It – A Coisa

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Adaptação da obra de Stephen King foge do terror e triunfa como filme de aventura

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: It
DIREÇÃO: Andy Muschietti
DURAÇÃO: 135min
GÊNERO: Terror, Aventura
PAÍS: EUA
ANO: 2017
4

As obras do estadunidense Stephen King já renderam várias adaptações memoráveis para o cinema. Carrie, a Estranha (1976) e O Iluminado (1980), por exemplo, são até hoje lembrados como clássicos do terror. Na televisão, a história não é diferente: o palhaço Pennywise aterrorizou muita gente na década de 1990, quando foi vivido por Tim Curry. Agora, o sádico vilão volta às telas para assustar uma nova geração, dessa vez na pele do sueco Bill Skarsgård.

Em It, pré-adolescentes que se auto-denominam o “clube dos perdedores” decidem investigar desaparições de crianças na pacata cidade de Derry. O grupo então começa a ser assombrado por um misterioso palhaço capaz de invocar seus maiores medos.

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Apesar de toda a roupagem de filme de terror, It triunfa justamente onde menos se espera: em seu lado mais aventureiro, que explora o amadurecimento dos protagonistas. A trama espelha clássicos do cinema “coming of age” —aquele que discute a passagem da infância para a vida adulta— e tem referências claras a Goonies (1985) e a E.T. (1982), por exemplo.

O que mais desperta curiosidade no longa não é a origem do macabro Pennywise, mas a maneira como o grupo de amigos precisa se unir para, juntos, contra-atacarem a criatura, em uma jornada em que enfrentam suas próprias inseguranças.

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Outro trunfo do filme é sua ambientação, mudada da década de 1950, nos livros, para a de 1980. It bebe da fonte da nostalgia —e é impossível não lembrar da série Stranger Things durante a sessão— , mas ainda assim tem personalidade própria. Referências aos filmes já citados e a tantos outros —sendo A Hora do Pesadelo (1984) talvez a mais notável— são feitas de forma sutil, deixando o saudosismo como detalhe, não permitindo que ele tome as rédeas da trama.

É dessa forma lúdica, brincando com a inocência dos protagonistas, que conhecemos o vilão da trama. Pennywise não dá medo pelos sustos, mas pela expectativa que gera, principalmente quanto às inseguranças que o palhaço explora —de forma muito inteligente, a propósito. Mesmo quando suas aparições são óbvias, é impossível não se sentir aterrorizado, graças a seu olhar sádico e irônico. É das caras e bocas do personagem que surge o único ponto de terror do filme, ancorado no incômodo que “a coisa” gera.

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Tecnicamente, o longa apresenta uma ótima reconstituição de época, com trilha sonora adequada, mas nem um pouco emblemática. A atuação dos adultos está no piloto automático —o que parece ter sido uma escolha da direção, para evidenciar ainda mais a negligência dos habitantes com a sobrenaturalidade de Derry. Em contrapartida, isso realça o trabalho das crianças, cheias de personalidade, de talento e de carisma. 

Indispensável para o funcionamento da trama, o ótimo elenco infantil apresenta personagens bem definidos, mesmo que alguns sejam pouco explorados. O hipocondríaco Eddie (Jack Dylan Grazer) diverte com naturalidade, enquanto Richie (Finn Wolfhard, de Stranger Things) gera desconforto com suas piadas sujas, mas que são aproveitadas de maneira certeira.

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Beverly (Sophia Lillis) dá ares de feminismo ao roteiro como a única garota do grupo e seus interesses amorosos, Bill (Jaeden Lieberher) e Ben (Jeremy Ray Taylor), são extremamente simpáticos graças à inocência que transmitem.

It pode ser uma frustração para quem está em busca de sustos. Mas, se a visita ao cinema for feita de forma despretensiosa, o filme pode se tornar uma ótima surpresa, como foi o caso de Invocação do Mal em 2013, outro longa que triunfa muito mais pelo clima de mistério e incerteza do que pelo terror em si. A adaptação do clássico de Stephen King é uma ótima fábula adolescente sobre amadurecimento, companheirismo e insegurança, e nem por isso deixa de atingir todos os tipos de público. Tem pitadas muito bem dosadas de perversidade, que o tornam uma ótima experiência cinematográfica.


