A Menina Que Roubava Livros

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Sensibilidade é destaque em nova adaptação de livro sobre o Holocausto

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: The Book Thief
DIREÇÃO: Brian Percival
DURAÇÃO: 131min
GÊNERO: Drama
PAÍS: Estados Unidos, Alemanha
ANO: 2013


Alemanha, 1938. Hitler governa o país enquanto acompanhamos um trem em direção aos arredores de Munique. Em meio à fumaça da locomotiva, as suaves e tristonhas notas musicais da composição de John Williams se revelam ao espectador, até que um melódico arranjo irrompe e precita o clima trágico e carregado de sentimentalismo da obra.

Baseado no livro do escritor australiano Markus Zusak, A Menina Que Roubava Livros apresenta ao cinema o drama da jovem Liesel Meminger (Sophie Nélisse), recém adotada por um casal alemão que leva uma vida simples e tranquila. Quando o judeu Max (Ben Schnetzer), filho de um amigo de Hans Hubermann (Geoffrey Rush), pai adotivo da protagonista, bate à porta do casal, suas vidas mudam completamente. Divididos entre a gratidão de Hans em relação a seu já falecido amigo e o medo do autoritarismo nazista, a família concorda em hospedar o visitante em seu sótão, apesar dos riscos que passam a correr. A história é narrada paralelamente à jornada de Liesel pelo mundo literário, incluindo sua tardia alfabetização e sua primeira leitura: um manual para coveiros, que antecipa a constante presença da morte na história, uma vez que esta se ambienta em plena Segunda Guerra Mundial.

Com um tom extremamente poético e enorme sensibilidade, o filme tem como seus principais méritos a narrativa diferenciada e inteligente (que não pode ser explicada nessa crítica por denunciar importante característica da obra) e a trilha sonora composta por John Williams. O americano apresenta ao público mais um trabalho musical memorável, digno do Oscar de melhor trilha sonora para o qual foi indicado. Capaz de acompanhar as oscilações entre o dramático e o harmonioso presentes no longa, a sonorização consegue abordar o complicado tema da obra com a mesma delicadeza encontrada em seu roteiro.

Em determinados momentos, porém, temos a sensação de que a emoção presente nas páginas não pode ser tão profundamente transmitida pela câmera. Algumas passagens, com potencial para serem dramaticamente exageradas – o que cabe ao filme devido à sua delicada temática – beiram a superficialidade, não conseguindo tocar o público da maneira para as quais essas passagens foram escritas. A ternura de A Menina não é comprometida por essa parcial frivolidade, mas isso não exime Brian Percival da culpa por desperdiçar a oportunidade de aprofundar a narrativa de maneira a inserir o espectador nela de forma muito mais intensa.

Ao contar um episódio tão controverso e violente do século XX a partir dos olhos de uma criança, A Menina Que Roubava Livros tem a sutileza necessária para manter sua linha poética e inocente indispensável para o longa, sem comprometer os fatos que cercam o trágico nazismo alemão. Diversas outras obras já alcançaram tal feito, como o incansavelmente adaptado O Diário de Anne Frank. Mesmo assim, o filme em questão consegue se distinguir de seus semelhantes, principalmente pela diferenciação de seu foco narrativo. Afogados em meio a tantas obras que miram o sofrimento do povo judeu, os espectadores garantem um ponto positivo ao longa devido a uma tomada de rumo distinta. Ao relatar o também desafortunado – mas infinitamente menos trágico – cotidiano dos alemães que não simpatizavam com as políticas hitleristas, o filme nos lembra o potencial destrutivo de uma guerra ao recordar o perigo que o extremismo representa não só para os perseguidos, mas também para os perseguidores.

A Menina Que Roubava Livros é um bonito e marcante relato sobre um período exaustivamente retratado no cinema, mas ainda assim consegue se destacar. Sua emotividade é capaz de fragilizar a todos, sendo a trilha sonora uma indispensável aliada para tal. Para aqueles acostumados com as lágrimas – e até mesmo para os que nunca as encontraram em uma sala de cinema – , uma caixa de lenços de papel pode vir a ser útil.

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