Cidades de Papel

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Nova adaptação de livro de John Green não sabe aproveitar o sucesso do autor

Por Leonardo Sanchez

TÍTULO ORIGINAL: Paper Towns

DIREÇÃO: Jake Schreier

DURAÇÃO: 109min

GÊNERO: Romance

PAÍS: Estados Unidos

ANO: 2015

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John Green é um dos autores mais populares da geração atual. Seu estrelismo literário reflete no mundo cinematográfico, que, como de costume, se prepara para adaptar páginas bem sucedidas em filmes igualmente rentáveis. É o que aconteceu com A Culpa é das Estrelas, vai acontecer com Onde Está Você, Alaska? e tem como seu mais novo resultado Cidades de Papel. Ao contrário de seu choroso antecessor, porém, o novo longa não sabe embarcar no sucesso de Green e fica preso na mesmice.

papertowns-1-gallery-imageAmigos durante a infância, Margo (Cara Delevingne) e Quentin (Nat Wolff) são vizinhos em uma pacata cidade da Flórida. Na medida em que vão crescendo, os protagonistas se afastam: ela é a garota popular e misteriosa, enquanto ele é motivo de risada no colégio. Quando Margo descobre que seu namorado e sua melhor amiga estão tendo um caso, ela pede ajuda de Quentin para se vingar, mas logo em seguida desaparece. Cabe ao protagonista e seus companheiros, Ben (Austin Abrams) e Radar (Justice Smith), embarcarem em uma viagem com a amiga de Margo, Lacey (Halston Sage), para econtrá-la.

A trama de Cidades de Papel parece boba já de cara. A mesma sensação, porém, foi transmitida por A Culpa é das Estrelas, que no fim surpreendeu muita gente. Havia esperança de que a nova adaptação de John Green também se revelasse um bom filme. Expectativas frustradas. Paper Towns pode ser resumido como um filme calcado em clichês, que não sai da zona de conforto proporcionada pelo êxito de sua trama no meio literário.

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Fica perceptível no roteiro o gigante número de clichês, que não são bem aproveitados, como acontece em Culpa é das Estrelas. No romance de Hazel e Gus, os estereótipos são usados propositalmente, para tirar sarro e até mesmo engrandecer a aparente banalidade de seu romance. No caso de Cidades de Papel, os clichês irritam e dão espaço para uma comparação desleal com clássicos juvenis. É impossível não lembrar de O Clube dos Cinco, cuja premissa de agregar personagens de diferentes tribos pode ser vista, de maneira menor e mais tímida, na obra de John Green.

Outro grande problema de Cidades de Papel são suas personagens principais, despidas de qualquer carisma. Nat Wolff encarna um dos protagonistas mais babacas do cinema, enquanto Margo pode ser descrita como uma maluca. Em qualquer colégio do mundo seu jeito esquisitão seria motivo de bullying, mas aqui ela é a garota popular, desejada por todos. Pesam a mão em seu perfil misterioso e acabam esquecendo de aprofundar a personagem, que é diferente e contrária simplesmente por ser.

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Ainda assim o filme tem seus bons momentos. Em determinada passagem, o trio de amigos protagonista, após uma noite de bebedeira, começa a cantar a música tema de Pokémon, em uma cena inesperada e divertidíssima. Menções a Game Of Thrones e outros momentos focados na comédia também se saem bem, deixando o filme leve e agradável, mesmo com os erros que comete em sua porção dramática.

Paper Towns poderia ser um bom filme sobre a juventude, mas o fraco potencial frente à ambição de seus realizadores o tornam uma sucessão de bobagens. Seu apelo juvenil é subutilizado e o filme parece se perder de tempos em tempos. O objetivo das personagens passa uma sensação falsa de um carpe diem incrivelmente mal trabalhado, que não justifica o desenrolar da história. Chegamos à inevitável conclusão de que a trama de Cidades de Papel rasga facilmente.


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3 comentários sobre “Cidades de Papel

  1. Ana

    Cara, ficou muito boa a resenha!! Concordo contigo, e na verdade, o próprio livro já é cheio de clichês, sendo bem irritante (desisti de ler antes de chegar na metade)…

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