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Homem-Aranha: De Volta ao Lar

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Marvel coloca ordem na casa depois de seis filmes do heróis em 15 anos

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Spider-Man: Homecoming
DIREÇÃO: Jon Watts
DURAÇÃO: 133min
GÊNERO: Ação, Aventura
PAÍS: EUA
ANO: 2017
4
 

Em apenas 15 anos, Homem-Aranha protagonizou seis filmes – e ainda fez uma participação especial em Capitão América: Guerra Civil. Mas, diferente de Hugh Jackman e seu Wolverine, Peter Parker teve três diferentes identidades ao longo de sua jornada cinematográfica.

Tudo estava bem na trilogia estrelada por Tobey Maguire, até que Andrew Garfield vestiu o uniforme vermelho e azul em dois filmes que deixaram o futuro da franquia incerto. A Marvel então viu que era hora de entrar no jogo e firmou uma parceria com a Sony, atual detentora dos direitos do personagem, para trazer uma versão mais jovem dele às telas. O resultado não poderia ser melhor.

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Depois de ajudar Tony Stark (Robert Downey Jr.) em Capitão América: Guerra Civil, Peter Parker (Tom Holland) volta para sua rotina como estudante em Nova York. O garoto precisa balancear sua vida de adolescente com seus poderes, enquanto espera ser chamado novamente para participar da equipe de heróis. Um dia, descobre um grupo comandado pelo vilão Abutre (Michael Keaton), que vende armas com tecnologia extraterrestre para criminosos da cidade, e decide intervir.

Jovial. Esta é a palavra ideal para descrever esse novo capítulo na saga de Homem-Aranha. O público é apresentado a um Peter Parker com obrigações no colégio, amores adolescentes, que precisa dar satisfações à sua tia May e é tratado como criança por Tony Stark. Essa combinação não podia ter um resultado melhor, gerando um longa que, além de divertido e cheio de ação, se destaca por ser, em sua essência, um filme de “coming of age”.

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O subgênero engloba aqueles longas que destacam a passagem da infância para a vida adulta, que falam sobre amadurecimento, como em O Clube dos Cinco e Curtindo a Vida Adoidado, ambos referenciados pela trama ou até mesmo pela campanha de publicidade de De Volta ao Lar.

Peter Parker está, no filme, desesperadamente buscando por sua verdadeira identidade, algo comum a qualquer adolescente, com ou sem superpoderes. A temática acaba fazendo com que Homem-Aranha se sobressaia quando comparado a outros filmes da Marvel, preocupados com cenas de luta e destruição em vez de acrescentar narrativas mais aprofundadas em seus roteiros. Tudo isso sem perder a marca registrada do estúdio: cenas bem-humoradas quando menos se espera.

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O maior desafio do filme certamente foi tornar sua história original e atraente, depois de seis incursões do Aranha nos cinemas. Mas De Volta ao Lar tira isso de letra, e em grande parte devido a seu astro. Tom Holland está perfeito no papel e foi capaz de atualizar o personagem sem fazer muito esforço.

O ator transborda carisma e, apesar dos 20 anos de idade, se encaixa com naturalidade nos dilemas adolescentes de Peter Parker, um personagem mais jovem. Holland une com maestria as diferentes faces do protagonista: ele é inocente, brincalhão, atrapalhado e bondoso, uma personalidade com muito potencial para se destacar em meio a tantos Vingadores.

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Marvel e Sony ainda acertaram em cheio no vilão do longa-metragem. Michael Keaton está excelente em um papel igualmente bom. O Abutre foge dos maniqueísmos tão comuns ao subgênero de heróis. Ele não quer dominar o mundo ou acumular poder absoluto: ele é apresentado como um homem comum que, frente às adversidades, recorre ao crime. Ele tem uma vida normal – o que fica claro em uma cena incrível, inesperada e muito bem executada – e não dava bola para os Vingadores até Peter Parker resolver se intrometer nos seus negócios.

