Cinderela

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Brilho da adaptação não se limita aos sapatinhos de cristal

Por Leonardo Sanchez

TÍTULO ORIGINAL: Cinderella                                       DIREÇÃO: Kenneth Branagh                                       DURAÇÃO: 105min                                                        GÊNERO: Fantasia, Família, Romance                                PAÍS: Estados Unidos                                                               ANO: 2015

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Nada se cria, tudo de copia. Esta é uma frase que resume bem a atual fase de Hollywood. Reboots, continuações e spin-offs têm ganhado força na indústria cinematográfica. Os principais alvos dessa tendência são os contos de fadas. É cada vez mais comum sermos bombardeados por novas versões de nossos clássicos infantis favoritos, principalmente depois do sucesso comercial que eles provaram ser. Essa moda, que foi definitivamente abraçada pela Disney, foi responsável pela reimaginação do clássico Cinderela.

Após a morte de seu carinhoso pai, Ella (Lily James) passa a ser explorada por sua madrasta, Lady Tremaine (Cate Blanchett), e suas meio-irmãs, Anastasia (Holliday Grainger) e Drisella (Sophie McShera). Abandonada, Cinderella descobre que tem uma Fada Madrinha (Helena Bonham Carter), que a ajudará a vencer as dificuldades impostas pela maldade de Tremaine.

Diferente da maioria dos contos de fadas que ganharam adaptações cinematográficas nos últimos anos, Cinderela se destaca por manter praticamente intacta a trama da animação de 1950. O roteiro é, portanto, despido de grandes surpresas. É bem verdade que a história da princesa pode parecer ultrapassada nos dias de hoje e, para aqueles que já a conhecem, revisitar o conto pode ser tedioso. Ao mesmo em que Cinderela perde um pouco do glamour por não se reinventar, porém, não correr riscos faz bem à história, que é poupada das intervenções sem sentido que atingiram A Garota da Capa Vermelha ou Branca de Neve e o Caçador.

10369983_10152456532066193_3967285691346709388_nCinderela cumpre com a sua proposta de conto de fadas: entrega uma trama verdadeiramente bonita e apaixonante. Ao tratar do amor de maneira pura e idealista, a produção facilmente desperta a inocência de todo o público, que logo se sente compelido a torcer pelo desfecho feliz da protagonista. Todas as personagens tentam ser humanizadas, o que abre espaço para fraquezas em todas elas, inclusive no Príncipe. Tremaine é outra que parece ter uma razão para ser tão má. A origem dessa característica, porém, decepciona por não ser explorada.

Falta, também, um número musical: mesmo que Bibbidi-Bobbidi-Boo não estivesse presente, valeria a pena colocar a voz de Lily James para interpretar a clássica A Dream Is A Wish Your Heart Makes.

Cate Blanchett pode não ser a Cinderela, mas certamente rouba a cena no filme. A atriz prova, mais uma vez, que é um dos grandes talentos existentes hoje no cinema. Seus olhares e trejeitos reforçam o lado cruel de sua madrasta, dando ainda mais força para sua personagem. A Tremaine encarnada por Blanchett é deliciosamente má.

984277_10152583966001193_6638264597399450330_nContrariando o que muitos pensaram, Lily James, apesar de novata, sustenta o peso de seu papel: é uma Cinderella graciosa e verdadeiramente encantadora. Helena Bonham Carter deixa a sua marca na Fada Madrinha e é uma pena que não receba mais espaço. Richard Madden, por sua vez, está igualmente convincente no retrato do Príncipe, deixando o casal protagonista bastante carismático. McShera e Granger surpreendem por divertir e ressaltar o papel das irmãs Drizella e Anastasia. Com as exceções de Bonham Carter, Blanchett e Stellan Skarsgard, é um elenco pouco experiente, mas ainda assim grandioso.

O que realmente se destaca no longa, porém, é o visual. Cabelos e maquiagem são ótimos. Design de produção é impressionante. Os figurinos deixam todos de boca aberta. O ano está no começo, mas é provável que Cinderela garanta vagas nas categorias artísticas do próximo Oscar. Sandy Powell faz um trabalho excepcional com os vestidos presentes no longa. O tradicional modelito azul de Cinderella ganha um aspecto novo e elegante. Os figurinos de Tremaine, enquanto isso, são espetaculares.

Cinderela finalmente pôs fim às críticas que assombravam as adaptações de contos de fadas. O filme dá fôlego para a Disney relançar, nos próximos anos, Mogli, A Bela e a Fera e Mulan. O longa é um encanto do começo ao fim: pode ter uma introdução cansativa, mas a trama logo ganha forma e mostra seu potencial. É uma história simples, mas inegavelmente bonita, capaz de cativar o público infantil e também o adulto sem dificuldade. Cinderela se torna uma experiência bastante prazerosa como em um passe de mágica.



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6 comentários sobre “Cinderela

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