Mary Poppins completa 50 anos “praticamente perfeitos em todos os sentidos”

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Por Leonardo Sanchez
Mary Poppins (Julie Andrews) e Bert (Dick Van Dyke) dançam na cena “Jolly Holiday”, marcante por misturar elementos de animação e atores reais. (FOTO: Divulgação / Walt Disney Pictures).

Mary Poppins (Julie Andrews) e Bert (Dick Van Dyke) dançam na cena “Jolly Holiday”, marcante por misturar elementos de animação e atores reais. (FOTO: Divulgação / Walt Disney Pictures).

Há 50 anos, a babá Mary Poppins voava das páginas da escritora P. L. Travers para as telas de Walt Disney, para protagonizar o que se tornou um dos maiores clássicos do cinema mundial. No dia 27 de agosto de 1964, a cidade de Los Angeles estendia seus tapetes vermelhos para todo o encantamento e tecnologia de um dos mais bem sucedidos musicais de todos os tempos.

A história de Mary Poppins gira em torno dos Banks, uma família disciplinada e tradicional de Londres. As crianças Jane e Michael, negligenciadas por seus pais, após espantar uma série de babás, recebem em sua casa a personagem do título, que, com a ajuda de Bert, apresenta os jovens a um mundo de fantasia e diversão. Aos poucos, aquele ambiente familiar problemático vai se transformando e Mary Poppins faz da família Banks, antes desunida, um núcleo de carinho e compreensão.

Inspirado no primeiro livro da série da autora Pamela Lyndon Travers, o longa de 1964 foi uma promessa do cineasta e produtor Walt Disney às suas filhas, que ainda pequenas pediram ao pai que adaptasse a literatura da australiana para as telas. Após cerca de vinte anos tentando comprar os direitos autorais da obra, o americano finalmente teve permissão para produzir sua versão cinematográfica, embora Pamela visse com desconfiança qualquer tipo de adaptação de seus livros.

Escalada para o papel principal, Julie Andrews já era famosa nos palcos na década de 1960. O sucesso em Hollywood, porém, só teve início com Mary Poppins, sua primeira participação no cinema. Dick Van Dyke, ao contrário da atriz britânica, encontrou resistência em sua encarnação de Bert. Travers, que não gostava do humor praticado pelo americano, se opôs à sua participação no elenco, mas não obteve sucesso.

Julie Andres como a babá Mary Poppins na cena de "Spoonful Of Sugar". (FOTO: Divulgação / Walt Disney Pictures).

Julie Andrews como a babá Mary Poppins na cena de “A Spoonful Of Sugar”. (FOTO: Divulgação / Walt Disney Pictures).

Grande parte do sucesso de Mary Poppins é creditado aos irmãos Richard e Robert Sherman. Responsáveis pela trilha sonora do longa, os artistas imortalizaram diversas canções no imaginário das crianças e também dos adultos. Por meio de passagens divertidas e fantasiosas, as melodias alegres e as letras bem humoradas marcaram forte presença no filme de 1964 e continuam a cativar o público mesmo após 50 anos. Supercalifragilisticexpialidocious, apesar da difícil pronúncia, é uma palavra extremamente familiar para as muitas pessoas que tiveram sua infância (ou vida adulta) entrelaçada à trama da babá britânica.

Mary Poppins, além de uma belíssima história, foi um filme singular por toda a tecnologia envolvida em sua produção. Na época foi considerado o projeto mais caro da Walt Disney Pictures, mas os US$ 6 milhões investidos (um alto valor para o período) tiveram um imenso retorno: Mary Poppins foi um dos filmes mais lucrativos em seu ano de lançamento, ao lado de fortes títulos, como Goldfinger e Minha Bela Dama. Sem contar com os avanços da técnica do chroma key (tela verde) que ocorreriam nos anos seguintes, um dos grandes méritos da companhia foi ambientar a nova trama tanto em cenários reais quanto em animados. Outro destaque são os pássaros vistos na cena “A Spoonful Of Sugar”, a primeira aparição da animatrônica no cinema. A técnica, que combina eletrônica e robótica, foi aprimorada pelo próprio Walt Disney para enriquecer a magia das atrações da Disneyland, parque temático na Califórnia.