Com esses e tantos outros personagens interessantes – o que inclui tia May, cujo passado nunca é explicado, poupando o público de uma já conhecida história de origem – , as mais de duas horas de filme voam. Cenas de ação, momentos cômicos e dramas adolescentes se alternam, deixando a trama multifacetada, rica em detalhes e com uma complexidade rara nos filmes do gênero. Resta saber se o Aranha dos cinemas continuará honrando um dos heróis mais queridos dos quadrinhos. Por enquanto, tudo indica que Peter Parker está no caminho certo.


Mulher-Maravilha

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Em sua estreia como protagonista no cinema, heroína salva o universo da DC

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Wonder-Woman
DIREÇÃO: Patty Jenkins
DURAÇÃO: 121min
GÊNERO: Ação
PAÍS: EUA
ANO: 2017
4

Quando percebeu que tinha ficado para trás no desbravamento do mundo dos super-heróis nos cinemas, a DC Comics tratou de se apressar. Anunciou um universo estendido com filmes como Batman vs Superman e Esquadrão Suicida.

O resultado não foi exatamente o esperado: ambos renderam duras críticas e a nova empreitada da DC se tornou motivo de piada, principalmente frente à bem-sucedida Marvel. Mas eis que chega Mulher-Maravilha, há 76 anos aguardando um filme só seu, e decide salvar o dia.

Se uma protagonista feminina em um filme de heróis era motivo de desconfiança até ontem, agora a heroína aparece para dar esperança aos fãs dos quadrinhos, mostrando que este universo também é lugar de mulher.

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No filme, Diana Prince (Gal Gadot) vive em uma ilha habitada por uma tribo de mulheres guerreiras, as amazonas. Elas permanecem longe dos olhares humanos até que o avião do americano Steve Trevor (Chris Pine) cai nas águas que beiram o local. Daiana então descobre que a Primeira Guerra Mundial está em curso e decide se envolver no conflito para restabelecer a paz.

Com a Disney à frente da Marvel, os filmes da marca ganharam o selo de aprovação para toda a família. Em tramas aventureiras e bem-humoradas, seus heróis conquistaram um público diversificado.

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A DC decidiu tomar o caminho inverso e seu Batman vs Superman ficou marcado pela fotografia escura, personagens sombrios e uma trama que se esforça para parecer madura, mas que na verdade limita seus protagonistas a problemas tontos e que não se sustentam. Para não cometer o mesmo erro em Esquadrão Suicida, a DC tentou injetar uma pitada de ironia na história, mas falhou miseravelmente.

Talvez por isso a diretora Patty Jenkins tenha dado a Mulher-Maravilha uma roupagem totalmente diferente. O filme tem cores, momentos de riso e seriedade bem definidos e está muito mais preocupado em apresentar e empoderar sua protagonista do que fazer dela parte de um universo maior.

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Toda a ação deste longa tem como pano de fundo a Primeira Guerra, mas isso não é motivo para fazer a Mulher-Maravilha das telas a personagem patriota que habita nosso imaginário. Diana é uma entidade grega e, apesar das cores de seu uniforme, nunca deveria ser associada à imagem de tesouro nacional dos Estados Unidos, como o enfadonho e imperialista Capitão América.

A escolha da israelense Gal Gadot é outro acerto que corrobora para universalizar o filme. A atriz surpreende e está fantástica no papel, juntando determinação e força com originalidade e sagacidade, fazendo da protagonista o ícone feminino tão necessário no cinema de super-heróis. E não é por estar em um posto normalmente dedicado aos homens que sua Mulher-Maravilha perde a feminilidade. Muito pelo contrário: sua força advém justamente de sua condição enquanto mulher.

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O filme deixa a desejar em dois aspectos. O primeiro é o dos efeitos especiais, que em determinados momentos parecem cenas de videogames. Mas o que incomoda mesmo é a solução para a problemática da trama de Mulher-Maravilha. Seu vilão é derrotado de forma pouco convincente, sem muito esforço. Faltou lapidar a parte final do enredo.

