A Escolha Perfeita 2

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Barden Bellas voltam mais divertidas e abrem caminho para a franquia

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Pitch Perfect 2
DIREÇÃO: Elizabeth Banks
DURAÇÃO: 115min
GÊNERO: Comédia, Musical
PAÍS: Estados Unidos
ANO: 2015
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O grupo de a capella mais engraçado do cinema está de volta. Depois do sucesso do primeiro filme, A Escolha Perfeita retorna às telas em uma continuação que marca a estreia de Elizabeth Banks, que ainda interpreta Gail, na direção de um longa-metragem. Combinação entre humor e música, Pitch Perfect tem um elenco que garante risadas do começo ao fim.

Após se tornarem tricampeãs de a capella nos Estados Unidos, as Barden Bellas recebem a honra de se apresentar para o presidente, em seu aniversário. As coisas saem do controle quando Fat Amy (Rebel Wilson) fica acidentalmente nua no palco, causando a expulsão do grupo de todas as cerimônias e campeonatos dos quais fariam parte no país. Lideradas por Beca (Anna Kendrick), a equipe musical, que ainda conta com a repetente Chloe (Brittany Snow) e a novata Emily (Hailee Steinfeld), precisa vencer os alemães do Das Sound Machine no campeonato mundial para serem aceitas de volta pela associação americana de a capella.

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Assim como seu antecessor, este Escolha Perfeita sofre alguns tropeços – os clichês às vezes são muito carregados, algumas personagens são muito planas e o roteiro pega alguns atalhos por pura preguiça. De qualquer forma, a continuação cumpre a proposta de divertir e fica no mesmo patamar de seu primeiro capítulo, mantendo um nível de qualidade que esperamos ver até o fim da franquia (lembrando que um terceiro longa já tem lançamento previsto para 2017).

Se o primeiro Escolha Perfeita peca principalmente por ter vilões – Bumper (Adam DeVine) e seus Troublemakers – fracos e que são facilmente jogados para escanteio, a continuação da comédia surge com o ótimo Das Sound Machine, grupo alemão que rivaliza com as Barden Bellas. A equipe, além de funcionar muito bem como o lado antipático da trama, ainda é terreno fértil para boas sequências musicais – que são em inglês, mas fazem questão de deixar evidente um sotaque escrachado e divertido – e para algumas risadas decorrentes do constrangimento das Bellas quando estão perto dos inimigos. “Seu suor cheira como… canela!”, diz uma Beca confusa e frustrada, que não consegue caçoar da aparente perfeição das personagens germânicas.

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Kendrick está mais uma vez ótima em seu papel. Diferente do primeiro Pitch Perfect, quando precisou encarnar uma Becca rebelde e às vezes sem graça, a atriz agora protagoniza cenas engraçadíssimas, além de transbordar carisma. Banks e John Michael Higgins voltam a interpretar a dupla de apresentadores preconceituosos e, pelo incrível que pareça, conseguem se superar. Brittany Snow, Birgitte Hjort Sørensen e Flula Borg (os dois últimos do Das Sound Machine) também se saem muito bem em seus papeis cômicos, mas é Rebel Wilson que rouba a cena sempre que está presente. Suas piadas, trejeitos e até o olhar são peças chave para o sucesso de Escolha Perfeita enquanto comédia.

É uma pena, porém, vermos o potencial musical de Pitch Perfect tão pouco explorado. Faltam sequências de música e dança que realmente empolguem. As que já estão no filme são boas, mas não seria nada mal vermos um pouco mais de cantoria. Afinal, Kendrick tem uma voz bonita demais para mostrá-la tão pouco. Outro pequeno problema é a incoerência que algumas cenas têm entre si. O espectador, por exemplo, pode ficar perdido quanto às regras e à cultura do a capella.

Investindo um pouco demais na ridicularização dos clubes de canto, mas por outro lado apresentado um tipo de humor bem bolado e ao mesmo tempo escrachado, Escolha Perfeita 2 é uma ótima comédia. Ao abraçar sua condição de ‘besteirol’, o filme abre espaço para momentos que surpreendem, seja pela bonita mensagem de amizade ou pelo enfoque dado ao feminismo. As Bellas são personagens que representam muito bem um tipo de girl power jovial, carismático e divertido. É a escolha perfeita para quem quer dar boas risadas.


