Carol

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Cate Blanchett e Rooney Mara brilham em delicada história de amor

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Carol
DIREÇÃO: Todd Haynes
DURAÇÃO: 118min
GÊNERO: Romance
PAÍS: Reino Unido, EUA
ANO: 2015
5

Quando a Academia anunciou seus indicados à 88a. cerimônia de entrega do Oscar, várias polêmicas surgiram, como já virou costume. Entre a ausência de Ridley Scott na categoria de direção e a de Que Horas Ela Volta no grupo de filmes estrangeiros, a maior controvérsia foi provavelmente a inexistência de atores e atrizes negros nas categorias de atuação. Mais uma vez a Academia deu uma desculpa para ser acusada de conservadora e preconceituosa.

Mas outro grupo menosprezado nessa edição foi o LGBT*. Afinal, o romance Carol, grande sucesso de crítica do ano, ficou de fora das duas principais categorias: Melhor Filme e Melhor Direção. Como se não bastasse ter tirado o Oscar de O Segredo de Brokeback Mountain dez anos atrás – para premiar o esquecível e bagunçado Crash – os membros da Academia agora jogam outra ótima história de amor homossexual para escanteio.

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Ambientado na década de 1950, Carol narra o romance entre a socialite e dona de casa Carol Aird (Cate Blanchett) – que está em um processo de divórcio com o pai de sua filha – e a balconista Therese Belivet (Rooney Mara). Ambas precisam superar as dificuldades impostas por uma sociedade conservadora e também pelo marido da protagonista, Harge (Kyle Chandler).

De todas as histórias de amor do ano, Carol é sem dúvida a mais sensível e bonita. Toda a sua narrativa é construída com delicadeza e a direção de Todd Haynes é excelente, capaz de tratar os impasses da relação das protagonistas com sutileza.

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Desde o primeiro momento, fica clara a atração que Carol e Therese sentem uma pela outra. O caminho até poderem compartilhar seus sentimentos, porém, é longo. Em uma sociedade preenchida de tabus, elas precisam dar pequenos sinais de suas verdadeiras intenções. Uma fotografia ou uma mão no ombro são pequenos gestos, sutis, mas escolhidos de forma inteligente pelo roteirista Phyllis Nagy para preparar terreno para  o florescer daquele romance.

Na cena em que finalmente se declaram e fazem amor – porque seria muito reducionista chamar uma cena tão delicada e bonita simplesmente de “sexo” – temos um dos pontos altos do filme. É um momento sincero, hipnotizante, que para ser tão bom precisa confiar na incrível química entre Blanchett e Mara.

Carol - 2015

Por falar nelas, as atrizes estão, como já virou costume, excelentes. Rooney Mara mostra que é uma das melhores jovens atrizes hoje em Hollywood, enquanto Cate Blanchett nos lembra o motivo de ser um dos bastiões de sua geração de atores. Talvez o filme não funcionasse tão bem com outras protagonistas, mas Mara e Blanchett se entregam a seus papeis e comovem o público com todos os sentimentos que estão por trás de seus olhares, gestos e da forma de falar.

Para auxiliar o brilhantismo presente no elenco, direção e roteiro, ainda existe uma parte técnica de altíssima qualidade. A trilha sonora é delicada e encantadora, incorporando a beleza da relação de Therese e Carol em todos os seus acordes. Enquanto isso, a direção de arte nos transporta para uma década de 1950 sem qualquer defeito e os figurinos de Sandy Powell – que também vestiu Blanchett em Cinderela – estão impecáveis e muito elegantes.

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Carol não é uma história piegas, melodramática, de amor. É um relato forte, sobre duas mulheres fortes e uma relação tão forte e verdadeira quanto qualquer outra. É uma pena que não esteja concorrendo ao Oscar de Melhor Filme, primeiro pela visibilidade que daria a seu tema, segundo porque é, sem dúvidas, um dos melhores trabalhos do ano. Em tempos de crescente intolerância, Carol nos mostra a intensidade e a leveza presentes no amor, um sentimento capaz de transformar qualquer coisa a seu redor.


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