A Bela e a Fera

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Disney renova conto de fadas sem prejudicar sua essência

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Beauty and the Beast
DIREÇÃO: Bill Condon
DURAÇÃO: 129min
GÊNERO: Musical, Fantasia, Romance, Família
PAÍS: EUA
ANO: 2017

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A Bela e a Fera pode ter “apenas” 26 anos, mas é um clássico absoluto, não há como negar. A história de 1991 foi a primeira animação a ser indicada ao Oscar de Melhor Filme e venceu dois, nas categorias de Trilha Sonora e Canção Original.

Consequentemente, o filme faz parte da memória afetiva de milhares de crianças e adultos, e é centrado em uma história de amor que causa inveja em muitos romances. Em 1993, foi ainda a primeira produção da Disney na Broadway, onde também foi bem-sucedida. Com esse currículo, era apenas questão de tempo até que Bela e a Fera entrasse para o frenesi de live-action do estúdio. A boa notícia é que o projeto fez jus ao seu original.

Bela (Emma Watson) é uma jovem diferente dos moradores de sua aldeia, principalmente de Gaston (Luke Evans), que quer sua mão em casamento. Apaixonada por livros, ela mora com seu pai, Maurice (Kevin Kline), que é aprisionado no castelo da Fera (Dan Stevens) depois de se perder em uma floresta. Bela decide ficar no seu lugar e aos poucos descobre que seu novo lar foi enfeitiçado.

BEAUTY AND THE BEAST

A tarefa de recriar A Bela e a Fera é difícil. Primeiro por se tratar de um filme tão amado por muita gente. Segundo, porque o original de 1991 já é perfeito, um clássico. Mas Bill Condon teve habilidade suficiente para reaproveitar a história da Disney, deixando-a atraente e preservando seus encantos, e ainda soprando ar de novidade à trama.

O live-action é muito parecido com a obra original. Existem diálogos inteiros onde todas as palavras foram preservadas. Para quem quer novidade, Bela e a Fera pode ser frustrante – embora Mogli tenha se dado muito bem ao não ousar em seu roteiro. Mas se o original de 1991 funciona tão bem, não faria sentido distorcê-lo para a nova versão. Mesmo que a trama seja a mesma, existem alguns detalhes que repaginam a história.

BEAUTY AND THE BEAST

Como já foi amplamente divulgado, o capanga LeFou (Josh Gad) nesta versão é gay. Em todo o filme, vemos uma preocupação da Disney em adaptar seu clássico para os novos tempos. Casais interraciais aparecem em diversos momentos e Madame Garderobe (Audra McDonald) veste três vilões como mulheres e diz para eles serem “livres”, para a felicidade de um deles. Tudo é feito de forma sutil e contida. Não é uma revolução, mas é sem dúvidas um importante e necessário passo.

Bela, também, é transformada em uma mulher ainda mais independente – e Emma Watson tem grande influência nisso – , e se consolida como heroína da história, não como princesa. “Ela deve estar chorando em seu quarto”, dizem os objetos mágicos certa hora, e em seguida, vemos Bela amarrando pedaços de pano para tentar fugir pela janela. Em outro momento, ela ensina uma menina a ler, escandalizando sua aldeia e até mesmo um professor.

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A cena, inclusive, ajuda a situar o filme em seu contexto histórico. Ao invés de estar perdido no espaço-tempo, como a maioria dos contos de fadas, A Bela e a Fera faz questão de mostrar que se passa no século XVIII, o que faz muito bem à história. Pequenas referências – como vestimentas e o cravo Maestro Cadenza (Stanley Tucci) – e brincadeiras com a época – como a arcada dentária do mesmo personagem – contribuem para isso.

O filme ainda tapa vários buracos criados em 1991. O motivo pelo qual nenhum aldeão sabe da existência do castelo, a linha temporal dos acontecimentos, a cumplicidade dos conterrâneos de Gaston com sua arrogância e muitas outras questões são solucionadas para tornar esta versão mais madura.

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Outro aspecto que faz deste Bela e a Fera diferente de seu antecessor são as canções. Sim, elas são as mesmas, mas os arranjos musicais foram mudados, algumas letras incrementadas e quatro músicas inéditas adicionadas à trilha sonora. Estas, inclusive, não alcançam o nível de excelência das originais, mas também são muito bonitas, tendo sua função na história. O destaque é para Evermore – cantada por uma Fera que pode causar estranhamento pela voz, mas à qual logo nos adaptamos – , que é extremamente sensível e preenche a falta de música no papel da Fera.

