A Bela e a Fera

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Disney renova conto de fadas sem prejudicar sua essência

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Beauty and the Beast
DIREÇÃO: Bill Condon
DURAÇÃO: 129min
GÊNERO: Musical, Fantasia, Romance, Família
PAÍS: EUA
ANO: 2017

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A Bela e a Fera pode ter “apenas” 26 anos, mas é um clássico absoluto, não há como negar. A história de 1991 foi a primeira animação a ser indicada ao Oscar de Melhor Filme e venceu dois, nas categorias de Trilha Sonora e Canção Original.

Consequentemente, o filme faz parte da memória afetiva de milhares de crianças e adultos, e é centrado em uma história de amor que causa inveja em muitos romances. Em 1993, foi ainda a primeira produção da Disney na Broadway, onde também foi bem-sucedida. Com esse currículo, era apenas questão de tempo até que Bela e a Fera entrasse para o frenesi de live-action do estúdio. A boa notícia é que o projeto fez jus ao seu original.

Bela (Emma Watson) é uma jovem diferente dos moradores de sua aldeia, principalmente de Gaston (Luke Evans), que quer sua mão em casamento. Apaixonada por livros, ela mora com seu pai, Maurice (Kevin Kline), que é aprisionado no castelo da Fera (Dan Stevens) depois de se perder em uma floresta. Bela decide ficar no seu lugar e aos poucos descobre que seu novo lar foi enfeitiçado.

BEAUTY AND THE BEAST

A tarefa de recriar A Bela e a Fera é difícil. Primeiro por se tratar de um filme tão amado por muita gente. Segundo, porque o original de 1991 já é perfeito, um clássico. Mas Bill Condon teve habilidade suficiente para reaproveitar a história da Disney, deixando-a atraente e preservando seus encantos, e ainda soprando ar de novidade à trama.

O live-action é muito parecido com a obra original. Existem diálogos inteiros onde todas as palavras foram preservadas. Para quem quer novidade, Bela e a Fera pode ser frustrante – embora Mogli tenha se dado muito bem ao não ousar em seu roteiro. Mas se o original de 1991 funciona tão bem, não faria sentido distorcê-lo para a nova versão. Mesmo que a trama seja a mesma, existem alguns detalhes que repaginam a história.

BEAUTY AND THE BEAST

Como já foi amplamente divulgado, o capanga LeFou (Josh Gad) nesta versão é gay. Em todo o filme, vemos uma preocupação da Disney em adaptar seu clássico para os novos tempos. Casais interraciais aparecem em diversos momentos e Madame Garderobe (Audra McDonald) veste três vilões como mulheres e diz para eles serem “livres”, para a felicidade de um deles. Tudo é feito de forma sutil e contida. Não é uma revolução, mas é sem dúvidas um importante e necessário passo.

Bela, também, é transformada em uma mulher ainda mais independente – e Emma Watson tem grande influência nisso – , e se consolida como heroína da história, não como princesa. “Ela deve estar chorando em seu quarto”, dizem os objetos mágicos certa hora, e em seguida, vemos Bela amarrando pedaços de pano para tentar fugir pela janela. Em outro momento, ela ensina uma menina a ler, escandalizando sua aldeia e até mesmo um professor.

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A cena, inclusive, ajuda a situar o filme em seu contexto histórico. Ao invés de estar perdido no espaço-tempo, como a maioria dos contos de fadas, A Bela e a Fera faz questão de mostrar que se passa no século XVIII, o que faz muito bem à história. Pequenas referências – como vestimentas e o cravo Maestro Cadenza (Stanley Tucci) – e brincadeiras com a época – como a arcada dentária do mesmo personagem – contribuem para isso.

O filme ainda tapa vários buracos criados em 1991. O motivo pelo qual nenhum aldeão sabe da existência do castelo, a linha temporal dos acontecimentos, a cumplicidade dos conterrâneos de Gaston com sua arrogância e muitas outras questões são solucionadas para tornar esta versão mais madura.

