Logan

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Violência e sentimentalismo marcam despedida de Hugh Jackman

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Logan
DIREÇÃO: James Mangold
DURAÇÃO: 137min
GÊNERO: Drama, Ficção, Ação
PAÍS: EUA
ANO: 2017

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Por 17 anos, Hugh Jackman viveu o mutante Wolverine nos cinemas. Sua atuação é certamente uma das mais icônicas – ou talvez a mais icônica – da história dos filmes de heróis. Foram anos de desenvolvimento do personagem, um dos mais completos do gênero, e o ator australiano não deixou a desejar, se mostrando cada vez mais maduro no papel. Para se despedir deste marco do cinema, Hugh Jackman protagoniza Logan, um dos filmes mais interessantes do mundo dos heróis e com performances emocionantes.

Em 2029, os mutantes se tornam raridade após uma série de mortes, aliada ao fim do nascimento de novos humanos superdotados. Logan (Hugh Jackman) vive recluso, cuidando de um já debilitado e doente professor Xavier (Patrick Stewart). Quando uma mulher pede sua ajuda, os dois precisam pegar a estrada para levar Laura (Dafne Keen), uma menina com as mesmas habilidades de Wolverine, para um lugar seguro.

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Logan é um filme bastante incomum. O subgênero dos super-heróis têm sido marcado, nos últimos anos, por uma abordagem divertida e jovial – resultado do comando da Disney sobre a Marvel. Além disso, os filmes desse hall raramente dão espaço a uma trama que tende ao sentimentalismo. Mas a despedida de Hugh Jackman da saga mutante vai na contramão de tudo isso: é extremamente violenta, mas cheia de momentos realmente profundos e emocionantes, capazes de levar até o mais durão dos fãs às lágrimas.

X-Men já é uma franquia que se destaca por trazer muito mais do que ação e aventura à história de seus heróis. Enquanto filmes como Capitão América e Homem-Formiga se concentram em roteiros fictícios, muitas vezes sem qualquer ambição, a jornada dos mutantes no cinema é marcada por uma história que traça diversos paralelos com a nossa realidade. É uma trama muito mais madura, que antes de qualquer coisa, busca falar sobre intolerância e aceitação.

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Logan não podia ser diferente. Mais uma vez os mutantes aparecem como uma raça fadada à extinção, graças ao preconceito e ao medo do desconhecido que os humanos têm. O longa explora isso de uma maneira diferente, mostrando do que o ser humano é capaz de fazer por poder, em sua ridícula obsessão por armas e controle. Em uma sequência que incomoda e choca, o público é apresentado a um projeto científico que retrata a dureza do ambiente ao qual os X-Men – e todos os marginalizados que eles representam – estão destinados.

É justamente essa mistura entre o contexto bruto e impiedoso no qual Wolverine cresceu e sua personalidade que fazem de Logan um filme genial. O filme apresenta a última etapa do desenvolvimento de Wolverine – uma espécie de redenção. A violência do longa pode parecer exagerada, mas ela é fundamental para tornar sua mensagem eficaz. Afinal, como pode um mutante tratado com tanta agressividade ser solidário e carinhoso? É essa questão que Logan tenta responder – e faz isso muito bem.

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Sem exageros no que diz respeito ao drama de sua história, Logan tem ótimas cenas de ação, com uma trilha sonora e fotografia que complementam o dualismo do filme. O destaque no elenco é a pequena Dafne Keen, que atua em inglês, em espanhol e em silêncio, se mostrando talentosa o suficiente para passar todo o poder e a carga dramática de sua personagem com excelência.

Patrick Stewart está mais uma vez incrível e Hugh Jackman encerra sua participação no universo mutante com maestria. O australiano soube inovar e se superar todas as vezes em que entrou na pele de Wolverine. Em Logan, Jackman entrega uma atuação fantástica, talvez a melhor de sua carreira.

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Com uma história bastante centrada no principal herói dos X-Men, Logan não se dá ao trabalho de explicar minuciosamente o contexto no qual se passa. O público tem que deduzir e até mesmo imaginar o que terá acontecido aos outros personagens da saga e ao mundo no qual o protagonista vive.

A linha temporal totalmente confusa da franquia também não ajuda, mas Logan é um trabalho isolado. Apesar de estar conectado a seus antecessores, o foco aqui é exclusivamente a relação de Wolverine e Laura com o mundo que os cerca – e, lógico, um com o outro. É um filme forte, extremamente bonito e que será lembrado pela originalidade e ousadia com a qual foi conduzido. É realmente a história que Hugh Jackman precisava para aposentar suas garras de adamantium.