As coreografias e performances também são ótimos, se aproximando de clássicos do gênero musical de forma divertida. Se a reprise de Belle espelha a mais clássicas das cenas de A Noviça Rebelde, Be Our Guest é um banquete aos amantes de musicais. As referências no show de Lumière (Ewan McGregor) são várias: Cabaret, Cantando na Chuva e Moulin Rouge! são só algumas. A cena, inclusive, é um presente para os olhos, extremamente bem feita, colorida, dançante e sofisticada.

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Tecnicamente, o filme é deslumbrante. O design de produção é excelente, combinando elementos do original de 1991 com referências claras ao século XVIII e ainda cenários e objetos elegantes, que invocam um senso de fantasia e imaginação típico dos contos de fadas. Os figurinos de Jacqueline Durran também são belíssimos e o clássico vestido de valsa de Bela é atualizado, não deixando a desejar.

Os efeitos visuais usados para criar os objetos mágicos são perfeitos. As soluções encontradas para seus movimentos são engenhosas e dão credibilidade ao feitiço lançado no castelo – Chip (Nathan Mack), por exemplo, anda como se estivesse em um skate, dando jovialidade ao personagem.

Beauty and the Beast

A Fera deixa a desejar. Seu rosto é bastante humano, tem emoção, mas o seu andar é pesado, visivelmente irreal. Teria sido melhor criar uma Fera a partir de figurino e maquiagem, à la Chewbacca, mas em uma indústria tão enlouquecida com as maravilhas do CGI, é difícil pensar na Disney tomando o caminho dos efeitos práticos em um conto de fadas. Outro pequeno problema é a edição do filme, súbita e com cortes equivocados em determinados momentos,

Mas nada é capaz de parar A Bela e a Fera de ser uma digna e bonita versão de um filme tão amado. Muitos podem criticar a falta de originalidade ou a natureza desnecessária de um filme não tão antigo, mas há espaço em Hollywood para esta versão mais adulta e musical, que ainda confere inventividade e respeito à obra.

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O elenco também contribui para o sucesso do longa. Emma Watson é uma figura forte e que passa um ar de determinação e graça à sua Bela, surpreendendo a todos ao cantar. Luke Evans e Josh Gad formam uma dupla divertidíssima e, enquanto o primeiro tem o ar de arrogância típico de Gaston, o LeFou de Gad rouba as cenas e ainda, de forma sutil, reinventa seu personagem, que agora tem uma quedinha pelo amigo “machão”. Kevin Kline faz um Maurice muito mais profundo, ao contrário do bobalhão pai de Bela de 1991. 

Por fim, o trabalho de vozes é excelente: Audra McDonald e Stanley Tucci são engraçados, Ewan McGregor é charmoso, Ian McKellen dá autoridade ao seu atrapalhado Horloge e Emma Thompson não se deixa intimidar pela difícil tarefa de assumir o papel originado por ninguém menos que Angela Lansbury.

Além de um ótimo entretenimento, um banquete visual e uma trilha sonora emocionante, A Bela e a Fera ainda se mantém fiel à sua mensagem de amor, bastante universal e delicada. Por outro lado, promove a cultura como um elemento tão transformador quanto esse sentimento. É um filme capaz de agradar qualquer um que vá de coração aberto ao cinema, estando envolto em mágica, nostalgia e amor.


La La Land: Cantando Estações

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Musical busca inspiração no passado e surpreende pela beleza e sensibilidade 

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: La La Land
DIREÇÃO: Damien Chazelle
DURAÇÃO: 128min
GÊNERO: Musical, Romance
PAÍS: Estados Unidos
ANO: 2016

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Os grandes musicais hollywoodianos tiveram sua época de ouro há muitos anos. Hoje, os poucos representantes do gênero que chegam nos cinemas são adaptações de bem sucedidas peças da Broadway, muitas vezes sem originalidade. Foi justamente por isso que Damien Chazelle penou até conseguir ver seu filme, com músicas originais, sendo produzido. Nenhum estúdio queria assumir o risco de financiar um musical à la década de 50, mas La La Land prova que ainda há espaço para inventividade em um gênero que até agora parecia estar morto.

