Maze Runner: Correr ou Morrer

Padrão

Adaptação tem boas ideias, mas sofre com um roteiro preguiçoso

Por Leonardo Sanchez

TÍTULO ORIGINAL: The Maze Runner
DIREÇÃO: Wes Ball
DURAÇÃO: 113min
GÊNERO: Ação, Ficção
PAÍS: Estados Unidos
ANO: 2014


Desde o estrondoso sucesso da saga Harry Potter, somos bombardeados todos os anos com filmes juvenis inspirados no universo literário. A maioria deles carece de qualidade, apesar de apresentarem propostas interessantes. O problema está na forma, não na ideia central. Maze Runner não foge ao que se tornou quase que uma regra, salvo algumas exceções.

Inspirado nos livros de James Dashner, o filme do diretor Wes Ball narra a história de um grupo de garotos, cujas memórias foram apagadas antes que fossem aprisionados em uma comunidade completamente isolada. O local é cercado por um imenso labirinto, com portas que se abrem e fecham junto com o nascer e o pôr do sol. Durante a noite, criaturas mortíferas chamadas de verdugos atacam aqueles que não conseguem sair da colossal armadilha. Todos os meses, um novo garoto é apresentado ao agrupamento. Quando Thomas (Dylan O’Brien) chega ao lugar, sua curiosidade acaba sendo responsável pela descoberta de novas informações sobre o labirinto. Na iminência de achar uma saída, o novato se junta a personagens como Newt (Thomas Brodie-Sangster) e à única garota da comunidade, Teresa (Kaya Scodelario), para escapar do local.

A ideia central de Maze Runner é bastante atraente. O futuro pós-apocalíptico criado pode exagerar em suas fatalidades, mas não deixa de ser um cenário interessante. A maneira como os garotos se organizam e a estrutura criada para aprisioná-los são bem pensados e permitem um amplo leque de situações.

A grande crítica ao longa de Wes Ball, porém, é seu roteiro extremamente preguiçoso. Sem qualquer esforço aparente para tornar a trama plausível, a história de Maze Runner exagera na falta de lógica. Inúmeras cenas são confusas e não harmonizam umas com as outras. Um exemplo claro é a tentativa das personagens de sair do labirinto, que mesmo controlado pela alta tecnologia desenvolvida por seus programadores, tem brechas equivocadas. Em determinado momento, Thomas não consegue acessar uma porta devido a um scanner de segurança. Na cena seguinte, na mesma passagem, o dispositivo simplesmente some. O público é novamente tratado como bobo quando os poderosos verdugos não conseguem quebrar uma porta feita de madeira. É essa falta de coesão e atenção que tecem o roteiro do longa metragem do começo ao fim.

Sem aprofundamento efetivo, os protagonistas não são tão carismáticos quanto poderiam ser. O pouco espaço dado para atuação também colabora para esse problema. A talentosa Kaya Scodelario, por exemplo, mal é percebida nas quase duas horas de filme. Dylan O’Brien não consegue se destacar em meio aos personagens periféricos, embora esse fato não tenha raízes em sua performance. Os diálogos tecidos pelos aprisionados são reticentes, característica que compromete sua naturalidade e fluidez.

Aqueles que leram a literatura de James Dashner salientaram a falta de fidelidade entre filme e livro. Seria justamente nesse vácuo de igualdade que estariam as incoerências da trama. A inocência de muitos aspectos do longa também não obedece algumas passagens encontras nas páginas. A cordialidade e gentileza com a qual Teresa é tratada, em meio a adolescentes trancafiados há três anos, em plena explosão de hormônios, é difícil de ser engolida.

Em termos técnicos, o filme é bom. Seu cenário é opulento e grandioso, sendo acompanhado de efeitos visuais convincentes. A trilha sonora é hábil ao conduzir os momentos de tensão do longa, estes que são provavelmente seus melhores trunfos. Apesar de seus muitos erros, a obra é competente em suas cenas de ação, que laçam o público com facilidade.

Não fosse por seu desfecho mal trabalhado, poderíamos relevar muitas das falhas encontradas no meio do caminho de Maze Runner. O filme fracassa também pelas reviravoltas de seu roteiro, que são cansativas e não encontram sustentação alguma. Apesar disso, é inegável que existe na trama uma ótima ideia, ainda que mal aproveitada. Correr ou Morrer é uma boa diversão, mas o que incomoda é justamente seu inexplorado potencial de ser mais. Com um clímax interessante, o longa sofre com uma direção negligente, que incomoda por sua falta de ambição. Parte de uma série de quatro livros, resta saber se a adaptação cinematográfica vai correr para alcançar o prejuízo ou se vai simplesmente deixar a franquia morrer.

Anúncios

2 comentários sobre “Maze Runner: Correr ou Morrer

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s