Moana: Um Mar de Aventuras

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Disney apresenta nova heroína em mais uma volta à era dos musicais

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Moana
DIREÇÃO: Ron Clements e John Musker
DURAÇÃO: 107min
GÊNERO: Aventura, Animação, Família, Musical
PAÍS: EUA
ANO: 2016
4

 O período mais fértil e bem-sucedido dos estúdios de animação Disney começou com A Pequena Sereia, em 1989, e se estendeu até o fim da década de 90.

Durante dez anos, a empresa viu a popularidade de seus filmes alcançarem níveis inimagináveis e parte desse sucesso está nas mãos dos músicos que passaram pela companhia, tornando filmes como A Bela e a Fera e O Rei Leão não somente clássicos animados, mas também musicais. Novas tentativas de produzir filmes à la Broadway vêm ocorrendo desde 2009 e Moana é o novo resultado dessa volta ao passado.

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Nas ilhas da Polinésia mora uma comunidade chefiada por Tui (Temuera Morrison), pai de Moana (Auli’i Cravalho), que logo terá que herdar as responsabilidades de cuidar de seu povo. Mas uma praga começa a tomar conta da ilha em que moram e a heroína precisa responder ao chamado do oceano e procurar o semideus Maui (Dwayne Johnson) para buscar uma solução.

Criar uma “princesa” da Polinésia foi um grande passo dado pela Disney. Mas criar uma nova protagonista feminina forte, determinada e independente foi um passo maior ainda.

Depois que Frozen provou, em 2013, que meninas não precisam de príncipes para fazer de uma história um filme popular e lucrativo, o estúdio parece ter entendido o recado de que a velha fórmula “donzela em apuros” já está ultrapassada. Só esse ano, a companhia lançou Zootopia e Moana, dois sucessos de bilheteria que têm personagens femininas fortes à frente.

MOANA

Moana até mesmo tira sarro da fórmula de princesa da Disney em uma cena engraçada e genial – “se você usa um vestido e tem um animalzinho, é uma princesa”, provoca Maui, para logo depois descobrir que havia subestimado a heroína.

Com uma mensagem feminista, de lutar pelo que deseja independente de quem você for, Moana é mais uma obra-prima da empresa de Mickey Mouse. É uma história tão contagiante quanto a de Frozen – um dos melhores filmes na história da Disney – e com personagens tão interessantes e inspiradores quanto as irmãs Anna e Elsa.

Trazer lendas antigas da Polinésia para o filme foi uma ótima decisão dos veteranos Clements e Musker, que fizeram algo parecido em Hércules. O material que ambos tinham em mãos foi muito bem aproveitado e toda a riqueza dessa cultura acabou se tornando uma animação bastante divertida e original.

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As personagens do filme também são muito bem desenvolvidas. Moana é aventureira, uma líder nata, mas que está dividida entre as responsabilidades para com a sua comunidade e seu desejo de explorar o oceano. Maui é uma personagem arrogante, mas ainda assim carismática e é interessante ver como, aos poucos, ele vai se tornando uma pessoa melhor graças à heroína do filme. Os “sidekicks” Heihei e Pua, um galo e um porquinho, são engraçados e fofos.

O filme só perde pela ausência de um vilão clássico. O carangueijo Tamatoa protagoniza um dos momentos mais aleatórios do cinema em 2016, e seu papel no filme nunca fica muito claro. Enquanto isso, a praga que atinge a ilha de Moana tem motivos pouco convincentes para acontecer e, por isso, o desfecho do filme acaba sendo o único momento em que a história perde qualidade. Nada que prejudique o filme como um todo, mas seria um ponto a melhorar.

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O grande trunfo de Moana acaba sendo sua trilha sonora, composta pelo queridinho do momento Lin-Manuel Miranda, criador do sucesso da Broadway Hamilton, e por Opetaia Foa’i e Mark Mancina. A trilha é uma ótima sucessora para Frozen e contém canções criativas, bonitas e de qualidade semelhante à dos clássicos da década de 90. O destaque fica para How Far I’ll Go, um novo Let it Go tão encantador quanto.

O estúdio de animação da Disney emplacou dois filmes incríveis no ano de 2016. Zootopia e Moana são ambos excelentes e é difícil escolher para quem torcer na temporada de premiações. Os dois são divertidos e tratam de temas importantes e maduros de forma sutil e didática, com Moana tendo a necessária renovação da linha de princesas da Disney como um de seus principais objetivos. A protagonista do filme é forte, tornando o longa uma verdadeira inspiração para as milhares de crianças que crescem assistindo às animações da companhia.


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Procurando Dory

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Pixar acerta em continuação do adorado Procurando Nemo

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO: Finding Dory
DIREÇÃO: Andrew Stanton
DURAÇÃO: 97min
GÊNERO: Aventura, Família
PAÍS: EUA
ANO: 2016
4

A Pixar sempre foi um estúdio pautado pela originalidade. Desde os avanços tecnológicos na área de animação até a riqueza e criatividade de suas histórias, a companhia sempre se destacou no cenário cinematográfico pela sensibilidade e o perfeccionismo de suas histórias. Mas ninguém em Hollywood está imune à lógica capitalista da sétima arte e, em 2011 e 2013, a Pixar deu sequência às tramas de Carros e Monstros S.A., respectivamente.

