Até o Último Homem

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Mel Gibson volta à direção com ótimo drama de guerra

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Hacksaw Ridge
DIREÇÃO: Mel Gibson
DURAÇÃO: 139min
GÊNERO: Drama, Ação
PAÍS: EUA, Austrália
ANO: 2016
4

Mel Gibson já era um ator renomado antes de conseguir seu primeiro Oscar, em 1996. O prêmio, porém, não foi o de Melhor Ator, mas pela direção e produção de Coração Valente, que Gibson também protagonizou. Seu último trabalho como diretor foi em 2006, em Apocalypto. Uma década depois, o estadunidense retorna à cadeira de direção e, mais uma vez, é aplaudido pelos membros da Academia, que indicaram Até o Último Homem para seis Oscar.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o médico de combate Desmond Doss (Andrew Garfield) se recusa a carregar armas e precisa convencer o exército estadunidense que seus ideais não permitem que ele mate, nem mesmo no campo de batalha.

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Dramas de guerra tendem a agradar todo o tipo de público – eles misturam drama, ação e, em alguns casos, até mesmo romance. Mas isso não quer dizer que todos eles são substanciais. Muitos diretores confiam cegamente na tragicidade inerente à guerra, sem a preocupação de desenvolver uma história realmente interessante para sustentar um filme desses – como aconteceu com Invencível, de Angelina Jolie.

Outros, como A Lista de Schindler e Apocalypse Now, esses sim verdadeiras obras-primas, usam a guerra como meio para compartilhar história emocionantes, inspiradoras e até mesmo universais. Esse é o caso de Até o Último Homem, que tem uma narrativa interessante e que vai muito mais além do campo de batalha.

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O longa de Mel Gibson debate temas importantes e que impactam qualquer indivíduo. Muito mais que um filme de guerra, Até o Último Homem fala sobre até onde alguém está disposto a ir para seguir seus ideais. Desmond Doss é humilhado, apanha, vai preso e quase morre na batalha de Okinawa, mas se mantém fiel à sua crença de não-violência.

Apesar do patriotismo exagerado, Até o Último Homem é bastante diversificado, aplicando sua mensagem não somente ao contexto cultural norte-americano. Em determinada cena – muito bem editada, por sinal – , enquanto Doss salva seus colegas no campo de batalha, um comandante japonês comete o seppuku, um ritual suicida destinado àqueles que falham com seus deveres. É a premissa de não trair seus ideais, um tema comum a qualquer cultura.

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Até o Último Homem também comete deslizes. Além do nacionalismo, outro problema é a incerteza quanto ao seu posicionamento em relação à guerra. O filme parece ter uma mensagem anti-violência, mas às vezes parece flertar com o belicismo tão típico dos estadunidenses.

A personagem de Garfield é justamente um contraponto à cultura militarista que sempre tomou conta do mundo, mas acaba sendo papel do público interpretar se o filme realmente acredita no pacifismo de Doss.

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Andrew Garfield, por sua vez, está excelente. É uma das maiores surpresas do filme, com uma performance profunda, extremamente convincente e cativante. O último intérprete de homem-aranha deixa o universo dos quadrinhos e mergulha de cabeça em um drama difícil, que se apoia inteiramente em seu protagonista. Garfield carrega o filme com naturalidade e entrega um dos melhores trabalhos de atuação do ano.

Mel Gibson acertou em Até o Último Homem. Não exagera no sentimentalismo – como o material que serve de base para o filme sugere – e é movido não somente por um drama interessante, mas também por ótimas cenas de ação, capazes de emocionar e causar suspense. É um longa que faz refletir, agradando qualquer um, com uma narrativa rica, comovente e muito bem explorada.


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