A Dama Dourada

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História sobre roubo de arte na Segunda Guerra sofre pela falta de carisma

Por Leonardo Sanchez 
TÍTULO ORIGINAL: Woman in Gold
DIREÇÃO: Simon Curtis
DURAÇÃO: 109min
GÊNERO: Drama
PAÍS: Estados Unidos, Reino Unido
ANO: 2015

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A Segunda Guerra Mundial é um tema bastante recorrente no cinema. Completando 70 anos de seu fim em 2015, o conflito já foi bastante explorado pela sétima arte, mas alguns de seus detalhes ainda permanecem pouco conhecidos. É o caso das inúmeras obras de arte confiscadas pelos nazistas, por serem consideradas ‘degeneradas’ ou simplesmente porque algum membro do partido as queria. Em 2013, George Clooney deu um pouco de atenção ao tema, mesmo que tenha sido com o péssimo Caçadores de Obras Primas. Agora, é a vez de A Dama Dourada jogar luz no assunto.

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Maria Altmann (Helen Mirren) é uma judia que, desde a Segunda Guerra Mundial, abandonou a Áustria para morar nos Estados Unidos. Anos após o fim do conflito, a personagem decide que tentará recuperar um retrato de sua tia, feito por August Klimt, que se tornou propriedade do governo austríaco depois que os nazistas o roubaram. Para ajudá-la, ela contrata o advogado Randy Schoenberg (Ryan Reynolds), também judeu, que viaja para a Europa e, junto com o jornalista Hubertus (Daniel Bruhl), entra em uma batalha judicial para recuperar a obra.

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A história por trás de A Dama Dourada, verdadeira, é bastante envolvente. Maria Altmann foi uma mulher forte, que enfrentou alguns de seus maiores medos para que a justiça pudesse ser feita. Sua batalha contra o governo austríaco é o tipo de material que agrada qualquer diretor em busca de uma história comovente sobre os males da guerra. Neste filme, porém, sua narrativa acaba se tornando um tanto cansativa e ainda reduz a complexidade de uma batalha judicial a um tipo de maniqueísmo bobo.

Enquanto Maria e seu advogado representam a justiça, o governo da Áustria surge como um vilão, cujas ações muitas vezes não têm lógica, existindo somente para atrapalhar a vida dos protagonistas. Se por um lado o povo austríaco é bem representado pela figura do atencioso Hubertus, por outro temos a sensação de que todo o resto daquele país odeia Altmann, vista como uma estrangeira tentando roubar uma das maiores obras de arte daquela nação. É uma oposição irritante e fria entre bem e mal.

As personagens do filme são rasas. Randy, por exemplo, passa de mercenário para  mocinho de forma abrupta e mal explicada, enquanto Maria mais parece uma personagem bipolar, que uma hora quer recuperar seu quadro e na cena imediatamente seguinte, desiste. A falta de aprofundamento dos papeis de Mirren e Reynolds fica clara no momento em que o advogado reconhece suas origens judaicas, sendo intimamente tocado pela causa de Maria. Em um momento sem explicação e repentino, Randy tem uma crise de choro, ao visitar um memorial de Viena. A cena é montada de forma tosca e ainda ajuda a explicitar as limitações de Reynolds enquanto ator.

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Os flashbacks nos quais a trama se apoia também surgem como um grave problema. Inseridos de maneira desigual, eles desviam o foco da narrativa principal, ao invés de simplesmente complementá-la. Por outro lado, são justamente estes momentos que proporcionam algumas das cenas mais tensas e emocionantes de Dama Dourada. Ver Maria tentando fugir de uma Áustria que aos poucos abraça o nazismo é forte, simbólico e preenche a falta de apelo da linha narrativa original.

Woman in Gold é um longa com muitos erros, que se embasa em uma história extremamente profunda, mas tem como resultado um enredo raso. É verdade que existem bons momentos, mas mais uma vez somos apresentados a uma história cativante, porém subutilizada nas telas. Faltou deixar o filme dourar.


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