Os Oito Odiados

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Tarantino volta para um velho oeste cheio de sangue e sarcasmo

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: The Hateful Eight
DIREÇÃO: Quentin Tarantino
DURAÇÃO: 187min
GÊNERO: Western, Comédia, Suspense
PAÍS: EUA
ANO: 2015
5

Tarantino é uma das maiores grifes do cinema atual. Com uma marca registrada – manchada de muito sangue -, o diretor sempre imprimiu em seus filmes sua personalidade bastante distinta. Com violência e humor ácido, Os Oito Odiados se junta às outras sete produções do cineasta como mais uma evidência da imaginação fértil – e ousada – do antigo balconista de locadora.

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Em meio a um inverno rigoroso no oeste dos Estados Unidos, o caçador de recompensas John Ruth (Kurt Russell) precisa levar a criminosa Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh) à justiça. No caminho, ele encontra o Major Marquis Warren (Samuel L. Jackson), seu colega de profissão, e também o futuro xerife Chris Mannix (Walton Goggins).

Presos em uma estalagem após uma tempestade de neve, o quarteto se junta aos misteriosos Oswaldo Mobray (Tim Roth), Joe Gage (Michael Madsen), General Smithers (Bruce Dern) e ao mexicano Bob (Demián Bichir).

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 O grande problema de Os Oito Odiados é sua duração. As mais de três horas de filme já assustam antes mesmo do começo da sessão. Isso faz com que a primeira metade do filme seja bem lenta. Ocupando boa parte do começo do longa, o detalhismo dos diálogos e a trilha de Ennio Morricone são excelentes, mas não evitam o cansaço.

Já a segunda parte, quando o sangue enfim começa a jorrar da tela, passa voando. O roteiro é construído com cuidado, permitindo diversas surpresas ao longo da história e, mesmo que exista um narrador um pouco deslocado ou uma personagem mal explorada, o texto é interessante e tem personalidade.

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Além da escrita de Tarantino, outro ponto forte de Os Oito Odiados é, como de praxe, o elenco. O destaque da vez não é Tim Roth ou Samuel L. Jackson – que ao lado de Bruce Dern protagoniza uma cena incômoda, cruel e muito bem conduzida. Quem rouba os holofotes é Jennifer Jason Leigh, extremamente divertida em sua encarnação da criminosa Domergue.

Ambientada poucos anos após o fim da Guerra Civil estadunidense, a trama deixa bem claro que os ânimos de sulistas e yankees continuaram à flor da pele por um bom tempo (ou seria até os dias de hoje?). Pode muito bem parecer que Tarantino está interessado unicamente na violência, mas existem reflexões interessantes e sutis sobre racismo e justiça enfiados por entre os litros de sangue que jorram do roteiro.

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No geral, Os Oito Odiados não chega ao brilhantismo de Django Livre ou Bastardos Inglórios, últimos dois longas de Tarantino. Mas, ainda assim, é muito melhor que a maioria dos lançamentos por aí. Seu estilo sangrento está presente, mas existe também uma ótima história por trás de toda a violência.

Os Oito Odiados é mais uma prova de que Tarantino continua sendo um dos melhores, com uma assinatura única, por mais politicamente incorretas que suas obras possam parecer.


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