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87th Academy Awards

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Birdman e Grande Hotel Budapeste são os principais vencedores da noite

Por Leonardo Sanchez

Ocorreu no último domingo (22/02) a 87ª edição do Academy Awards, mais conhecido como Oscar. Apresentada por Neil Patrick Harris, o evento foi realizado no tradicional Dolby Theatre, em Los Angeles, e contou com disputas bastante acirradas.

Muito mais surpreendente que a edição passada, a cerimônia coroou Birdman como o Melhor Filme de 2014, além de Melhor Direção, esnobando o antes favorito Boyhood, que teve que se contentar com a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante. Ao lado de O Grande Hotel Budapeste, o longa protagonizado por Michael Keaton foi o grande vencedor da noite, com 4 prêmios cada.

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Neil Patrick Harris era a grande promessa do evento. Conhecido como o Barney de How I Met Your Mother, o ator fez sucesso ao apresentar quatro edições do Tony (o Oscar do teatro) e duas do Emmy. Seu papel nessas premiações foi tão elogiado que gerou muitas expectativas para o 87º Academy Awards. Todas elas, porém, ficaram um tanto frustradas. O americano começou o evento com um divertido número musical, chamado “Moving Pictures”, que contou com participações de Anna Kendrick e Jack Black. O ritmo animado acabou não se mantendo e a cerimônia ficou cada vez mais tediosa, com piadas sem graça e momentos de inexplicável silêncio. É verdade que Neil proporcionou algumas boas risadas, mas sua performance ficou aquém do esperado.

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Por outro lado, a cerimônia acertou em outros aspectos. Idina Menzel, que interpretou “Let It Go” na edição passada, protagonizou uma cena divertidíssima ao lado de John Travolta. A atriz fez vingança ao “errar” o nome do astro de Grease, assim com ele fez com ela em 2014. “Glory”, premiada como Melhor Canção, foi apresentada de maneira emocionante por John Legend e Common, levando muitos dos presentes às lágrimas, ao recriar a passeata de Martin Luther King que inspirou o filme Selma.

Lady Gaga causou pânico ao ser anunciada como responsável pela homenagem aos 50 anos de A Noviça Rebelde. Quando subiu ao palco para interpretar um medley das canções do filme, porém, a artista surpreendeu. E muito. Com uma voz lindíssima, Gaga foi aplaudida de pé e agradou Julie Andrews, intérprete de Maria, a protagonista do filme, que apareceu na cerimônia e também arrancou aplausos da plateia. Foi uma apresentação à altura do clássico de 1965.

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Os grandes destaques da cerimônia, porém, foram os discursos dos vencedores. Muitos dos recipientes da estatueta falaram com emoção sobre assuntos extremamente importantes e politizados. Julianne Moore dedicou a vitória às vítimas do Alzheimer. J. K. Simmons ressaltou a importância de um pai e uma mãe. Patricia Arquette falou em nome da igualdade de gêneros em Hollywood, sendo aplaudida efusivamente por Meryl Streep. Graham Moore, que ganhou pelo roteiro de Jogo da Imitação, exaltou a diversidade. Eddie Redmayne dedicou a estatueta aos Hawkings e a todos aqueles que sofrem de ELA.

A cerimônia desse ano foi extremamente acirrada, com muitas categorias que surpreenderam. Mesmo com o ritmo lento, a noite foi engrandecida pelos astros da indústria cinematográfica e as mensagens que tentaram passar. Confira abaixo todos os premiados e o que achamos de cada um.


FILME

“Boyhood”
“O Jogo da Imitação”
“Whiplash”
“Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”
“O Grande Hotel Budapeste”
“Selma”
“A Teoria de Tudo”
“Sniper Americano”

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COMENTÁRIO: A disputa entre Boyhood e Birdman estava super acirrada. Muitos apontavam, inclusive, que O Grande Hotel Budapeste poderia surpreender na categoria. No fim, Birdman ganhou merecidamente. O filme é realmente bom, tanto no aspecto técnico quanto na trama. Além disso, ele conta uma história sobre a indústria hollywoodiana e adivinha onde trabalham os eleitores da Academia? Faz sentido eles terem gostado tanto.


