Cinquenta Tons de Cinza

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Muito mais dor do que prazer

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Fifty Shades of Grey
DIREÇÃO: Sam Taylor-Johnson
DURAÇÃO: 125min
GÊNERO: Romance
PAÍS: Estados Unidos
ANO: 2015
1

Quando E. L. James publicou seu livro Cinquenta Tons de Cinza em 2011, certamente não esperava uma aceitação tão grande por parte do público: a trilogia vendeu mais de quarenta milhões de cópias em todo o mundo. Sua temática “quente” certamente foi responsável por alavancar as vendas, marcadas por inúmeras polêmicas, principalmente aquela que ligava a obra ao pensamento machista. Politicamente correto ou não, a verdade é que as páginas arrecadaram muito, mas muito dinheiro, e garantiram uma adaptação para os cinemas.

Anastasia Steele (Dakota Johnson) é uma estudante de literatura inglesa que, certo dia, a pedido de uma amiga, precisa fazer uma entrevista com o ricaço Christian Grey (Jamie Dornan). Os dois acabam se envolvendo sexualmente, o que faz com que a antes virgem Anastasia mude radicalmente sua personalidade, sendo apresentada ao mundo do sadomasoquismo e se submetendo aos caprichos do empresário.

Cinquenta Tons de Cinza narra uma história completamente rasa. Seu roteiro é pobre e inseguro e, junto com a péssima direção de Sam Taylor-Johnson, coloca o longa em cima do muro, sem permitir que o sadomasoquismo se torne efetivamente presente, mas também bloqueando qualquer tentativa de romantizar a história – mesmo que ela pareça caminhar para tal direção em diversos momentos. O filme seria coeso se partisse do princípio de que, já que a temática do filme é sexual, fosse elaborada uma trama sem amarras conservadoras. A tentativa de suavizar a história faz com que mesmo as cenas de sexo passem longe do erotismo, despertando nenhuma agitação ou surpresa no público. Tudo é muito previsível.

Outro problema é o elenco. Dakota Johnson é a grande responsável por lembrar ao público que Cinquenta Tons foi baseado em uma fan fiction de Crepúsculo: sua atuação, sem graça e nada convincente, remete claramente à de Kristen Stewart na franquia sobrenatural. Dakota confunde o espectador ao aparentar certa perversão mesmo em seus momentos mais profundos de insegurança e inocência, característica que certamente não deveria estar lá. Marcia Gay Harden é porcamente aproveitada no papel da mãe de Grey, enquanto Rita Ora é só mais um atrativo para captar público.

O filme peca também por abordar o sadomasoquismo de forma totalmente superficial. Os adeptos a tal prática, na trama, são vistos como seres anormais: não saem para jantar, não vão ao cinema e vivem nas sombras. Enquanto tal prática sexual implica em prazer para ambos os parceiros, Grey é o único que tira algum proveito daquela relação abusiva. Anastasia se coloca no ultrapassado e descabido papel de “dona do lar”, cujo verdadeiro intuito é servir “seu homem”. Enquanto as funcionárias da empresa de Christian parecem bonecas Barbie padronizadas, reafirmando a necessidade do protagonista de ser constantemente servido pelo sexo oposto, a trama sugere que o passado obscuro e triste de Grey serve como justificativa para seu comportamento abusivo. Alguém precisa dizer à autora dos livros que não, não serve. Nada justifica o machismo violento apresentado em Cinquenta Tons. Em certo momento, Anastasia, após uma noite de sexo, está atrás do fogão, o que, além de clichê, é extremamente machista.

A principal polêmica de Cinquenta Tons de Cinza é o sexo. As cenas picantes, porém, são completamente despidas de qualquer sensualidade, enquanto seu enredo apenas reforça um tipo de pensamento medieval. Grey não tira prazer do contato carnal, mas do simples fato de estar no controle (de uma mulher, no caso). Quando a sessão de Fifty Shades terminou, não tive vontade de simplesmente escrever sobre o filme. Como diz um ridículo Christian Grey, tive vontade de foder. Com força. O filme, claro.


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