Quarteto Fantástico

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Reunião de heróis é mais dolorosa que um soco do ‘Coisa’

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Fantastic Four
DIREÇÃO: Josh Trank
DURAÇÃO: 100min
GÊNERO: Ação, Ficção
PAÍS: Estados Unidos
ANO: 2015
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Quando o novo Quarteto Fantástico foi anunciado, muita gente ficou alarmada. Rebootar uma franquia relativamente recente parecia uma bobagem, mas, levando em conta que a primeira reunião dos quatro heróis, em 2005, não foi lá essas maravilhas, talvez não houvesse problema em dar uma segunda chance ao grupo da Marvel. Apostando em um elenco de jovens astros, os produtores buscaram resgatar o brilho das histórias em quadrinhos, mas o efeito parece ter sido o contrário: 2015 nem acabou e já podemos considerar Quarteto Fantástico uma das piores produções do ano.

Reed Richards (Miles Teller) e Ben Grimm (Jamie Bell) são amigos de infância cujas descobertas científicas os apresentam a uma equipe de empresários e pesquisadores empenhados em criar um portal para uma outra dimensão. Victor Von Doom (Toby Kebbell), Sue Storm (Kate Mara) e seu irmão, Johnny (Michael B. Jordan), estão entre seus principais membros. Quando a tarefa é cumprida, os protagonistas decidem usar o portal sem autorização, causando uma explosão que dá a eles poderes.

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Logo no começo do filme, somos surpreendidos com Reed e Ben por volta de seus dez ou doze anos. O primeiro é um gênio, que consegue enviar objetos para um universo paralelo – mesmo sem saber disso ainda. Sete anos se passam e Reed começa a integrar a equipe por trás do teletransporte que mais tarde dará a ele o poder da elasticidade. É interessante ver o passado dos personagens, mas é difícil de engolir a absurda e prematura inteligência de Reed. Tudo bem, relevamos isso em prol do rejuvenescimento do quarteto. Mais tarde, porém, o problema incomoda: junto com Sue e Victor, também adolescentes, Reed parece ser o único no laboratório que sabe o que está fazendo, enquanto os mais velhos se limitam a ocupar espaço nas cenas.

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Outro ponto de incoerência no filme é seu próprio título: em momento nenhum vemos um quarteto unido. Ben e Sue aparentemente não trocam uma única palavra durante todo o longa; a química entre ela e Reed parece só existir porque os quadrinhos mandam; a tradicional e cômica rivalidade entre Johnny e o Coisa é extremamente forçada e só aparece nos minutos finais de filme. Você pode pensar que, ao menos, Reed e Ben, que se conhecem desde a infância, têm uma história bonita de amizade. Errou: a relação dos dois também parece algo imposto, como uma conveniência.

O personagem de Jamie Bell,  que recebe quase nenhuma atenção do roteiro, ainda age muito mais como alguém submetido a Richards, limitando-se a passar ferramentas para o “amigão”. São personagens mais transparentes que Sue Storm e não há aprofundamento nem do vilão, Dr. Doom. Seu discurso parece legítimo, até que seus objetivos se confundem e ele passa a praticar atos de maldade de forma gratuita e tosca. Só não é o personagem mais ridículo do filme porque o Coisa e seu jeitão de Hulk merecem mais o título.

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No geral, Quarteto Fantástico é uma grande decepção. Apesar do ótimo elenco de jovens astros, seu roteiro não faz sentido e se preocupa demais em introduzir os heróis, falhando grotescamente na tarefa. Os protagonistas quase não têm chance de mostrar seus poderes e, quando o fazem, o tempo de tela já é tão curto que todas as sequências parecem estar “jogadas”, como se alguém não aguentasse mais toda aquela porcaria e só quisesse se livrar logo do filme. Outro aspecto que merece ser mencionado são os efeitos especiais, que parecem feitos de papelão.

Fantastic Four é uma verdadeira reunião de bizarrices, facilmente um dos piores longas de heróis dos últimos anos. Não há harmonia nem entre seus quatro protagonistas, então fica fácil de imaginar a péssima qualidade da trama. Os vilões não vingam e a premissa de que o dinheiro e o militarismo são os grandes culpados de tudo é tão clichê e mal desenvolvida que serve como ponto alto do longa em termos de humor. É um filme fantasticamente medíocre.


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