Invencível

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Filme dirigido por Angelina Jolie comete erros em narrativa da Segunda Guerra

Por Leonardo Sanchez

TÍTULO ORIGINAL: Unbroken

DIREÇÃO: Angelina Jolie

DURAÇÃO: 137min

GÊNERO: Drama, Biografia

PAÍS: Estados Unidos

ANO: 2014


Angelina Jolie é uma das principais estrelas da geração atual de Hollywood. Enquanto atriz, a americana já se consolidou na indústria, com papéis marcantes, como no recente filme Malévola. A artista agora se preocupa em criar uma carreira sólida também como diretora. Seu novo filme nessa função, Invencível, relata a história verídica de Louis Zamperini, atleta olímpico que lutou na Segunda Guerra Mundial.

O drama começa com Zamperini (Jack O’Connell) já na guerra, como membro das Forças Aéreas dos Estados Unidos. Por meio de flashbacks, o público é apresentado ao passado de esportista de Louis – que inclui sua participação nas Olimpíadas de Berlim – e também à sua infância. Durante uma missão, o avião em que estava cai no Oceano Pacífico, deixando como sobreviventes, além de Zamperini, seus amigos Phil (Domhall Gleeson) e Mac (Finn Wittrock). Após quase 50 dias no mar, os soldados são capturados pela marinha japonesa, permanecendo como prisioneiros até o fim da Segunda Guerra, após diversas torturas e humilhações.

A história de Louis Zamperini é realmente impressionante. As adversidades pelas quais o atleta passou durante a Segunda Guerra Mundial são dignas de um grande filme sobre o conflito. Sua trajetória tem drama e ação suficientes para auxiliar qualquer diretor que queira transformá-la em longa metragem. O problema nessa obra, porém, foi a inabilidade de Jolie e dos roteiristas em adaptá-la para as telas. O filme peca pela falta de equilíbrio: enquanto algumas cenas soam exageradamente melodramáticas, outras sofrem justamente por sua falta de profundidade. A tentativa de romantizar o herói Zamperini soa excessiva e descompassada.

Quando a história é analisada por inteiro, é lamentável a escolha de Jolie em explorar por tanto tempo a passagem de Louis por uma prisão em Tóquio. Até então, o filme esteve interessante, narrando as dificuldades do atleta enquanto esteve perdido no Oceano Pacífico. Quando este é capturado, porém, começa uma narrativa vazia, onde as constantes cenas de tortura não têm um propósito, muito menos um apelo emocional autêntico por trás. Isso se deve também à péssima construção do vilão Watanabe (Takamasa Ishihara), que mais parece uma criança mimada do que um oficial do exército japonês. Outro enorme desperdício é o lado esportista de Zamperini, pobremente explorado e sem nenhuma uniformidade: existem poucos flashbacks no início da narrativa que, repentinamente, desaparecem. Ainda assim, é interessante notar as raízes italianas da personagem e como elas o confortam no período em que esteve no mar. Igualmente, porém, tal aspecto é descontinuado e acaba se tornando superficial.

Quanto à parte técnica, o filme faz jus às indicações ao Oscar de melhor mixagem e edição de som. O longa também está presente na categoria de fotografia, sendo ela realmente boa, mas não necessariamente uma das que tenha se destacado em 2014. Outro ponto positivo é o trabalho da equipe de maquiagem.

O elenco tem seus problemas, mas a interpretação de Jack O’Connell para Zamperini é excelente. O jovem britânico é carismático e autêntico, neste papel que foi certamente essencial para sua consolidação na indústria cinematográfica. Da mesma forma, Finn Wittrock, apesar de interpretar o periférico Mac, também se destaca pela ótima performance.

Invencível sofre por algumas escolhas ruins em seu roteiro e direção. Mesmo assim, o longa é interessante. Falha em emocionar quando deveria e acaba sendo cansativo, embora tenha a sorte de focar em um relato tão cativante quanto o de Zamperini. Com um tom revanchista, a guerra é construída com base em um maniqueísmo bobo e falso, que contribui para a falta de apelo do produto final. A história de Louis tem um imenso potencial, mas, infelizmente, é mal explorada, assim como outros dramas de guerra, incluindo o péssimo Caçadores de Obras Primas, também de 2014. Unbroken, caso fosse bem dirigido, teria reais chances de ser invencível em muitas categorias do Oscar. Pena que isso não ocorre.


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3 comentários sobre “Invencível

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