DIRETOR

“Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)” Alejandro G. Iñárritu
“Boyhood” Richard Linklater
“Foxcatcher” Bennett Miller
“O Grande Hotel Budapeste” Wes Anderson
“O Jogo da Imitação” Morten Tyldum

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COMENTÁRIO: É inegável que Iñarritú fez um ótimo – e ousado – trabalho em Birdman. O filme, apesar de sua qualidade, talvez não fosse necessariamente o melhor nas três principais categorias que ganhou. Além de Wes Anderson, Richard Linklater também poderia ser uma alternativa ao diretor mexicano. O responsável por Boyhood, ao embarcar em uma produção que levou 12 anos para ser gravada, assumiu um projeto ambicioso, que limitou seu trabalho nos últimos anos e, ainda assim, teve um resultado maravilhoso. Linklater é o grande merecedor do Oscar de Melhor Direção. Não torna-lo vitorioso, inclusive, significou uma grande esnobada ao seu longa.


ATOR

Steve Carell em “Foxcatcher”
Bradley Cooper em “Sniper Americano”
Benedict Cumberbatch em “O Jogo da Imitação”
Michael Keaton em “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”
Eddie Redmayne em “A Teoria de Tudo

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COMENTÁRIO: A disputa foi difícil. Michael Keaton não se entregou, mesmo depois que Eddie Redmayne colecionou diversas vitórias de outras premiações. No fim, o britânico acabou levando. O trabalho de Eddie é impecável. Seu retrato de Hawking merece, sem sombra de dúvidas, o reconhecimento da Academia. Talvez essa fosse a categoria mais acirrada, afinal, além dos trabalhos dos ótimos Redmayne, Keaton, Carell, Cooper e Cumbebatch, outros atores que ficaram de fora brilharam tanto quanto no cinema em 2014. Jake Gyllenhaal (O Abutre), David Oyelowo (Selma) e Miles Teller (Whiplash) são só alguns exemplos.


ATOR COADJUVANTE

Robert Duvall em “O Juíz”
Ethan Hawke em “Boyhood”
Edward Norton em “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”
Mark Ruffalo em “Foxcatcher”
J.K. Simmons em “Whiplash

whiplash

COMENTÁRIO: O prêmio já estava destinado a Simmons faz tempo. Mesmo assim, Edward Norton e Mark Ruffalo tiveram atuações tão boas quanto a do vencedor, o que certamente dividiu alguns membros da Academia. Simmons, porém, está brilhante em seu papel e mereceu a honraria.


ATRIZ

Marion Cotillard em “Dois Dias, Uma Noite”
Felicity Jones em “A Teoria de Tudo”
Julianne Moore em “Para Sempre Alice”
Rosamund Pike em “Garota Exemplar
Reese Witherspoon em “Livre”

still alice

COMENTÁRIO: Julianne Moore está, como sempre, espetacular em Para Sempre Alice. Já tinha passado da hora da Academia reconhecer o trabalho dela, que foi indicada outras 4 vezes. Com uma carreira sólida e extremamente respeitada, Moore mereceu não somente por este papel, mas por todo o seu trabalho enquanto atriz. A americana nunca para e não tem frescura quanto ao gênero de seus filmes. Faz desde papeis dramáticos, como é o caso, até blockbusters, como a franquia Jogos Vorazes e Jurassic Park.


ATRIZ COADJUVANTE

Patricia Arquette em “Boyhood”
Laura Dern em “Livre”
Keira Knightley em “O Jogo da Imitação”
Emma Stone em “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”
Meryl Streep em “Caminhos da Floresta

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COMENTÁRIO: Este ano, a categoria de Melhor Atriz Coadjuvante estava relativamente fraca. Comparados às atuações das duas últimas vencedoras, Lupita Nyong’o e Anne Hathaway, nenhum dos trabalhos foi efetivamente marcante ou ganhou tanto destaque. Arquette faz uma boa interpretação, mas encara um papel sem muitas demandas (no campo da atuação, desconsiderando os 12 anos levados para gravar). Emma Stone talvez fosse uma escolha interessante, mas, da mesmo forma, não recebe espaço suficiente para se destacar.


