X-Men: Apocalipse

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Espírito aventuresco se mantém vivo com novo elenco da franquia mutante

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO: X-Men: Apocalypse
DIREÇÃO: Bryan Singer
DURAÇÃO: 144min
GÊNERO: Ação, Aventura
PAÍS: EUA
ANO: 2016
4

O último filme do trio de batalhas heróicas de 2016 finalmente chegou aos cinemas. Depois do péssimo Batman vs. Superman e de Capitão América: Guerra Civil, chegou a vez dos mutantes da Marvel se enfrentarem. X-Men: Apocalipse apresenta novos rostos para interpretar as personagens já famosas da franquia e, ao contrário do que muitos têm dito, faz isso muito bem, dando sobrevida e renovando sua trama de forma elaborada e divertida.

O primeiro mutante do mundo, Apocalipse (Oscar Isaac), acorda após séculos escondido em ruínas do Egito Antigo. Determinados a perpetuar a dominação dos mutantes sobre os humanos, o vilão e Magneto (Michael Fassbender) precisam enfrentar os alunos do professor Xavier (James McAvoy), além de Mística (Jennifer Lawrence) e Fera (Nicholas Hoult).

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Assim que as primeira críticas de Apocalipse surgiram na internet, muitos fãs da franquia ficaram com medo do que estava por vir. Diferente de Capitão América (extremamente elogiado) e Batman vs. Superman (horrível por consenso), o novo capítulo da saga mutante dividiu opiniões e seu futuro nas bilheterias pareceu incerto. Agora, com sua estreia, fica claro que o novo X-Men mantém o nível da franquia alto, sucedendo os ótimos Primeira Classe e Dias de um Futuro Esquecido com brilhantismo.

A grande questão nesse filme era como manter a franquia viva, com seu elenco original envelhecendo e perdendo o interesse pela saga, e também como organizar o universo mutante, depois da confusa linha temporal que a trama tem seguido.

Pois bem, Apocalipse resolve todos esses problemas e faz isso de tal maneira que o público logo se acostumará com a ausência do Wolverine de Hugh Jackman, do Xavier de Patrick Stewart e do Magneto de Ian McKellen. Os novos elementos de X-Men funcionam muito bem no filme e abrem espaço para mais expansões em seu universo.

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Se por um lado perderemos o elenco precursor da franquia, por outro Apocalipse apresenta ao público um novo grupo de jovens mutantes, carismáticos, divertidos e que sustentam a personalidade de cada uma das personagens muito bem.

Se Evan Peters e Kodi Smit-McPhee roubam a cena com o bom humor de Mercúrio e Noturno, Sophie Turner e Tye Sheridan já demonstram a sintonia necessária para viverem o casal formado por Jean Grey e Ciclope. Ao mesmo tempo, McAvoy, Fassbender, Lawrence e Hoult continuam ótimos.

Mas não é só de personagens que um filme vive. A trama de Apocalipse também é muito bem elaborada. Seu roteiro se encarrega de mencionar a origem de alguns dos mutantes de forma original e na medida certa, enquanto a ação e o espírito aventuresco continuam prendendo a respiração do público, deixando-o tenso do começo ao fim.

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O grande problema de X-Men, porém, está justamente em seu título. Apocalipse, que deveria ser um grande e temido vilão, beira o ridículo. Não pelo visual, que funciona bem ao mesclar o misticismo de suas origens faraônicas ao mundo dos heróis, mas pela falta de clareza em seus objetivos. A extensão de seus poderes nunca é definida e ele praticamente faz o que quer durante toda a trama, sem saber ao certo o porquê.

Por outro lado, o filme tem seus méritos por apresentar a formação dos X-Men de maneira emocionante e ousada, enquanto continua discutindo assuntos como intolerância e militarismo – mesmo que, desta vez, isso ocorra de maneira menos acentuada. Além disso, o longa se encaixa bem no clima de anos 80 no qual é ambientado e Mercúrio, mais uma vez, rouba a cena em uma sequência musical excelente.

Apocalipse finaliza mais uma trilogia X-Men e abre espaço para um universo cheio de novas possibilidades. Com o elenco rejuvenescido e a linha temporal renovada, a franquia mutante tem todos os ingredientes para manter sua popularidade e qualidade nos filmes que ainda estão por vir.


 

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X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

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Saga dos mutantes volta aos cinemas com uma trama elaborada e cativante

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: X-Men: Days of Future Past
DIREÇÃO: Bryan Singer
DURAÇÃO: 131min
GÊNERO: Ação, Aventura
PAÍS: Estados Unidos, Reino Unido
ANO: 2014

De todas as franquias de super heróis, X-Men talvez se destaque por ter, em seus filmes, um nível de complexidade e maturidade não observado em outras adaptações de quadrinhos. Desde o começo da saga, o público é apresentado a histórias originais e bem elaboradas. Dias de um Futuro Esquecido, 14 anos após o lançamento do primeiro longa de mutantes, é, certamente, um dos melhores filmes de heróis dos últimos anos.

A narrativa começa em um futuro apocalíptico, no qual humanos e mutantes estão em uma guerra em escala global. Perseguidos por robôs denominados sentinelas, a espécie do gene X luta contra sua erradicação, tendo à frente os heróis do Instituto Xavier, que com o auxílio dos poderes de Kitty (Ellen Page), precisam mudar o passado e evitar a construção das máquinas de destruição mutante. Wolverine (Hugh Jackman) é então enviado aos anos de 1970, para impedir o assassinato do empresário Dr. Bolivar Trask (Peter Dinklage), responsável pela criação dos sentinelas, por Mística (Jennifer Lawrence). Para isso, o mutante das garras de adamantium precisa convencer os jovens Professor Xavier (James McAvoy e Patrick Stewart) e Magneto (Michael Fassbender e Ian McKellen) a se unirem, a fim de evitar que o governo americano veja a espécie mutante como uma ameaça, cancelando assim a criação dos sentinelas e alterando o futuro no qual viverão.

Dias de um Futuro Esquecido constrói uma narrativa cativante e muito bem elaborada. A tentativa de ressuscitar as personagens mutantes dos longas anteriores é maravilhosamente bem sucedida e é feita de maneira interessante e inteligente. A complexidade de seu objetivo é sustentada por um roteiro forte e muito bem redigido, que facilmente atrai seu público, este que é transportado para as telas, estando atento a todos os detalhes, mas também divertindo-se. X-Men conta não somente com cenas de ação bem esquematizadas, mas também apresenta um humor leve e que flui naturalmente com a narrativa. O momento em que Mercúrio (Evan Peters) precisa usar sua velocidade para alterar o trajeto de balas que matariam seus companheiros mutantes, por exemplo, ocorre de maneira inesperada, sendo divertido, mas sem desviar o foco do problema central da passagem.

A direção de Bryan Singer é excelente, sendo capaz de montar cenas bastante dinâmicas e complexas, mas que são facilmente acompanhadas pelo público. Por maior que seja a quantidade de ações ocorrendo, o espectador está sempre ciente do estado de todas as personagens ali envolvidas, não se perdendo no dinamismo existente. O ótimo trabalho deve ser creditado também à fotografia, que não encontra problemas ao conciliar todos os elementos em cena.

Um ponto a destacar é a profundidade psicológica conferida a todas as personagens. Da velha guarda mutante até os mais novos coadjuvantes, todos são muito bem elaborados, tendo personalidades singulares que, em conjunto, constroem uma narrativa fantástica e única. É interessante a maneira como o vilão Dr. Trask não encontra nos clichês heróicos um objetivo para exterminar a espécie mutante, tendo intenções legítimas, nas quais o empresário realmente acredita. Da mesma maneira, a personalidade oscilante de Mística é interessantíssima de ser acompanhada. Somos apresentados a uma personagem com conflitos internos convincentes e cuja preocupação e incerteza para com a causa mutante chegam a ser comoventes.

O elenco de X-Men possui uma sincronia surpreendente. Recheado de talentos, o filme é uma verdadeira coleção de atuações de alta qualidade. Jennifer Lawrence encarna com vivacidade o emocional frágil de Mística, não perdendo sua forte presença em cena. James McAvoy apresenta um Professor Xavier conturbado, jovem e inseguro, que se desenvolve ao longo da trama. Michael Fassbender chega a dar graça a seu Magneto pela naturalidade com a qual utiliza seus poderes, sem perder o olhar malicioso e sagaz da personagem. Hugh Jackman faz novamente um trabalho excelente como Wolverine, redescobrindo seu papel e tornando a figura do mutante cada vez mais complexa. Jackman continua a se entregar completamente à personagem, como se a interpretasse pela primeira vez. Não somente os grandes nomes do elenco fazem um excelente trabalho, mas todos os atores presentes no filme. Evan Peters, que tem uma breve participação, é brilhante ao criar um humor rebelde e carismático para o mutante Mercúrio.

Os efeitos visuais são excelentes e a fotografia é hábil ao captar toda a ação presente em cena, sem esquecer de criar imagens agradáveis para as passagens tranquilas. A direção de arte, juntamente com a equipe de cabelo, maquiagem e figurino, capta perfeitamente a essência dos anos de 1970, com ótimos trajes. A trilha sonora original é incrível e acompanha perfeitamente a tensão da trama. Enquanto isso, as faixas utilizadas para ambientar o enredo à frenética década de 70 são vibrantes e bem escolhidas.

O destaque de Dias de um Futuro Esquecido fica para sua habilidade em criar um clímax complexo e instigante, que vai ganhando proporções cada vez maiores ao alternar cenas do presente e do passado. A tensão dos momentos finais do longa prendem por completo a atenção do público, que facilmente cria simpatia pela causa mutante, torcendo do começo ao fim para um desfecho vitorioso. A citada alternância de tempo é conduzida com maestria, sem causar confusão, contextualizando de forma bem sucedida o espectador.

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido recupera a glória da franquia mutante, entretendo de maneira inteligente o seu público. Sem a necessidade de apelar para clichês e estereótipos tão comumente observados em outras sagas de heróis, a trama do filme é cativante e bem estruturada. Todo o roteiro certamente passou por um cauteloso processo a fim de contextualizar suas cenas e não dar margem a ideias absurdas ou fora de sintonia. Um filme com ideias ousadas, mas que é sustentado com maestria pela habilidade de todos os envolvidos na produção.