86th Academy Awards

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Gravidade leva 7 prêmios e 12 Anos de Escravidão é escolhido como melhor filme

Por Leonardo Sanchez

A grande noite do cinema americano teve sua 86ª edição no último domingo (02.03.2014). Em uma tradicional noite de gala no Dolby Theatre, em Los Angeles, os melhores trabalhos do ano de 2013 foram premiados, enquanto a apresentadora americana Ellen DeGeneres, desempenhava seu papel de anfitriã de maneira descontraída, mas repetitiva.

Com poucas surpresas, a edição do Oscar desse ano foi a mais previsível em algum tempo e não contou com as performances que tanto engrandeceram a edição passada.

Gravidade, como esperado, levou a maioria das estatuetas de categorias técnicas, saindo como o grande vencedor da noite – foram 7 vitórias no total. A direção de Alfonso Cuarón se tornou a primeira latino-americana a receber a honraria.

O britânico Steve McQueen também marcou seu nome na história do Academy Awards. Após perder a estatueta de melhor direção para Cuarón, recebeu o grande prêmio da noite, de melhor filme, fazendo de 12 Anos de Escravidão o primeiro longa dirigido por um negro a faturar a estatueta. 12 Anos levou 3 prêmios ao todo, incluindo melhor atriz coadjuvante para Lupita Nyong’o, nesse que foi seu primeiro trabalho em um longa metragem. É interessante destacar que Brad Pitt também ganhou seu primeiro Oscar na noite de domingo, pela produção do filme.

Os dois atores de Clube de Compras Dallas foram agraciados com as premiações de ator coadjuvante, para Jared Leto, e principal, para Matthew McConaughey, apesar da pressão feita para que Leonardo DiCaprio finalmente levasse seu primeiro Oscar por O Lobo de Wall StreetDallas também conquistou 3 estatuetas e foi o quinto filme na história a ser premiado nas duas categorias citadas acima.

Em seguida, com duas vitórias cada, ficaram a grande animação do ano, Frozen, e O Grande Gatsby, que repetiu o feito de Moulin Rouge!, principal trabalho de seu diretor, Baz Luhrmann, ao vencer em design de produção (antiga direção de arte) e figurino.

Woody Allen viu mais uma de suas protagonistas receber o Oscar por melhor atuação feminina. Cate Blanchett – extremamente elegante – subiu ao palco e desbancou Sandra Bullock, Amy Adams, Judi Dench e Meryl Streep, nessa que pode ter sido a categoria mais disputada da noite, devido ao brilhante trabalho desempenhado por todas as indicadas.

Spike Jonze, de Ela, recebeu o merecido prêmio por melhor roteiro original, enquanto A Grande Beleza garantiu mais uma vitória para o cinema italiano na categoria de melhor filme estrangeiro.

A surpresa da noite talvez tenha sido O Lobo de Wall Street Trapaça, que não levaram nenhuma estatueta. Nem mesmo os figurinos deste último foram premiados, como muitos acreditavam que ocorreria.

Ao lado de Philip Seymour Hoffman e Peter O’Toole, o documentarista brasileiro Eduardo Coutinho foi relembrado na homenagem prestada aos profissionais cinematográficos que faleceram neste último ano.

Os 75 anos do lançamento de O Mágico de Oz também foram homenageados com a performance da cantora Pink da clássica Somewhere Over The Rainbow, enquanto os filhos de Judy Garland – intérprete de Dorothy – , incluindo a vencedora de Oscar Liza Minelli, assistiam à cerimônia.

Entre os vencedores de prêmios honorários estavam Angela Lansbury, Steve Martin e Piero Tosi, além de Angelina Jolie, que recebeu o prêmio humanitário Jean Hersholt.

Confira abaixo todos os indicados e os vencedores da 86ª edição do Academy Awards.