Peter Pan

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Nem influência teatral salva versão apática de clássico literário

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Pan
DIREÇÃO: Joe Wright
DURAÇÃO: 111min
GÊNERO: Aventura, Fantasia, Família
PAÍS: Estados Unidos
ANO: 2015

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A maioria das pessoas já deve ter visto pelo menos uma versão cinematográfica de Peter Pan ao longo da vida. Seja o clássico animado da Disney, de 1953, ou o longa-metragem de Steven Spielberg, Hook, o menino que não queria crescer está destinado a encantar gerações por tempo indeterminado. O problema é que, muitas vezes, a obra de J. M. Barrie é transformada em histórias banais e cheias de clichês. Pan, de Joe Wright, é mais um exemplo dessa tendência.

Durante a Segunda Guerra Mundial, um orfanato em Londres serve de lar para um grupo de meninos, entre eles Peter (Levi Miller), que são vendidos a piratas da Terra do Nunca. Lá, eles são obrigados por Barba Negra (Hugh Jackman) a trabalhar em minas cheias de pó mágico. Mas o menino descobre que faz parte de uma antiga profecia e precisará da ajuda de Tigrinha (Rooney Mara) e Gancho (Garrett Hedlund) para salvar o reino das fadas e libertar a ilha das mãos dos piratas.

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Pan é o tipo de filme que te faz ir ao cinema com um pé atrás. Peter amigo de Gancho, um Barba Negra no meio da história e o velho ditado do “toda lenda tem um começo” levantam suspeitas antes mesmo de pisarmos na sala do cinema. Apesar de iniciar bem, a história rapidamente prova que nosso medo não é em vão.

Com a velha premissa clichê de que uma profecia diz que fulano está pré-destinado a salvar tal povo, Pan embarca na onda de filmes como Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton, que apesar de partir do mesmo ponto, conta com personagens bons o suficiente para sustentar a trama. Já a adaptação de seu compatriota literário desperdiça toda a magia e encantamento presentes no livro de J.M. Barrie. A riqueza das páginas do britânico é transformada em um caça-níquel qualquer, daqueles que investem demais no design e de menos na essência de sua história.

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Com um roteiro preguiçoso, Pan está decepcionando nas bilheterias americanas. Mas nem tudo são trevas. A mente talentosa de Joe Wright para juntar teatro e cinema, como já havia feito em Anna Karenina, proporciona alguns ótimos momentos. Cenas como o rapto das crianças órfãs ou a batalha entre índios e piratas podem parecer infantis, mas na verdade estão recheadas de maneirismos do teatro, que funcionam nas telas tão bem quanto funcionariam nos palcos. Do ponto de vista da direção, o filme é diferente e extremamente imaginativo, como a obra original propõe.

Mas o grande problema está no roteiro. Se a história é muito simples, a falta de aprofundamento das personagens não a compensa. E, além de partir de um ponto já batido, o texto ainda finaliza de forma banal. O vilão é toscamente derrotado, enquanto o sentimentalismo piegas e forçado apaga qualquer traço de carisma do longa.

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Curiosamente, o principal erro do filme é justamente sua falta de emoção. A história de Peter Pan, que deveria encantar e instigar nossa imaginação, é muito mal utilizada. É difícil para o público criar laços afetivos com a trama, que parece pedir, a cada instante, um pouco mais de sentimento aos seus realizadores. Tudo soa muito artificial.

O ponto alto do filme, além do teatro, acaba ficando com Hugh Jackman e seu Barba Negra, caricato e divertido. É uma pena vermos a ótima atuação de Jackman, junto com as ideias de Wright, sendo desperdiçadas dessa forma. Infelizmente, o brilho da Terra do Nunca criada para o filme contrasta a todo momento com a falta de cor de seu roteiro.


8 escolas do cinema

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8. East High

High School Musical (2006 – 2008)

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O pessoal da East High pode até ser meio esnobe, mas estudar lá tem suas vantagens. A maioria das personagens são aceitas nas melhores universidades dos Estados Unidos e isso depois de passar todo o ensino médio cantando e jogando basquete. No final do ano, você ainda tem a chance de participar de uma produção teatral digna de Broadway. É muita eficiência.


7. Crunchem Hall

Matilda (1996)

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A Crunchem Hall pode até ser o inferno em forma de escola, mas ter aulas com a adorável Senhorita Honey seria incrível! Sentar ao lado da Matilda e ter uma aula cheia de truques e magia então, nem se fala. O problema é quando a diretora arremessa você pela janela ou te obriga a comer bolo de chocolate até explodir. É, talvez crianças devessem ficar longe da Crunchem.