FOTOGRAFIA

“Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”, Emmanuel Lubezki
“O Grande Hotel Budapeste”, Robert Yeoman
“Ida”, Lukasz Zal and Ryszard Lenczewski
“Sr. Turner”, Dick Pope
Invencível“, Roger Deakins

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COMENTÁRIO: Totalmente merecido. A fotografia de Birdman é original e ousada, contribuindo enormemente para a trama do filme.


Filme estrangeiro

“Ida” (Polônia)
“Leviathan”, (Rússia)
“Tangerines”, (Estônia)
“Timbuktu” (Mauritânia)
“Wild Tales”, (Argentina)

ida

COMENTÁRIO: De todos os filmes, Ida é o que mais se encaixa no perfil da Academia para filmes estrangeiros. É uma história inteligente, bem produzida e original, que certamente merece a estatueta. Ver Relatos Selvagens, da Argentina, ganhar, porém, seria muito bom. De todos os cinco filmes, Relatos se destaca por sua graça e também teria sido uma ótima escolha.


ANIMAÇÃO

Operação Big Hero
“Os Boxtrolls”
“Como Treinar o Seu Dragão 2”
“Song of the Sea”
“O Conto da Princesa Kaguya”

big hero

COMENTÁRIO: Uma das surpresas da noite. Big Hero desbancou o favoritismo de Como Treinar o Seu Dragão 2 e acabou vencendo. A animação é excelente, principalmente no seu visual. Ainda assim, a escolha nessa categoria estava sujeita a uma opção pessoal, uma vez que os três indicados americanos têm o mesmo nível de qualidade.


MELHOR CANÇÃO

“Everything is Awesome”, “Uma Aventura Lego”
“Glory”, “Selma”
“Grateful”, “Behind the Lights”
“I’m Not Going to Miss you”, Glen Campbell
“Lost Stars”, “Mesmo Se Nada Der Certo

selma

COMENTÁRIO: Selma é um filme muito bom e merecia ter sido indicado em mais categorias. A vitória de sua canção é merecida, principalmente depois da apresentação emocionante na cerimônia. Quanto aos outros concorrentes, “Lost Stars” e “I’m Not Going To Miss You” são tão boas quanto. Já “Grateful” é pouco marcante, enquanto o tema de Lego é muito ruim. Mesmo.


Efeitos especiais

“Capitão América 2: O Soldado Invernal”
“Planeta dos Macacos: O Confronto”
“Guardiões da Galáxia”
Interstelar
X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

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COMENTÁRIO: Apesar de sua trama um tanto problemática, os efeitos de Interestelar são realmente bons. Não nego que seria bacana ver a Marvel ganhar um Oscar por seu Guardiões da Galáxia.


MONTAGEM

whiplash

“Sniper Americano”
“Boyhood”
“O Grande Hotel Budapeste”
“O Jogo da Imitação”
“Whiplash”

COMENTÁRIO: Apesar do incrível trabalho de organizar 12 anos de filmagem em Boyhood, a montagem de Whiplash é esplêndida, conciliando os mais diversos elementos e transmitindo emoção com maestria.


EDIÇÃO DE SOM

“Sniper Americano”
“Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”
“O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos”
“Interstelar”
“Invencível”

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MIXAGEM DE SOM

“Sniper Americano”
“Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”
“Interstellar”
“Unbroken”
“Whiplash”

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FIGURINO

“O Grande Hotel Budapeste” Milena Canonero
“Vício Inerente” Mark Bridges
“Caminhos da Floresta” Colleen Atwood
“Malévola” Anna B. Sheppard and Jane Clive
“Sr. Turner” Jacqueline Durran

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MAQUIAGEM E CABELO

“Foxcatcher”
“O Grande Hotel Budapeste”
“Guardiões da Galáxia”

budapest


DIREÇÃO DE ARTE

“O Grande Hotel Budapeste”
“O Jogo da Imitação”
“Interstelar”
“Caminhos da Floresta”
“Sr. Turner” 

budapest

COMENTÁRIO: O visual do longa de Wes Anderson é deslumbrante e não há uma única falha. Merece todas as categorias artísticas existentes, sendo superior aos outros concorrentes nas três categorias (mesmo que os outros trabalhos também sejam bons).