FINDING DORY

O resultado não poderia ser mais frustrante: enquanto Carros 2 é um desastre em todos os sentidos, Universidade Monstros deixou a desejar. Agora, a Pixar se aventura mais uma vez no campo das franquias, mas, desta vez, o resultado conseguiu superar expectativas.

Um ano após Dory (Ellen DeGeneres) e Marlin (Albert Brooks) atravessarem o oceano em busca do pequeno Nemo (Hayden Rolence), a peixinha azul começa a lembrar de momentos vividos durante a sua infância e decide sair em busca de seus pais. No caminho, além de conhecer novos animais marinhos, ela ainda vai reencontrar antigas amizades.

FINDING DORY

Quando os primeiros materiais de Procurando Dory começaram a ser divulgados, a sensação de “dejà vu” ficou clara: mais uma vez, o peixe-palhaço Marlin correria riscos inimagináveis para encontrar alguém querido. Somado ao comercialismo de Carros 2 e Universidade Monstros, a continuação parecia ser mais um caça níquel, longe do brilhantismo das sequências de Toy Story.

Como dizem: não se deve julgar um livro pela capa. Ou, no caso, um filme pelo trailer. Procurando Dory acabou se revelando uma animação tão inspiradora e emocionante quanto o antecessor Procurando Nemo. A jornada da peixinha em busca de sua família é tão empolgante e, ao mesmo tempo, comovente, que faz jus à grandiosidade de Nemo.

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O filme é um novo acerto da Pixar, que mais uma vez mistura comédia com drama de forma ímpar. Andrew Stanton não ousa e mesmo assim dirige um filme que se sobressai no ramo da animação. É fato que Procurando Dory não traz novidades e segue uma fórmula que já se provou bem sucedida no currículo do estúdio, mas consegue superar até mesmo alguns dos filmes originais da empresa.

FINDING DORY

Procurando Dory é divertido do começo ao fim, com personagens carismáticas e piadas inseridas com sutileza, capazes de agradar crianças e adultos. Os peixes de Procurando Nemo certamente não precisavam de uma continuação, mas é bom ver que o resultado deste segundo capítulo da saga aquática da Pixar acabou sendo positivo, fazendo jus à bonita mensagem presente na animação vencedora do Oscar.

O filme volta a ressaltar a importância de família e amigos em um cenário totalmente diferente, cheio de novas possibilidades, e surpreende pela qualidade de seu roteiro.


Zootopia

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Disney volta a dar voz aos animais

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO: Zootopia: Essa Cidade é o Bicho
DIREÇÃO: Byron Howard, Rich Moore
DURAÇÃO: 108min
GÊNERO: Animação, Família, Aventura
PAÍS: EUA
ANO: 2016
4

Algumas das animações mais memoráveis da Walt Disney são aquelas protagonizadas por animais. Sejam eles antropomórficos – ou seja, que assumem a forma humana – como em Robin Hood, ou mais “primitivos”, como é o caso de Bambi, os bichos sempre ocuparam um lugar especial nos filmes da empresa de Mickey Mouse. Depois de cinco anos do lançamento de O Ursinho Pooh, o estúdio resolveu, mais uma vez, dar voz aos animais e o resultado é uma divertida sátira de nossa sociedade.

Judy Hopps (Ginnifer Goodwin / Monica Iozzi) é uma coelha que nasceu e cresceu na área rural. Ela sempre teve o sonho de ser policial e, quando enfim consegue se tornar a primeira oficial coelho da cidade de Zootopia, vê seus sonhos frustrados ao saber que ficará encarregada de fiscalizar o trânsito. Mas quando vários predadores começam a desaparecer, Judy vê a oportunidade perfeita para provar seu valor, mas para isso precisa contar com a ajuda da raposa Nick Wilde (Jason Bateman / Rodrigo Lombardi), seu inimigo natural.

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Zootopia reúne originalidade, diversão e um visual de tirar o fôlego. Diferente de seus antecessores mais recentes no departamento animalesco da Disney – como Nem que a Vaca Tussa ou O Galinho Chicken Little -, Essa Cidade é o Bicho é um filme para a família toda. Suas personagens, a estética colorida e as brincadeiras no roteiro encantam as crianças, mas por outro lado, suas críticas à nossa própria sociedade e as paródias aos nossos filmes e marcas só podem ser totalmente compreendidas pelos mais velhos.

O roteiro de Zootopia é interessante pela sutileza com a qual propõe debates importantes. Se por um lado temos uma sociedade aparentemente perfeita – “Zootopia” não deriva de “utopia” à toa -, por outro parece existir uma tensão natural entre as diferentes espécies que habitam a cidade que leva o nome da animação.

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Esse desconforto parece muitas vezes ecoar problemas bastante comuns da nossa própria realidade. Em determinada cena, Judy explica que “só um coelho pode chamar outro de fofo”, e é inevitável não pensar nas inúmeras discussões sobre estereótipos que estão tão presentes no século XXI.