Mia (Emma Stone) é uma aspirante a atriz que trabalha na cafeteria de um dos grandes estúdios cinematográficos de Los Angeles. Após uma série de coincidências, ela conhece Sebastian (Ryan Gosling), um pianista que sonha em abrir seu próprio bar de jazz, e ambos se apaixonam.

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Quando La La Land começa, o público já sabe que assistirá a um grande filme. A cena de abertura, Another Day Of Sun (Mais Um Dia de Sol), é grandiosa e genial. A sequência mostra uma diversidade de pessoas em busca de um sonho em comum: serem reconhecidas por seus talentos. Ironicamente, a letra da música precipita a narrativa que está para ser contada.

A história por trás de La La Land é simples. Jovens em busca de um sonho se apaixonam, uma sinopse nem um pouco estranha aos filmes de Hollywood. A maneira como o longa é narrado, porém, é cheia de originalidade, beleza e charme, o que resulta no melhor filme de 2016 e também em um musical como há muito tempo não visto.

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Chazelle, de apenas 32 anos, é também o responsável pelo roteiro do longa, e combina uma história poderosa com muita técnica e, claro, paixão. La La Land é sentimento do começo ao fim e, justamente por isso, conquista com muita facilidade o seu público, seja pelo romantismo, o visual ou as canções compostas por Justin Hurwitz.

É o tipo de filme que te faz se sentir bem, que te instiga a sonhar. Pode parecer puro escapismo – palavra constantemente associada ao gênero musical – , mas La La Land apresenta uma história poderosa demais para ser reduzido apenas a isso. E escapismo, afinal de contas, não é problema: o cinema não seria o mesmo se não fosse por sua habilidade de transportar o público para novos mundos.

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O romantismo de La La Land é de uma delicadeza ímpar, complementado pela beleza da trilha sonora de Hurwitz e por seu visual nostálgico e colorido. Inocente e poética, é uma história que acha prazer em coisas pequenas, mas nem por isso deixa de acreditar em sonhos grandes.

Formado por Stone e Gosling, o par romântico parece previsível, mas, conforme a história segue, ele acaba fugindo do convencional. O roteiro brinca, de forma genial, com temas que estão além do nosso controle: sorte, acaso, talento e, principalmente, o amor. Todos esses elementos servem de combustível ao casal protagonista.

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Quando o roteiro não encontra palavras para expressar os sentimentos de Mia e Sebastian, o público é agraciado com uma canção ou tema da belíssima trilha sonora de Hurwitz, que adiciona ares de modernidade à grandeza dos musicais do passado. As coreografias, por outro lado, são mais simples, mas capazes de cativar justamente por isso, já que conferem um ar de inocência e diversão à trama.

A trilha sonora de La La Land é imprescindível para fazer o filme funcionar. Uma carta de amor a Los Angeles, o musical ressalta em diversos momentos a riqueza de sons e cores ao nosso redor e, principalmente, a fartura cultural presente na cidade californiana, ponto de encontro de muitos sonhadores, como Mia e Sebastian.

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O filme encontra apoio em uma paleta de cores diferenciada, que realça o aspecto de realismo fantástico próprio dos musicais, com cores bastante saturadas. Na sequência Someone in the Crowd (Alguém na Multidão), os vestidos de Mia e suas três amigas apresentam cada um uma cor vibrante, que ganham ainda mais vida ao serem contrastadas com os ambientes igualmente coloridos do apartamento onde moram.

Por detalhes como estes, La La Land beira a perfeição quanto à sua técnica. Figurino e cenário estão em harmonia, criando momentos mágicos, nostálgicos e surpreendentes.

Stone e Gosling têm perfeita sincronia em cena. O casal, que já trabalhou junto, tem química, e ambos conferem graça e leveza à trama. Ryan Gosling está charmoso e divertido, enquanto Emma Stone prova seu imenso talento com uma atuação encantadora e emocionante.

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Repartido de acordo com as estações do ano, La La Land mostra que, a cada momento da vida, nossas ambições, sentimentos e relacionamentos mudam. Assim como as estações constantemente se alternam, nossa vida também segue em frente. Tendo essa ideia em mente, o roteiro do filme se pergunta, diversas vezes, “e se?” Enquanto isso, homenageia clássicos como Cantando na Chuva, Sinfonia de Paris e Os Guarda-Chuvas do Amor, que brincam com temáticas parecidas.