Mas nada é capaz de derrotar a heroína. Estes dois problemas se tornam irrelevantes, já que todos os outros aspectos da trama estão em harmonia e colaboram para destacar a importância dos ideais e da origem de Diana Prince. Há equilíbrio no longa, que traça um perfil da personagem de forma dinâmica, fazendo o filme voar, sem nunca perder o ritmo.

Depois de esperar 76 anos para chegar à telona, Mulher-Maravilha o faz em grande estilo. É um filme divertido, com ótimas cenas de ação, uma boa trama e, o mais importante, empoderado: na frente e por trás das câmeras. Se Gal Gadot e sua heroína simbolizam a força feminina tão necessária nesse universo, a diretora Patty Jenkins faz um trabalho admirável e determinante para o sucesso de um filme verdadeiramente maravilhoso.


Guardiões da Galáxia Vol. 2

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Trama espacial continua sendo o que há de mais criativo na Marvel

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Guardians of the Galaxy Vol. 2
DIREÇÃO: James Gunn
DURAÇÃO: 136min
GÊNERO: Ação, Aventura, Ficção, Comédia
PAÍS: EUA
ANO: 2017
4

Fugindo de uma fórmula segura e já cansativa seguida pela Disney desde que assumiu o controle da Marvel, Guardiões da Galáxia inovou e surpreendeu quando foi lançado em 2014. Não à toa, sua sequência gerou grande expectativa entre os fãs e, por sorte, não decepcionou, investindo significativamente em um roteiro cada vez mais bem-humorado e driblando o politicamente correto tão entediante do mundo dos heróis.

Depois de salvarem a galáxia e se firmarem como anti-heróis, Peter Quill (Chris Pratt), Gamora (Zoe Saldana), Drax (Dave Bautista), Rocket (Bradley Cooper) e Groot (Vin Diesel) embarcam em uma missão que levará o Senhor das Estrelas (ou Star-Lord) a descobrir a verdade sobre seus pais.

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Dar continuidade a um filme que recebeu um mar de elogios não somente dos fãs da Marvel, mas também da crítica e daqueles que torcem o nariz para a maioria das tramas de heróis é uma tarefa difícil. Por sorte, James Gunn, diretor do primeiro Guardiões da Galáxia, encabeçou também sua sequência e manteve o ritmo e o tom já vistos nas telonas em 2014. Dessa forma, a margem para erro era pequena – mas ainda assim possível.

Se o primeiro Guardiões se encarregou de introduzir o quinteto de criminosos formado pelos protagonistas, seu segundo volume retorna ao passado de Peter Quill, explorando suas origens metade terráqueas e resolvendo também um mistério criado no desfecho do filme anterior. A trama é interessante e não tende ao sentimentalismo, como muitas histórias de origem, mas peca por pequenos detalhes.

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Falta lapidar o roteiro de Guardiões. Sua primeira parte e o clímax são ótimos, mas seu terceiro ato deixa a desejar. O desfecho encontrado para o problema que acomete a equipe de anti-heróis não convence e é resolvido de forma muito simples se considerado o tamanho da ameaça. Pequenas mudanças fariam bem à história.

O que realmente importa em Guardiões, porém, são os meios, não o fim. A abordagem das aventuras de Peter Quill é o que fez com que seu primeiro filme se destacasse. Mais uma vez, é a maneira como tudo é mostrado que faz também desta sequência um diferencial em meio ao super-explorado mundo dos heróis.

Com muito bom humor, o segundo volume de Guardiões conta sua história com um visual colorido, uma trilha sonora dançante e piadas que passam despercebidas pelas crianças, mas não por seus pais. É um filme hilário, com sequências de comédia muito bem planejadas e que superam seu antecessor. James Gunn pode até achar algumas cenas mais engraçadas do que realmente são, mas isso é compensado por vários momentos de um humor bobo, mas que arranca risadas sem grande esforço.