Mesmo que essa seja a face mais interessante do filme, talvez seja ela também a mais problemática. Não pela maneira como esses debates são desenvolvidos, mas pela falta de protagonismo que recebem. Seria ótimo ver Zootopia se aprofundar mais ainda nesses assuntos, ao invés de se ater às soluções infantilizadas que muitas vezes aparecem para resolver os impasses da investigação de Judy Hopps.

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Isso, claro, deixaria o filme mais importante e inteligente, mas não chega a comprometer a trama, que conta com divertidas paródias do filme O Poderoso Chefão, da série Breaking Bad e até mesmo da burocracia presente em nosso dia a dia. Um dos pontos altos da animação é com certeza a cena em que descobrimos que o “Detran” de Zootopia é comandado por preguiças lentas e irritantes.

O visual dos bichos de Zootopia é divertido e Judy Hopps e Nick Wilde formam uma dupla bastante carismática. A cidade em si, por sua vez, é de tirar o fôlego. O design de produção do filme é extremamente competente ao criar um ambiente humano, mas que leva em consideração as peculiaridades e a riqueza existentes no mundo animal. Quando chega a Zootopia, o trem de Judy percorre diferentes áreas – como Tundralândia -, cada uma destinada a um tipo de animal.

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Zootopia tem uma mensagem importante e inspiradora, já que a história de Judy, no fim, não podia ser mais parecida com a de seu próprio predador natural, Nick Wilde. Sua trama mostra, em todos os momentos, a importância de abrir a mente e abandonar os estereótipos que parecem se fortalecer cada dia mais em nossa sociedade e ainda faz isso de maneira bastante divertida, contando com personagens como Gazelle – a antílope cantora interpretada por Shakira – para dar musicalidade e cor ao filme.


O Bom Dinossauro

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Novo filme da Pixar emociona, mas fica atrás de Divertida Mente

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: The Good Dinosaur
DIREÇÃO: Peter Sohn
DURAÇÃO: 93min
GÊNERO: Família
PAÍS: EUA
ANO: 2015
3

Pela primeira vez em sua história, a Pixar lança mais de um filme no mesmo ano. Depois de deixar público e crítica de boca aberta com o emocionante Divertida Mente, o braço da Disney estreia O Bom Dinossauro, um projeto um tanto problemático e que só chegou em terras brasileiras em 2016.

Com trocas na equipe e mudanças na data de lançamento, a animação jurássica tinha tudo para se tornar uma bomba nas mãos do estúdio. Mas o resultado final é um relato que ecoa a beleza e a força da maioria dos filmes da companhia.

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Em um passado alternativo, o meteoro que matou os dinossauros há milhões de anos desvia da Terra. Com o passar do tempo, os gigantes ficam inteligentes e começam a se comportar como humanos, assim como Arlo. Certo dia, o jovem dinossauro se perde de casa e precisa se unir ao garoto Spot, um antigo desafeto, para voltar para sua família.

Talvez o maior destaque de O Bom Dinossauro não esteja em sua história ou nas personagens, mas na tecnologia. Com um visual de tirar o fôlego, os cenários da animação são bastante reais. Há detalhe e cuidado em cada figura presente na tela. Enquanto isso, os dinossauros e humanos foram desenhados de maneira caricata e infantil. Desse jeito, O Bom Dinossauro assume uma forma divertida e ao mesmo tempo realista.

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Um problema no filme é que demoramos para gostar de Arlo. Tudo bem, ele é só uma criança, tem seus medos e manias, mas sua personalidade é um tanto irritante nos primeiros minutos da história.

Aos poucos, o dinossauro fica mais simpático e logo se aproxima do carisma de Spot. Seu companheiro humano, por sua vez, é divertido e talvez por seu jeito de “animal de estimação” chame mais atenção que o protagonista.

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Não há nada de novo na história. Duas personagens antagônicas, que não se gostam, embarcam em uma jornada de descobrimento próprio. É impossível, por exemplo, não lembrarmos de Irmão Urso, da Disney, durante O Bom Dinossauro. Mesmo assim, a narrativa é construída de forma interessante e prende a atenção sem dificuldade.

O estilo da narrativa, inclusive, lembra os filmes de velho oeste. As passagens de “descoberta” da natureza e de “retorno” às origens aproximam a animação do estilo faroeste e, graças à excelente trilha sonora, o senso de aventura não se ausenta em momento algum.

THE GOOD DINOSAUR

Quanto à face mais emotiva da trama, temos aqui um filme muito bonito, que reflete sobre nossos valores e, como não poderia faltar em um filme da Pixar, a importância da família e das amizades. As sequências relacionadas a esses temas são bem construídas e delicadas, sendo garantia de lágrimas para muita gente, como aconteceu no antecessor Divertida Mente.

O Bom Dinossauro não chega perto da originalidade e do brilhantismo da animação sobre Tristeza e Alegria ou de outras obras primas da Pixar, mas é sem dúvidas um ótimo filme. Diverte bastante e ainda carrega mensagens bonitas em toda a sua trama. E claro, tem um visual arrebatador.