das deusas gregas aliado à personalidade de Mégara faz com que ela fique guardada na cabeça de muita gente.
 

4. A Whole New World

Um Mundo Ideal
Aladdin (1992)
Um tapete mágico dando a volta ao mundo já é algo bem romântico, mas se o passeio de Aladdin e Jasmine não tivesse uma boa trilha sonora, com certeza não seria uma cena tão apaixonante. Além de clássica, A Whole New World ainda ganhou uma versão brasileira feita pela Eliana, a vice rainha dos baixinhos. Impossível esquecer!
 

3. You’ll Be In My Heart

No Meu Coração Você Vai Sempre Estar
Tarzan (1999)
 
Apesar de ter Alan Menken como compositor da grande maioria de seus musicais, a Disney já contratou astros como Elton John e Phil Collins para sonorizarem sua animações. Tarzan é um desses casos: Collins foi responsável por compor clássicos como You’ll Be In My Heart, uma música que, além de muito bonita, agradou muitas mamães e papais que assistiram ao filme com seus filhos.
 

2. Can You Feel The Love Tonight?

Nesta Noite o Amor Chegou
O Rei Leão (1994)
 
A trilha sonora de Rei Leão é uma reunião de clássicos. Não é para menos, afinal, seu compositor é o britânico Elton John, que já está acostumado a fazer canções marcantes. Com a animação não podia ser diferente: Can You Feel The Love Tonight já se eternizou na cabeça e no coração de muita gente.
 

1. Beauty and The Best

A Bela e a Fera
A Bela e a Fera (1991)
 
A música tema de Bela e a Fera talvez tenha sido uma das melhores coisas que a Disney já nos ofereceu. É uma canção bonita e apaixonante, que acompanha uma das cenas mais icônicas do cinema. A música é tocada na mais romântica das atmosferas e eternizou um dos mais bonitos filmes de amor já feitos.
 
 

A Incrível História de Adaline

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Filme narra jornada amorosa de personagem que deixa de envelhecer

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: The Age of Adaline
DIREÇÃO: Lee Toland Krieger
DURAÇÃO: 110min
GÊNERO: Romance
PAÍS: Estados Unidos
ANO: 2015
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O tempo é objeto de estudo de diversos filmes, ficções científicas ou dramas. Explorar as alterações causadas por ele pela visão de uma personagem que não está submetida ao tempo não é novidade. Temos O Curioso Caso de Benjamin Button e até mesmo a trilogia De Volta Para o Futuro para provar isso. A Incrível História de Adaline, ainda assim, consegue se destacar neste cenário.

theAdaline Bowman (Blake Lively), estadunidense nascida no começo do século XX, tem uma breve vida. Pouco após se casar e ter uma filha, um acidente de carro é responsável por mata-la. Poucos segundos depois de seu coração parar, porém, um raio reanima seu corpo, que volta à vida e para de envelhecer. Adeline então atravessa o século, com a vantagem de ser imortal.

A sinopse é interessante, sem dúvida. O problema, porém, é que assim como este, qualquer outro resumo oficial do filme dá a ele um foco distinto do verdadeiro. Muitos que assistiram a Adaline pensaram que o longa exploraria ao máximo as mudanças decorrentes do tempo. Na verdade, a película não passa de um romance, que usa a condição de sua protagonista para dramatizar ainda mais sua trama.

Falta ambição ao diretor Lee The-Age-Of-Adaline-poster-4Toland Krieger, algo que chama atenção no filme: ao invés de se arriscar, ele prefere se ater ao sentimentalismo e limita o poder da trama que tem em mãos. Ficamos desapontados ao perceber que existe muito mais que uma história de amor para ser explorada em Adaline. Queremos notar as mudanças do mundo com o passar do tempo, as revoluções culturais e tecnológicas, mas nada disso é apresentado. A personagem de Blake Lively surge, inesperadamente, já nos dias atuais, totalmente adaptada ao presente e ressuscitando o passado em ocasiões escassas, nas quais a atenção está completamente voltada para sua vida amorosa, não às mudanças e eventos históricos.