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Todas as personagens têm uma personalidade própria, bastante distinta, que contribui para a harmonia do filme. Neste volume, o público ainda passa mais tempo com a versão baby de Groot, responsável por momentos de fofura aliados às trapalhadas da planta. Também é introduzido um planeta “coxinha”, marcado por uma ideologia fascista e por um complexo de superioridade que rende cenas de chacota geniais. Por fim, conhecemos também Mantis (Pom Klementieff), responsável por alguns dos melhores momentos da trama. Ela e Drax têm uma estranha e errada química, que funciona maravilhosamente bem.

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Mais uma vez, Guardiões se destaca porque gira em torno de anti-heróis, criminosos que aparentam ter se regenerado, mas que continuam narcisistas e ambiciosos. Algumas de suas piadas, inclusive, escancaram o quão patéticas suas personagens podem ser, apelando a comentários mais adultos e a um sentimentalismo pautado por uma atmosfera de intriga para tornar a história mais madura e envolvente.

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É ótimo ter um filme como esse para dar um alívio da ideia de bom moço dos filmes de heróis, onde protagonistas como Capitão América causam exaustão por serem perfeitos e politicamente corretos demais. A Marvel está tentando fugir desse padrão, mas ainda recorre a ele como uma aposta segura para suas tramas.

Com efeitos especiais de tirar o fôlego, um design criativo, ótimas atuações e um timing cômico ímpar, Guardiões da Galáxia ainda representa o que há de melhor em seu subgênero. Existe um universo de possibilidades imenso à frente dos anti-heróis, que podem até ter suas aventuras encerradas com um terceiro filme, mas que já deixam um ótimo legado para o que está por vir na Marvel e até na DC.


A Bela e a Fera

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Disney renova conto de fadas sem prejudicar sua essência

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Beauty and the Beast
DIREÇÃO: Bill Condon
DURAÇÃO: 129min
GÊNERO: Musical, Fantasia, Romance, Família
PAÍS: EUA
ANO: 2017

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A Bela e a Fera pode ter “apenas” 26 anos, mas é um clássico absoluto, não há como negar. A história de 1991 foi a primeira animação a ser indicada ao Oscar de Melhor Filme e venceu dois, nas categorias de Trilha Sonora e Canção Original.

Consequentemente, o filme faz parte da memória afetiva de milhares de crianças e adultos, e é centrado em uma história de amor que causa inveja em muitos romances. Em 1993, foi ainda a primeira produção da Disney na Broadway, onde também foi bem-sucedida. Com esse currículo, era apenas questão de tempo até que Bela e a Fera entrasse para o frenesi de live-action do estúdio. A boa notícia é que o projeto fez jus ao seu original.

Bela (Emma Watson) é uma jovem diferente dos moradores de sua aldeia, principalmente de Gaston (Luke Evans), que quer sua mão em casamento. Apaixonada por livros, ela mora com seu pai, Maurice (Kevin Kline), que é aprisionado no castelo da Fera (Dan Stevens) depois de se perder em uma floresta. Bela decide ficar no seu lugar e aos poucos descobre que seu novo lar foi enfeitiçado.

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A tarefa de recriar A Bela e a Fera é difícil. Primeiro por se tratar de um filme tão amado por muita gente. Segundo, porque o original de 1991 já é perfeito, um clássico. Mas Bill Condon teve habilidade suficiente para reaproveitar a história da Disney, deixando-a atraente e preservando seus encantos, e ainda soprando ar de novidade à trama.

O live-action é muito parecido com a obra original. Existem diálogos inteiros onde todas as palavras foram preservadas. Para quem quer novidade, Bela e a Fera pode ser frustrante – embora Mogli tenha se dado muito bem ao não ousar em seu roteiro. Mas se o original de 1991 funciona tão bem, não faria sentido distorcê-lo para a nova versão. Mesmo que a trama seja a mesma, existem alguns detalhes que repaginam a história.