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Outro aspecto que faz deste Bela e a Fera diferente de seu antecessor são as canções. Sim, elas são as mesmas, mas os arranjos musicais foram mudados, algumas letras incrementadas e quatro músicas inéditas adicionadas à trilha sonora. Estas, inclusive, não alcançam o nível de excelência das originais, mas também são muito bonitas, tendo sua função na história. O destaque é para Evermore – cantada por uma Fera que pode causar estranhamento pela voz, mas à qual logo nos adaptamos – , que é extremamente sensível e preenche a falta de música no papel da Fera.

As coreografias e performances também são ótimos, se aproximando de clássicos do gênero musical de forma divertida. Se a reprise de Belle espelha a mais clássicas das cenas de A Noviça Rebelde, Be Our Guest é um banquete aos amantes de musicais. As referências no show de Lumière (Ewan McGregor) são várias: Cabaret, Cantando na Chuva e Moulin Rouge! são só algumas. A cena, inclusive, é um presente para os olhos, extremamente bem feita, colorida, dançante e sofisticada.

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Tecnicamente, o filme é deslumbrante. O design de produção é excelente, combinando elementos do original de 1991 com referências claras ao século XVIII e ainda cenários e objetos elegantes, que invocam um senso de fantasia e imaginação típico dos contos de fadas. Os figurinos de Jacqueline Durran também são belíssimos e o clássico vestido de valsa de Bela é atualizado, não deixando a desejar.

Os efeitos visuais usados para criar os objetos mágicos são perfeitos. As soluções encontradas para seus movimentos são engenhosas e dão credibilidade ao feitiço lançado no castelo – Chip (Nathan Mack), por exemplo, anda como se estivesse em um skate, dando jovialidade ao personagem.

Beauty and the Beast

A Fera deixa a desejar. Seu rosto é bastante humano, tem emoção, mas o seu andar é pesado, visivelmente irreal. Teria sido melhor criar uma Fera a partir de figurino e maquiagem, à la Chewbacca, mas em uma indústria tão enlouquecida com as maravilhas do CGI, é difícil pensar na Disney tomando o caminho dos efeitos práticos em um conto de fadas. Outro pequeno problema é a edição do filme, súbita e com cortes equivocados em determinados momentos,

Mas nada é capaz de parar A Bela e a Fera de ser uma digna e bonita versão de um filme tão amado. Muitos podem criticar a falta de originalidade ou a natureza desnecessária de um filme não tão antigo, mas há espaço em Hollywood para esta versão mais adulta e musical, que ainda confere inventividade e respeito à obra.

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O elenco também contribui para o sucesso do longa. Emma Watson é uma figura forte e que passa um ar de determinação e graça à sua Bela, surpreendendo a todos ao cantar. Luke Evans e Josh Gad formam uma dupla divertidíssima e, enquanto o primeiro tem o ar de arrogância típico de Gaston, o LeFou de Gad rouba as cenas e ainda, de forma sutil, reinventa seu personagem, que agora tem uma quedinha pelo amigo “machão”. Kevin Kline faz um Maurice muito mais profundo, ao contrário do bobalhão pai de Bela de 1991. 

Por fim, o trabalho de vozes é excelente: Audra McDonald e Stanley Tucci são engraçados, Ewan McGregor é charmoso, Ian McKellen dá autoridade ao seu atrapalhado Horloge e Emma Thompson não se deixa intimidar pela difícil tarefa de assumir o papel originado por ninguém menos que Angela Lansbury.

Além de um ótimo entretenimento, um banquete visual e uma trilha sonora emocionante, A Bela e a Fera ainda se mantém fiel à sua mensagem de amor, bastante universal e delicada. Por outro lado, promove a cultura como um elemento tão transformador quanto esse sentimento. É um filme capaz de agradar qualquer um que vá de coração aberto ao cinema, estando envolto em mágica, nostalgia e amor.


9 jardins do cinema

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9. Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (2003)

O filme de Tim Burton tem uma história muito bonita. Mais bonita ainda é a declaração de amor que a personagem de Ewan McGregor faz à Sandra Bloom. Sabendo da preferência da pretendente pelas flores narciso, o protagonista não hesita em montar um imenso e colorido jardim na frente da janela da moça. Puro romance!

