Após 50 anos as montanhas continuam vivas

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A Noviça Rebelde faz aniversário como uma das “coisas favoritas” do cinema

Por Leonardo Sanchez 
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Julie Andrews em cena icônica de A Noviça Rebelde. (Foto: Divulgação)

No dia 2 de março de 1965 acontecia em Nova York a primeira exibição de A Noviça Rebelde, um dos últimos representantes da era de ouro dos musicais no cinema. Estrelado por Julie Andrews e Christopher Plummer, o filme se tornou um dos maiores sucessos de sua época, o que lhe rendeu a áurea de clássico, mantida até hoje.

Adaptação da peça da Broadway de 1959, que por sua vez é inspirada em um livro e um filme que relatam a história verídica da família von Trapp, The Sound Of Music narra a jornada da noviça Maria. Enviada à casa de um general austríaco para cuidar de seus sete filhos, a jovem tem um grande desafio: fazer com que Georg dê mais atenção às crianças e quebre a rigidez e disciplina que regem o seu lar. Maria e os von Trapp ainda precisam lutar contra a ideologia nazista que aos poucos toma conta do território austríaco.

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Julie Andrews como Maria, Christopher Plummer como Capitão von Trapp e os sete atores que interpretaram os filhos do general austríaco. (Foto: Divulgação)

A trama pode não parecer muito promissora, afinal, Mary Poppins, estrelado pela mesma Julie Andrews um ano antes, já havia salvo os jovens Banks da frieza de seu pai, que também comandava sua casa em Londres com mãos de ferro. Mesmo assim, A Noviça Rebelde fez tanta fama quanto o longa da Disney, apesar das semelhanças e da proximidade de seus lançamentos.

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Imagem promocional da 85ª edição do Oscar homenageia A Noviça Rebelde. (Foto: Divulgação)

Engana-se, porém, quem pensa que o sucesso do filme foi instantâneo. Após sua estreia nos cinemas estadunidenses, diversas críticas negativas de vários veículos importantes tentaram colocar o longa de Robert Wise para baixo. O New York Times chegou a condenar o “romantismo e sentimentalismo sem sentido” da obra. Acusado de carregar a mão nos momentos alegres, Wise foi duramente criticado pelo seu trabalho nas grandes redações americanas. O reconhecimento, porém, logo chegaria.

Na noite do 38º Academy Awards, A Noviça Rebelde recebeu cinco Oscars: melhor trilha sonora, edição de som, montagem, direção e também a estatueta mais cobiçada da cerimônia, a de melhor filme do ano. O longa então provou sua qualidade ao mesmo tempo em que se tornava um enorme sucesso de público. Após sua estreia, The Sound Of Music virou o filme de maior arrecadação até aquele momento e hoje figura entre as cinco maiores bilheterias do cinema, baseado nos valores ajustados de acordo com a inflação.

Imagem comemorativa dos 50 anos de A Noviça Rebelde. (Foto: Reprodução)

Imagem comemorativa dos 50 anos de A Noviça Rebelde. (Foto: Reprodução)

Para o crítico e professor de cinema Sérgio Alpendre, mudanças na recepção crítica de um filme são comuns e naturais. “Uma obra muitas vezes não se encaixa bem no espírito de seu tempo. Vale lembrar que 1965 vivia o predomínio do cinema europeu, modernizado, político e ousado esteticamente”, comentou. É bem verdade que A Noviça Rebelde não trazia grandes inovações em seu roteiro ou em seu visual. O carisma de suas personagens e suas músicas, porém, foi essencial para eterniza-lo na mente de várias gerações.

A trilha sonora do filme, inclusive, foi o álbum mais vendido do Reino Unido em 1965, 1966 e 1968 – o segundo maior da década, atrás apenas dos Beatles. As canções compostas pela dupla Rodgers e Hammerstein fizeram com que muitos críticos considerassem o longa um concerto, graças à qualidade de sua trilha e a expectativa criada entre um número musical e outro.

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Os sete atores que viveram as crianças von Trapp em 1965 posam para a Vanity Fair. (Foto: Reprodução)

LEGADO

Após a estreia em Nova York, o filme continuou em cartaz no cinema Rivoli por 93 semanas. Mais tarde, em 1999, um estabelecimento em Londres deu início a uma nova onda de exibição do filme, em sessões sing-along, nas quais o público ia fantasiado de maneira semelhante às personagens. A partir de então, as versões interativas passaram a ser comuns em diversos países.

O longa metragem ainda foi quem salvou financeiramente a 20th Century Fox. Tomado por uma violenta crise financeira após os gastos feitos com Cleópatra, o estúdio se apoiou no sucesso do que seria o musical mais lucrativo da história para se reerguer.

A Noviça Rebelde também foi responsável por solidificar a carreira de seus dois astros, Julie Andrews e Christopher Plummer. O ator canadense estrelou diversos sucessos nos anos seguintes e, em 2012, aos 82 anos, se tornou o ator mais velho a receber um Oscar.

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Julie Andrews marca as suas mãos na calçada do Grauman’s Chinese Theatre, em Los Angeles. (Foto: Reprodução)

Já Julie Andrews, quando estrelou o musical, era bastante celebrada nos palcos, por ter protagonizado Minha Bela Dama, Camelot e Cinderella, também da dupla Rodgers e Hammerstein. Um ano antes, ela havia ganho o Oscar de Melhor Atriz por Mary Poppins, seu primeiro trabalho à frente das telas de cinema. Foi a combinação da babá londrina e de Maria von Trapp que deu visibilidade à atriz, que estreou outros sucessos como Positivamente Millie e Victor ou Victoria. Julie Andrews se tornou uma das atrizes mais respeitadas de sua geração e recebeu o título de Dama pela Rainha Elizabeth II, em 2000.

Hoje, Julie Andrews afirma não poder mais cantar como antigamente, devido a uma cirurgia feita em 1997, para a retirada de nódulos não cancerígenos na garganta. A britânica diz ter encontrado outra forma de dar voz aos seus pensamentos: fundou, ao lado de sua filha, uma editora de livros infantis, que lhe rendeu novos prêmios além daqueles ganhos enquanto atriz.

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Lady Gaga apresenta Julie Andrews na cerimônia do Oscar, em fevereiro, após homenagear A Noviça Rebelde. (Foto: AFP/GETTY IMAGES)

Atualmente, é comum o lançamento de boxes e outros produtos que revivem o filme. Na última edição do Oscar, em fevereiro deste ano, o longa foi homenageado. A cantora americana Lady Gaga apresentou um medley das principais canções da obra, celebrando não somente a película, como também a sua grande estrela, Julie Andrews. A atriz britânica foi calorosamente aplaudida pelos presentes no evento.

É raro ver filmes antigos que continuam tão vivos quanto The Sound of Music. Sua música e sua história ainda encantam milhares de pessoas em todos os cantos do mundo. A Noviça Rebelde continua como uma das produções favoritas da indústria cinematográfica, com o mesmo charme que tinha em 1965.


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