Alice Através do Espelho

Padrão

Adaptação do clássico literário sofre com mais um roteiro fraco

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Alice Through The Looking Glass
DIREÇÃO: James Bobin
DURAÇÃO: 113min
GÊNERO: Aventura, Fantasia, Família
PAÍS: Estados Unidos
ANO: 2016

2


Dirigido por Tim Burton e com um elenco de primeira, Alice no País das Maravilhas, de 2010, não agradou muito a crítica. Seus efeitos especiais e toda a parte técnica, pelo menos, foram elogiadas e garantiram dois Oscar para a produção, mas a decisão de fugir da história escrita por Lewis Carroll e eternizada na animação de 1951 não foi muito popular. Mesmo assim, a continuação do longa-metragem também resolveu ter certa liberdade criativa e, mais uma vez, teve um resultado frustrante.

Alguns anos após salvar o País das Maravilhas, Alice (Mia Wasikowska) é mais uma vez atraída para o mundo encantado, desta vez pela borboleta Absolem (Alan Rickman). A inglesa então descobre que seu amigo Chapeleiro Maluco (Johnny Depp) está doente e precisa ir atrás do Tempo (Sacha Baron Cohen) para voltar ao passado e corrigir os erros que Mirana (Anne Hathaway) e Iracebeth (Helena Bonham Carter), a Rainha de Copas, cometeram.

ALICE THROUGH THE LOOKING GLASS

Mais uma vez a adaptação do trabalho de Lewis Carroll surpreende pelo visual. Em todos os momentos de Alice Através do Tempo, somos atraídos pelos efeitos especiais e figurinos sofisticados e imaginativos que fazem parte da trama. O filme começa em meio à aristocracia britânica do século XIX, com seus figurinos elegantes mas sem originalidade. Mas logo que a heroína aparece pela primeira vez, os tons de fantasia de Wonderland são introduzidos à história.

Enquanto isso, porém, o roteiro deixa a desejar. A insistência em criar novas tramas em cima do trabalho de Lewis Carroll faz com que a jornada de Alice se torne vazia e desconexa. Se por um lado o texto faz um bom trabalho ao reforçar a força da protagonista na sociedade machista em que vive, por outro Alice continua sendo tratado como criança e a mensagem do filme acaba sucumbindo às regras e convenções do mundo adulto ao seu redor.

anglo_2000x1125_alicethroughthelookingglass2

Além disso, a “história de origem” da Rainha de Copas e do Chapeleiro Maluco pode até acertar no sentimentalismo, mas acaba exagerando na inocência e na apelação que justifica quem as personagens se tornam no futuro. A solução encontrada para a ausência da família do Chapeleiro é bastante artificial, enquanto o motivo que leva a monarca a ter uma cabeça desproporcional é, no mínimo, tosco.

Para complementar a tentativa fracassada de aprofundar a história da melhor personagem da obra, Alice Através do Espelho ainda pega carona na onda de justificativas que a Disney insiste em dar para  seus vilões, buscando um motivo para a crueldade da Rainha de Copas. Com isso, ela perde excentricidade e desequilíbrio, suas melhores características.

ALICE THROUGH THE LOOKING GLASS

Não há muito o que falar de Alice Através do Espelho. Ele acerta nos mesmos pontos nos quais Tim Burton foi bem sucedido, mas comete os mesmos pecados de seu antecessor, como a precariedade da história. O longa acaba se limitando a mais um conto de fadas de estética excepcional, com um elenco de primeira – é o último trabalho do falecido Alan Rickman -, mas que fica subutilizado. É uma história pouco original ambientada em um mundo de infinitas possibilidades.


Anúncios

2 comentários sobre “Alice Através do Espelho

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s