O Quarto de Jack

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Peso da trama é sufocado pela beleza da relação entre mãe e filho

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Room
DIREÇÃO: Lenny Abrahamson
DURAÇÃO: 118min
GÊNERO: Drama
PAÍS: Irlanda, Canadá
ANO: 2015
5

O Quarto de Jack é daqueles filmes cruéis, que fazem chorar, mas que buscam retratar gestos de amor e carinho presentes nos momentos mais sombrios da vida. Indicado a quatro Oscar, o filme dirigido por Lenny Abrahamson tem seu ponto alto nas atuações de seus dois protagonistas, que, juntos com a trama, são capazes de emocionar da maneira mais natural possível.

Joy (Brie Larson) era uma adolescente quando foi sequestrada e presa em um quarto de onde nunca pode sair. Sete anos após o início de seu confinamento, ela precisa ensinar a seu filho Jack (Jacob Tremblay), de cinco anos, que o mundo é muito mais do que as quatros paredes que os cercam, para que ambos possam enfim fugir.

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Desde o início de O Quarto de Jack, fica evidente que sua trama é pesada e, o que a torna ainda pior, completamente possível. O livro que dá origem ao filme, inclusive, se inspirou no caso Fritzl, no qual uma mulher permaneceu 24 anos em cativeiro, onde era sistematicamente estuprada por seu próprio pai, na Áustria. A história de Room choca justamente por expor uma face monstruosa e existente da alma humana.

 Ao mesmo tempo, porém, somos introduzidos a uma relação extremamente sincera de amor entre Joy e seu filho. É no meio de um ambiente grosseiro, pobre e infeliz que a personagem precisa criar Jack, uma criança que permaneceu a vida toda enclausurada. A beleza de O Quarto de Jack floresce daí, de um ambiente sem esperança, mas que serve de palco para o único mundo que o filho de Joy já conheceu.

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A relação de Jack com o quarto a sua volta é espontânea, infantil e tão terna quanto aquela que desenvolve com sua própria mãe. Dessa forma, momentos de pura inocência colorem a pesada trama do filme, que aos poucos se torna delicada sem abandonar a tensão que se acumula até uma eventual fuga.

Quando o cenário enfim aumenta e somos levados para fora do quarto, as coisas parecem demorar para melhorar. Joy e Jack conquistam sua liberdade, mas como se adaptar a um mundo que já não conhecem – ou que nunca chegaram a conhecer? Esses são os desafios impostos à dupla protagonista, que precisa redescobrir como viver.

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Em meio àquele novo universo, a relação de Joy e Jack precisa ficar ainda mais forte e, dessa forma, o filme se torna uma bonita história de amor maternal. Com muita naturalidade, o espectador acaba se envolvendo com a trama e se emociona nos momentos mais simples, como a primeira vez em que Jack conhece um cãozinho.

Mas o filme só consegue atingir tal força graças às brilhantes atuações de Brie Larson e Jacob Tremblay. Ela, a favorita para o Oscar de Melhor Atriz, faz um trabalho impecável, encontrando um ponto de intersecção entre o lado frio e protetor de Joy com sua personalidade frágil e emocional. Já o ator mirim se entrega totalmente ao filme e é difícil acreditar que ele não está entre os indicados ao Oscar desse ano. Jacob Tremblay convence sem esforço e dá graça e leveza a Room.

De todas as histórias de amor lançadas em 2015, O Quarto de Jack é talvez a mais pesada, mas também a mais encantadora. Não é um filme que trata de romance, mas do laço indestrutível que une uma mãe a seu filho. Room figura facilmente entre os melhores trabalhos do ano e é também uma das grandes – e boas – surpresas de 2015.


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