Mogli – O Menino Lobo

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Live-action do clássico de 1967 faz jus ao último trabalho de Walt Disney

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: The Jungle Book
DIREÇÃO: Jon Favreau
DURAÇÃO: 106min
GÊNERO: Aventura, Fantasia, Família
PAÍS: Estados Unidos
ANO: 2016

5


A mania da Disney em transformar seus clássicos animados em live-actions pode ser irritante, dependendo dos filmes escolhidos e do produto final das adaptações. Mas às vezes, ao conhecer as crianças de hoje e descobrir que muitas delas nunca assistiram Dumbo ou Aristogatas, podemos muito bem chegar à conclusão de que versões modernas, pensadas para a infância atual, podem ser uma maneira inteligente de dar sobrevida a alguns dos clássicos que já encantaram tantas gerações no passado. Esse é o caso de Mogli – O Menino Lobo, cujo original foi o último longa-metragem do visionário Walt Disney.

Encontrado ainda bebê no meio da selva indiana pela pantera Bagheera (Ben Kingsley), Mogli (Neel Sethi) foi criado como um lobo pelos carinhosos Raksha (Lupita Nyong’o) e Akela (Giancarlo Esposito). Enquanto ele cresce, porém, a ira de Shere Khan (Idris Elba) por humanos também aumenta e a selva deixa de ser um lugar seguro para Mogli. Ele então precisa contar com a ajuda de Bagheera e Baloo (Bill Murray) para voltar à aldeia de humanos, mas antes deve passar por animais perigosos, como Kaa (Scarlett Johansson) e o rei Louie (Christopher Walken).

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Mogli, de 1967, é uma das animações mais encantadoras da Disney, graças ao carisma de suas personagens. A história, por outro lado, não é das mais complexas e talvez já não tenha apelo algum para as gerações atuais, menos inocentes e acostumadas com a tecnologia e a violência de nossos blockbusters. Um menino, criado por lobos, precisa voltar para os humanos: essa é a trama, bastante simples, do filme original, inspirado no livro de Rudyard Kipling.

Quando a Disney anunciou um live-action do Menino Lobo, era difícil acreditar que ele seria uma experiência realmente empolgante. Mas as coisas mudaram quando as primeiras imagens do filme foram divulgadas, revelando um visual de tirar o fôlego. Logo, a ideia de recriar Mogli parecia interessante, devido à tecnologia e ao elenco de estrelas anunciados para o projeto.

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Esses dois pontos provaram ser o que faz de Mogli uma experiência fora do comum. Das árvores até as cenas de luta entre Bagheera e Shreke Kan, todo o ambiente no qual o filme é ambientado parece ser, de fato, a selva indiana. É difícil acreditar que todas as cenas foram gravadas em um estúdio na Califórnia. Mogli é de um realismo fascinante, com uma estética, além de bonita, bastante imaginativa e perfeccionista.

Já o elenco de vozes é, sem dúvida, um dos melhores dos últimos anos. Assim como Ave, César!, que estreou uma semana antes da aventura da Disney e também tem Scarlett Johansson no elenco, Mogli é a prova da importância que o casting exerce em uma filme. Se Bill Murray está divertidíssimo, Idris Elba é assustador em sua encarnação do tigre Shere Khan. Todos fazem trabalhos excepcionais e o novato Neel Sethi ainda esbanja talento ao lado das celebridades que vivem seus companheiros animais.

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Murray e Walken ainda receberam a difícil tarefa de cantar algumas das músicas mais queridas por aqueles que tiveram sua infância tocada pelo mundo de Walt Disney. De forma sutil, nostálgica e divertida, as canções Bare Necessities e I Wanna Be Like You foram inseridas no longa com brilhantismo. Da mesma forma, a pouco conhecida Trust In Me, cantada pela cobra Kaa, ganha vida em uma versão muito melhor feita por Scarlett Johansson para os créditos finais.

A única coisa que pode gerar descontentamento nos fãs mais fiéis da animação é o rumo que a adaptação toma em seu final. Mas a moral do filme de 2016 acaba sendo muito mais bonita e forte que aquela de 1967 e é ajudada pela maior participação da matilha de lobos que cuida de Mogli, o que moderniza a trama e a deixa muito mais delicada e emocionante.

THE JUNGLE BOOK

Mogli – O Menino Lobo é um grande acerto da Disney e já pode ser considerado a melhor versão live-action dos contos de fada que têm sido adaptados pela companhia nos últimos anos. Se Cinderela foi capaz de superar o bilionário Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton, Mogli abre caminho para que A Bela e a Fera, de 2017, e tantos outros live-actions já anunciados pela Disney, alcancem semelhante sucesso. Desde que, claro, a companhia de Mickey Mouse use o bom senso na hora de escolher seus próximos projetos.


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5 comentários sobre “Mogli – O Menino Lobo

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