Birdman

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A arte imita a vida

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance)
DIREÇÃO: Alejandro Gonzáles Iñarritú
DURAÇÃO: 119min
GÊNERO: Drama, Comédia
PAÍS: Estados Unidos, Canadá
ANO: 2014

5


Michael Keaton é um dos nomes mais conhecidos do cinema. O ator alcançou fama depois de protagonizar sucessos como Beetlejuice e os filmes do Batman dirigidos por Tim Burton. Mais recentemente, porém, Keaton se ocupou com projetos de menor relevância, sendo colocado de lado pela indústria. Com o concorrente ao Oscar Birdman, o ator voltou a causar agitação em Hollywood, não somente por causa da ótima atuação, mas também pela semelhança entre a carreira do artista e a trama que ele protagoniza.

Riggan Thomson (Michael Keaton) é um ator conhecido por sua interpretação do icônico Birdman. Anos após abandonar a franquia do super herói, o artista cai no esquecimento e passa a ser perseguido pelas memórias que tem do filme. Riggan tenta se reinventar e resolve dirigir, roteirizar e protagonizar uma peça na Broadway. Ele precisa batalhar com o seu ego e com todos os problemas que surgem às vésperas da estreia, como a difícil relação com sua filha, Sam (Emma Stone), e o gênio problemático do ator Mike (Edward Norton).

Birdman é um filme muito interessante. Mesmo partindo de um eixo temático não muito original, já explorado pelo também recente Cisne Negro, a trama é forte o suficiente para se destacar e cativar o espectador. O roteiro, muito bem trabalhado, dá um novo trato e visual às ideias mais salientes do longa: uma crise de personalidade, o ego e a busca por atenção (ou fama), todos criativamente reinventados. As personagens de Keaton e Norton são muito bem aprofundadas, conferindo apelo e carga dramática ao filme. A ideia central de Birdman, de que o artista é consumido pela própria arte, é contada de maneira espetacular: concilia sem dificuldade o drama e a comédia presentes na trajetória de Riggan.

Impressionante mesmo em Birdman é a sua fotografia. Projetado para aparentar um único take, o filme e suas duas horas de duração parecem uma cena ininterrupta: o espectador acompanha os movimentos da câmera pelas ruas de Nova York e pelos corredores do teatro no qual o drama se passa como se fizesse parte da ação. As personagens, após protagonizarem suas cenas, entregam a câmera de maneira muito bem planejada ao ator seguinte e, dessa maneira, se desenvolve o longa. A fotografia é capaz de prover imagens dinâmicas, que não incomodam e que são visualmente atraentes.

Michael Keaton faz uma interpretação brilhante de Riggan. O ator está realmente excelente no longa e, como sempre, divertidíssimo. Ele é capaz de entregar uma personagem muito bem construída, conciliando bem suas inseguranças e ambições. Edward Norton também confere graça à trama e não encontra dificuldade para exteriorizar a arrogância de Mike, enquanto Emma Stone, apesar do pouco espaço, desenvolve uma Sam forte e potente no papel de filha rebelde.

Birdman é brilhante por conseguir misturar, sem qualquer dificuldade, os devaneios de Riggan e seu herói interior sem deixar de inseri-lo na realidade frustrada do ator. O mais curioso é sua intertextualidade com a carreira do próprio Keaton, o que faz da trama um retrato ainda mais autêntico dos bastidores da sétima arte, sem deixar de lado o papel de críticos e produtores. A obra surpreende e possibilita um vasto leque de interpretações. 

Era um filme que tinha muitas coisas para dar errado: tanto na parte técnica, quanto no roteiro. Iñarritú, porém, soube aproveitar os elementos que tinha em mãos com maestria e, nesse tudo ou nada, alcançou um belíssimo produto final. Birdman é o tipo de história que consegue ser divertida, sentimental, interessante e reflexiva, certamente um dos melhores – e, ao lado de Boyhood, mais arriscados – trabalhos de 2014.


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3 comentários sobre “Birdman

  1. Andrea

    Definitivamente um filme que merecia o Oscar. Acho que mais que filme de drama, é um filme de suspense, todo o tempo tem a sua atenção e você fica preso no sofá. Este é um dos filmes de Michael Keaton que eu mais gosto, acho que é melhor que The Founder completo dublado que estrenou no ano passado. A verdade este filme vale muito à pena, é um dos melhores do seu gênero. Além, tem pontos extras por ser uma historia muito interessante e controversa. Para uma tarde de lazer é uma boa opção. Se alguém ainda não viu, eu recomendo amplamente, vocês vão gostar com certeza.

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