Homem-Aranha: De Volta ao Lar

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Marvel coloca ordem na casa depois de seis filmes do heróis em 15 anos

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Spider-Man: Homecoming
DIREÇÃO: Jon Watts
DURAÇÃO: 133min
GÊNERO: Ação, Aventura
PAÍS: EUA
ANO: 2017
4
 

Em apenas 15 anos, Homem-Aranha protagonizou seis filmes – e ainda fez uma participação especial em Capitão América: Guerra Civil. Mas, diferente de Hugh Jackman e seu Wolverine, Peter Parker teve três diferentes identidades ao longo de sua jornada cinematográfica.

Tudo estava bem na trilogia estrelada por Tobey Maguire, até que Andrew Garfield vestiu o uniforme vermelho e azul em dois filmes que deixaram o futuro da franquia incerto. A Marvel então viu que era hora de entrar no jogo e firmou uma parceria com a Sony, atual detentora dos direitos do personagem, para trazer uma versão mais jovem dele às telas. O resultado não poderia ser melhor.

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Depois de ajudar Tony Stark (Robert Downey Jr.) em Capitão América: Guerra Civil, Peter Parker (Tom Holland) volta para sua rotina como estudante em Nova York. O garoto precisa balancear sua vida de adolescente com seus poderes, enquanto espera ser chamado novamente para participar da equipe de heróis. Um dia, descobre um grupo comandado pelo vilão Abutre (Michael Keaton), que vende armas com tecnologia extraterrestre para criminosos da cidade, e decide intervir.

Jovial. Esta é a palavra ideal para descrever esse novo capítulo na saga de Homem-Aranha. O público é apresentado a um Peter Parker com obrigações no colégio, amores adolescentes, que precisa dar satisfações à sua tia May e é tratado como criança por Tony Stark. Essa combinação não podia ter um resultado melhor, gerando um longa que, além de divertido e cheio de ação, se destaca por ser, em sua essência, um filme de “coming of age”.

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O subgênero engloba aqueles longas que destacam a passagem da infância para a vida adulta, que falam sobre amadurecimento, como em O Clube dos Cinco e Curtindo a Vida Adoidado, ambos referenciados pela trama ou até mesmo pela campanha de publicidade de De Volta ao Lar.

Peter Parker está, no filme, desesperadamente buscando por sua verdadeira identidade, algo comum a qualquer adolescente, com ou sem superpoderes. A temática acaba fazendo com que Homem-Aranha se sobressaia quando comparado a outros filmes da Marvel, preocupados com cenas de luta e destruição em vez de acrescentar narrativas mais aprofundadas em seus roteiros. Tudo isso sem perder a marca registrada do estúdio: cenas bem-humoradas quando menos se espera.

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O maior desafio do filme certamente foi tornar sua história original e atraente, depois de seis incursões do Aranha nos cinemas. Mas De Volta ao Lar tira isso de letra, e em grande parte devido a seu astro. Tom Holland está perfeito no papel e foi capaz de atualizar o personagem sem fazer muito esforço.

O ator transborda carisma e, apesar dos 20 anos de idade, se encaixa com naturalidade nos dilemas adolescentes de Peter Parker, um personagem mais jovem. Holland une com maestria as diferentes faces do protagonista: ele é inocente, brincalhão, atrapalhado e bondoso, uma personalidade com muito potencial para se destacar em meio a tantos Vingadores.

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Marvel e Sony ainda acertaram em cheio no vilão do longa-metragem. Michael Keaton está excelente em um papel igualmente bom. O Abutre foge dos maniqueísmos tão comuns ao subgênero de heróis. Ele não quer dominar o mundo ou acumular poder absoluto: ele é apresentado como um homem comum que, frente às adversidades, recorre ao crime. Ele tem uma vida normal – o que fica claro em uma cena incrível, inesperada e muito bem executada – e não dava bola para os Vingadores até Peter Parker resolver se intrometer nos seus negócios.

Com esses e tantos outros personagens interessantes – o que inclui tia May, cujo passado nunca é explicado, poupando o público de uma já conhecida história de origem – , as mais de duas horas de filme voam. Cenas de ação, momentos cômicos e dramas adolescentes se alternam, deixando a trama multifacetada, rica em detalhes e com uma complexidade rara nos filmes do gênero. Resta saber se o Aranha dos cinemas continuará honrando um dos heróis mais queridos dos quadrinhos. Por enquanto, tudo indica que Peter Parker está no caminho certo.