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Como já foi amplamente divulgado, o capanga LeFou (Josh Gad) nesta versão é gay. Em todo o filme, vemos uma preocupação da Disney em adaptar seu clássico para os novos tempos. Casais interraciais aparecem em diversos momentos e Madame Garderobe (Audra McDonald) veste três vilões como mulheres e diz para eles serem “livres”, para a felicidade de um deles. Tudo é feito de forma sutil e contida. Não é uma revolução, mas é sem dúvidas um importante e necessário passo.

Bela, também, é transformada em uma mulher ainda mais independente – e Emma Watson tem grande influência nisso – , e se consolida como heroína da história, não como princesa. “Ela deve estar chorando em seu quarto”, dizem os objetos mágicos certa hora, e em seguida, vemos Bela amarrando pedaços de pano para tentar fugir pela janela. Em outro momento, ela ensina uma menina a ler, escandalizando sua aldeia e até mesmo um professor.

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A cena, inclusive, ajuda a situar o filme em seu contexto histórico. Ao invés de estar perdido no espaço-tempo, como a maioria dos contos de fadas, A Bela e a Fera faz questão de mostrar que se passa no século XVIII, o que faz muito bem à história. Pequenas referências – como vestimentas e o cravo Maestro Cadenza (Stanley Tucci) – e brincadeiras com a época – como a arcada dentária do mesmo personagem – contribuem para isso.

O filme ainda tapa vários buracos criados em 1991. O motivo pelo qual nenhum aldeão sabe da existência do castelo, a linha temporal dos acontecimentos, a cumplicidade dos conterrâneos de Gaston com sua arrogância e muitas outras questões são solucionadas para tornar esta versão mais madura.

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Outro aspecto que faz deste Bela e a Fera diferente de seu antecessor são as canções. Sim, elas são as mesmas, mas os arranjos musicais foram mudados, algumas letras incrementadas e quatro músicas inéditas adicionadas à trilha sonora. Estas, inclusive, não alcançam o nível de excelência das originais, mas também são muito bonitas, tendo sua função na história. O destaque é para Evermore – cantada por uma Fera que pode causar estranhamento pela voz, mas à qual logo nos adaptamos – , que é extremamente sensível e preenche a falta de música no papel da Fera.

As coreografias e performances também são ótimos, se aproximando de clássicos do gênero musical de forma divertida. Se a reprise de Belle espelha a mais clássicas das cenas de A Noviça Rebelde, Be Our Guest é um banquete aos amantes de musicais. As referências no show de Lumière (Ewan McGregor) são várias: Cabaret, Cantando na Chuva e Moulin Rouge! são só algumas. A cena, inclusive, é um presente para os olhos, extremamente bem feita, colorida, dançante e sofisticada.

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Tecnicamente, o filme é deslumbrante. O design de produção é excelente, combinando elementos do original de 1991 com referências claras ao século XVIII e ainda cenários e objetos elegantes, que invocam um senso de fantasia e imaginação típico dos contos de fadas. Os figurinos de Jacqueline Durran também são belíssimos e o clássico vestido de valsa de Bela é atualizado, não deixando a desejar.

Os efeitos visuais usados para criar os objetos mágicos são perfeitos. As soluções encontradas para seus movimentos são engenhosas e dão credibilidade ao feitiço lançado no castelo – Chip (Nathan Mack), por exemplo, anda como se estivesse em um skate, dando jovialidade ao personagem.

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A Fera deixa a desejar. Seu rosto é bastante humano, tem emoção, mas o seu andar é pesado, visivelmente irreal. Teria sido melhor criar uma Fera a partir de figurino e maquiagem, à la Chewbacca, mas em uma indústria tão enlouquecida com as maravilhas do CGI, é difícil pensar na Disney tomando o caminho dos efeitos práticos em um conto de fadas. Outro pequeno problema é a edição do filme, súbita e com cortes equivocados em determinados momentos,

Mas nada é capaz de parar A Bela e a Fera de ser uma digna e bonita versão de um filme tão amado. Muitos podem criticar a falta de originalidade ou a natureza desnecessária de um filme não tão antigo, mas há espaço em Hollywood para esta versão mais adulta e musical, que ainda confere inventividade e respeito à obra.