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8. A Noviça Rebelde (1965)

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Ambientado nos Alpes austríacos, é difícil encontrar alguma paisagem que se destaque em A Noviça Rebelde. Os jardins observados na cena de Do Re Mi, porém, por mais curto que seja o tempo em que aparecem, desempenham bem esse papel. São clássicos e bonitos, combinando com a atmosfera leve e extrovertida proposta pela protagonista Maria.


7. O Jardim Secreto (1993)

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A trama de O Jardim Secreto gira completamente em torno desse ambiente. Após ser descoberto por três crianças, o jardim passa a ser o refúgio das personagens do filme, ganhando vida aos poucos. A mágica presente em sua paisagem combina com a delicadeza do roteiro do longa.


6. E Se Fosse Verdade (2005)

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A comédia romântica estrelada por Reese Witherspoon e Mark Ruffalo tem sua cena final ambientada em um jardim, localizado na cobertura do prédio onde a protagonista mora. Após uma delicada história, o sonho da personagem de transformar sua cobertura em um espaço florido é realizado pelo paisagista David. O jardim, além de extremamente bonito, tem uma atmosfera romântica que desencadeia uma cena de amor protagonizada por Ruffalo e Witherspoon.


5. Maria Antonieta (2006)

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Maria Antonieta é recheado de cenas bonitas e elegantes. Em dois ambientes a natureza ganha destaque visual na trama: no Petit Trianon, refúgio da rainha francesa que dá nome ao filme, e no próprio Palácio de Versalhes, já imponente, mas que com o seu jardim fica ainda mais impressionante. O primeiro ambiente, cheio de significados, é onde a esposa de Luís XVI tem seus momentos de liberdade, fugindo da convulsão popular que preocupava a corte entre as paredes de Versalhes.


4. O Mágico de Oz (1939)

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Esteticamente, O Mágico de Oz é deslumbrante do começo ao fim. A cena na qual Dorothy, o Leão, o Homem de Lata e o Espantalho atravessam o campo de papoulas tem um visual extremamente bonito. As flores, porém, têm um papel na trama e não servem só para enfeitar o cenário: é nelas que a Bruxa Má do Oeste lança um feitiço responsável por fazer os quatro protagonistas caírem em um sono profundo.


3. Edward Mãos de Tesoura (1990)

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Edward é uma das personagens mais esquisitas da cinematografia. Ao contrário de suas mãos, porém, as esculturas que ele molda nos arbustos de seu jardim são belíssimas. Quando a personagem Peg chega ao castelo onde o protagonista mora, somos apresentados a plantas elegantes e impressionantes. O topiário de dinossauro feito por Edward é um ícone do cinema de Tim Burton.


2. Alice no País das Maravilhas (1951)

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A sensação que temos tanto na animação de Walt Disney quanto na adaptação de Tim Burton, é que o País das Maravilhas é um enorme jardim. Bonitas e completamente floridas, diversas cenas do longa de 1951 são encantadoras justamente pela natureza exótica e singular que apresentam. A cena em que Alice ajuda os guardas da Rainha de Copas a pintarem as rosas de vermelho é clássica. A parte mais delicada do grande jardim que é o País das Maravilhas, porém, é aquela em que a protagonista encontra as flores cantoras.


1. A Fantástica Fábrica de Chocolate (1971)

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Flores no meio da fábrica de chocolate? Não é bem assim. Tão excêntrico quanto Willy Wonka, o jardim do filme é, na verdade, uma reunião de doces em forma de plantas. Além de bonita, a área verde da fábrica é extremamente saborosa. Acostumadas a ver pés de alface ou frutas em meio à natureza, as cinco crianças escolhidas para visitar a empresa de Wonka, ao se deparar com árvores de chiclete, pirulitos gigantes e até um rio de chocolate, fazem parte de uma cena que todos os que já assistiram ao filme sonharam um dia em protagonizar.