Guardiões da Galáxia Vol. 2

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Trama espacial continua sendo o que há de mais criativo na Marvel

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Guardians of the Galaxy Vol. 2
DIREÇÃO: James Gunn
DURAÇÃO: 136min
GÊNERO: Ação, Aventura, Ficção, Comédia
PAÍS: EUA
ANO: 2017
4

Fugindo de uma fórmula segura e já cansativa seguida pela Disney desde que assumiu o controle da Marvel, Guardiões da Galáxia inovou e surpreendeu quando foi lançado em 2014. Não à toa, sua sequência gerou grande expectativa entre os fãs e, por sorte, não decepcionou, investindo significativamente em um roteiro cada vez mais bem-humorado e driblando o politicamente correto tão entediante do mundo dos heróis.

Depois de salvarem a galáxia e se firmarem como anti-heróis, Peter Quill (Chris Pratt), Gamora (Zoe Saldana), Drax (Dave Bautista), Rocket (Bradley Cooper) e Groot (Vin Diesel) embarcam em uma missão que levará o Senhor das Estrelas (ou Star-Lord) a descobrir a verdade sobre seus pais.

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Dar continuidade a um filme que recebeu um mar de elogios não somente dos fãs da Marvel, mas também da crítica e daqueles que torcem o nariz para a maioria das tramas de heróis é uma tarefa difícil. Por sorte, James Gunn, diretor do primeiro Guardiões da Galáxia, encabeçou também sua sequência e manteve o ritmo e o tom já vistos nas telonas em 2014. Dessa forma, a margem para erro era pequena – mas ainda assim possível.

Se o primeiro Guardiões se encarregou de introduzir o quinteto de criminosos formado pelos protagonistas, seu segundo volume retorna ao passado de Peter Quill, explorando suas origens metade terráqueas e resolvendo também um mistério criado no desfecho do filme anterior. A trama é interessante e não tende ao sentimentalismo, como muitas histórias de origem, mas peca por pequenos detalhes.

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Falta lapidar o roteiro de Guardiões. Sua primeira parte e o clímax são ótimos, mas seu terceiro ato deixa a desejar. O desfecho encontrado para o problema que acomete a equipe de anti-heróis não convence e é resolvido de forma muito simples se considerado o tamanho da ameaça. Pequenas mudanças fariam bem à história.

O que realmente importa em Guardiões, porém, são os meios, não o fim. A abordagem das aventuras de Peter Quill é o que fez com que seu primeiro filme se destacasse. Mais uma vez, é a maneira como tudo é mostrado que faz também desta sequência um diferencial em meio ao super-explorado mundo dos heróis.

Com muito bom humor, o segundo volume de Guardiões conta sua história com um visual colorido, uma trilha sonora dançante e piadas que passam despercebidas pelas crianças, mas não por seus pais. É um filme hilário, com sequências de comédia muito bem planejadas e que superam seu antecessor. James Gunn pode até achar algumas cenas mais engraçadas do que realmente são, mas isso é compensado por vários momentos de um humor bobo, mas que arranca risadas sem grande esforço.

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Todas as personagens têm uma personalidade própria, bastante distinta, que contribui para a harmonia do filme. Neste volume, o público ainda passa mais tempo com a versão baby de Groot, responsável por momentos de fofura aliados às trapalhadas da planta. Também é introduzido um planeta “coxinha”, marcado por uma ideologia fascista e por um complexo de superioridade que rende cenas de chacota geniais. Por fim, conhecemos também Mantis (Pom Klementieff), responsável por alguns dos melhores momentos da trama. Ela e Drax têm uma estranha e errada química, que funciona maravilhosamente bem.

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Mais uma vez, Guardiões se destaca porque gira em torno de anti-heróis, criminosos que aparentam ter se regenerado, mas que continuam narcisistas e ambiciosos. Algumas de suas piadas, inclusive, escancaram o quão patéticas suas personagens podem ser, apelando a comentários mais adultos e a um sentimentalismo pautado por uma atmosfera de intriga para tornar a história mais madura e envolvente.

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É ótimo ter um filme como esse para dar um alívio da ideia de bom moço dos filmes de heróis, onde protagonistas como Capitão América causam exaustão por serem perfeitos e politicamente corretos demais. A Marvel está tentando fugir desse padrão, mas ainda recorre a ele como uma aposta segura para suas tramas.