Filme

“12 anos de escravidão”

“Gravidade”

“Trapaça”

“Capitão Phillips”

“Clube de Compras Dallas”

“Ela”

“Nebraska”

“Philomena”

“O Lobo de Wall Street”

COMENTÁRIO: 12 Anos de Escravidão é um filme maravilhoso, inclusive em termos técnicos. Na opinião do Monolito do CinemaGravidade e Ela foram os únicos que alcançaram um nível de excelência tão alto quanto o longa de Steve McQueen. A vitória de 12 Anos é justíssima, devido, inclusive, à denúncia social apresentada pelo filme.


Diretor

Alfonso Cuarón, de “Gravidade”

Martin Scorsese, de “O lobo de Wall Street”

Steve McQueen, de “12 anos de escravidão”

Alexander Payne, de “Nebraska”

David O. Russell, de “Trapaça”

COMENTÁRIOA vitória de Cuarón, que era quase certa, não apenas contempla o admirável trabalho feito emGravidade, mas também incentiva as direções internacionais, em especial as latino-americanas. Todas as dificuldades encontradas durante a produção dessa ficção científica foram habilmente contornadas pelo talento do mexicano, merecedor da estatueta.

Gravity
O diretor mexicano Alfonso Cuarón orienta Sandra Bullock e George Clooney no set de filmagem de Gravidade

 

Atriz

Cate Blanchett, de “Blue Jasmine”

Sandra Bullock, de “Gravidade”

Judi Dench, de “Philomena”

Amy Adams, de “Trapaça”

Meryl Streep, de “Álbum de família”

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Cate Blanchett recebe o prêmio de Melhor Atriz Principal

COMENTÁRIOTalvez a categoria mais problemática da noite. Todas as indicadas são atrizes respeitadas na cinematografia e que realizaram atuações admiráveis nos filmes nos quais trabalharam nesse último ano. Cate Blanchett, porém, acabou se destacando devido à maior quantidade de desafios imposta por seu papel. A categoria de melhor atriz principal foi certamente uma reunião de talentos, todos merecedores de grande reconhecimento.


Ator

Christian Bale, de “Trapaça”

Bruce Dern, de “Nebraska”

Leonardo DiCaprio, de “O lobo de Wall Street”

Chiwetel Ejiofor, de “12 anos de escravidão”

Matthew McConaughey, de “Clube de compras Dallas”

COMENTÁRIONão foi dessa vez que Leonardo DiCaprio levou o tão cobiçado prêmio da Academia. A disputa, que estava entre ele e o vencedor Matthew McConaughey, foi acirrada e acabou sendo decidida pelos critérios físicos que envolveram o papel deste último. Tanto DiCaprio quanto McConaughey tiveram atuações assombrosas de tão boas, mas os 20 quilos perdidos por Matthew acabaram por garantir à ele alguns pontos extras em relação a Leonardo.


Atriz coadjuvante

Sally Hawkins, de “Blue Jasmine”

Jennifer Lawrence, de “Trapaça”

Lupita Nyong’o, de “12 anos de escravidão”

Julia Roberts, de “Álbum de família”

June Squibb, de “Nebraska”

COMENTÁRIOA queridinha da América não repetiu o feito do ano passado. Jennifer Lawrence, apesar de ser ovacionada pelo público em qualquer um de seus papéis, terá que se contentar com a estatueta recebida ano passado, pois Lupita Nyong’o chegou em Hollywood esbanjando talento, nesse que foi seu primeiro longa metragem. Enquanto Sally Hawkins encarnou um papel mais trivial, Julia Roberts e June Squibb também se destacaram com suas atuações. Nada, porém, foi tão louvável quanto a interpretação de Lupita ao apresentar ao público todo o sofrimento e frustração de sua personagem, a escrava Patsey. Nyong’o roubou a cena em todas as suas aparições em 12 Anos de Escravidão. Nada mais justo que contemplá-la com a estatueta dourada.


Ator coadjuvante

Barkhad Abdi, de “Capitão Phillips”

Bradley Cooper, de “Trapaça”

Michael Fassbender, de “12 anos de escravidão”

Jared Leto, de “Clube de compras Dallas”

Jonah Hill, de “O lobo de Wall Street”

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Jared Leto e Matthew McConaughey em Clube De Compras Dallas. Ambos tiveram que perder peso para seus papéis.

