Vingadores: Era de Ultron

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Marvel expõe maior seriedade em sua “Fase Dois”

Por Leonardo Sanchez

TÍTULO ORIGINAL: Avengers: Age of Ultron
DIREÇÃO: Joss Whedon
DURAÇÃO: 141min
GÊNERO: Ação, Aventura
PAÍS: Estados Unidos
ANO: 2015

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Todos já notaram que a Marvel é uma máquina de fazer dinheiro. Se a criação do Marvel Cinematic Universe, a partir de Homem de Ferro, em 2008, consolidou o poderio financeiro da empresa, sua nova leva de filmes, da chamada “Fase Dois”, tem méritos muito maiores que aqueles alcançados anteriormente. Isso porque desde Thor: Mundo Sombrio, segundo filme deste novo agrupamento, tornou-se evidente um maior comprometimento da Marvel com suas produções. Vingadores: Era de Ultron chega para consolidar a seriedade com a qual o estúdio passou a tratar seus personagens e suas histórias.

Depois de recuperar o cetro do nórdico Loki, Tony Stark (Robert Downey Jr.) e Bruce Banner (Mark Ruffalo) começam a estuda-lo para colocar em prática um plano para estabelecer a paz mundial. A experiência, porém, dá errado, quando a inteligência artificial desenvolvida pelos cientistas resolve tomar um rumo oposto ao de seus criadores. Cabe ao Homem de Ferro, o Hulk, Thor (Chris Hemsworth), Viúva Negra (Scarlett Johansson), Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e Capitão América (Chris Evans) impedir os planos do chamado Ultron (James Spader).

Depois de passar pela tediosa – porém necessária – tarefa de apresentar os heróis de seu universo, a Marvel dá continuidade a Vingadores com uma trama envolvente e melhor elaborada que aquela apresentada em 2012. As particularidades das personagens aparecem aqui já encaixadas, enquanto seus objetivos tornaram-se definidos. Talvez o que chame mais atenção em Era de Ultron é justamente o maior desenvolvimento dos heróis: Gavião Arqueiro tem uma família, enquanto Natasha Romanoff (ou Viúva Negra) dá indícios de um passado sombrio e curioso.

Enquanto os seis protagonistas ganham mais espaço, porém, novas personagens são apresentadas: Feiticeira Escarlate / Wanda (Elizabeth Olsen), Mercúrio / Pietro (Aaron-Taylor Johnson), Visão (Paul Bettany) e o vilão Ultron (voz de James Spader, brilhante em sua fala sarcástica e ao mesmo tempo cruel) são apresentados ao público e, apesar de serem extremamente interessantes, cada um à sua maneira, a junção deste quarteto com personagens periféricos, como James Rhodes (Don Cheadle), parece precipitada e abre espaço para um “quem é quem” no meio da trama. A confusão fica evidente na cena final. A aparição de Erik (Stellan Skarsgard), do universo de Thor, é  particularmente desconexa, desvia o foco e é completamente desnecessária.

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O roteiro continua com falhas de lógica, comuns no subgênero heróico. As visões de Thor, por exemplo, são confusas e não contribuem para a trama – e não importa se a passagem servirá para o terceiro volume de seu filme solo, é preciso ater-se ao longa atual. A rede na qual o vilão Ultron de desenvolve, enquanto isso, não convence e, apesar de sua aparente complexidade, não parece ser de tecnologia tão avançada quanto sugere. Mesmo com esses pequenos problemas, fica evidente a decisão do estúdio em levar o roteiro a sério: a maior cautela usada na produção de Ultron garante que a continuação drible erros antes mascarados pelo fator “ficção” do universo dos super-heróis.

O maior equívoco de Vingadores, porém, remete a uma questão social. Em um período no qual o papel das mulheres no cinema é tão questionado, a Marvel, com a incrível Viúva Negra como representante feminina, opta pelo clichê. Em determinada cena, Natasha Romanoff precisa ser salva por Banner, algo que ele faz de maneira banal, sem esforço. Isso depois de ser reduzida a interesse romântico em diversos momentos. É a “síndrome da princesa no castelo”, algo que poderia ser facilmente evitado.

No que diz respeito ao foco do filme, que é a ação, existem cenas muito bem coordenadas. Pancadaria e drama finalmente harmonizam em Ultron, que prova ter uma história por trás de todos os socos, tiros e explosões proferidos por suas personagens. Fica evidente uma tentativa de quebra do maniqueísmo tão comum no gênero. A continuação de Vingadores certamente chega para consolidar a “Era da Marvel”: uma empresa que, mesmo tendo alcançado a fórmula para o sucesso comercial, não desistiu de buscar o aperfeiçoamento.


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5 comentários sobre “Vingadores: Era de Ultron

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