Esquadrão Suicida

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DC tem seus dois filmes de 2016 entre os piores do ano

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Suicide Squad
DIREÇÃO: David Ayer
DURAÇÃO: 123min
GÊNERO: Ação
PAÍS: Estados Unidos
ANO: 2016
1

Já é público e notório que a DC Comics está correndo atrás do tempo perdido e tentando alcançar a Marvel na construção de um universo cinematográfico aclamado por público e crítica e que, ao mesmo tempo, encha os cofres da Warner Bros. Mas apesar do vanguardismo e da qualidade de filmes do passado, como os Batmans de Tim Burton e Christopher Nolan, a DC ainda está muito atrás de sua concorrente controlada pela Disney, e seus dois lançamentos de 2016 não geram grandes expectativas para o futuro.

Com medo de que super heróis usem seus poderes contra a humanidade, Amanda Waller (Viola Davis) consegue autorização do governo dos Estados Unidos para montar um grupo de elite formado por alguns dos maiores vilões da humanidade. Junto com o soldado Rick Flag (Joel Kinnaman), ela recruta Pistoleiro (Will Smith), Arlequina (Margot Robbie), Capitão Bumerangue (Jai Courtney), Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), El Diablo (Jay Hernandez), Amarra (Adam Beach) e Katana (Karen Fukuhara), que juntos precisam deter Magia (Cara Delevingne), uma entidade poderosa.

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A característica mais marcante do roteiro de Esquadrão Suicida é o gigantesco número de furos. Procurar incoerências e absurdos ao longo do filme acaba se tornando sua parte mais divertida. A ideia geral do grupo de super vilões por si só já é exagerada. Em nenhum momento Amanda Waller cogita montar uma equipe formada por heróis preocupados em salvar a humanidade, um caminho que certamente seria mais fácil. Encaremos a falha como uma licença poética, para não estragar a premissa do filme.

Ainda assim, o esquadrão vilanesco é completamente desequilibrado: tanto no tempo de tela e destaque dados a cada personagem, quanto na contribuição deles para o grupo. Enquanto El Diablo pode incendiar qualquer coisa, Arlequina tem… um taco de baseball. Crocodilo é forte e parece indestrutível, mas Capitão Bumerangue sabe… fazer comentários machistas. Em sua ambição de partir para a porrada e mostrar que vilões também são legais, David Ayer acaba tornando suas personagens – que estão cheias de potencial – em figuras rasas e desequilibradas. O ápice é alcançado com Amarra, que foi colocado na trama para morrer, literalmente.

SUICIDE SQUAD

Outro aspecto irritante em Esquadrão Suicida é sua necessidade de esfregar na cara do público que vilões podem ser gente boa. É interessante quebrar com o maniqueísmo do mundo dos heróis, mas não há qualquer tipo de sutileza na abordagem desse aspecto da trama. Existe uma insistência em escancarar a incerteza sobre quem representa o “mal” na história que faz com que o espectador pareça burro, incapaz de chegar à qualquer interpretação sem ajuda. A vontade de deixar essa dúvida em evidência é tanta que muitas das ações da personagem Amanda Waller acabam sendo aleatórias, sem fazer qualquer sentido.

SUICIDE SQUAD

Da mesma forma, a abordagem do romance de Coringa (Jared Leto) e Arlequina é totalmente desconexa. Fica evidente o medo do diretor em mostrar a relação abusiva que as duas personagens mantêm no mundo dos quadrinhos. Dessa forma, a dupla acaba sendo romantizada, mesmo que não haja explicação suficiente para entender seu relacionamento. Faltou coragem à equipe de Esquadrão Suicida na hora de colocar um problema tão sério e recorrente em pauta.

Enquanto isso, o Coringa de Jared Leto fica entre o ridículo e o vergonhoso. Depois de toda a publicidade em torno da escolha do ator para o papel, Leto entrega bem menos do que promete. Sabemos que muitas de suas cenas foram cortadas do longa, mas mesmo assim, o que vemos é suficiente para não termos qualquer empatia por seu Coringa. Diferente da excentricidade e do brilhantismo demonstrados por Jack Nicholson e Heath Ledger em suas encarnações do inimigo do Batman, Jared Leto mais parece um drogado. Seu Coringa não tem qualquer tom de loucura, que é tão importante para a personagem, e passa uma constante sensação de alguém que simplesmente está bêbado. É exageradamente forçado.

Joker

Nada realmente faz sentido em Esquadrão Suicida. Entre a sexualização exagerada e desnecessária de Arlequina e suas péssimas cenas de ação, o filme acaba confirmando o medo com o futuro do universo cinematográfico da DC. Tudo parece ser feito às pressas e suas melhores cenas já foram apresentadas ao público nos trailers do filme. A real ameaça que surge na história é boba e acaba sendo solucionada de uma hora para a outra, sem qualquer tipo de emoção. O resultado é, em resumo, triste. Depois de tanta expectativa, o que resta é a frustração em relação a um filme com um material rico e original em mãos, mas que não aprendeu nada com o desastre de Batman v Superman.


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2 comentários sobre “Esquadrão Suicida

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