Whiplash

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Mais eficiente que injeção de adrenalina

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Whiplash
DIREÇÃO: Damien Chazelle
DURAÇÃO: 107min
GÊNERO: Drama
PAÍS: Estados Unidos
ANO: 2014
5

Muitos longas ganham a simpatia do público pela tensão que geram. Normalmente, são os bons filmes de ação e suspense que melhor exploram essa característica. É estranho pensar que uma produção que se desenvolve a partir do jazz pode fazer com que o espectador fique na ponta de seu assento na sala de cinema. Whiplash consegue tensionar o público ao seu limite, com uma boa e forte dose de adrenalina e música.

Andrew (Miles Teller) é um jovem que estuda bateria em um dos melhores conservatórios dos Estados Unidos. Tratado sempre como segunda opção, ele finalmente recebe destaque quando Terence Fletcher (J. K. Simmons), o principal nome da instituição, vê potencial no garoto. Andrew então precisa superar todos os seus limites para mostrar ao instrutor seu talento e garantir a posição de baterista principal na banda de Fletcher. Este, enquanto isso, passa por cima de qualquer limite moral para fazer de seus alunos os melhores.

Pode parecer simples a história de Whiplash: um músico buscando sucesso. Sua trama, porém, discute seus temas de maneira bastante profunda, dando uma dimensão muito maior para a problemática do filme. A necessidade de reconhecimento é encarnada por Miles Teller de forma bem original e caseira, o que cai bem no longa. O desprezo que sua família dá à carreira musical, o rompimento do namoro com Nicole (Melissa Benoist) e a maneira de lidar com a inveja de seus concorrentes confere autenticidade à trama e é contada sem torná-la cansativa. São realmente bons os trabalhos feitos em roteiro e direção.

As performances de Miles Teller e J. K. Simmons são excelentes. O jovem protagonista entrega uma atuação forte o suficiente para sustentar a carga dramática de sua personagem e, ao mesmo tempo em que encarna a condição de coitadinho, não deixa de transparecer o espírito arrogante de Andrew. Enquanto isso, Simmons surpreende como o tirano Terence Fletcher. Sua interpretação é extremamente convincente e, em seus momentos de sensibilidade, causa real dúvida no espectador, tornando seu músico ambíguo e denso. Simmons é talentoso o suficiente para exteriorizar toda a exigência e crueldade presentes no professor, dando um toque de sadismo à história, sem abandonar o humor negro presente em seu papel.

Outro grande destaque do filme é a parte técnica. Montagem e mixagem de som são trabalhos de enorme qualidade. No primeiro quesito, temos uma câmera que alterna entre personagens e instrumentos sem dificuldade, encaixando-os no contexto e conferindo atenção a eles em seus devidos momentos. A montagem é realmente espetacular, talvez a melhor de 2014. A equipe de mixagem de som é outra que faz um belo trabalho. Juntar diálogos, barulhos externos, músicas e ainda conseguir manter o foco na bateria de Andrew é um enorme desafio. Os responsáveis pela sonorização, porém, têm a competência necessária para vencê-lo e entregam um trabalho vivo, emocionante e cheio de personalidade. Há total sincronia entre som e imagem.

O mais incrível do longa é sua competência para tensionar o público. Tudo é tão dinâmico e intenso que o espectador tem a sensação de ter recebido uma dose de adrenalina. As cenas se sucedem de maneira tão violenta que ao final do filme é necessário respirar fundo, pois o público fica completamente imerso.

Whiplash pode parecer pouco atraente a princípio (confesso que a ideia de um longa centrado em um baterista me pareceu sem apelo antes de ver o filme), mas em seus primeiros minutos já mostra a força de sua história e a qualidade de todos os responsáveis pela produção. Salienta sem dificuldade sua verdadeira intenção sem deixar o entretenimento à parte. O debate sobre o que é necessário para alcançar talento e reconhecimento é muito bem delineado e dá um propósito a um dos melhores filmes de 2014.


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3 comentários sobre “Whiplash

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