Com efeitos especiais de tirar o fôlego, um design criativo, ótimas atuações e um timing cômico ímpar, Guardiões da Galáxia ainda representa o que há de melhor em seu subgênero. Existe um universo de possibilidades imenso à frente dos anti-heróis, que podem até ter suas aventuras encerradas com um terceiro filme, mas que já deixam um ótimo legado para o que está por vir na Marvel e até na DC.


Logan

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Violência e sentimentalismo marcam despedida de Hugh Jackman

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Logan
DIREÇÃO: James Mangold
DURAÇÃO: 137min
GÊNERO: Drama, Ficção, Ação
PAÍS: EUA
ANO: 2017

5


Por 17 anos, Hugh Jackman viveu o mutante Wolverine nos cinemas. Sua atuação é certamente uma das mais icônicas – ou talvez a mais icônica – da história dos filmes de heróis. Foram anos de desenvolvimento do personagem, um dos mais completos do gênero, e o ator australiano não deixou a desejar, se mostrando cada vez mais maduro no papel. Para se despedir deste marco do cinema, Hugh Jackman protagoniza Logan, um dos filmes mais interessantes do mundo dos heróis e com performances emocionantes.

Em 2029, os mutantes se tornam raridade após uma série de mortes, aliada ao fim do nascimento de novos humanos superdotados. Logan (Hugh Jackman) vive recluso, cuidando de um já debilitado e doente professor Xavier (Patrick Stewart). Quando uma mulher pede sua ajuda, os dois precisam pegar a estrada para levar Laura (Dafne Keen), uma menina com as mesmas habilidades de Wolverine, para um lugar seguro.

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Logan é um filme bastante incomum. O subgênero dos super-heróis têm sido marcado, nos últimos anos, por uma abordagem divertida e jovial – resultado do comando da Disney sobre a Marvel. Além disso, os filmes desse hall raramente dão espaço a uma trama que tende ao sentimentalismo. Mas a despedida de Hugh Jackman da saga mutante vai na contramão de tudo isso: é extremamente violenta, mas cheia de momentos realmente profundos e emocionantes, capazes de levar até o mais durão dos fãs às lágrimas.

X-Men já é uma franquia que se destaca por trazer muito mais do que ação e aventura à história de seus heróis. Enquanto filmes como Capitão América e Homem-Formiga se concentram em roteiros fictícios, muitas vezes sem qualquer ambição, a jornada dos mutantes no cinema é marcada por uma história que traça diversos paralelos com a nossa realidade. É uma trama muito mais madura, que antes de qualquer coisa, busca falar sobre intolerância e aceitação.

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Logan não podia ser diferente. Mais uma vez os mutantes aparecem como uma raça fadada à extinção, graças ao preconceito e ao medo do desconhecido que os humanos têm. O longa explora isso de uma maneira diferente, mostrando do que o ser humano é capaz de fazer por poder, em sua ridícula obsessão por armas e controle. Em uma sequência que incomoda e choca, o público é apresentado a um projeto científico que retrata a dureza do ambiente ao qual os X-Men – e todos os marginalizados que eles representam – estão destinados.

É justamente essa mistura entre o contexto bruto e impiedoso no qual Wolverine cresceu e sua personalidade que fazem de Logan um filme genial. O filme apresenta a última etapa do desenvolvimento de Wolverine – uma espécie de redenção. A violência do longa pode parecer exagerada, mas ela é fundamental para tornar sua mensagem eficaz. Afinal, como pode um mutante tratado com tanta agressividade ser solidário e carinhoso? É essa questão que Logan tenta responder – e faz isso muito bem.

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Sem exageros no que diz respeito ao drama de sua história, Logan tem ótimas cenas de ação, com uma trilha sonora e fotografia que complementam o dualismo do filme. O destaque no elenco é a pequena Dafne Keen, que atua em inglês, em espanhol e em silêncio, se mostrando talentosa o suficiente para passar todo o poder e a carga dramática de sua personagem com excelência.

Patrick Stewart está mais uma vez incrível e Hugh Jackman encerra sua participação no universo mutante com maestria. O australiano soube inovar e se superar todas as vezes em que entrou na pele de Wolverine. Em Logan, Jackman entrega uma atuação fantástica, talvez a melhor de sua carreira.