Julie Andrews (esquerda), Walt Disney (centro) e P. L. Travers (direita) na première de Mary Poppins em 1964. (FOTO: Divulgação).

Julie Andrews (esquerda), Walt Disney (centro) e P. L. Travers (direita) na première de Mary Poppins em 1964. (FOTO: Divulgação).

Aclamado pelo público e também pela crítica, Mary Poppins foi louvado por todo o seu conjunto. Do roteiro aos efeitos especiais, passando pelo elenco, direção de arte e trilha sonora, tudo na adaptação da obra de Travers estava à altura da magia dos estúdios Disney. Os especialistas já em 1964 reconheceram a importância e a qualidade do longa, assim como as principais premiações da área fizeram. A 37ª edição do Academy Awards escolheu Mary Poppins para concorrer em 13 categorias. O filme levou cinco estatuetas na noite de gala: melhor atriz principal para Julie Andrews, canção original por Chim Chim Che-ree, trilha sonora para os irmãos Sherman, efeitos especiais e melhor edição. Até hoje o conto da babá britânica é o filme da Disney com mais Oscars no currículo.

Apesar do sucesso, o produto final da versão cinematográfica de Mary Poppins nunca foi aprovado pela autora Pamela Travers. A australiana não era fã de desenhos animados e após a première do filme, chegou a pedir a Walt que cortasse as ilustrações do longa. A personalidade gentil e harmoniosa da babá foi duramente repreendida, uma vez que os livros da escritora apresentavam uma personagem muito mais fria e disciplinada. A difícil relação entre Pamela e os estúdios americanos foi retratada em 2013, no drama Walt nos Bastidores de Mary Poppins, que conta com Tom Hanks e Emma Thompson no elenco e ainda desmembra a história por trás da autora australiana.

Emma Thompson como P. L. Travers e Tom Hanks como Walt Disney em Walt nos Bastidores de Mary Poppins. (FOTO: Divulgação / Walt Disney Pictures).

Emma Thompson como P. L. Travers e Tom Hanks como Walt Disney em Walt nos Bastidores de Mary Poppins. (FOTO: Divulgação / Walt Disney Pictures).

Travers nunca mais permitiria outra adaptação de seus trabalhos durante sua vida. A versão dos estúdios Disney para a babá britânica, porém, permanece viva na memória de várias gerações, marcadas pelo encantamento do longa. Mary Poppins é um clássico do cinema, cuja magia persiste mesmo após seus 50 anos. As cores vibrantes e alegres de 1964 jamais serão apagadas da história da cinematografia e as melodias harmoniosas dos irmãos Sherman acompanharão nossos ouvidos por muitos outros anos.

TEATRO

Cena de "Step In Time" da montagem de Mary Poppins na Broadway. (FOTO: Divulgação / Disney Theatrical Productions).

Cena de “Step In Time” da montagem de Mary Poppins na Broadway. (FOTO: Divulgação / Disney Theatrical Productions).

Em 2004 estreava em Londres a versão teatral do musical Mary Poppins. A adaptação para os palcos era um desejo do produtor britânico Cameron Mackintosh desde a década de 1990, época na qual suas expectativas foram frustradas pelas exigências da autora Pamela Travers.

Primeiro musical da Disney a estrear nas terras da rainha, Mary Poppins permaneceu nos palcos ingleses por mais de três anos e ainda contou com uma turnê nacional. Assim como o filme de 1964, inúmeras inovações tecnológicas estiveram presentes na peça. A montagem rendeu duas vitórias no Laurence Olivier Awards, premiação máxima do teatro britânico.

O musical chegou à Broadway em 2006, onde foi encenado por cerca de seis bem sucedidos anos. O New Amsterdam Theatre, lar da montagem estadunidense, disse então adeus à Mary Poppins para que a adaptação de Aladdin estreasse em 2014.

Depois de passar pela América do Norte, Ásia, Europa e Oceania, especula-se que uma versão brasileira estreará em 2015 em São Paulo, após o fim da aclamada temporada de O Rei Leão. Kiara Sasso, que já encarnou a protagonista de A Bela e a Fera, outro êxito do departamento teatral da Disney, é um dos principais nomes cotados para viver a babá britânica em terras tupiniquins.

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