Manchester à Beira-Mar

Padrão

Elenco brilha em drama devastador sobre dor e perda

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Manchester by the Sea
DIREÇÃO: Kenneth Lonergan
DURAÇÃO: 137min
GÊNERO: Drama
PAÍS: Estados Unidos
ANO: 2016

5


A Amazon deixou a Netflix para trás e se tornou, nesta terça-feira, o primeiro serviço de streaming a emplacar uma produção na corrida pelo Oscar de Melhor Filme. Ainda é difícil saber se a empresa tem chances de levar a estatueta – a disputa está extremamente acirrada, e Manchester à Beira-Mar tem La La Land e Moonlight para derrotar se quiser receber a honraria máxima do cinema hollywoodiano. Mas qualidade e força são duas coisas que não faltam para o filme, que ainda pode surpreender.

Após a morte de seu irmão Joe (Kyle Chandler), Lee Chandler (Casey Affleck) precisa voltar para a cidade de Manchester para cuidar de seu sobrinho, Patrick (Lucas Hedges). Antes, ele precisará enfrentar seu próprio passado.

20160825-mbts_27111

Manchester à Beira-Mar é um filme simples. Ele se resume a um grande elenco dando vida a uma história cheia de potencial. Não há nada de espetacular em seu design, fotografia ou trilha sonora. Todas as suas energias estão direcionadas para a narrativa, o que acaba resultando em uma direção e atuações totalmente comprometidas com a carga dramática do filme, o que a potencializa.

Lidando com temas sensíveis, mas de maneira extremamente profunda e séria, Manchester à Beira-Mar se propõe a discutir os motivos e consequências para a dor, enquanto tece um bonito e devastador retrato sobre perda. É interessante descobrir, aos poucos, o passado de Lee e entender os motivos pelos quais ele é, à primeira vista, uma personagem tão antipática. Gradualmente, o público se desarma, e quando menos espera, já faz parte da montanha-russa emocional pela qual Lee passa, compreendendo e se solidarizando.

1122_manchester-hedges

Ancorado em atuações ao mesmo tempo sensíveis e arrebatadoras, Manchester à Beira-Mar é um filme de diálogos. Graças a um elenco formidável, o filme funciona muito bem. Casey Affleck é capaz de transpor toda a dor e solidão de sua personagem com naturalidade. Michelle Williams, apesar do (infelizmente) curto tempo de tela, entrega uma performance visceral, que faz o público refletir sobre as escolhas de sua personagem. Lucas Hedges concilia a jovialidade com o peso de seu papel com perfeição.

É graças à ótima sincronia em tela que as personagens de Manchester à Beira-Mar são capazes de alcançar os objetivos do filme. A partir de um roteiro intimista, Kenneth Lonergan consegue universalizar a discussão em torno do significado do luto, tornando os problemas que suas personagens enfrentam fortes e realistas o bastante para proporem um debate também fora das telas.

MBTS_3869.CR2

Manchester à Beira-Mar não é um filme para qualquer um. Sua temática forte pode se tornar não enfadonha, mas exageradamente pesada para algumas audiências. Nem por isso deixa de ser um filme excelente, ao mesmo tempo forte e sutil, com um final que não cerceia a discussão do público. É um longa que demora para ser digerido, mas depois do sentimento de desesperança deixado ao seu fim, Manchester à Beira-Mar cresce o suficiente para se tornar um filme memorável, muito bem executado e interessante.


Anúncios

2 comentários sobre “Manchester à Beira-Mar

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s