Mad Max: Estrada da Fúria

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Feminismo triunfa no mais masculino dos universos cinematográficos

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Mad Max: Fury Road
DIREÇÃO: Geroge Miller
DURAÇÃO: 120min
GÊNERO: Ação, Aventura, Ficção
PAÍS: Austrália, Estados Unidos
ANO: 2015

5


Em pleno momento de redescoberta das grandes pérolas lucrativas do cinema, cada vez mais títulos ganham reboots, spin-offs, releituras e continuações. A retomada de histórias que se imortalizaram há décadas tornou-se uma constante, da qual o icônico filme de ação Mad Max, de 1979, não escapa. Estrada da Fúria volta à trama da franquia abandonada em 1985 e não somente faz jus ao sucesso de seus antecessores, como reivindica o troféu de melhor filme da saga.

Max (Tom Hardy) é um antigo policial, perseguido pelos traumas que acometeram seu passado e que vive em um um futuro apocalíptico. Após ser preso por Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne), uma espécie de “coronel” que controla o abastecimento de água, comida e gasolina da região, o protagonista precisa ajudar Imperatriz Furiosa (Charlize Theron) e um grupo de “parteiras” a fugir.

Mad Max: Fury Road (2015)

Mad Max é um filme excepcionalmente bom, principalmente por  fundir ação em seu mais excitante nível a um universo tão profundo e detalhado. O longa não deixa de agradar aqueles que buscam por cenas de corrida e briga, mas sabe contextualiza-las em seu mundo pós-apocalipse. Diferente de muitas obras que brincam com as incertezas do futuro, Mad Max é bem embasado, apresentando todo o funcionamento daquela nova sociedade de maneira original, convincente e, ao mesmo tempo, fazendo bom uso da ficção e da criatividade. É um roteiro bastante inteligente.

O longa ainda tem um tom político evidente. Questões sociais realísticas são abordadas a todo momento, seja a exploração do rico pelo pobre ou a apropriação do autoritarismo por aqueles que estão no poder. A escassez de água e outros recursos naturais aparece para evidenciar não um possível futuro, mas uma realidade atual, que se agrava cada dia mais. São nestes momentos que tiranos e ditadores aparecem, com a falsa promessa de proteção, algo perfeitamente espelhado na figura de Immortan Joe, um vilão que escraviza homens e mulheres deliberadamente, mas fornece a eles a escassa e valiosa água.

Além da fome e sede, a guerra e até mesmo a religião são temas utilizados para formar a sociedade de Mad Max. Os “kamicrazy” são verdadeiros devotos de Immortan, algo somente explicado pela igual relação estabelecida hoje entre fundamentalistas e suas religiões – é matar ou morrer pelo líder messiânico. São jovens indefesos, desacreditados, que se aliam a uma ideologia a fim de dar um propósito à sua existência. Bastante apropriado em tempos de Estado Islâmico.

Mad Max: Fury Road (2015) Nicholas Hoult as NuxSe como um todo o filme já é surpreendente, são pequenas – e geniais – sacadas que eternizam sua história na mente do espectador. Seja pelo guitarrista que acompanha os capangas de Immortan Joe na busca por Furiosa ou pela simples, porém marcante, frase da personagem Nux (Nicholas Hoult): “What a day! What a lovely day!”, algumas cenas são periféricas para a trama, mas juntas dão brilho ao trabalho de George Miller.

O verdadeiro mérito de Estrada da Fúria, porém, está em adequar a violência de sua distopia aos mais variados gostos. Isto fica evidente no casamento entre o masculino e feminino: em um mundo dominado por tudo aquilo qualificado como “masculino”, como carros turbinados, violência e personagens que mais parecem Angels da Victoria’s  Secret (uma delas realmente o é), fica explícita uma mensagem de empoderamento feminino. Charlize Theron rouba a cena em todos os momentos de Mad Max e isso não somente por sua brilhante atuação, mas porque, de fato, a Imperatriz é desenvolvida de maneira muito mais profunda e interessante que qualquer outro companheiro de tela.

Charlize Theron … 'Women thrive in many things.'

Outro ponto alto do longa é seu visual. Não somente pela beleza de suas paisagens, como também pelo trabalho de figurinistas e designers, que é excepcional ao dar forma ao futuro apocalíptico de Mad Max. Edição, fotografia e efeitos especiais também colaboram significativamente para a qualidade do produto final.

Estrada da Fúria está facilmente entre os melhores lançamentos do ano até agora. Esperamos que este novo Mad Max dê continuidade a outras tramas igualmente brilhantes, preparando a estrada de sucesso para suas sequências.


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2 comentários sobre “Mad Max: Estrada da Fúria

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