O Lobo de Wall Street

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Scorsese expõe a sujeira debaixo dos tapetes de Manhattan

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: The Wolf of Wall Street
DIREÇÃO: Martin Scorsese
DURAÇÃO: 180min
GÊNERO: Biografia
PAÍS: Estados Unidos
ANO: 2013

Corrupta, prostituída e viciada em drogas. Essa seria a Wall Street de Scorsese caso fosse personificada.

O Lobo de Wall Street estreou nos cinemas norte-americanos no dia 25 de dezembro e concorre no Academy Awards desse ano em cinco categorias, além de já ter faturado o Globo de Ouro de melhor performance masculina em comédia ou musical para Leonardo DiCaprio, que tem concretas chances de receber seu primeiro – e tão aguardado – Oscar.

Ambientado no final da década de 1980 em uma Nova York infestada de vendedores dispostos a qualquer coisa para embolsar os lucros de seus investidores, o filme narra a verídica ascensão e queda de Jordan Belfort, um extravagante e indisciplinado corretor da bolsa de valores, enquanto traça um perfil do mundo financeiro ilegalizado da Grande Maçã.

A abordagem da história toma caminhos diferentes ao longo do filme. Sua primeira metade, ousada e boêmia, ao narrar o enriquecimento de Belfort por meio da fundação da  Stratton Oakmont, dedica-se a denunciar os excessos e absurdos que configuram a vida de parte dos milionários de Wall Street. Ao acrescentar novos termos ao diretório de drogas do telespectador, o filme nos leva ao encontro de um protagonista cheio de vícios e que entretêm os funcionários de seu escritório das maneiras mais condenáveis – e bizarras – possíveis. Scorsese não somente exagera nas explícitas cenas de nudez, sexo e consumo de drogas, como também nos fatiga com diálogos longos, cansativos e desnecessários. O erotismo criado pelo cineasta torna-se repetitivo e até mesmo constrangedor, tendo não somente imagens para temperá-lo, mas também diálogos que extrapolam os limites do bom senso. Se a equipe de edição de O Lobo excluísse as cenas de gosto duvidoso da obra, o filme teria suas três exaustivas horas diminuídas para aquilo que uma animação da Disney deve durar.

A biografia, porém, toma um rumo diferente e muito mais interessante a partir de sua metade conservadora. Ao narrar a parte mais consistente e bem formulada do roteiro, o longa ganha dinamismo e perde a necessidade de investir em cenas carregadas de sexo. Por meio de diálogos mais inteligentes e ações mais influentes para a trama, Wall Street nos parece muito mais real.

O grande destaque da obra cinematográfica é porém a brilhante atuação de Leonardo DiCaprio. Em seu segundo papel como magnata nova-iorquino de 2013 – o primeiro foi em O Grande Gatsby – , DiCaprio é extremamente competente e convincente em sua representação de Jordan Belfort. Seja nas cenas de humor ou tensão, o ator é capaz de expor o mesmo talento que vêm apresentando em seus últimos trabalhos, como Django Livre e A Origem, fazendo jus à fama que tem o queridinho de Hollywood. Parte do filme é inteiramente carregada pelo peso de sua atuação, uma das melhores do ano.

Após A Invenção de Hugo Cabret, Martin Scorsese abandona a inocência e a poesia adotadas neste que foi um de seus últimos trabalhos e segue um padrão completamente diferente em seu retrato de Wall Street. Apesar do peso de algumas de suas cenas, O Lobo prova-se merecedor de destaque quando volta aos trilhos da narrativa e foca nos dias decadentes de Belfort. Caso seja um telespectador conservador, por mais tentador que posso ser, não abandone a sessão em sua primeira metade. Scorsese guardou o que realmente importa para o final.

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2 comentários sobre “O Lobo de Wall Street

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