6. Welton Academy

Sociedade dos Poetas Mortos (1989)

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A Welton Academy é uma escola um tanto rigorosa, mas se o personagem de Robin Williams for seu professor de literatura, então vale a pena. Pensando bem, os alunos da instituição acabam tendo muito sucesso no futuro, o que é bom – a não ser que a pressão leve você ao suicídio. Aí não é legal.


5. Horace Green Prep School

Escola do Rock (2003)

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A Horace Green Prep School pode parecer bem careta, mas quando o “professor” interpretado por Jack Black entra em cena, tudo muda: os alunos se rebelam, montam uma banda e as aulas de matemática passam a ser as mais divertidas da grade curricular. Aposto que muita gente trocaria equações e fórmulas por guitarras e baterias sem pensar duas vezes.


4. Shermer High School

Clube dos Cinco (1985)

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O diretor da Shermer High School é um babaca. Mesmo assim, estudar na escola de O Clube dos Cinco com certeza seria divertido, já que as detenções, mesmo que durem o sábado inteiro, contam com música, dança e até novas trangressões. A Shermer está cheia de “panelinhas”, mas no fundo todos os alunos são muito parecidos e as amizades, mesmo que inusitadas, podem ser realmente sinceras.


3. Rydell High School

Grease: Nos Tempos da Brilhantina (1978)

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Apesar de se passar no último ano de escola das personagens, parece que ninguém estuda em Grease: se os protagonistas não estão cantando, eles estão disputando rachas e fazendo festas do pijama. No fundo, porém, seria divertido estudar na Rydell e transformar o pátio em pista de dança ou comemorar o fim do semestre em um parque de diversões. Rydell, you’re the one that I want!


2. Instituto Xavier Para Jovens Superdotados

X-Men (2000 – )

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Legal mesmo é estudar em um lugar onde cada um tem um poder diferente. O Instituto de mutantes do professor Xavier, além de escola e moradia, abriga a base dos X-Men. Quer algo mais bacana do que passar o recreio salvando o mundo junto com o Wolverine? Só não é seguro ter a Tempestade como professora – quando alguém apronta, ela deve literalmente fechar o tempo.


1. Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts

Harry Potter (2001 – 2011)

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A vitória de Hogwarts deve ser unânime, porque muita gente ainda espera por uma coruja com a carta de admissão da famosa escola de bruxaria. Feitiços, quadribol, professores que mudam de forma, criaturas estranhas (e às vezes mortais) e um bruxo das trevas assassinando alunos deliberadamente são só algumas das peculiaridades da instituição chefiada por Dumbledore. Além de toda a magia da franquia Harry Potter, estudar em um castelo deve ser um máximo! Ah, o melhor de tudo: os banquetes servidos para os alunos, principalmente os de Halloween.


X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

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Saga dos mutantes volta aos cinemas com uma trama elaborada e cativante

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: X-Men: Days of Future Past
DIREÇÃO: Bryan Singer
DURAÇÃO: 131min
GÊNERO: Ação, Aventura
PAÍS: Estados Unidos, Reino Unido
ANO: 2014

De todas as franquias de super heróis, X-Men talvez se destaque por ter, em seus filmes, um nível de complexidade e maturidade não observado em outras adaptações de quadrinhos. Desde o começo da saga, o público é apresentado a histórias originais e bem elaboradas. Dias de um Futuro Esquecido, 14 anos após o lançamento do primeiro longa de mutantes, é, certamente, um dos melhores filmes de heróis dos últimos anos.

A narrativa começa em um futuro apocalíptico, no qual humanos e mutantes estão em uma guerra em escala global. Perseguidos por robôs denominados sentinelas, a espécie do gene X luta contra sua erradicação, tendo à frente os heróis do Instituto Xavier, que com o auxílio dos poderes de Kitty (Ellen Page), precisam mudar o passado e evitar a construção das máquinas de destruição mutante. Wolverine (Hugh Jackman) é então enviado aos anos de 1970, para impedir o assassinato do empresário Dr. Bolivar Trask (Peter Dinklage), responsável pela criação dos sentinelas, por Mística (Jennifer Lawrence). Para isso, o mutante das garras de adamantium precisa convencer os jovens Professor Xavier (James McAvoy e Patrick Stewart) e Magneto (Michael Fassbender e Ian McKellen) a se unirem, a fim de evitar que o governo americano veja a espécie mutante como uma ameaça, cancelando assim a criação dos sentinelas e alterando o futuro no qual viverão.

