Caça-Fantasmas

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Clássico dos anos 80 ganha versão feminista e cheia de humor

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Ghostbusters
DIREÇÃO: Paul Feig
DURAÇÃO: 116min
GÊNERO: Comédia, Fantasia
PAÍS: EUA
ANO: 2016
3

Diversos estúdios cinematográficos começaram a apostar na nostalgia como uma fonte de renda lucrativa. Enquanto a Disney traduz seus clássicos animados para o live-action (como Cinderela e Mogli) e dá continuidade ao universo de Star Wars, outras companhias buscam ressuscitar antigas histórias, não somente dando continuidade às suas personagens, como também reaproveitando seus universos. É o caso de Jurassic Park e também de Caça-Fantasmas, duas franquias que criaram legiões de fãs e surgiram como apostas seguras na cota de blockbusters de seus estúdios.

Em Caça-Fantasmas, um grupo de cientistas que pesquisa o sobrenatural decide fundar uma empresa especializada no extermínio de fantasmas. Na nova versão, dirigida por Paul Feig, as amigas Erin Gilbert (Kristen Wiig) e Abby Yates (Melissa McCarthy) são as responsáveis por formar o grupo, depois de esbarrarem em um espírito. Com a ajuda da inventora Jillian Holtzmann (Kate McKinnon) e da antiga funcionária do metrô Patty Tolan (Leslie Jones), elas precisam parar uma ameaça sobrenatural na cidade de Nova York.

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A trama sem dúvida traz o filme original, lançado em 1984, à mente. Isso porque as histórias são extremamente parecidas. Diferente de Jurassic World, que continua a narrativa da trilogia Jurassic Park, o novo Caça-Fantasmas ignora seus dois capítulos originais. O filme acompanha uma nova equipe de caçadoras sobrenaturais, sem conexão com aquela formada por Bill Murray, Dan Aykroyd, Harold Ramis e Ernie Hudson.

Essa característica tanto ajuda quanto atrapalha nessa retomada da clássica franquia de comédia. Se por um lado Paul Feig consegue um leque muito mais amplo de possibilidades para suas personagens, por outro o roteiro deste Caça-Fantasmas exagera ao se espelhar em seu antecessor. A trama, além de parecida, não decide se quer prestar uma homenagem ao filme original ou criar algo inteiramente novo a partir dele.

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Ao contar com o sentimento de nostalgia do público, Paul Feig não se preocupa com alguns detalhes de seu filme: seu vilão tem uma motivação fraca, enquanto a solução para derrota-lo é pitoresca demais. Enquanto isso, alguns dos “easter eggs” do longa-metragem forçam a barra. A aparição dos ghostbusters originais ao longo da trama é divertida, mas alguns elementos de 1984 ficam perdidos na história, como é o caso do fantasma Slimer e do homem marshmallow Stay Puft. Ambos parecem cair de paraquedas no filme e, apesar de ganharem destaque na tela, não acrescentam nada à trama.

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O grande trunfo deste novo Caça-Fantasmas, porém, é a maneira como zomba de si próprio por meio de suas quatro protagonistas feministas. Se o filme de 1984 tratava as mulheres como elementos periféricos, aqui temos uma inversão de valores: o girl power se manifesta com brilhantismo e rege a trama do começo ao fim. Muitas das piadas se apoiam justamente nesse empoderamento feminino e, ao mesmo tempo, a franquia conta com a forte personalidade das caça-fantasmas para se reinventar.

Talvez até mais capaz de arrancar risadas do público do que o original de 1984, Caça-Fantasmas tem a seu favor um roteiro afiado e um elenco de ponta. Wiig, McCarthy, McKinnon e Jones têm um timing cômico perfeito e se complementam muito bem. Praticamente não há personagens principais e secundárias na equipe, como acontecia no original, e isso graças ao talento de suas atrizes e às suas personalidades, ao mesmo tempo distintas e marcantes.

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Não pode passar batida a atuação de Chris Hemsworth como o hilário Kevin. Uma clara provocação ao papel normalmente destinado às mulheres nos filmes de grande orçamento do passado, sua personagem é atraente e simpática, mas extremamente burra. A excelente performance de Hemsworth como o secretário tapado é uma das principais fontes de humor do filme e, aliado à engenhosidade das quatro atrizes principais, garante alguns dos melhores momentos de toda a franquia paranormal.

Caça-Fantasmas está longe da perfeição e poderia estar mais atento aos detalhes de seu roteiro, mas, no geral, cumpre o prometido. Paul Feig entrega uma comédia divertidíssima, equilibrando piadas no melhor estilo pastelão a outras mais refinadas e inteligentes. É o tipo de humor voltado para toda a família e certamente deixaria o quarteto fantasmagórico original orgulhoso. Acaba sendo uma ótima maneira de manter a memória do clássico da década de 80 viva.


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