COMENTÁRIOCaso Jared Leto não merecesse o prêmio que recebeu, seu discurso na noite de domingo tornaria sua vitória justa. Esse, porém, não é o caso, pois Leto merece cada tom de dourado de sua estatueta, depois de levar às telas um transsexual com AIDS brilhantemente representado. Sem grande concorrência dos outros indicados, era natural que o vocalista da banda 30 Seconds To Mars levasse o Oscar para casa.


 

Roteiro original

Eric Warren Singer e David O. Russell, de “Trapaça”

Woody Allen, de “Blue Jasmine”

Craig Borten e Melisa Wallack, de “Clube de compras Dallas”

Spike Jonze, de “Ela”

Bob Nelson, de “Nebraska”

COMENTÁRIO: Ela é de longe a melhor história do Academy Awards desse ano. Misturando delicadeza, um tom de denúncia e romantismo à sua história, Spike Jonze inovou de maneira louvável e poderia até vencer na categoria de melhor filme, não fosse por uma linha tradicional e conservadora seguida pela Academia. Ela é uma obra-prima, merece ser assistido e é digno de muito mais que somente a premiação de melhor roteiro original.


 

Roteiro adaptado

Billy Ray, de “Capitão Phillips”

Richard Linklater, Julie Delpy e Ethan Hawke, de “Antes da meia-noite”

Steve Coogan e Jeff Pope, de “Philomena”

John Ridley, de “12 anos de escravidão”

Terence Winter, de “O lobo de Wall Street”

COMENTÁRIOEm um ano em que grande parte dos filmes encontra suas origens na literatura e na vida real, é difícil decidir qual dos indicados realizou a transição para as telas de maneira mais interessante. 12 Anos de Escravidãocertamente merece a vitória, mas também mereceriam os outros competidores, em especial O Lobo de Wall Street.


 

Maquiagem e cabelo

“Clube de compras Dallas”

“Jackass apresenta: Vovô sem vergonha”

“O cavaleiro solitário”

COMENTÁRIOVitória esperada. Clube de Compras Dallas já estava cotado para ganhar na categoria, não somente pelo exímio trabalho de sua equipe de maquiagem e cabelo, mas também pela fragilidade dos outros dois indicados.


 

Figurino

“Trapaça”

“O grande mestre”

“O grande Gatsby”

“The Invisible Woman”

“12 anos de escravidão”

COMENTÁRIOTalvez a categoria que mais tenha causado surpresa. Após uma imensa propaganda realizada pela equipe de Trapaça em relação aos figurinos do longa, todos esperavam a vitória do filme de O’Russell. O Grande Gatsby, na visão do Monolito do Cinema, é, porém, o competidor mais óbvio para a vitória. Toda a parte estética da obra de Baz Luhrmann é digna de reconhecimento e os profissionais envolvidos na caracterização de suas personagens fizeram um belíssimo trabalho.


 

Animação

“Os Croods”

“Ernest & Celestine”

“Frozen: Uma aventura congelante”

“Meu malvado favorito 2”

“Vidas ao vento”

COMENTÁRIOO mundo da animação não passava por uma agitação tão grande quanto a do ano passado há anos. Tudo graças a Frozen. O longa não levantou apenas a moral da Disney, mas alcançou um ponto de perfeição não visto nas animações da companhia desde a década de 1990. Ao emplacar mais um clássico no hall das animações, a Disney provou-se a real merecedora da estatueta desse ano.


 

Efeitos visuais

“Gravidade”

“O hobbit: A desolação de Smaug”

“Homem de ferro 3”

“O cavaleiro solitário”

“Star trek: além da escuridão”

COMENTÁRIOVitória incontestável. Apesar da qualidade dos efeitos dos outros indicados, Gravidade era a escolha óbvia – e mais justa – da Academia.


 

Curta-metragem

“Aquel no era yo”

“Avant que de tout perdre”

“Helium”

“Pitääkö Mun Kaikki Hoitaa?”