Chazelle criou em La La Land uma obra-prima, que será lembrada por muito tempo, seja por renovar as forças do gênero musical ou por todos os prêmios que já ganhou – e que ainda deve ganhar no Oscar. Todos são merecidos, afinal, o filme é ousado e dá uma sensação única ao público. La La Land é uma homenagem aos sonhadores, um filme mágico que nos faz levitar, assim como Mia e Sebastian fazem em uma das cenas mais memoráveis e bonitas de Cantando Estações. É um turbilhão de emoções que te faz se sentir incrivelmente bem.


Moana: Um Mar de Aventuras

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Disney apresenta nova heroína em mais uma volta à era dos musicais

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Moana
DIREÇÃO: Ron Clements e John Musker
DURAÇÃO: 107min
GÊNERO: Aventura, Animação, Família, Musical
PAÍS: EUA
ANO: 2016
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 O período mais fértil e bem-sucedido dos estúdios de animação Disney começou com A Pequena Sereia, em 1989, e se estendeu até o fim da década de 90.

Durante dez anos, a empresa viu a popularidade de seus filmes alcançarem níveis inimagináveis e parte desse sucesso está nas mãos dos músicos que passaram pela companhia, tornando filmes como A Bela e a Fera e O Rei Leão não somente clássicos animados, mas também musicais. Novas tentativas de produzir filmes à la Broadway vêm ocorrendo desde 2009 e Moana é o novo resultado dessa volta ao passado.

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Nas ilhas da Polinésia mora uma comunidade chefiada por Tui (Temuera Morrison), pai de Moana (Auli’i Cravalho), que logo terá que herdar as responsabilidades de cuidar de seu povo. Mas uma praga começa a tomar conta da ilha em que moram e a heroína precisa responder ao chamado do oceano e procurar o semideus Maui (Dwayne Johnson) para buscar uma solução.

Criar uma “princesa” da Polinésia foi um grande passo dado pela Disney. Mas criar uma nova protagonista feminina forte, determinada e independente foi um passo maior ainda.

Depois que Frozen provou, em 2013, que meninas não precisam de príncipes para fazer de uma história um filme popular e lucrativo, o estúdio parece ter entendido o recado de que a velha fórmula “donzela em apuros” já está ultrapassada. Só esse ano, a companhia lançou Zootopia e Moana, dois sucessos de bilheteria que têm personagens femininas fortes à frente.

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Moana até mesmo tira sarro da fórmula de princesa da Disney em uma cena engraçada e genial – “se você usa um vestido e tem um animalzinho, é uma princesa”, provoca Maui, para logo depois descobrir que havia subestimado a heroína.

Com uma mensagem feminista, de lutar pelo que deseja independente de quem você for, Moana é mais uma obra-prima da empresa de Mickey Mouse. É uma história tão contagiante quanto a de Frozen – um dos melhores filmes na história da Disney – e com personagens tão interessantes e inspiradores quanto as irmãs Anna e Elsa.

Trazer lendas antigas da Polinésia para o filme foi uma ótima decisão dos veteranos Clements e Musker, que fizeram algo parecido em Hércules. O material que ambos tinham em mãos foi muito bem aproveitado e toda a riqueza dessa cultura acabou se tornando uma animação bastante divertida e original.

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As personagens do filme também são muito bem desenvolvidas. Moana é aventureira, uma líder nata, mas que está dividida entre as responsabilidades para com a sua comunidade e seu desejo de explorar o oceano. Maui é uma personagem arrogante, mas ainda assim carismática e é interessante ver como, aos poucos, ele vai se tornando uma pessoa melhor graças à heroína do filme. Os “sidekicks” Heihei e Pua, um galo e um porquinho, são engraçados e fofos.

O filme só perde pela ausência de um vilão clássico. O carangueijo Tamatoa protagoniza um dos momentos mais aleatórios do cinema em 2016, e seu papel no filme nunca fica muito claro. Enquanto isso, a praga que atinge a ilha de Moana tem motivos pouco convincentes para acontecer e, por isso, o desfecho do filme acaba sendo o único momento em que a história perde qualidade. Nada que prejudique o filme como um todo, mas seria um ponto a melhorar.

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O grande trunfo de Moana acaba sendo sua trilha sonora, composta pelo queridinho do momento Lin-Manuel Miranda, criador do sucesso da Broadway Hamilton, e por Opetaia Foa’i e Mark Mancina. A trilha é uma ótima sucessora para Frozen e contém canções criativas, bonitas e de qualidade semelhante à dos clássicos da década de 90. O destaque fica para How Far I’ll Go, um novo Let it Go tão encantador quanto.

