As Tartarugas Ninja

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Carisma das personagens da década de 1980 não salva roteiro tosco

Por Leonardo Sanchez

TÍTULO ORIGINAL: Teenage Mutant Ninja Turtles
DIREÇÃO: Jonathan Liebesman
DURAÇÃO: 101min
GÊNERO: Ação, Aventura
PAÍS: Estados Unidos
ANO: 2014


Ícones da década de 1980, As Tartarugas Ninja nasceram em forma de quadrinhos e logo conquistaram o mundo. Devido ao inacabável sucesso, adaptações para o cinema, televisão e video game continuam sendo feitas até os dias de hoje. A mais nova versão cinematográfica, lançada oficialmente em agosto, tem direção do sul africano Jonathan Liebesman e retoma a história do quarteto formado por Leonardo, Raphael, Michelangelo e Donatello.

Em uma Nova Iorque corrompida pela criminalidade do Clã do Pé, a jornalista April O’Neil (Megan Fox) busca um furo de reportagem para ganhar destaque na emissora em que trabalha e finalmente abandonar as reportagens irrelevantes de sua carreira. Em uma de suas tentativas, ela é apresentada ao quarteto de tartarugas e ao sensei Splinter, que passam a ser perseguidos pelo chefe do Clã, o Destruidor. Unidos para derrotá-lo, April descobre que seu passado está diretamente envolvido na história dos heróis adolescentes.

Após uma sequência de abertura que causa anseio no telespectador por precipitar a história das tartarugas mutantes, a câmera focaliza o rosto da insossa Megan Fox, personagem unanime do filme em sua primeira metade de hora. Ao terminar a parte mais sonolenta do longa, os aguardados répteis finalmente surgem na tela. O carisma das quatro personagens facilmente conquista o público, formado em grande parte por jovens, que certamente se identificam com a extrovertida personalidade dos heróis.

Com ótimas referências à cultura pop e boas pitadas de humor, a produção tenta ofuscar as verdadeiras estrelas do filme, graças a uma tola insistência em evidenciar a personagem de Fox. Mesmo com o desfavor por parte da direção, Leonardo, Raphael, Michelangelo e Donatello representam sozinhos o único ponto realmente positivo do filme. Se Leo e Raph garantem maior adrenalina à trama, Mikey é o responsável por situações engraçadas e espontâneas, que servem como bem arquitetadas cenas de respiro em meio à ação. Donnie, por sua vez, é o ponto de equilíbrio entre as fortes personalidades dos irmãos.

É realmente impressionante como 30 anos depois de seu nascimento, a jovialidade das Tartarugas Ninja continua a ser portadora de tamanho carisma. Mérito para o histórico da franquia, jamais à equipe por trás dessa versão.

Tartarugas à parte, a trama sofre pelas limitações e superficialidade impostas às suas personagens. Chega a ser ridícula e embaraçosa a utilização efêmera de Whoopi Goldberg, cuja simplória e exclusiva função é a de demitir a personagem de Megan Fox. A encarnação de April O’Neil é sem graça e não convence. Fox prova mais uma vez que é somente um rostinho bonito. A palavra “talento” passa longe de suas habilidades performáticas. Mesmo sendo o foco da trama, O’Neil é uma personagem mal construída, tão superficial quanto as figuras periféricas, como é o caso de Goldberg. Uma questão irritante é ter que decidir o que é pior: Megan Fox como atriz ou April O’Neil como jornalista.

O filme peca principalmente pelos pequenos e mal formulados detalhes do roteiro, que juntos testam a paciência do espectador do começo ao fim. Seja pela inconsistente motivação de seu vilão, que, mesmo milionário, insiste toscamente em enriquecer ainda mais, ou pelos erros de continuidade, a incompetência da direção junta-se ao péssimo roteiro a fim de aborrecer o público.

Em determinado momento, somos obrigados a acreditar que o rato Splinter passou horas à beira da morte, mas sobreviveu na solidão de um esgoto em ruínas. Também aprendemos sobre biologia, quando descobrimos que adrenalina não somente intensifica os batimentos cardíacos, como aumenta a força física. Já Raphael é uma tartaruga cheia de sorte, pois é poupado duas vezes da morte porque seus experientes inimigos não sabem identificar um cadáver.

Para piorar, o filme tem elementos vergonhosamente parecidos com o novo Homem Aranha, como o filho órfão de um grande cientista e a mirabolante ideia de intoxicar Nova Iorque. A história sofre por não ter um objetivo claro e “previsível” seria a palavra ideal para resumi-la.

Como ponto positivo, o filme apresenta uma ótima modernização das quatro tartarugas, alcançando um visual bastante interessante, que reforça as personalidades de cada irmão. Os efeitos, porém, não são suficientes para salvar a trama. É deprimente notar como o imenso potencial de Tartarugas Ninja é terrivelmente desperdiçado nessa nova adaptação. Se levados à sério, os répteis poderiam facilmente fundar uma nova sequência de filmes, atraentes e coesos, que estariam à altura de outros clássicos de heróis e também do histórico e da importância que a própria franquia tem.

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