ROTEIRO ADAPTADO

“Sniper Americano”, Jason Hall
“O Jogo da Imitação”, Graham Moore
“Vício Inerente”, de Paul Thomas Anderson
“A Teoria de Tudo”, de Anthony McCarten
“Whiplash”, de Damien Chazelle

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COMENTÁRIO: O roteiro de O Jogo da Imitação e o filme como um todo são realmente bons. Não mereciam ir para casa de mãos vazias. Ficou o prêmio de roteiro como recompensa, mesmo que Whiplash seja mais interessante. Vale ressaltar a falta de Garota Exemplar na categoria, algo realmente incompreensível.


ROTEIRO ORIGINAL

“Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”, de Alejandro G. Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Jr. & Armando Bo
“Boyhood”, de Richard Linklater
“Foxcatcher”, de E. Max Frye and Dan Futterman
“O Grande Hotel Budapeste”, de Wes Anderson; história de Wes Anderson & Hugo Guinness
“O Abutre”, de Dan Gilroy

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COMENTÁRIO: Assim como em direção, essa é uma categoria que Birdman não precisava ter levado. Não que não mereça, mas trabalhos como O Grande Hotel Budapeste e O Abutre são extremamente originais, enquanto Birdman discute um tema já bastante contemplado, se aproximando, na proposta, de Cisne Negro, que também concorreu ao Oscar. Wes Anderson merecia ter subido no palco da premiação, seja por direção ou por roteiro. Fez um trabalho brilhante e diferente.


TRILHA SONORA

“O Grande Hotel Budapeste”
“O Jogo da Imitação”
“Interstelar”
“Sr. Turner”
“A Teoria de Tudo”

budapest

COMENTÁRIO: Outra categoria recheada de trabalhos excelentes. Grande Hotel, porém, se destaca pela novidade de sua trilha, que beira o exótico e quebra com o convencionalismo da maioria esmagadora dos filmes.


DOCUMENTÁRIO

“Citizenfour”
“A Fotografia Oculta de Vivian Maier”
“Last Days in Vietnam”
“O Sal da Terra”
“Virunga”


CURTA DOCUMENTÁRIO

“Crisis Hotline: Veterans Press 1” Ellen Goosenberg Kent and Dana Perry
“Joanna” Aneta Kopacz
“Our Curse” Tomasz Sliwinski and Maciej Slesicki
“The Reaper (La Parka)” Gabriel Serra Arguello
“White Earth” J. Christian Jensen


CURTA EM LIVE ACTION

“Aya”
“Boogaloo and Graham”
“La lampe au beurre de yak”
“Parvaneh”
“The Phone Call”


CURTA DE ANIMAÇÃO

“The Bigger Picture”
“The Dam Keeper”
“Feast”
“Me and My Moulton”
“A Single Life”


Veja os vencedores do ano passado clicando aqui.

Caminhos da Floresta

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Disney produz adaptação fantasiosa de clássico da Broadway

Por Leonardo Sanchez

TÍTULO ORIGINAL: Into The Woods

DIREÇÃO: Rob Marshall

DURAÇÃO: 125min

GÊNERO: Musical, Fantasia

PAÍS: Estados Unidos, Reino Unido

ANO: 2014

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Os musicais estão novamente na moda. Desde o começo do século, filmes como Moulin Rouge! e Chicago ajudaram a “repopularizar” o gênero. Não se pode esquecer, também, do papel essencial da Disney nesse processo, com seus clássicos animados da década de 1990. A companhia conhecida por seus desenhos é a responsável pela nova adaptação da Broadway para os cinemas. Caminhos da Floresta é apenas um pedaço dos vários musicais já anunciados para os próximos anos, como o adorado A Bela e a Fera, dessa vez em live-action.

Caminhos da Floresta narra a jornada do Padeiro (James Corden) e sua esposa (Emily Blunt) que, não podendo ter filhos, fazem um acordo com a Bruxa (Meryl Streep): se conseguissem juntar a vaca branca como o leite, a capa vermelha como o sangue, o cabelo amarelo como milho e os sapatinhos puros como ouro, conseguiriam enfim ter uma criança. É aí que os protagonistas têm sua história entrelaçada com a de clássicos como Chapeuzinho Vermelho (Lilla Crawford) e o Lobo Mau (Johnny Depp), João (Daniel Huttlestone), de O Pé de Feijão, Cinderela (Anna Kendrick) e sua Madrasta (Christine Baranski), Rapunzel (Mackenzie Mauzi) e a dos “príncipes encantados” interpretados por Chris Pine e Billy Magnussen.