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Com uma história bastante centrada no principal herói dos X-Men, Logan não se dá ao trabalho de explicar minuciosamente o contexto no qual se passa. O público tem que deduzir e até mesmo imaginar o que terá acontecido aos outros personagens da saga e ao mundo no qual o protagonista vive.

A linha temporal totalmente confusa da franquia também não ajuda, mas Logan é um trabalho isolado. Apesar de estar conectado a seus antecessores, o foco aqui é exclusivamente a relação de Wolverine e Laura com o mundo que os cerca – e, lógico, um com o outro. É um filme forte, extremamente bonito e que será lembrado pela originalidade e ousadia com a qual foi conduzido. É realmente a história que Hugh Jackman precisava para aposentar suas garras de adamantium.


X-Men: Apocalipse

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Espírito aventuresco se mantém vivo com novo elenco da franquia mutante

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO: X-Men: Apocalypse
DIREÇÃO: Bryan Singer
DURAÇÃO: 144min
GÊNERO: Ação, Aventura
PAÍS: EUA
ANO: 2016
4

O último filme do trio de batalhas heróicas de 2016 finalmente chegou aos cinemas. Depois do péssimo Batman vs. Superman e de Capitão América: Guerra Civil, chegou a vez dos mutantes da Marvel se enfrentarem. X-Men: Apocalipse apresenta novos rostos para interpretar as personagens já famosas da franquia e, ao contrário do que muitos têm dito, faz isso muito bem, dando sobrevida e renovando sua trama de forma elaborada e divertida.

O primeiro mutante do mundo, Apocalipse (Oscar Isaac), acorda após séculos escondido em ruínas do Egito Antigo. Determinados a perpetuar a dominação dos mutantes sobre os humanos, o vilão e Magneto (Michael Fassbender) precisam enfrentar os alunos do professor Xavier (James McAvoy), além de Mística (Jennifer Lawrence) e Fera (Nicholas Hoult).

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Assim que as primeira críticas de Apocalipse surgiram na internet, muitos fãs da franquia ficaram com medo do que estava por vir. Diferente de Capitão América (extremamente elogiado) e Batman vs. Superman (horrível por consenso), o novo capítulo da saga mutante dividiu opiniões e seu futuro nas bilheterias pareceu incerto. Agora, com sua estreia, fica claro que o novo X-Men mantém o nível da franquia alto, sucedendo os ótimos Primeira Classe e Dias de um Futuro Esquecido com brilhantismo.

A grande questão nesse filme era como manter a franquia viva, com seu elenco original envelhecendo e perdendo o interesse pela saga, e também como organizar o universo mutante, depois da confusa linha temporal que a trama tem seguido.

Pois bem, Apocalipse resolve todos esses problemas e faz isso de tal maneira que o público logo se acostumará com a ausência do Wolverine de Hugh Jackman, do Xavier de Patrick Stewart e do Magneto de Ian McKellen. Os novos elementos de X-Men funcionam muito bem no filme e abrem espaço para mais expansões em seu universo.

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Se por um lado perderemos o elenco precursor da franquia, por outro Apocalipse apresenta ao público um novo grupo de jovens mutantes, carismáticos, divertidos e que sustentam a personalidade de cada uma das personagens muito bem.

Se Evan Peters e Kodi Smit-McPhee roubam a cena com o bom humor de Mercúrio e Noturno, Sophie Turner e Tye Sheridan já demonstram a sintonia necessária para viverem o casal formado por Jean Grey e Ciclope. Ao mesmo tempo, McAvoy, Fassbender, Lawrence e Hoult continuam ótimos.

Mas não é só de personagens que um filme vive. A trama de Apocalipse também é muito bem elaborada. Seu roteiro se encarrega de mencionar a origem de alguns dos mutantes de forma original e na medida certa, enquanto a ação e o espírito aventuresco continuam prendendo a respiração do público, deixando-o tenso do começo ao fim.

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O grande problema de X-Men, porém, está justamente em seu título. Apocalipse, que deveria ser um grande e temido vilão, beira o ridículo. Não pelo visual, que funciona bem ao mesclar o misticismo de suas origens faraônicas ao mundo dos heróis, mas pela falta de clareza em seus objetivos. A extensão de seus poderes nunca é definida e ele praticamente faz o que quer durante toda a trama, sem saber ao certo o porquê.