10 bons pais do cinema

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10. Gepeto (Christian Rub)

Pinóquio, 1940

Gepeto, um homem já idoso e que compartilha sua vida apenas com o gato Figaro e a peixinha Cléo, cria uma marionete, que batiza de Pinóquio. A peça de madeira ganha vida e o italiano a adota como seu filho, mesmo este não sendo humano. A partir daí, uma relação afetuosa floresce entre os dois. Sempre em busca de aventuras, Pinóquio acaba sendo vítima de inúmeras farsas e acidentes, o que faz com que Gepeto largue sua rotina para salvar o filho. Ao ser engolido por uma baleia em busca do garoto, o artesão prova que o amor que sente por ele é imensurável: Pinóquio é definitivamente sua razão de viver. É justamente esse amor que compartilham que faz com que a marionete realize seu sonho de se tornar “um menino de verdade”.


9. Maurice (Rex Everhart)

A Bela e a Fera, 1991

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Em A Bela e a Fera, o amor entre pai e filha está presente do começo ao fim. Maurice,  que tem grande afeto por Bela, demonstra estar sempre preocupado com a filha, que, mais tarde, precisa resgatá-lo das temíveis garras da Fera. Após permutar sua liberdade pela do pai, ato que demonstra o forte elo entre os dois, Bela é presa em um castelo afastado do vilarejo onde mora, fazendo com que Maurice encare sozinho o frio e os outros perigos do caminho até o cativeiro da personagem. Além disso, o inventor, ao procurar ajuda para o resgate de Bela, coloca em risco sua sanidade, ao anunciar a existência de “uma fera monstruosa e horrível”.


8. Michael Sullivan (Tom Hanks)

Estrada Para Perdição, 2002

Michael Sullivan, sempre tão frio e rigoroso com seus filhos Mike e Peter, tem sua vida completamente mudada quando seu primogênito descobre que ele trabalha em uma máfia, assassinando pessoas. A partir daí, seus empregadores fazem de tudo para matar e consequentemente calar Mike e Michael, que, juntos, precisam fugir de sua antiga vida. Aos poucos, a frieza do pai dá espaço para uma relação de carinho e apoio mútuo com seu filho, cuja proteção passa a ser primordial.


7. Capitão Von Trapp (Christopher Plummer)

A Noviça Rebelde, 1965 

A frieza e a disciplina da relação do militar Von Trapp com seus sete filhos, na iminência da Segunda Guerra Mundial, é responsável por causar a infelicidade e rebeldia das crianças austríacas, que com a chegada da religiosa Maria são apresentadas à diversão. O grande enfoque de A Noviça Rebelde, porém, não é a mudança que ocorre com as crianças, mas com o pai, Capitão Von Trapp, que deixa a rigidez em troca de um convívio terno e alegre, provando amar de forma profunda os filhos e também Maria.


6. Jackie Elliot (Gary Lewis)

Billy Elliot, 2000 

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Em primeiro momento, Jackie Elliot é um tipo paternal problemático e intolerante. Se opondo à decisão de Billy de fazer aulas de dança, o machismo e conservadorismo de Jackie são tão fortes que sobrepõem o companheirismo que deveria existir entre pai e filho. Billy, porém, não desiste de seu pai e, quando finalmente o convence de seu talento e vocação, Jackie deixa seus preconceitos de lado e percebe que seu maior desejo é a felicidade de seu filho, passando por cima de suas convicções retrógradas e até mesmo da greve da qual participava a favor do sonho de Billy.


5. Mufasa (James Earl Jones)

O Rei Leão, 1994

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Mufasa representa para Simba muito mais que uma imagem paternal. Os dois leões são verdadeiros companheiros e o aspirante a rei tem em seu pai um ponto de apoio, onde encontra não somente carinho, mas também conselhos que mais tarde o prepararão para sua vida adulta e todas as dificuldades impostas pela trama da Disney. A ligação entre pai e filho é tão forte que se faz presente até mesmo de forma imaterial, confortando Simba nos momentos de adversidade.


