Meu Amigo, O Dragão

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Disney traz personagem de volta às telas em conto de fadas moderno

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Pete’s Dragon
DIREÇÃO: David Lowery
DURAÇÃO: 103min
GÊNERO: Aventura, Família, Fantasia
PAÍS: EUA
ANO: 2016
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A onda de live-actions da Disney não sobrevive somente de princesas. Depois de lançar o incrível Mogli – O Menino Lobo e mais uma versão decepcionante de Alice no País das Maravilhas, o estúdio emplaca mais uma adaptação em seu 2016. Dessa vez são as personagens de Meu Amigo o Dragão, de 1977, que voltaram às telas, para recontar uma história que já caiu no esquecimento de muita gente.

Depois que seus pais morrem em um acidente de carro, Pete (Oakes Fegley) se vê sozinho no meio de uma floresta no Oregon, Estados Unidos. Anos se passam até que o garoto é descoberto pela guarda florestal Grace (Bryce Dallas Howard), que teve a infância marcada pelas histórias de seu pai, Meacham (Robert Redford), que jura já ter visto um dragão naquele mesmo local. Pete pode ser a prova de que a criatura realmente existe.

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Meu Amigo, O Dragão se apoia em um tipo de encantamento típico dos filmes de Steven Spielberg, capazes de dialogar tanto com os pequenos, quanto com os adultos. Coincidência ou não, o diretor estadunidense lançou há poucos meses, em parceria com a própria Disney, seu 30º filme, O Bom Gigante Amigo. Os dois títulos são parecidos em diversos momentos. Ambos falam sobre a inocência e a criatividade da infância e têm efeitos visuais de tirar o fôlego. Mas pelo incrível que pareça, David Lowery é quem sucede ao transformar um roteiro familiar em um verdadeiro conto de fadas moderno.

A história de Pete e seu dragão faz o que Spielberg não conseguiu alcançar com sua releitura da obra de Roald Dahl. É inteligente e divertida, apela para o público infantil e para o adulto e ainda ecoa a obra prima de Spielberg, E.T. – O Extraterrestre, de uma maneira bastante autêntica e nostálgica. O filme somente ajuda o público a ver o tamanho do desastre que O Bom Gigante Amigo é.

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No começo de Pete’s Dragon, o público tem a impressão de que está para ver mais um filme caça-níqueis da Disney, cujos executivos parecem não querer abandonar a onda de live-actions tão cedo. Mas não é preciso muito tempo de tela para notarmos que o filme é uma bonita história sobre amizade.

É impossível não fazer a conexão entre os meninos Elliott e Pete e as criaturas E.T. e – veja só! – Elliot. A versão original para o dragão da Disney chegou aos cinemas cinco anos antes de Spielberg debutar sua obra prima, mas é difícil não sentir estranhamento pela similaridade no nome das duas personagens.

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O roteiro de Meu Amigo, O Dragão faz de uma história relativamente simples uma narrativa que combina aventura, drama e fantasia. É um filme que definitivamente tem alma e sabe equilibrar bem seu sentimentalismo para não cair no exagero. Existe uma discussão bonita sobre infância e amadurecimento, executada com a maestria de E.T. ou Peter Pan. O texto, porém, não é à prova de balas.

Alguns deslizes são cometidos. A falta de explicação e aprofundamento na história dos irmãos interpretados por Wes Bentley e Karl Urban é um deles. Da mesma forma, existe uma temática interessante sobre desmatamento escondida e subutilizada no filme e, em uma época em que questões ecológicas são e precisam ser amplamente discutidas, é uma pena não ver a Disney abordar o assunto com comprometimento para sua jovem audiência – é a ela que o futuro do planeta pertence, afinal.

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No geral, David Lowery faz um maravilhoso trabalho e Pete’s Dragon é diversão garantida para todos os tipos de público. É inevitável não se emocionar com a bonita mensagem presente na história – não estranhe uma lágrima ou outra caindo durante a sessão. A impressão que fica é que a Disney tem melhorado cada vez mais sua habilidade para traduzir seus clássicos para o live-action. No caso de Meu Amigo, O Dragão, o desafio era ainda maior, já que a história não é mais um de seus exuberantes épicos fantasiosos, como Cinderela ou A Bela e a Fera.

É exatamente isso que faz de Pete’s Dragon único. É um filme que se passa na atualidade, não está perdido no espaço-tempo, e, mesmo assim, provoca encantamento como poucas obras são capazes de fazer. É um envolvente e delicado conto de fadas moderno, que merece um lugar ao lado dos sucessos da empresa de Mickey Mouse.


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