Por outro lado, o filme tem seus méritos por apresentar a formação dos X-Men de maneira emocionante e ousada, enquanto continua discutindo assuntos como intolerância e militarismo – mesmo que, desta vez, isso ocorra de maneira menos acentuada. Além disso, o longa se encaixa bem no clima de anos 80 no qual é ambientado e Mercúrio, mais uma vez, rouba a cena em uma sequência musical excelente.

Apocalipse finaliza mais uma trilogia X-Men e abre espaço para um universo cheio de novas possibilidades. Com o elenco rejuvenescido e a linha temporal renovada, a franquia mutante tem todos os ingredientes para manter sua popularidade e qualidade nos filmes que ainda estão por vir.


 

Deadpool

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Filme vai na contramão do humor familiar e “certinho” da Marvel

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Deadpool
DIREÇÃO: Tim Miller
DURAÇÃO: 108min
GÊNERO: Comédia, Ação
PAÍS: EUA, Canadá
ANO: 2016
3

Quando a Marvel estava mal das perna há alguns anos, precisou vender os direitos de alguns de seus principais heróis para outros estúdios de Hollywood. É por isso que, enquanto o pessoal da iniciativa Vingadores têm seus filmes produzidos pela Disney, Homem Aranha e os X-Men são lançados pela Sony e a Fox. Com isso, acabam havendo diferenças na abordagem que cada herói recebe nas telas. Mas para algumas pessoas, essas diferenças só conseguiram ser notadas com o lançamento de Deadpool pela Fox, em um filme que recebeu classificação para maiores de 18 anos nos Estados Unidos. Politicamente incorreto, o longa vai na contramão do humor familiar adotado pela Marvel em seus anos mais recentes.

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Após ser diagnosticado com um câncer terminal, Wade (Ryan Reynolds) é selecionado para participar de uma série de experimentos que têm como objetivo despertar genes mutantes em pessoas comuns. Depois de várias sessões de tortura, Wade adquire a capacidade da regeneração e embarca em uma jornada em busca de vingança.

Os primeiros segundos de Deadpool já denunciam que ele será completamente diferente de qualquer outro filme de herói. Seus créditos de abertura, sozinhos, já valem o ingresso e deixam o público pronto para gargalhar do começo ao fim. De forma divertida e inesperada, a abertura tira sarro dos clichês desse subgênero, mas deixa claro que a trama de Deadpool não será das mais originais.

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A grande sacada está na maneira de contar a história. Por mais previsível que ela seja, o tom sarcástico distancia Deadpool de qualquer filme de herói já feito. De maneira inteligente, o personagem do título interage com o público e todo o universo exterior a seu próprio filme, fazendo pausas nas cenas de ação para também deixa-las engraçadas.

Em um dos pontos altos do longa, Deadpool brinca com as diferentes linhas temporais dos filmes dos X-Men, questionando se o atual diretor da escola de mutantes da saga é Patrick Stewart ou James McAvoy, ambos atores que viveram o Professor Xavier na franquia. Essas são as melhores piadas de Deadpool, que surgem de maneira espontânea e interagem com o público de forma divertidíssima.

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Talvez o único grande problema do longa seja justamente sua opção por seguir os clichês de seu gênero. Com exceção das sacadas de humor, a trama segue uma linha de eventos óbvia e sem originalidade. Tudo acontece no momento e da maneira que esperamos e inclui o já cansativo resgate da “donzela em apuros”.

Sofre também por focar exageradamente no herói. As outras personagens são completamente rasas, desde a namorada de Deadpool até seu rival. Seus parceiros mutantes Colossus e  Míssil Adolescente Megassônico também são pouco aproveitados e servem apenas como – mais um – alívio cômico em meio às cenas de luta e violência do filme.

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No geral, Deadpool é uma ótima comédia. Não há piada que não faça o público rir e o estilo politicamente incorreto do herói é um balde de água fria no jeitão certinho – e cansativo – de Capitão América, outro personagem dos quadrinhos que ganhará um filme em 2016. Com a abordagem mais adulta de Deadpool, a Fox abre uma nova porta para os filmes de heróis, que agora podem fugir do gênero familiar sem medo, graças ao rápido e inesperado sucesso do filme nas bilheterias.