O estúdio de animação da Disney emplacou dois filmes incríveis no ano de 2016. Zootopia e Moana são ambos excelentes e é difícil escolher para quem torcer na temporada de premiações. Os dois são divertidos e tratam de temas importantes e maduros de forma sutil e didática, com Moana tendo a necessária renovação da linha de princesas da Disney como um de seus principais objetivos. A protagonista do filme é forte, tornando o longa uma verdadeira inspiração para as milhares de crianças que crescem assistindo às animações da companhia.


Tudo o que você precisa saber sobre o novo ‘A Bela e a Fera’

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A Walt Disney Pictures finalmente decidiu quando vai lançar A Bela e a Fera em live-action (com atores de verdade). Pode marcar no calendário: dia 17 de março de 2017 nós finalmente assistiremos à super esperada adaptação do clássico animado. Levado aos cinemas originalmente em 1991, se tornando um dos filmes mais amados de sua geração, A Bela e a Fera já teve vários detalhes confirmados e esperamos que novas informações apareçam nos próximos dias. Confira o que a Disney já disse sobre a nova produção!

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Emma Watson fará o papel de uma das princesas mais queridas da Walt Disney: Bela. A bruxinha de Harry Potter sairá do universo de Hogwarts diretamente para o interior da França. A atriz já afirmou em sua página no Facebook que em breve começará a fazer aulas de canto para viver a heroína. 

Bônus: pouca gente sabe, mas apesar de britânica, Emma nasceu mesmo em Paris. É francesa assim como Bela.

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Dan Stevens, do seriado Downton Abbey, emprestará o seu sotaque britânico para a Fera. O ator também marcou presença em Uma Noite no Museu 3.

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Luke Evans, de Drácula, será o arrogante Gaston. O que pouca gente sabe é que o ator canta. Ela já estrelou diversas produções na West End (a Broadway londrina), como Rent e Miss Saigon.

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Kevin Kline, veterano vencedor do Oscar, será Maurice, o inventor pai de Bela.

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Emma Thompson, também vencedora do Oscar e que foi vista no filme da Disney Walt Nos Bastidores de Mary Poppins, cantará a inesquecível música tema de Bela e a Fera. Ela dará vida ao bule Senhora Potts (ou Madame Samovar) e já mostrou que tem voz em uma produção do musical Sweeney Todd, no ano passado.

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Josh Gad, o comediante que deu vida ao Olaf, de Frozen, está cotado para arrancar risadas como LeFou, o ajudante de Gaston.

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Audra McDonald, veterana da Broadway e vencedora de 6 prêmios Tony, foi anunciada como a intérprete do guarda-roupa Madame de la Grande Bouche, ou Garderobe, na versão em inglês. Audra é, de todos os nomes do elenco, aquele com mais experiência no ramo musical, algo que provavelmente dará maior destaque para a sua personagem na nova versão do filme.

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Conhecido por dar vida ao Gandalf, de O Senhor dos Anéis, e ao Magneto, da saga X-Men, Ian McKellen terá um novo papel adorado no seu currículo. O britânico intepretará Horloge (ou Dim Dom, como é chamado no teatro), o relógio que é  mordomo do castelo da Fera e vive implicando com Lumière.

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O candelabro, por sua vez, será encarnado por um ator que já soltou a voz nas telas: Ewan McGregor, protagonista do musical Moulin Rouge!, será o responsável por dar vida a Lumière. Será que o escocês vai dar conta de Be Our Guest (À Vontade / Pra Você), o número que é carro chefe do musical?

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A namorada do candelabro, o espanador de pó Babette (ou Plumette) ficará a cargo de Gugu Mbatha-Raw, atriz vista em O Destino de Júpiter.

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Adrian Schiller, ator pouco conhecido, é o responsável pelo sádico Monsieur D’Arque, dono do hospício no qual Gaston tenta internar o pai de Bela.

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Uma nova personagem já foi confirmada: Stanley Tucci, o Caesar Flickerman de Jogos Vorazes, interpretará Cadenza, um criado transformado em piano, descrito como um “maestro neurótico”.

Alan Menken, compositor responsável por garantir à Disney 8 Oscars, voltará à Bela e a Fera para fazer o score da adaptação, além de regravar os clássicos que criou na década de 90. O estúdio também confirmou novas canções, além daquelas compostas especialmente para a Broadway, como Home e If I Can’t Love Her.