Mesmo assim, é preciso dar crédito para a habilidade do filme em emocionar. Sua esfera romântica é verdadeiramente cativante e mostra, com delicadeza, uma história bonita de amor, sensibilizando o público ao expor os medos de sua protagonista. É justamente quando a vida romântica da personagem é explorada ao máximo que o filme ganha força.

theeExistem algumas incoerências no roteiro de Adaline. A explicação dada para os eventos que proporcionam a ela a imortalidade é bastante rasa, o que definitivamente não interfere na trama e até certo ponto contribui para o seu lado mais poético. Poderia, porém, ter sido melhor embasada.

A Incrível História de Adaline é um filme romântico, que comove o espectador sem grandes esforços. Cumpre seu papel no gênero, mas desperdiça sua capacidade de ir além. Ganha pontos pela originalidade, no que diz respeito à condição da protagonista, mas é também exatamente por isso que deixa a desejar. Para os que gostam do gênero, é um ótimo filme, com uma mensagem leve e bonita. Para os que buscam algo mais, Adaline serve para deixar evidente uma incrível história desperdiçada.


Elsa & Fred

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História de amor na terceira idade sofre pela falta de ambição

Por Leonardo Sanchez

TÍTULO ORIGINAL: Elsa & Fred

DIREÇÃO: Michael Radford

DURAÇÃO: 94min

GÊNERO: Romance, Comédia

PAÍS: Estados Unidos

ANO: 2014


Sempre que surge um filme estrangeiro que cai na graça do povo, lá estão os americanos para fazer uma versão própria, como em Elsa & Fred. O longa é uma regravação do filme argentino homônimo de 2005, que conquistou milhares de pessoas por sua fofura, ao tratar do amor entre idosos.

Elsa (Shirley MacLaine) é um senhora que certo dia recebe Fred (Christopher Plummer) como vizinho. Carrancudo e introspectivo, o protagonista evita qualquer tipo de aproximação de Elsa, até que, aos poucos, ele percebe que a companhia da vizinha pode significar uma nova vida, muito mais divertida. Nasce então uma delicada história de amor, pautada pelos caprichos da protagonista e que entra em choque com a impaciência de Lydia (Marcia Gay Harden), filha de Fred.

Acompanhar o romance do casal é apaixonante. Com muita graça e leveza, Elsa e Fred vão se aproximando e quebrando diversos preconceitos que existem quanto ao amor na terceira idade. Esse é o ponto alto do filme, abrir a mente do espectador. O roteiro, porém, sofre pela falta de desenvolvimento: é bonito, mas simples. Suas reviravoltas impedem um maior aprofundamento na relação dos dois e também em suas próprias personalidades. O gênio insistente e inclinado ao exagero de Elsa, por exemplo, não é explicado. É lógico que o público pode tirar suas próprias conclusões a respeito, mas nada realmente esclarecedor.

Shirley MacLaine e Christopher Plummer são divertidos em seus papéis, mas não conseguem explorá-los a fundo, pois recebem pouco espaço para diversificar. Suas personagens são fechadas, previamente desenvolvidas, fazendo com que o enorme talento dos artistas acabe desperdiçado. Mesmo assim, ambos têm sincronia em cena e carregam boa parte do filme nas costas. Outra atriz mal aproveitada é a vencedora do Oscar Marcia Gay Harden, que passa despercebida, com um papel inexpressivo e negligenciado.

Surge também como um problema a falta de naturalidade das cenas de Elsa & Fred. Muitas das passagens de humor não alcançam seu objetivo por serem mal executadas. O perfil incerto e relutante de Fred também é algo negativo, pois cansa e não tem muito sentido. Quando o espectador acha que o romance vai começar, a personagem de Plummer amarela.

Se você está procurando um filme leve, para descontrair, vale a pena assistir a Elsa & Fred, mas não espere uma grande história. A falta de ambição do diretor Michael Radford acabou deixando o longa devagar e previsível. Algumas cenas são bem humoradas e bonitas, mas fogem da atmosfera realista da versão original argentina. O amadorismo da direção de Radford deixa o longa sem personalidade, mesmo que este esteja baseado em um relacionamento tão carismático quanto o de Elsa e Fred. Devido à pertinência de seu tema, o amor na terceira idade, seria esperado que o filme fosse marcante. Tal expectativa, porém, acaba frustrada.