Quarteto Fantástico

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Reunião de heróis é mais dolorosa que um soco do ‘Coisa’

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Fantastic Four
DIREÇÃO: Josh Trank
DURAÇÃO: 100min
GÊNERO: Ação, Ficção
PAÍS: Estados Unidos
ANO: 2015
1

Quando o novo Quarteto Fantástico foi anunciado, muita gente ficou alarmada. Rebootar uma franquia relativamente recente parecia uma bobagem, mas, levando em conta que a primeira reunião dos quatro heróis, em 2005, não foi lá essas maravilhas, talvez não houvesse problema em dar uma segunda chance ao grupo da Marvel. Apostando em um elenco de jovens astros, os produtores buscaram resgatar o brilho das histórias em quadrinhos, mas o efeito parece ter sido o contrário: 2015 nem acabou e já podemos considerar Quarteto Fantástico uma das piores produções do ano.

Reed Richards (Miles Teller) e Ben Grimm (Jamie Bell) são amigos de infância cujas descobertas científicas os apresentam a uma equipe de empresários e pesquisadores empenhados em criar um portal para uma outra dimensão. Victor Von Doom (Toby Kebbell), Sue Storm (Kate Mara) e seu irmão, Johnny (Michael B. Jordan), estão entre seus principais membros. Quando a tarefa é cumprida, os protagonistas decidem usar o portal sem autorização, causando uma explosão que dá a eles poderes.

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Logo no começo do filme, somos surpreendidos com Reed e Ben por volta de seus dez ou doze anos. O primeiro é um gênio, que consegue enviar objetos para um universo paralelo – mesmo sem saber disso ainda. Sete anos se passam e Reed começa a integrar a equipe por trás do teletransporte que mais tarde dará a ele o poder da elasticidade. É interessante ver o passado dos personagens, mas é difícil de engolir a absurda e prematura inteligência de Reed. Tudo bem, relevamos isso em prol do rejuvenescimento do quarteto. Mais tarde, porém, o problema incomoda: junto com Sue e Victor, também adolescentes, Reed parece ser o único no laboratório que sabe o que está fazendo, enquanto os mais velhos se limitam a ocupar espaço nas cenas.

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Outro ponto de incoerência no filme é seu próprio título: em momento nenhum vemos um quarteto unido. Ben e Sue aparentemente não trocam uma única palavra durante todo o longa; a química entre ela e Reed parece só existir porque os quadrinhos mandam; a tradicional e cômica rivalidade entre Johnny e o Coisa é extremamente forçada e só aparece nos minutos finais de filme. Você pode pensar que, ao menos, Reed e Ben, que se conhecem desde a infância, têm uma história bonita de amizade. Errou: a relação dos dois também parece algo imposto, como uma conveniência.

O personagem de Jamie Bell,  que recebe quase nenhuma atenção do roteiro, ainda age muito mais como alguém submetido a Richards, limitando-se a passar ferramentas para o “amigão”. São personagens mais transparentes que Sue Storm e não há aprofundamento nem do vilão, Dr. Doom. Seu discurso parece legítimo, até que seus objetivos se confundem e ele passa a praticar atos de maldade de forma gratuita e tosca. Só não é o personagem mais ridículo do filme porque o Coisa e seu jeitão de Hulk merecem mais o título.

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No geral, Quarteto Fantástico é uma grande decepção. Apesar do ótimo elenco de jovens astros, seu roteiro não faz sentido e se preocupa demais em introduzir os heróis, falhando grotescamente na tarefa. Os protagonistas quase não têm chance de mostrar seus poderes e, quando o fazem, o tempo de tela já é tão curto que todas as sequências parecem estar “jogadas”, como se alguém não aguentasse mais toda aquela porcaria e só quisesse se livrar logo do filme. Outro aspecto que merece ser mencionado são os efeitos especiais, que parecem feitos de papelão.

Fantastic Four é uma verdadeira reunião de bizarrices, facilmente um dos piores longas de heróis dos últimos anos. Não há harmonia nem entre seus quatro protagonistas, então fica fácil de imaginar a péssima qualidade da trama. Os vilões não vingam e a premissa de que o dinheiro e o militarismo são os grandes culpados de tudo é tão clichê e mal desenvolvida que serve como ponto alto do longa em termos de humor. É um filme fantasticamente medíocre.