4. Edward Bloom (Ewan McGregor / Albert Finney)

Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas, 2003 

Apesar da ausência perante sua família e da excentricidade de Ed Bloom, o carisma da personagem é inegável. O único que parece ser imune a ele é, curiosamente, seu próprio filho, o cético Will. A difícil convivência apresentada na trama, fomentada pelo aparente desnível entre as personalidades de pai e filho, é decorada com as poéticas e fantasiosas histórias de Ed, de duvidosa credibilidade, mas com incrível capacidade para o encantamento. Após divergências familiares, Bloom consegue conquistar e se reaproximar de seu filho da mesma maneira que o afastou: por meio da história da sua vida, podendo esta ser construída por alegorias ou somente por fatos frios e casuais. Ed, na verdade, sempre foi um bom pai, embora à sua maneira: tentou passar para Will ensinamentos preciosos, que são finalmente aceitos pelo jovem com o término do longa.


3. Ted Kramer (Dustin Hoffman)

Kramer vs. Kramer, 1979 

Quando sua esposa sai de casa e o deixa sozinho com Billy, o filho do casal, o negligente e “workaholic” Ted Kramer precisa mudar completamente a sua rotina. À frente dos cuidados da casa e da criação de seu filho pela primeira vez, Ted enfrenta a ausência da esposa de forma descuidada, até que, a partir da convivência com Billy, ele passa a entender as necessidades e a personalidade da criança. Nasce, então, uma bonita relação entre os dois, de proximidade e compreensão, que inclusive leva Ted aos tribunais, em busca da guarda de Billy, a quem passa a se dedicar por completo.


2. Marlin (Albert Brooks)

Procurando Nemo, 2003

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A sensibilidade com a qual a relação entre pai e filho é abordada e discutida em Procurando Nemo fez do longa um bonito e delicado ensaio sobre a importância da família. Marlin, um pai super protetor, quando vê que seu filho Nemo está em apuros, precisa atravessar todo o oceano para socorrer o peixe palhaço mais famoso do cinema. O amor que une pai e filho é tão forte que faz com que Marlin supere todos os seus medos para estar com Nemo novamente.


1. Vito Corleone (Marlon Brando / Robert De Niro)

O Poderoso Chefão I e II, 1972 e 1974 

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Vito Corleone é o tradicional chefe de família italiano: responsável pela união dos parentes, pelas decisões familiares e verdadeiramente poderoso, tanto dentro quanto fora de sua casa. Apesar da frieza de seu trabalho e seu jeito “carcamano”, o personagem imortalizado por Marlon Brando é gentil e generoso com a família, instituição que, para ele, está acima de qualquer coisa. A dedicação e o carinho que tem por seus filhos e netos evidenciam a importância que os laços de sangue têm para o patriarca. “Um homem que não se dedica à família jamais será um homem de verdade”.

14 cenas românticas do cinema

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14. O Lado Bom da Vida – Pat persegue Tiffany (2012)
Patrick Solano (Bradley Cooper) & Tiffany Maxwell (Jennifer Lawrence)

Um drama disfarçado por um roteiro bem humorado, o romance de Tiffany e Patrick é interessante devido às circunstâncias casuais nas quais floresce. É encantador acompanhar o desenvolvimento do sentimento das duas personagens ao longo da trama e a cena final, absurdamente esperada, é bonita justamente pelo alívio que causa não somente nas personagens, mas também no público. A maneira como Patrick se declara, com certa comicidade, é verdadeiramente emocionante e romântica.


 

13. A Jovem Rainha Victoria – “Stay with me” (2009)
Rainha Victoria (Emily Blunt) & Príncipe Albert (Rupert Friend)

O mais bonito de Jovem Rainha Victoria é pensar na potencial veracidade do amor entre a rainha do Reino Unido e o Príncipe Albert. As marcas deixadas pela relação dos dois na capital britânica enchem a trama do filme de credibilidade, vide o famoso e suntuoso Albert Memorial, construído pela monarca após a morte do marido. A cena na qual os dois mostram o quão apaixonados estão, por sua espontaneidade e até mesmo pela acidentalidade do sentimento, é simples e delicada, principalmente por ficar evidente o alívio e felicidade de ambos por poderem ficar juntos, sem a necessidade de um pretexto, como ocorria até então.


