X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

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Saga dos mutantes volta aos cinemas com uma trama elaborada e cativante

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: X-Men: Days of Future Past
DIREÇÃO: Bryan Singer
DURAÇÃO: 131min
GÊNERO: Ação, Aventura
PAÍS: Estados Unidos, Reino Unido
ANO: 2014

De todas as franquias de super heróis, X-Men talvez se destaque por ter, em seus filmes, um nível de complexidade e maturidade não observado em outras adaptações de quadrinhos. Desde o começo da saga, o público é apresentado a histórias originais e bem elaboradas. Dias de um Futuro Esquecido, 14 anos após o lançamento do primeiro longa de mutantes, é, certamente, um dos melhores filmes de heróis dos últimos anos.

A narrativa começa em um futuro apocalíptico, no qual humanos e mutantes estão em uma guerra em escala global. Perseguidos por robôs denominados sentinelas, a espécie do gene X luta contra sua erradicação, tendo à frente os heróis do Instituto Xavier, que com o auxílio dos poderes de Kitty (Ellen Page), precisam mudar o passado e evitar a construção das máquinas de destruição mutante. Wolverine (Hugh Jackman) é então enviado aos anos de 1970, para impedir o assassinato do empresário Dr. Bolivar Trask (Peter Dinklage), responsável pela criação dos sentinelas, por Mística (Jennifer Lawrence). Para isso, o mutante das garras de adamantium precisa convencer os jovens Professor Xavier (James McAvoy e Patrick Stewart) e Magneto (Michael Fassbender e Ian McKellen) a se unirem, a fim de evitar que o governo americano veja a espécie mutante como uma ameaça, cancelando assim a criação dos sentinelas e alterando o futuro no qual viverão.

Dias de um Futuro Esquecido constrói uma narrativa cativante e muito bem elaborada. A tentativa de ressuscitar as personagens mutantes dos longas anteriores é maravilhosamente bem sucedida e é feita de maneira interessante e inteligente. A complexidade de seu objetivo é sustentada por um roteiro forte e muito bem redigido, que facilmente atrai seu público, este que é transportado para as telas, estando atento a todos os detalhes, mas também divertindo-se. X-Men conta não somente com cenas de ação bem esquematizadas, mas também apresenta um humor leve e que flui naturalmente com a narrativa. O momento em que Mercúrio (Evan Peters) precisa usar sua velocidade para alterar o trajeto de balas que matariam seus companheiros mutantes, por exemplo, ocorre de maneira inesperada, sendo divertido, mas sem desviar o foco do problema central da passagem.

A direção de Bryan Singer é excelente, sendo capaz de montar cenas bastante dinâmicas e complexas, mas que são facilmente acompanhadas pelo público. Por maior que seja a quantidade de ações ocorrendo, o espectador está sempre ciente do estado de todas as personagens ali envolvidas, não se perdendo no dinamismo existente. O ótimo trabalho deve ser creditado também à fotografia, que não encontra problemas ao conciliar todos os elementos em cena.

Um ponto a destacar é a profundidade psicológica conferida a todas as personagens. Da velha guarda mutante até os mais novos coadjuvantes, todos são muito bem elaborados, tendo personalidades singulares que, em conjunto, constroem uma narrativa fantástica e única. É interessante a maneira como o vilão Dr. Trask não encontra nos clichês heróicos um objetivo para exterminar a espécie mutante, tendo intenções legítimas, nas quais o empresário realmente acredita. Da mesma maneira, a personalidade oscilante de Mística é interessantíssima de ser acompanhada. Somos apresentados a uma personagem com conflitos internos convincentes e cuja preocupação e incerteza para com a causa mutante chegam a ser comoventes.

O elenco de X-Men possui uma sincronia surpreendente. Recheado de talentos, o filme é uma verdadeira coleção de atuações de alta qualidade. Jennifer Lawrence encarna com vivacidade o emocional frágil de Mística, não perdendo sua forte presença em cena. James McAvoy apresenta um Professor Xavier conturbado, jovem e inseguro, que se desenvolve ao longo da trama. Michael Fassbender chega a dar graça a seu Magneto pela naturalidade com a qual utiliza seus poderes, sem perder o olhar malicioso e sagaz da personagem. Hugh Jackman faz novamente um trabalho excelente como Wolverine, redescobrindo seu papel e tornando a figura do mutante cada vez mais complexa. Jackman continua a se entregar completamente à personagem, como se a interpretasse pela primeira vez. Não somente os grandes nomes do elenco fazem um excelente trabalho, mas todos os atores presentes no filme. Evan Peters, que tem uma breve participação, é brilhante ao criar um humor rebelde e carismático para o mutante Mercúrio.

Os efeitos visuais são excelentes e a fotografia é hábil ao captar toda a ação presente em cena, sem esquecer de criar imagens agradáveis para as passagens tranquilas. A direção de arte, juntamente com a equipe de cabelo, maquiagem e figurino, capta perfeitamente a essência dos anos de 1970, com ótimos trajes. A trilha sonora original é incrível e acompanha perfeitamente a tensão da trama. Enquanto isso, as faixas utilizadas para ambientar o enredo à frenética década de 70 são vibrantes e bem escolhidas.

O destaque de Dias de um Futuro Esquecido fica para sua habilidade em criar um clímax complexo e instigante, que vai ganhando proporções cada vez maiores ao alternar cenas do presente e do passado. A tensão dos momentos finais do longa prendem por completo a atenção do público, que facilmente cria simpatia pela causa mutante, torcendo do começo ao fim para um desfecho vitorioso. A citada alternância de tempo é conduzida com maestria, sem causar confusão, contextualizando de forma bem sucedida o espectador.

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido recupera a glória da franquia mutante, entretendo de maneira inteligente o seu público. Sem a necessidade de apelar para clichês e estereótipos tão comumente observados em outras sagas de heróis, a trama do filme é cativante e bem estruturada. Todo o roteiro certamente passou por um cauteloso processo a fim de contextualizar suas cenas e não dar margem a ideias absurdas ou fora de sintonia. Um filme com ideias ousadas, mas que é sustentado com maestria pela habilidade de todos os envolvidos na produção.

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6 comentários sobre “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

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