Vingadores: Era de Ultron

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Marvel expõe maior seriedade em sua “Fase Dois”

Por Leonardo Sanchez

TÍTULO ORIGINAL: Avengers: Age of Ultron
DIREÇÃO: Joss Whedon
DURAÇÃO: 141min
GÊNERO: Ação, Aventura
PAÍS: Estados Unidos
ANO: 2015

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Todos já notaram que a Marvel é uma máquina de fazer dinheiro. Se a criação do Marvel Cinematic Universe, a partir de Homem de Ferro, em 2008, consolidou o poderio financeiro da empresa, sua nova leva de filmes, da chamada “Fase Dois”, tem méritos muito maiores que aqueles alcançados anteriormente. Isso porque desde Thor: Mundo Sombrio, segundo filme deste novo agrupamento, tornou-se evidente um maior comprometimento da Marvel com suas produções. Vingadores: Era de Ultron chega para consolidar a seriedade com a qual o estúdio passou a tratar seus personagens e suas histórias.

Depois de recuperar o cetro do nórdico Loki, Tony Stark (Robert Downey Jr.) e Bruce Banner (Mark Ruffalo) começam a estuda-lo para colocar em prática um plano para estabelecer a paz mundial. A experiência, porém, dá errado, quando a inteligência artificial desenvolvida pelos cientistas resolve tomar um rumo oposto ao de seus criadores. Cabe ao Homem de Ferro, o Hulk, Thor (Chris Hemsworth), Viúva Negra (Scarlett Johansson), Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e Capitão América (Chris Evans) impedir os planos do chamado Ultron (James Spader).

Depois de passar pela tediosa – porém necessária – tarefa de apresentar os heróis de seu universo, a Marvel dá continuidade a Vingadores com uma trama envolvente e melhor elaborada que aquela apresentada em 2012. As particularidades das personagens aparecem aqui já encaixadas, enquanto seus objetivos tornaram-se definidos. Talvez o que chame mais atenção em Era de Ultron é justamente o maior desenvolvimento dos heróis: Gavião Arqueiro tem uma família, enquanto Natasha Romanoff (ou Viúva Negra) dá indícios de um passado sombrio e curioso.

Enquanto os seis protagonistas ganham mais espaço, porém, novas personagens são apresentadas: Feiticeira Escarlate / Wanda (Elizabeth Olsen), Mercúrio / Pietro (Aaron-Taylor Johnson), Visão (Paul Bettany) e o vilão Ultron (voz de James Spader, brilhante em sua fala sarcástica e ao mesmo tempo cruel) são apresentados ao público e, apesar de serem extremamente interessantes, cada um à sua maneira, a junção deste quarteto com personagens periféricos, como James Rhodes (Don Cheadle), parece precipitada e abre espaço para um “quem é quem” no meio da trama. A confusão fica evidente na cena final. A aparição de Erik (Stellan Skarsgard), do universo de Thor, é  particularmente desconexa, desvia o foco e é completamente desnecessária.

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O roteiro continua com falhas de lógica, comuns no subgênero heróico. As visões de Thor, por exemplo, são confusas e não contribuem para a trama – e não importa se a passagem servirá para o terceiro volume de seu filme solo, é preciso ater-se ao longa atual. A rede na qual o vilão Ultron de desenvolve, enquanto isso, não convence e, apesar de sua aparente complexidade, não parece ser de tecnologia tão avançada quanto sugere. Mesmo com esses pequenos problemas, fica evidente a decisão do estúdio em levar o roteiro a sério: a maior cautela usada na produção de Ultron garante que a continuação drible erros antes mascarados pelo fator “ficção” do universo dos super-heróis.

O maior equívoco de Vingadores, porém, remete a uma questão social. Em um período no qual o papel das mulheres no cinema é tão questionado, a Marvel, com a incrível Viúva Negra como representante feminina, opta pelo clichê. Em determinada cena, Natasha Romanoff precisa ser salva por Banner, algo que ele faz de maneira banal, sem esforço. Isso depois de ser reduzida a interesse romântico em diversos momentos. É a “síndrome da princesa no castelo”, algo que poderia ser facilmente evitado.

No que diz respeito ao foco do filme, que é a ação, existem cenas muito bem coordenadas. Pancadaria e drama finalmente harmonizam em Ultron, que prova ter uma história por trás de todos os socos, tiros e explosões proferidos por suas personagens. Fica evidente uma tentativa de quebra do maniqueísmo tão comum no gênero. A continuação de Vingadores certamente chega para consolidar a “Era da Marvel”: uma empresa que, mesmo tendo alcançado a fórmula para o sucesso comercial, não desistiu de buscar o aperfeiçoamento.