“The Voorman Problem”


 

Documentário em curta-metragem

“CaveDigger”

“Facing fear”

“Karama has no walls”

“The lady in number 6: Music saved my life”

“Prison terminal: The last days of private Jack Hall”


 

Documentário em longa-metragem

“The act of killing”

“Cutie and the Boxer”

“Dirty Wars”

“The Square”

“A um passo do estrelato”


Edição de som

“All Is Lost”

“Capitão Phillips”

“Gravidade”

“O hobbit: A desolação de Smaug”

“O grande herói”


 

Mixagem de som

“Capitão Phillips”

“Gravidade”

“O hobbit: A desolação de Smaug”

“Inside Llewyn Davis: Balada de um homem comum”

“O grande herói”


 

Curta-metragem de animação

“Feral”

“Get a horse!”

“Mr. Hublot”

“Possessions”

“Room on the broom”


 

Fotografia

“O grande mestre”

“Gravidade”

“Inside Llewyn Davis: Balada de um homem comum”

“Nebraska”

“Os suspeitos”

COMENTÁRIOForam maravilhosos os trabalhos realizados pelas equipes de fotografia desse ano, inclusive pela deEla, que merecia uma indicação na categoria. Gravidade, porém, era novamente a opção mais óbvia e mereceu a vitória.


 

Edição

“Trapaça”

“Capitão Phillips”

“Clube de compras Dallas”

“Gravidade”

“12 anos de escravidão”


 

Filme estrangeiro

“Alabama Monroe” (Bélgica)

“A grande beleza” (Itália)

“A caça” (Dinamarca)

“The missing picture” (Camboja)

“Omar” (Palestina)


 

Design de produção

“Trapaça”

“Gravidade”

“O grande Gatsby”

“Ela”

“12 anos de escravidão”

COMENTÁRIOTodos os indicados fizeram, literalmente, um belo trabalho em design de produção. O Grande Gatsby, porém, como todos os filmes de Baz Luhrmann, se destaca nessa categoria e é visualmente encantador. Assistir à beleza estética de Gatsby é uma diversão à parte.

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Cena de O Grande Gatsby

Canção original

“Happy”, de “Meu malvado favorito 2” – Pharrell Williams (música e letra)

“Let it Go”, de “Frozen: Uma aventura congelante” – Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez (música e letra)

“The Moon Song”, de “Ela” – Karen O (música e letra) e Spike Jonze (letra)

“Ordinary Love”, de “Mandela: Long walk to freedom” – Bono, Adam Clayton, The Edge, Larry Mullen Jr. e Brian Burton

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A atriz Idina Menzel apresenta Let It Go na cerimônia

COMENTÁRIOA vitória teria sido óbvia, não fosse pelo Globo de Ouro concedido à Ordinary LoveLet it Go, porém, é uma das mais belas músicas já apresentadas pela Disney. A interpretação feita pela ícone do teatro musical Idina Menzel, exalta ainda mais sua qualidade, completamente merecedora da estatueta. Apesar do Globo, Bono nos apresenta uma música fraca no filme sobre Mandela, enquanto Meu Malvado Favorito apresenta um tema pouco tradicional para garantir a vitória. Já The Moon Song é uma bela canção e foi habilmente composta para acompanhar a sensibilidade de Ela. Apesar disso, Let it Go quebrou recordes de vendas ao mesmo tempo em que encantava seu público.


 

Trilha sonora original

John Williams, de “A menina que roubava livros”

Steven Price, de “Gravidade”

William Butler e Owen Pallett, de “Ela”

Alexandre Desplat, de “Philomena”

Thomas Newman, de “Walt nos Bastidores de Mary Poppins”

COMENTÁRIOOutra categoria acirrada, em que os indicados realizaram trabalhos musicais louváveis. Gravidade certamente apresenta uma trilha digna de Oscar, prendendo a atenção do espectador e acompanhando a tensão da trama. Apesar disso, Ela talvez tivesse sido uma escolha mais interessante, devido à simplicidade e sensibilidade de suas músicas. Mesmo apresentando uma trilha sonora de alta qualidade, Frozen não recebeu a chance de igualar o feito dos clássicos Disney da década de 1990, que venceram na categoria. A animação certamente faz jus a uma possível, porém inexistente indicação para essa estatueta.

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