A Escolha Perfeita 2

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Barden Bellas voltam mais divertidas e abrem caminho para a franquia

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Pitch Perfect 2
DIREÇÃO: Elizabeth Banks
DURAÇÃO: 115min
GÊNERO: Comédia, Musical
PAÍS: Estados Unidos
ANO: 2015
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O grupo de a capella mais engraçado do cinema está de volta. Depois do sucesso do primeiro filme, A Escolha Perfeita retorna às telas em uma continuação que marca a estreia de Elizabeth Banks, que ainda interpreta Gail, na direção de um longa-metragem. Combinação entre humor e música, Pitch Perfect tem um elenco que garante risadas do começo ao fim.

Após se tornarem tricampeãs de a capella nos Estados Unidos, as Barden Bellas recebem a honra de se apresentar para o presidente, em seu aniversário. As coisas saem do controle quando Fat Amy (Rebel Wilson) fica acidentalmente nua no palco, causando a expulsão do grupo de todas as cerimônias e campeonatos dos quais fariam parte no país. Lideradas por Beca (Anna Kendrick), a equipe musical, que ainda conta com a repetente Chloe (Brittany Snow) e a novata Emily (Hailee Steinfeld), precisa vencer os alemães do Das Sound Machine no campeonato mundial para serem aceitas de volta pela associação americana de a capella.

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Assim como seu antecessor, este Escolha Perfeita sofre alguns tropeços – os clichês às vezes são muito carregados, algumas personagens são muito planas e o roteiro pega alguns atalhos por pura preguiça. De qualquer forma, a continuação cumpre a proposta de divertir e fica no mesmo patamar de seu primeiro capítulo, mantendo um nível de qualidade que esperamos ver até o fim da franquia (lembrando que um terceiro longa já tem lançamento previsto para 2017).

Se o primeiro Escolha Perfeita peca principalmente por ter vilões – Bumper (Adam DeVine) e seus Troublemakers – fracos e que são facilmente jogados para escanteio, a continuação da comédia surge com o ótimo Das Sound Machine, grupo alemão que rivaliza com as Barden Bellas. A equipe, além de funcionar muito bem como o lado antipático da trama, ainda é terreno fértil para boas sequências musicais – que são em inglês, mas fazem questão de deixar evidente um sotaque escrachado e divertido – e para algumas risadas decorrentes do constrangimento das Bellas quando estão perto dos inimigos. “Seu suor cheira como… canela!”, diz uma Beca confusa e frustrada, que não consegue caçoar da aparente perfeição das personagens germânicas.

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Kendrick está mais uma vez ótima em seu papel. Diferente do primeiro Pitch Perfect, quando precisou encarnar uma Becca rebelde e às vezes sem graça, a atriz agora protagoniza cenas engraçadíssimas, além de transbordar carisma. Banks e John Michael Higgins voltam a interpretar a dupla de apresentadores preconceituosos e, pelo incrível que pareça, conseguem se superar. Brittany Snow, Birgitte Hjort Sørensen e Flula Borg (os dois últimos do Das Sound Machine) também se saem muito bem em seus papeis cômicos, mas é Rebel Wilson que rouba a cena sempre que está presente. Suas piadas, trejeitos e até o olhar são peças chave para o sucesso de Escolha Perfeita enquanto comédia.

É uma pena, porém, vermos o potencial musical de Pitch Perfect tão pouco explorado. Faltam sequências de música e dança que realmente empolguem. As que já estão no filme são boas, mas não seria nada mal vermos um pouco mais de cantoria. Afinal, Kendrick tem uma voz bonita demais para mostrá-la tão pouco. Outro pequeno problema é a incoerência que algumas cenas têm entre si. O espectador, por exemplo, pode ficar perdido quanto às regras e à cultura do a capella.

Investindo um pouco demais na ridicularização dos clubes de canto, mas por outro lado apresentado um tipo de humor bem bolado e ao mesmo tempo escrachado, Escolha Perfeita 2 é uma ótima comédia. Ao abraçar sua condição de ‘besteirol’, o filme abre espaço para momentos que surpreendem, seja pela bonita mensagem de amizade ou pelo enfoque dado ao feminismo. As Bellas são personagens que representam muito bem um tipo de girl power jovial, carismático e divertido. É a escolha perfeita para quem quer dar boas risadas.


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Mesmo Se Nada Der Certo

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Filme com Keira Knightley apresenta trilha sonora leve e graciosa

Por Leonardo Sanchez

TÍTULO ORIGINAL: Begin Again
DIREÇÃO: John Carney
DURAÇÃO: 104min
GÊNERO: Romance, Musical
PAÍS: Estados Unidos
ANO: 2014


De tempos em tempos, somos surpreendidos com algum artista, já respeitado no ramo cinematográfico, demonstrando suas habilidades para a música. A atriz Nicole Kidman e a britânica Helena Bonham Carter, por exemplo, foram algumas das celebridades que exibiram talento musical em Moulin Rouge! e Sweeney Todd, respectivamente. Em 2014, é a vez da conterrânea de Carter mostrar a sua voz para as telas. Keira Knightley estrela o longa de John Carney dando vida a uma cantora amadora.