Quando Caminhos da Floresta começa, a grandiosidade de sua música, a sofisticação de seu visual, o talento de seu elenco e o carisma das personagens passam a sensação de que o público está prestes a ver um filme memorável. Tal impressão, porém, dilui assim que a narrativa efetivamente começa. Inspirada em um dos principais trabalhos de Stephen Sondheim (considerado o maior compositor do teatro musical americano), a obra encontra problemas ao desenvolver a sua história. No que diz respeito à forma, a adaptação é bem executada: a sutileza do teatro não encontra entraves para ganhar força frente às câmeras, lembrando, a priori, a monumentalidade do recente Os Miseráveis. O desenvolvimento da narrativa, porém, mostra que Caminhos da Floresta sofre pela inconsistência de seu roteiro e pelas péssimas escolhas de sua direção.

O longa é tecido a partir de pequenas incoerências que, juntas, enfraquecem a trama. Como exemplo, temos a falta de elaboração da conexão entre Rapunzel e a magia da Bruxa. Diversas reviravoltas nos desejos das personagens também não contribuem para a história: a Bruxa de Streep, por exemplo, literalmente surta em determinado momento, comprometendo duas horas de desenvolvimento da narrativa.

Ainda assim, o filme tem como um de seus trunfos mostrar os contos de fadas tal como foram concebidos, ignorando a abordagem “fofa” dada nas animações da Disney. Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau protagonizam uma cena que beira o erotismo, escancarando a verdadeira intenção por trás deste conto. Da mesma maneira, o desfecho das irmãs de Cinderela também remete à história original. O grande problema da direção de Rob Marshall, porém, é levar o musical muito a sério, enquanto este não passa de um grande deboche à aparente inocência dos contos de fadas. Esse problema garante falta de profundidade às personagens e à história, que perde seu lado cômico e adquire uma falsa ideia de “lição de moral”. Do mesmo problema sofre Sweeney Todd, que também abandona o humor observado nos palcos em sua versão para as telas. Ao contrário de Marshall, porém, Tim Burton soube lidar bem com a porção melancólica e sombria de seu trabalho.

A trilha sonora é boa e o tratamento dado às canções para a versão cinematográfica é excelente, pois as engrandece. O público não acostumado com o gênero, porém, pode facilmente se cansar devido à densidade das composições.

Quanto ao elenco, composto por grandes nomes do cinema atual, existem bons trabalhos. Emily Blunt e Anna Kendrick são adoráveis e têm vozes realmente agradáveis. Os jovens Lilla Crawford e Daniel Huttlestone não encontram dificuldade para se destacar em meio aos atores veteranos, apresentando ótimos trabalhos. Meryl Streep está mais uma vez encantadora em sua atuação, enquanto a malícia presente no olhar de Lobo Mau de Depp é aparente, embora este faça um trabalho pouco marcante. Chris Pine, por sua vez, apresenta um príncipe mal elaborado, talvez não por sua interpretação, mas pela maneira como a personagem foi concebida: a ideia de torná-lo um “charlatão” não é devidamente aprofundada.

No que diz respeito à parte técnica, o filme é excelente. A direção de arte é muito boa, mesclando encantamento com obscuridade. As equipes de cabelo, maquiagem e figurino também fazem ótimos trabalhos, assim como em fotografia e mixagem de som. Um dos destaques do longa são os efeitos especiais, bastante interessantes e bonitos.

Após uma enorme campanha de divulgação, a Disney decepcionou os espectadores, neste que poderia ser um dos grandes sucessos do ano. Adaptar um clássico da Broadway para o cinema nunca é uma tarefa fácil, mas, por ter Rob Marshall em sua direção – alguém que realmente entende de teatro -, as expectativas eram altas. Não que Caminhos da Floresta seja ruim. Algumas de suas cenas são verdadeiramente agradáveis e engraçadas, mas, quando o todo é analisado, o público certamente fica frustrado (e cansado) pelo potencial jogado fora. Into The Woods tomou o caminho errado.