Jogos Vorazes: Em Chamas

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Continuação de Jogos Vorazes consolida o potencial da franquia

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: The Hunger Games: Catching Fire
DIREÇÃO: Francis Lawrence
DURAÇÃO: 146min
GÊNERO: Ação, Ficção
PAÍS: Estados Unidos
ANO: 2013

Desde o fim da saga do bruxo Harry Potter o mundo do cinema espera por uma franquia adolescente cuja qualidade – e os lucros – possam ocupar o lugar que o mundo de J.K. Rowling deixou vazio em 2011.

Já foram inúmeras franquias juvenis lançadas desde então, mas nenhuma capaz de ser equiparada a do estudante de Hogwarts. Nem mesmo a adaptação do primeiro livro de Suzanne Collins – autora da trilogia Jogos Vorazes – acalmou os ânimos de Hollywood, apesar do sucesso comercial. Com Em Chamas, porém, a franquia mostra estar preparada para assumir o posto de novo sucesso adolescente.

A segunda parte da saga nos dá um breve apanhado de como se torna a vida dos vencedores do 74º Jogos Vorazes – uma demonstração do poder da capital de Panem, onde participantes dos 12 distritos da nação lutam até a morte. Devido à atos de rebeldia praticados pela protagonista no primeiro filme, porém, os cidadãos marginalizados da distopia começam a se revoltar contra o poder ditatorial exercido pelo Presidente Snow (Donald Sutherland), o que o motiva a colocar não somente Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) e Peeta Mellark (Josh Hutcherson) novamente na arena dos Jogos, como também vários outros vencedores das edições passadas, buscando eliminar a fonte de inquietação dos habitantes de  Panem.

Os avanços em relação ao primeiro longa são notáveis. Com um orçamento quase que dobrado, os efeitos especiais e os cenários que compõem a Capital parecem muito mais reais. A direção de arte se supera e faz um trabalho extremamente competente quanto à maquiagem, cabelo e figurino. Todos esses elementos fazem com que o filme seja visualmente interessante e diferenciado. Observar o esquisitíssimo guarda roupa da personagem Effie Trinket (Elizabeth Banks) é praticamente uma diversão à parte.

Mais do que aprovado pelos leitores da saga, o roteiro foi muito bem adaptado, mantendo toda a tensão envolvida no livro e preservando a essência de cada passagem. Com a direção de Francis Lawrence a trama ganha ritmo e fluidez decisivos para o suspense da história.

Em Chamas ainda nos apresenta a novas personagens com personalidades marcantes, como é o caso da irritadiça Johanna (Jena Malone) ou da simpática e frágil Mags (Lynn Cohen), por mais breve que seja sua participação. Jennifer Lawrence e Donald Sutherland, assim como a maior parte do elenco, têm uma ótima performance, capazes de transportar o público para a arena. Este, porém, parece ser o grande problema do filme. Para alguns espectadores, torna-se enfadonha a volta ao campo de batalha, embora como elemento principal do segundo volume da trilogia essa seja uma repetição necessária.

Para aqueles que não leram o livro o final do filme pode ser um tanto frustrante, uma vez que Em Chamas funciona muito mais como uma ponte entre o primeiro e o terceiro capítulos da saga. Resta à esses esperar pela continuação, que será dividida em duas partes, sendo que a primeira está agendada para estrear em novembro desse ano.

A maior bilheteria americana de 2013, à frente do que parecia ser o insuperável Homem de Ferro 3, exerce com excelência seu papel de romance adolescente por meio de seu triângulo amoroso. Não podemos deixar de destacar, porém, que a obra vai muito mais além. Ao narrar os problemas de uma distopia, o filme aborda assuntos como totalitarismo, desigualdade e liberdade de expressão com incrível sutileza, como um 1984 adolescente. É uma pena que muitos espectadores não sejam capazes de interpretar o que realmente envolve a história de Panem e traçar um paralelo com o passado – e o presente – de nossa civilização.

Com uma protagonista tão forte quanto Harry Potter, a franquia Jogos Vorazes marca presença no mercado cinematográfico e mostra que suas continuações têm grandes chances de serem igualmente bem sucedidas. Se havia alguma dúvida em relação à saga, esta foi certamente sanada graças à qualidade de Em Chamas.

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