Elsa & Fred

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História de amor na terceira idade sofre pela falta de ambição

Por Leonardo Sanchez

TÍTULO ORIGINAL: Elsa & Fred

DIREÇÃO: Michael Radford

DURAÇÃO: 94min

GÊNERO: Romance, Comédia

PAÍS: Estados Unidos

ANO: 2014


Sempre que surge um filme estrangeiro que cai na graça do povo, lá estão os americanos para fazer uma versão própria, como em Elsa & Fred. O longa é uma regravação do filme argentino homônimo de 2005, que conquistou milhares de pessoas por sua fofura, ao tratar do amor entre idosos.

Elsa (Shirley MacLaine) é um senhora que certo dia recebe Fred (Christopher Plummer) como vizinho. Carrancudo e introspectivo, o protagonista evita qualquer tipo de aproximação de Elsa, até que, aos poucos, ele percebe que a companhia da vizinha pode significar uma nova vida, muito mais divertida. Nasce então uma delicada história de amor, pautada pelos caprichos da protagonista e que entra em choque com a impaciência de Lydia (Marcia Gay Harden), filha de Fred.

Acompanhar o romance do casal é apaixonante. Com muita graça e leveza, Elsa e Fred vão se aproximando e quebrando diversos preconceitos que existem quanto ao amor na terceira idade. Esse é o ponto alto do filme, abrir a mente do espectador. O roteiro, porém, sofre pela falta de desenvolvimento: é bonito, mas simples. Suas reviravoltas impedem um maior aprofundamento na relação dos dois e também em suas próprias personalidades. O gênio insistente e inclinado ao exagero de Elsa, por exemplo, não é explicado. É lógico que o público pode tirar suas próprias conclusões a respeito, mas nada realmente esclarecedor.

Shirley MacLaine e Christopher Plummer são divertidos em seus papéis, mas não conseguem explorá-los a fundo, pois recebem pouco espaço para diversificar. Suas personagens são fechadas, previamente desenvolvidas, fazendo com que o enorme talento dos artistas acabe desperdiçado. Mesmo assim, ambos têm sincronia em cena e carregam boa parte do filme nas costas. Outra atriz mal aproveitada é a vencedora do Oscar Marcia Gay Harden, que passa despercebida, com um papel inexpressivo e negligenciado.

Surge também como um problema a falta de naturalidade das cenas de Elsa & Fred. Muitas das passagens de humor não alcançam seu objetivo por serem mal executadas. O perfil incerto e relutante de Fred também é algo negativo, pois cansa e não tem muito sentido. Quando o espectador acha que o romance vai começar, a personagem de Plummer amarela.

Se você está procurando um filme leve, para descontrair, vale a pena assistir a Elsa & Fred, mas não espere uma grande história. A falta de ambição do diretor Michael Radford acabou deixando o longa devagar e previsível. Algumas cenas são bem humoradas e bonitas, mas fogem da atmosfera realista da versão original argentina. O amadorismo da direção de Radford deixa o longa sem personalidade, mesmo que este esteja baseado em um relacionamento tão carismático quanto o de Elsa e Fred. Devido à pertinência de seu tema, o amor na terceira idade, seria esperado que o filme fosse marcante. Tal expectativa, porém, acaba frustrada.


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