Mulher-Maravilha

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Em sua estreia como protagonista no cinema, heroína salva o universo da DC

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Wonder-Woman
DIREÇÃO: Patty Jenkins
DURAÇÃO: 121min
GÊNERO: Ação
PAÍS: EUA
ANO: 2017
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Quando percebeu que tinha ficado para trás no desbravamento do mundo dos super-heróis nos cinemas, a DC Comics tratou de se apressar. Anunciou um universo estendido com filmes como Batman vs Superman e Esquadrão Suicida.

O resultado não foi exatamente o esperado: ambos renderam duras críticas e a nova empreitada da DC se tornou motivo de piada, principalmente frente à bem-sucedida Marvel. Mas eis que chega Mulher-Maravilha, há 76 anos aguardando um filme só seu, e decide salvar o dia.

Se uma protagonista feminina em um filme de heróis era motivo de desconfiança até ontem, agora a heroína aparece para dar esperança aos fãs dos quadrinhos, mostrando que este universo também é lugar de mulher.

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No filme, Diana Prince (Gal Gadot) vive em uma ilha habitada por uma tribo de mulheres guerreiras, as amazonas. Elas permanecem longe dos olhares humanos até que o avião do americano Steve Trevor (Chris Pine) cai nas águas que beiram o local. Daiana então descobre que a Primeira Guerra Mundial está em curso e decide se envolver no conflito para restabelecer a paz.

Com a Disney à frente da Marvel, os filmes da marca ganharam o selo de aprovação para toda a família. Em tramas aventureiras e bem-humoradas, seus heróis conquistaram um público diversificado.

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A DC decidiu tomar o caminho inverso e seu Batman vs Superman ficou marcado pela fotografia escura, personagens sombrios e uma trama que se esforça para parecer madura, mas que na verdade limita seus protagonistas a problemas tontos e que não se sustentam. Para não cometer o mesmo erro em Esquadrão Suicida, a DC tentou injetar uma pitada de ironia na história, mas falhou miseravelmente.

Talvez por isso a diretora Patty Jenkins tenha dado a Mulher-Maravilha uma roupagem totalmente diferente. O filme tem cores, momentos de riso e seriedade bem definidos e está muito mais preocupado em apresentar e empoderar sua protagonista do que fazer dela parte de um universo maior.

WONDER WOMAN

Toda a ação deste longa tem como pano de fundo a Primeira Guerra, mas isso não é motivo para fazer a Mulher-Maravilha das telas a personagem patriota que habita nosso imaginário. Diana é uma entidade grega e, apesar das cores de seu uniforme, nunca deveria ser associada à imagem de tesouro nacional dos Estados Unidos, como o enfadonho e imperialista Capitão América.

A escolha da israelense Gal Gadot é outro acerto que corrobora para universalizar o filme. A atriz surpreende e está fantástica no papel, juntando determinação e força com originalidade e sagacidade, fazendo da protagonista o ícone feminino tão necessário no cinema de super-heróis. E não é por estar em um posto normalmente dedicado aos homens que sua Mulher-Maravilha perde a feminilidade. Muito pelo contrário: sua força advém justamente de sua condição enquanto mulher.

Chris-Pine-and-Gal-Gadot-in-Wonder-Woman

O filme deixa a desejar em dois aspectos. O primeiro é o dos efeitos especiais, que em determinados momentos parecem cenas de videogames. Mas o que incomoda mesmo é a solução para a problemática da trama de Mulher-Maravilha. Seu vilão é derrotado de forma pouco convincente, sem muito esforço. Faltou lapidar a parte final do enredo.

Mas nada é capaz de derrotar a heroína. Estes dois problemas se tornam irrelevantes, já que todos os outros aspectos da trama estão em harmonia e colaboram para destacar a importância dos ideais e da origem de Diana Prince. Há equilíbrio no longa, que traça um perfil da personagem de forma dinâmica, fazendo o filme voar, sem nunca perder o ritmo.

Depois de esperar 76 anos para chegar à telona, Mulher-Maravilha o faz em grande estilo. É um filme divertido, com ótimas cenas de ação, uma boa trama e, o mais importante, empoderado: na frente e por trás das câmeras. Se Gal Gadot e sua heroína simbolizam a força feminina tão necessária nesse universo, a diretora Patty Jenkins faz um trabalho admirável e determinante para o sucesso de um filme verdadeiramente maravilhoso.