Mesmo Se Nada Der Certo tem como cenário a cidade de Nova York. Por meio de digressões, o romance mostra os acontecimentos recentes nas vidas de Gretta (Keira Knightley) e Dan (Mark Ruffalo), até o momento em que suas histórias se entrelaçam. A protagonista feminina, nascida na Inglaterra, estava nos Estados Unidos para acompanhar o namorado, o cantor Dave Kohl (Adam Levine), que alcança o estrelato e se afasta de Gretta. Dan, por sua vez, é um renomado produtor musical, cuja carreira está em declínio devido a problemas pessoais. Na noite em que se encontram, Gretta é chamada ao palco de um bar por seu amigo Steve (James Corden) para apresentar uma de suas canções. Esse é o momento em que Dan vê o talento da moça e também uma solução para sua decadente carreira.

De maneira extremamente graciosa, Begin Again é uma análise da indústria musical, mas que não perde a poeticidade e o romance, elementos tão marcantes em seu roteiro. Com uma história simples, mas bem pensada, o filme evidencia fatos interessantes sobre o universo da música. Caçoando de maneira inteligente essa indústria, o longa evidencia tendências bastante comuns no ramo atualmente. Efeitos de voz, a plasticidade dos artistas e a comercialização da arte entram em conflito com o espírito leve e autêntico da protagonista Gretta. É bacana pensar que a personagem de Keira Knightley, antes par romântico de Dave Kohl, é o oposto do artista interpretado por Adam Levine. A escolha deste último para o papel é um fato a ser pontuado: vocalista da banda Maroon 5, Levine brinca com seu próprio estilo musical ao encarnar o artificial e deslumbrado Kohl.

Os primeiros minutos do filme, com vários flashbacks, são extremamente bem executados. De maneira suave e cautelosa, as voltas ao passado são bem articuladas e não comprometem o dinamismo da obra. O roteiro de Mesmo Se Nada Der Certo parece ser óbvio, mas pode surpreender em algumas pequenas reviravoltas que cria. Conta também com um certo equilíbrio proporcionado por cenas de humor sutis e que harmonizam com o enredo.

Tendo a música como principal foco, o longa analisa o tema de diversos aspectos, sem tirar a atenção de seu lado romântico. A vida amorosa da personagem de Knightley é abordada de forma delicada e bonita. Junto com a “fofice” de suas músicas, o filme é uma ótima diversão e facilmente conquista seu público por sua atmosfera leve e agradável.

A trama peca por alguns estereótipos que cria, principalmente quanto a seus personagens, que podiam ser mais profundos. Temos aqui a filha adolescente e rebelde; o artista cego pela fama que na primeira oportunidade trai a namorada; o pai negligente e com uma carreira que vai de mal a pior; os cantores de hip hop extremamente caricatos. Com exceção de Gretta, todas as personagens acabam sendo rasas, o que não compromete o enredo, mas ainda assim representa uma característica que podia ser melhorada.

A atuação de Keira Knightley é excelente. Seu papel pode não ser muito desafiador, mas ainda assim sua encarnação de Gretta é harmoniosa, carismática e oscila com perfeição entre os momentos de entusiasmo e melancolia. A atriz é equilibrada e marcante, sendo ainda dona de uma voz encantadora. Mark Ruffalo também faz um bom trabalho e James Corden é divertido em sua interpretação de Steve. Adam Levine, por sua vez, mostra intimidade com seu papel e, assim como Knightley, empresta sua voz para ótimas performances musicais.

A trilha sonora de Begin Again é fantástica. Com músicas suaves e realmente boas, a trilha gruda na cabeça do espectador e facilmente o conquista. Seja nas apresentações mais triviais observadas no começo do longa ou naquelas mais produzidas, as canções combinam perfeitamente com a graça e delicadeza do roteiro.

Mesmo Se Nada Der Certo é simples em sua forma, mas bastante carismático. Com um roteiro bonito e um bom elenco, o filme é equilibrado e flui bem. Apoiado em uma trilha sonora criada com maestria, a obra de John Carney é “fofa” e ainda assim tece comentários curiosos acerca do mundo da música. Um longa que, sem grandes ambições, entrega uma boa história, agradável e despida de qualquer vaidade. Begin Again é um filme que deu certo.


Vale a pena escutar um pouco da trilha sonora do filme, que é realmente muito boa: