89th Academy Awards

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Gafe histórica marca cerimônia com mudança na mentalidade da Academia

A 89ª edição do Oscar ficará na história como a “primeira vez” para muitas coisas. Para começar, a gafe gigantesca, sem precedentes e vergonhosa que foi o anúncio do principal prêmio da noite. Depois de passar pelas mãos dos produtores de La La Land, o público descobriu, chocado, que o verdadeiro vencedor da estatueta de Melhor Filme era Moonlight. Esse fato isolado já é o suficiente para dar destaque à cerimônia.

Mas é preciso ressaltar também que a premiação escolheu como Melhor Filme um longa que custou US$ 5 milhões – o mais baixo orçamento a levar a honraria – , protagonizado por um personagem homossexual – fato também inédito na categoria – e com um elenco totalmente negro – algo jamais visto. Para complementar, Mahershala Ali se tornou o primeiro muçulmano a vencer como Melhor Ator Coadjuvante, enquanto o editor de Moonlight é o primeiro negro a ser indicado por montagem.

Atriz de Um Limite Entre Nós, Viola Davis finalmente recebeu seu tão merecido Oscar, e se tornou a primeira mulher negra a vencer a Coroa Tríplice da Atuação – além do boneco dourado, ela também tem um Tony e um Emmy. Foi definitivamente um ano importante, que serviu como o “primeiro” para muitos aspectos da indústria cinematográfica que tendem a mudar no futuro.

Com três Oscar, Moonlight ficou atrás de seu principal adversário, La La Land, que apesar das seis estatuetas, deixou a desejar em categorias nas quais sua vitória era dada como certa. Em seguida, com dois prêmios cada, vieram Manchester à Beira-Mar e Até o Último Homem, cuja tímida vitória surpreendeu em um ano marcado pela diversidade. Afinal, estamos falando de um filme dirigido por Mel Gibson, cujas opiniões flertam abertamente com uma mentalidade fascista.

Quanto à cerimônia, Jimmy Kimmel fez um ótimo trabalho como apresentador, abordando a situação política nos Estados Unidos com a devida ênfase e sem perder o bom humor. Por outro lado, a produção do programa foi uma das piores dos últimos anos, com vários momentos exagerados – como os balões caindo do céu, divertidos na primeira vez, mas forçados na terceira – e “marmeladas” incompreensíveis. Ben Affleck foi chamado para premiar o roteiro de Manchester à Beira-Mar, protagonizado por seu irmão, ao lado de Matt Damon, produtor do longa. Simplesmente não há como explicar tamanha falta de bom senso.

Para piorar, os números musicais – que deveriam ser o forte em um ano com La La Land na disputa – foram extremamente fracos, com exceção da ótima abertura feita por Justin Timberlake.

Confira a lista de vencedores e o que achamos deles.


FILME

Até o Último Homem

A Chegada

Estrelas Além do Tempo

La La Land – Cantando Estações

Lion – Uma Jornada Para Casa

Manchester à Beira-Mar

Moonlight – Sob a Luz do Luar

A Qualquer Custo

Um Limite Entre Nós

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COMENTÁRIO: Decisão extremamente difícil, entre premiar o “mais importante” ou o “artisticamente superior”. Os dois favoritos, La La Land e Moonlight, têm seus méritos, bastante distintos. Se o primeiro brilha pela criatividade, o segundo pelo teor político. Ambos são ousados e merecedores da atenção que vêm recebendo. A estatueta acabou sendo reflexo do contexto, não do filme em si. La La Land é superior do ponto de vista cinematográfico, mas Moonlight é politizado demais para ser ignorado. Resta ver se o Oscar agora se tornará uma plataforma ideológica. Vale ressaltar a presença de A Chegada e Manchester à Beira-Mar aqui, filmes bastante diferentes, mas perfeitos naquilo que se propõem a fazer. Uma das melhores listas de indicados dos últimos anos.


DIREÇÃO

Mel Gibson (Até o Último Homem)

Dennis Villeneuve (A Chegada)

Damien Chazelle (La La Land – Cantando Estações)

Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)

Barry Jenkins (Moonlight – Sob a Luz do Luar)

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COMENTÁRIO: Aos 32 anos, Damien Chazelle é o diretor mais jovem a levar o prêmio para casa, o que é muito merecido. La La Land é paixão, ousadia e qualidade do começo ao fim, tudo isso impulsionado pela objetividade e brilhantismo de um diretor jovem, que já tinha demonstrado seu talento em Whiplash, e que mostra que Hollywood está se renovando.


ROTEIRO ADAPTADO

A Chegada

Estrelas Além do Tempo

Lion – Uma Jornada Para Casa

Moonlight – Sob a Luz do Luar

Um Limite Entre Nós

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COMENTÁRIO: Mais uma categoria difícil, com a delicadeza e impacto de Moonlight contra A Chegada, um filme muito bem executado, com uma história tocante e universal. São, de longe, os dois melhores roteiros adaptados do ano.


ROTEIRO ORIGINAL

Mulheres do Século 20

La La Land – Cantando Estações

O Lagosta

Manchester à Beira-Mar

A Qualquer Custo

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COMENTÁRIO: O mais original, sem dúvidas, é O Lagosta. De qualquer forma, o filme perde por alguns pequenos detalhes, o que deixa La La Land e Manchester como os favoritos da categoria. De forma íntima e poderosa, Manchester se mostrou uma história muito bem pensada. Mas La La Land deveria ganhar justamente pela simplicidade de seu roteiro, que consegue fazer do rotineiro algo grandioso e emocionante.


ATOR

Andrew Garfield (Até o Último Homem)

Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)

Ryan Gosling (La La Land – Cantando Estações)

Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)

Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)

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COMENTÁRIO: Em uma cerimônia marcada pelo politicamente correto, ficou feio dar o prêmio para Casey Affleck, acusado de assédio sexual por colegas de set de filmagem. Denzel também não seria uma boa opção, já que sua performance é grito e raiva o tempo inteiro. Ryan Gosling está ótimo em La La Land, mas logo se apaga frente ao talento de Emma Stone. Com isso, sobram Viggo Mortensen, com uma atuação excêntrica mas arrebatadora, e Andrew Garfield, que mostrou que a Marvel ficou para trás. Uma opção muito mais interessante simplesmente por ter surpreendido a todos com seu trabalho, Andrew merecia a estatueta.


ATRIZ

Isabelle Huppert (Elle)

Meryl Streep (Florence – Quem é Essa Mulher?)

Natalie Portman (Jackie)

Emma Stone (La La Land – Cantando Estações)

Ruth Negga (Loving)

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COMENTÁRIO: Meryl Streep caiu de paraquedas, enquanto Ruth Negga faz um ótimo trabalho, mas nada excepcional. Isabelle Huppert está incrível em Elle, mas o filme é equivocado demais. Natalie Portman entrega uma das performances femininas mais fortes do ano e merecia a estatueta. Só que Emma Stone cresceu e apareceu, esbanjando talento em La La Land sem perder graça e delicadeza. Emma se encaixa perfeitamente como Mia e domina o filme de maneira emocionante e carismática. Mereceu completamente o prêmio, já que Amy Adams, mais uma vez, foi ignorada pela Academia. Uma das maiores vergonhas do ano, a falta de uma indicação para a atriz é indesculpável. Amy deveria ter um Oscar em casa há anos e A Chegada era o filme perfeito para isso – seu trabalho é simplesmente impressionante.


ATOR COADJUVANTE

Michael Shannon (Animais Noturnos)

Dev Patel (Lion – Uma Jornada Para Casa)

Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)

Mahershala Ali (Moonlight – Sob a Luz do Luar)

Jeff Bridges (A Qualquer Custo)

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COMENTÁRIO: Mais uma ótima seleção, tendo Michael Shannon como o único destoante. Em seu lugar, deveriam ter indicado Hugh Grant, a verdadeira estrela de Florence – Quem é Essa Mulher?. Enquanto Jeff Bridges não sai de sua zona de conforto, Lucas Hedges é uma grande promessa para Hollywood. Já Dev Patel consegue transformar um personagem limitado em uma performance emocionante. Tão bom quanto estava Mahershala Ali em Moonlight, que só frustra pelo pouquíssimo tempo de tela – mas nem isso faz de sua atuação menos impactante e bonita.


ATRIZ COADJUVANTE

Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)

Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)

Naomie Harris (Moonlight – Sob a Luz do Luar)

Nicole Kidman (Lion – Uma Jornada Para Casa)

Viola Davis (Um Limite Entre Nós)

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COMENTÁRIO: Outro absurdo entre as categorias de atuação foi indicar Octavia Spencer – completamente apagada em Estrelas Além do Tempo – no lugar da colega de elenco Janelle Monáe, que brilha do começo ao fim. Nicole Kidman está ótima em Lion, mas ficou para trás na corrida. Viola Davis merecia um Oscar há muito tempo, mas é uma pena que ela tenha precisado se promover como coadjuvante em um papel que, na verdade, era de protagonista. Isso tira a oportunidade de atrizes como Michelle Williams e Naomie Harris que, em pouquíssimo tempo tela, entregaram performances memoráveis e muito comoventes. Eram as coadjuvantes mais fortes do ano, já que Viola é e sempre foi a principal força por trás de Um Limite Entre Nós.


ANIMAÇÃO

Kubo e as Cordas Mágicas

Minha Vida de Abobrinha

Moana – Um Mar de Aventuras

The Red Turtle

Zootopia – Essa Cidade é o Bicho

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COMENTÁRIO: Ao contrário do que acontece em muitos anos, a categoria de Animação estava surpreendentemente forte em 2017. Zootopia mereceu pela originalidade de sua história, mas vale ressaltar a beleza de Kubo, a mistura de seriedade e inocência de Abobrinha e também Moana, que apesar de se adequar à fórmula da Disney, tem uma protagonista feminina forte e que dá destaque ao filme.


EDIÇÃO

Até o Último Homem

A Chegada

La La Land – Cantando Estações

Moonlight – Sob a Luz do Luar

A Qualquer Custo

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COMENTÁRIO: Uma das maiores surpresas da noite. Não fez muito sentido dar o prêmio para Até o Último Homem, que pode ter se beneficiado pela divisão entre aqueles que votaram com bom senso. Era o trabalho menos interessante da categoria, que deveria ter ficado com La La Land, pela leveza de suas transições, ou com A Chegada, que não segue uma linha temporal cronológica.


FIGURINO

Aliados

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Florence – Quem é Essa Mulher?

Jackie

La La Land – Cantando Estações

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COMENTÁRIO: Vitória surpreendente, mas que premiou o melhor da categoria. A disputa estava entre La La Land, Jackie e Aliados, cada um com uma característica bastante particular. Mas Animais Fantásticos ter levado foi uma clara justiça histórica em relação a uma franquia que jamais havia vencido um único Oscar – o que é um absurdo, dado o nível de criatividade e detalhe do visual da saga Harry Potter.


MAQUIAGEM E PENTEADO

Esquadrão Suicida

Star Trek – Sem Fronteiras

Um Homem Chamado Ove

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COMENTÁRIO: Não há nem o que comentar em uma categoria que premiou o que há de pior no cinema hollywoodiano. Esquadrão Suicida merece cair no esquecimento eterno, mas graças à injustificável vitória na categoria, agora tem o direito de ostentar um Oscar no currículo. É ridículo.


CANÇÃO

The Empty Chair (Jim: The James Foley Story)

Audition (The Fools Who Dream) (La La Land – Cantando Estações)

City of Stars (La La Land – Cantando Estações)

How Far I’ll Go (Moana – Um Mar de Aventuras)

Can’t Stop The Feeling (Trolls)

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COMENTÁRIO: Mais uma categoria anormalmente forte. City of Stars é quem realmente merecia – mesmo que outras canções de La La Land sejam mais interessantes, como Another Day of Sun. Mas vale ressaltar a beleza e vivacidade de How Far I’ll Go e a energia de Can’t Stop The Feeling. The Empty Chair ainda não sabe o que está fazendo na categoria e é triste pensar que, com sua indicação, não sobrou espaço para uma única música da incrível trilha sonora de Sing Street, um filme simples mas maravilhoso, que merecia muito mais atenção nas premiações.


ANIMAÇÃO EM CURTA-METRAGEM

Blind Vaysha

Borrowed Time

Pear Cider and Cigarettes

Pearl

Piper – Descobrindo o Mundo


DOCUMENTÁRIO

A 13° Emenda

Eu Não Sou Seu Negro

Fogo no Mar

Life, Animated

O.J.: Made in America


DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM

4.1 Miles

Extremis

Joe’s Violin

Watani: My Homeland

The White Helmets


FILME ESTRANGEIRO

O Apartamento

Land of Mine

Tanna

Toni Erdmann

Um Homem Chamado Ove


FOTOGRAFIA

A Chegada

La La Land – Cantando Estações

Lion – Uma Jornada Para Casa

Moonlight – Sob a Luz do Luar

Silêncio


TRILHA SONORA

Jackie

La La Land – Cantando Estações

Lion – Uma Jornada Para Casa

Moonlight – Sob a Luz do Luar

Passageiros


DESIGN DE PRODUÇÃO

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Ave, César!

A Chegada

La La Land – Cantando Estações

Passageiros


EFEITOS VISUAIS

Doutor Estranho

Horizonte Profundo – Desastre no Golfo

Kubo e as Cordas Mágicas

Mogli – O Menino Lobo

Rogue One – Uma História Star Wars


EDIÇÃO DE SOM

Até o Último Homem

A Chegada

Horizonte Profundo – Desastre no Golfo

La La Land – Cantando Estações

Sully – O Herói do Rio Hudson


MIXAGEM DE SOM

13 Horas – Os Soldados Secretos de Benghazi

Até o Último Homem

A Chegada

La La Land – Cantando Estações

Rogue One – Uma História Star Wars


CURTA-METRAGEM

Ennemis Intérieurs

La Femme et le TGV

Silent Nights

Sing

Timecode

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