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Bill Condon, de A Saga Crepúsculo: Amanhecer, é o responsável pela direção, enquanto Stephen Chbosky, que já trabalhou com Emma Watson em As Vantagens de Ser Invisível, escreverá o roteiro.

Fique de olho nesse post para saber das últimas notícias do longa! Com tantos clássicos no currículo, qual é a música que você mal pode esperar para ouvir de novo?



Peter Pan Live!

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Versão televisiva do musical tem erros, mas mesmo assim encanta

Por Leonardo Sanchez

TÍTULO ORIGINAL: Peter Pan Live!

EMISSORA: NBC

GÊNERO: Musical, Família

PAÍS: Estados Unidos

ANO: 2014


Em 2013, a emissora americana NBC levou para a televisão o clássico A Noviça Rebelde, encenado ao vivo em rede nacional. O programa foi visto por quase 20 milhões de pessoas e o sucesso fez com que a produtora anunciasse planos de continuar adaptando clássicos teatrais para a TV como parte da programação especial de Natal. Em 2014, foi a vez do musical Peter Pan, já transmitido ao vivo em outros anos, ganhar uma nova versão. A conclusão é que, independente da montagem, o clássico escrito por J. M. Barrie tem um imenso potencial para encantar tanto as crianças quanto os adultos.

Tradicionalmente, o papel de Peter Pan é interpretado por uma mulher e, diferente de 2013, a NBC escolheu bem a protagonista da montagem desse ano. Enquanto a interpretação de Carrie Underwood em A Noviça Rebelde foi uma das coisas mais assustadoras já exibidas na televisão, Allison Williams encarna o “menino que não queria crescer” maravilhosamente bem. A atriz da série Girls é afinadíssima e, mesmo que seu sotaque britânico não seja tão convincente, a americana constrói um Peter Pan com personalidade e carisma. Williams brilha sempre que aparece na tela.

Kelli O’Hara, veterana da Broadway, mesmo interpretando a periférica senhora Darling, encanta com sua voz e se entrega completamente ao papel. O ensemble todo é talentoso, encenando os números musicais com naturalidade e vivacidade. A grande decepção no elenco, porém, fica a cargo de Christopher Walken e seu Capitão Gancho, que muitas vezes pareceu entediado. Entre falas esquecidas e números de sapateado de mentirinha, Walken só é salvo pela marca própria que dá ao vilão, que não deixa de ser interessante.

A direção de arte é linda. As imagens de Londres são boas e a Terra do Nunca enche os olhos do espectador. A artificialidade do visual da ilha não é um ponto negativo. Muito pelo contrário: explora de maneira criativa o imaginário infantil e adiciona graça à produção. Da mesma maneira, os figurinos são muito bem trabalhados, com exceção dos Meninos Perdidos, cujas roupas pecam pela falta de sujeira e de rasgos. Ainda na parte técnica, é inegável a existência de falhas na fotografia, na edição e também na mixagem de som. Esses problemas, porém, são esperados em uma produção ao vivo de uma peça tão complexa.

Os números musicais são contagiantes e, com pouco esforço, emocionam. As melodias são belíssimas e a coreografia é realmente esplêndida. A primeira dança protagonizada pelos Meninos Perdidos e os índios é montada de forma inteligente, assim como muitos dos outros números. O roteiro preserva o brilhantismo da peça original e conta com boas pitadas de humor, encantando crianças e adultos, de maneiras diferentes, mas com igual sensibilidade.

Existem alguns outros erros que, infelizmente, quebram a naturalidade do enredo. A cena em que a personagem de Williams pede para o público bater palmas e salvar Sininho chega a ser tosca. Com uma plateia ao vivo, a ideia talvez funcionasse. No caso da televisão, fica sem sentido e não convence.

De maneira geral, Peter Pan Live! é encantador. É verdade que a história original de J. M. Barrie é responsável por grande parte do sucesso da montagem, mas, ainda assim, a equipe passou por cima de qualquer problema esperado em uma transmissão ao vivo como esta, entregando um programa divertido e bonito. Os números musicais e suas interpretações despertam sensações únicas e conquistam o público sem qualquer dificuldade. A produção tem personalidade e o jeito caseiro que a narrativa adquire a deixa ainda mais interessante. Peter Pan Live! foi a maneira perfeita que a emissora NBC encontrou para unir a família, honrando não somente o musical original, mas também o livro.