 

12. Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças – Cena final (2004)
Clementine Kruczynski (Kate Winslet) & Joel Barish (Jim Carrey)

Uma ficção que gira em torno da relação de Clementine e Joel, Brilho Eterno evidencia o amor das personagens por meio de cenas bem humoradas, diferentes e surreais, sem perder o drama e o romance da trama. O trecho final do longa, que problematiza a relação do casal, mostra que a perfeição não é o que importa em uma história de amor. Todos os casais têm seus problemas e superá-los somente fortalece o sentimento de um pelo outro, como acontece com as personagens de Winslet e Carrey. A abordagem de Brilho Eterno é completamente ficcional, mas sua essência beira a realidade.


 

11. Ghost – Unchained Melody (1990)
Sam Wheat (Patrick Swayze) & Molly Jensen (Demi Moore)

Assim como Ghost é um clássico do cinema, Unchained Melody é um clássico musical. A combinação dos dois funciona perfeitamente para ilustrar a vida simples, mas cheia de romance de Sam e Molly.  A cena sonorizada pela composição não tem nada de grandioso e sua casualidade é exatamente o que a torna tão interessante: o destaque, despido de qualquer superficialidade, dado à relação dos protagonistas mostra a verdadeira essência do sentimento ali representado, fazendo uso de uma sensualidade sutil e bonita.


 

10. Pocahontas – Cena final (1995)
Pocahontas (Irene Bedard) & John Smith (Mel Gibson)

Clássico da animação, Pocahontas tem em sua cena final um momento repleto de simbolismo e romantismo. A maneira como a história acaba, apesar de dramática, conta com os detalhes, como o vento, para legitimar a sobrevivência do amor entre a índia e o inglês. A profundidade da relação das duas personagens fica evidente quando o público percebe que aquele amor independe de qualquer materialidade, sendo sustentado por um sentimento verdadeiro e transcendente. A sensibilidade utilizada para registrar os laços que um cria pelo outro deixam o final do filme emocionante e poético.


 

9. O Grande Gatsby – “I’m certainly glad to see you again” (2013)
Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio) & Daisy Buchanan (Carey Mulligan)

Encher a sala do seu vizinho com flores de todos os tipos e cores certamente é uma prova de amor inesperada e inovadora. Não somente o ato e a intenção do protagonista são surpreendentes, como também seu reencontro com a personagem de Carey Mulligan, que demonstra que o amor dos dois, apesar de antigo e distante, continuava tão forte e verdadeiro quanto em seu início. A troca de olhares entre Gatsby e Daisy, na cena, é tão significativa e bem executada que facilmente convence o público do sentimento dos dois.


 

8. Across The Universe – All You Need Is Love (2007)
Jude (Jim Sturgess) & Lucy (Evan Rachel Wood)

Com um ar alternativo, Across The Universe é uma história de amor jovial e que acompanha, com excelência, a temática dos clássicos dos Beatles. O reencontro de Jude e Lucy, criativo e na eminência do fim do filme, não somente alivia o espectador, que certamente torce para que o casal dê certo, como também é coeso quanto à letra de All You Need Is Love, sendo inevitável não acreditar no significado do título da composição após assistir à história dos protagonistas. “Tudo o que você precisa é amor”.


 

7. O Fantasma da Ópera – All I Ask Of You (2004)
Raoul, Visconde de Chagny (Patrick Wilson) & Christine Daaé (Emmy Rossum)

Grande sucesso dos palcos, a adaptação de O Fantasma da Ópera para as telas sofreu um pouco por conta de sua direção despretensiosa, que não condiz com o caráter suntuoso da peça. Apesar disso, o triângulo amoroso entre o Fantasma, Christine e Raoul manteve-se autêntico e a essência do amor dos dois últimos foi habilmente captada no dueto interpretado no telhado do Opera Populaire, teatro no qual a história se passa. All I Ask Of You, além de uma bela melodia, tem uma letra excepcionalmente romântica, que representa o forte sentimento que Christine e Raoul compartilham.