Dias de um Futuro Esquecido constrói uma narrativa cativante e muito bem elaborada. A tentativa de ressuscitar as personagens mutantes dos longas anteriores é maravilhosamente bem sucedida e é feita de maneira interessante e inteligente. A complexidade de seu objetivo é sustentada por um roteiro forte e muito bem redigido, que facilmente atrai seu público, este que é transportado para as telas, estando atento a todos os detalhes, mas também divertindo-se. X-Men conta não somente com cenas de ação bem esquematizadas, mas também apresenta um humor leve e que flui naturalmente com a narrativa. O momento em que Mercúrio (Evan Peters) precisa usar sua velocidade para alterar o trajeto de balas que matariam seus companheiros mutantes, por exemplo, ocorre de maneira inesperada, sendo divertido, mas sem desviar o foco do problema central da passagem.

A direção de Bryan Singer é excelente, sendo capaz de montar cenas bastante dinâmicas e complexas, mas que são facilmente acompanhadas pelo público. Por maior que seja a quantidade de ações ocorrendo, o espectador está sempre ciente do estado de todas as personagens ali envolvidas, não se perdendo no dinamismo existente. O ótimo trabalho deve ser creditado também à fotografia, que não encontra problemas ao conciliar todos os elementos em cena.

Um ponto a destacar é a profundidade psicológica conferida a todas as personagens. Da velha guarda mutante até os mais novos coadjuvantes, todos são muito bem elaborados, tendo personalidades singulares que, em conjunto, constroem uma narrativa fantástica e única. É interessante a maneira como o vilão Dr. Trask não encontra nos clichês heróicos um objetivo para exterminar a espécie mutante, tendo intenções legítimas, nas quais o empresário realmente acredita. Da mesma maneira, a personalidade oscilante de Mística é interessantíssima de ser acompanhada. Somos apresentados a uma personagem com conflitos internos convincentes e cuja preocupação e incerteza para com a causa mutante chegam a ser comoventes.

O elenco de X-Men possui uma sincronia surpreendente. Recheado de talentos, o filme é uma verdadeira coleção de atuações de alta qualidade. Jennifer Lawrence encarna com vivacidade o emocional frágil de Mística, não perdendo sua forte presença em cena. James McAvoy apresenta um Professor Xavier conturbado, jovem e inseguro, que se desenvolve ao longo da trama. Michael Fassbender chega a dar graça a seu Magneto pela naturalidade com a qual utiliza seus poderes, sem perder o olhar malicioso e sagaz da personagem. Hugh Jackman faz novamente um trabalho excelente como Wolverine, redescobrindo seu papel e tornando a figura do mutante cada vez mais complexa. Jackman continua a se entregar completamente à personagem, como se a interpretasse pela primeira vez. Não somente os grandes nomes do elenco fazem um excelente trabalho, mas todos os atores presentes no filme. Evan Peters, que tem uma breve participação, é brilhante ao criar um humor rebelde e carismático para o mutante Mercúrio.

Os efeitos visuais são excelentes e a fotografia é hábil ao captar toda a ação presente em cena, sem esquecer de criar imagens agradáveis para as passagens tranquilas. A direção de arte, juntamente com a equipe de cabelo, maquiagem e figurino, capta perfeitamente a essência dos anos de 1970, com ótimos trajes. A trilha sonora original é incrível e acompanha perfeitamente a tensão da trama. Enquanto isso, as faixas utilizadas para ambientar o enredo à frenética década de 70 são vibrantes e bem escolhidas.

O destaque de Dias de um Futuro Esquecido fica para sua habilidade em criar um clímax complexo e instigante, que vai ganhando proporções cada vez maiores ao alternar cenas do presente e do passado. A tensão dos momentos finais do longa prendem por completo a atenção do público, que facilmente cria simpatia pela causa mutante, torcendo do começo ao fim para um desfecho vitorioso. A citada alternância de tempo é conduzida com maestria, sem causar confusão, contextualizando de forma bem sucedida o espectador.

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido recupera a glória da franquia mutante, entretendo de maneira inteligente o seu público. Sem a necessidade de apelar para clichês e estereótipos tão comumente observados em outras sagas de heróis, a trama do filme é cativante e bem estruturada. Todo o roteiro certamente passou por um cauteloso processo a fim de contextualizar suas cenas e não dar margem a ideias absurdas ou fora de sintonia. Um filme com ideias ousadas, mas que é sustentado com maestria pela habilidade de todos os envolvidos na produção.