 

6. Amor, Sublime Amor – Somewhere (1961)
Maria (Natalie Wood) & Tony (Richard Beymer)

O grande musical americano West Side Story não podia deixar de aparecer na lista, afinal, foi inspirado no maior romance da história da literatura: Romeu e Julieta. O amor entre Tony e a porto-riquenha Maria prova-se verdadeiro e profundo no desenrolar da trama. O dueto Somewhere, no qual os protagonistas prometem dedicar-se um ao outro, superando qualquer adversidade, é um ícone do cinema musical e reflete o quão inabalável e eterno é o amor que desenvolvem.


 

5. A Dama e o Vagabundo – Bella Notte (1955)
Dama (Peggy Lee) & Vagabundo (Larry Roberts)

Um clássico do cinema, a cena em que os dois cachorros da Disney compartilham uma refeição romântica à luz das estrelas já encantou – e continua encantando – inúmeras gerações. Tudo na passagem é muito bem pensado: a música italiana, a última almôndega do prato e o beijo tímido e delicado que a Dama e o Vagabundo trocam ao dividir um fio de espaguete fazem com que essa demonstração de afeto, diferente e inocente, se destaque na história do cinema.


 

4. Luzes da Cidade – Cena final (1931)
O Vagabundo (Charles Chaplin) & Florista Cega (Virginia Cherrill)

O final de Luzes da Cidade é, certamente, um dos mais bonitos proporcionados pela cinematografia. Chaplin, verdadeiro gênio na abordagem de temas universais, desenvolve no filme um puro e ingênuo romance entre a clássica personagem O Vagabundo e uma florista simples e cega. O desfecho da história, após inúmeras cenas de dificuldades e comicidade, não poderia ser retratado de forma mais esplêndida: o reencontro das duas protagonistas não é moldado por Chaplin, permitindo que o público fantasie sobre o destino do casal, cuja última cena é de uma beleza genuína e singela.


 

3. A Bela e a Fera – Beauty And The Beast (1991)
Bela (Paige O’Hara) & Fera (Robby Benson)

Todos sabem que A Bela e a Fera é um clássico da animação e do cinema musical. Antes de se destacar nesses dois gêneros, porém, o filme da Disney é uma pura e verdadeira história de amor, que obedece aos critérios necessários para qualificá-lo como um grandioso romance. O interessante do longa é o desenvolvimento, lento e cauteloso, da relação do casal, que vai do ódio ao mais terno amor. A cena da valsa entre a Bela e a Fera não somente solidifica o sentimento dos dois, mas é acompanhada por uma das músicas mais bonitas já compostas para as telas, com um visual extremamente moderno e detalhado para a época em que o filme foi lançado.


 

2. Titanic – “I’m flying!” (1997)
Jack Dawson (Leonardo DiCaprio) & Rose Bukater (Kate Winslet)

Titanic é o grande queridinho de uma considerável parcela da população. O título, porém, é merecido. Jack e Rose estão, com toda certeza, entre os casais mais apaixonados da cinematografia e juntos desenvolvem uma história bonita e transcendente de amor. São diversas cenas que funcionam como verdadeiras provas do sentimento de uma personagem pela outra. Ícone do cinema, a cena de amor que se destaca no longa é o famoso “vôo” que Jack proporciona à Rose na ponta do navio, momento no qual o afeto de um pelo outro se consolida, a fim de dar continuidade ao resto da trama.


 

1. Moulin Rouge! – Your Song (2001)
Christian (Ewan McGregor) & Satine (Nicole Kidman)

Uma obra-prima do cinema musical, Moulin Rouge! é, do começo ao fim, uma verdadeira sucessão de poéticas e encantadoras cenas de amor. Nicole Kidman e Ewan McGregor têm uma sincroniza perfeita em cena, que enche seu romance de credibilidade, deixando o público sensibilizado com o seu desenrolar. É difícil escolher, das cerca de duas horas de filme, qual passagem é a mais romântica, devido à pureza e profundidade da relação dos protagonistas. A escolha acabou refletindo em Your Song, a música na qual Christian e Satine se apaixonam e que, certamente, representa o que há de mais lírico e poético na cinematografia romântica.