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O elenco também contribui para o sucesso do longa. Emma Watson é uma figura forte e que passa um ar de determinação e graça à sua Bela, surpreendendo a todos ao cantar. Luke Evans e Josh Gad formam uma dupla divertidíssima e, enquanto o primeiro tem o ar de arrogância típico de Gaston, o LeFou de Gad rouba as cenas e ainda, de forma sutil, reinventa seu personagem, que agora tem uma quedinha pelo amigo “machão”. Kevin Kline faz um Maurice muito mais profundo, ao contrário do bobalhão pai de Bela de 1991. 

Por fim, o trabalho de vozes é excelente: Audra McDonald e Stanley Tucci são engraçados, Ewan McGregor é charmoso, Ian McKellen dá autoridade ao seu atrapalhado Horloge e Emma Thompson não se deixa intimidar pela difícil tarefa de assumir o papel originado por ninguém menos que Angela Lansbury.

Além de um ótimo entretenimento, um banquete visual e uma trilha sonora emocionante, A Bela e a Fera ainda se mantém fiel à sua mensagem de amor, bastante universal e delicada. Por outro lado, promove a cultura como um elemento tão transformador quanto esse sentimento. É um filme capaz de agradar qualquer um que vá de coração aberto ao cinema, estando envolto em mágica, nostalgia e amor.


Logan

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Violência e sentimentalismo marcam despedida de Hugh Jackman

Por Leonardo Sanchez
TÍTULO ORIGINAL: Logan
DIREÇÃO: James Mangold
DURAÇÃO: 137min
GÊNERO: Drama, Ficção, Ação
PAÍS: EUA
ANO: 2017

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Por 17 anos, Hugh Jackman viveu o mutante Wolverine nos cinemas. Sua atuação é certamente uma das mais icônicas – ou talvez a mais icônica – da história dos filmes de heróis. Foram anos de desenvolvimento do personagem, um dos mais completos do gênero, e o ator australiano não deixou a desejar, se mostrando cada vez mais maduro no papel. Para se despedir deste marco do cinema, Hugh Jackman protagoniza Logan, um dos filmes mais interessantes do mundo dos heróis e com performances emocionantes.

Em 2029, os mutantes se tornam raridade após uma série de mortes, aliada ao fim do nascimento de novos humanos superdotados. Logan (Hugh Jackman) vive recluso, cuidando de um já debilitado e doente professor Xavier (Patrick Stewart). Quando uma mulher pede sua ajuda, os dois precisam pegar a estrada para levar Laura (Dafne Keen), uma menina com as mesmas habilidades de Wolverine, para um lugar seguro.

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Logan é um filme bastante incomum. O subgênero dos super-heróis têm sido marcado, nos últimos anos, por uma abordagem divertida e jovial – resultado do comando da Disney sobre a Marvel. Além disso, os filmes desse hall raramente dão espaço a uma trama que tende ao sentimentalismo. Mas a despedida de Hugh Jackman da saga mutante vai na contramão de tudo isso: é extremamente violenta, mas cheia de momentos realmente profundos e emocionantes, capazes de levar até o mais durão dos fãs às lágrimas.

X-Men já é uma franquia que se destaca por trazer muito mais do que ação e aventura à história de seus heróis. Enquanto filmes como Capitão América e Homem-Formiga se concentram em roteiros fictícios, muitas vezes sem qualquer ambição, a jornada dos mutantes no cinema é marcada por uma história que traça diversos paralelos com a nossa realidade. É uma trama muito mais madura, que antes de qualquer coisa, busca falar sobre intolerância e aceitação.

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Logan não podia ser diferente. Mais uma vez os mutantes aparecem como uma raça fadada à extinção, graças ao preconceito e ao medo do desconhecido que os humanos têm. O longa explora isso de uma maneira diferente, mostrando do que o ser humano é capaz de fazer por poder, em sua ridícula obsessão por armas e controle. Em uma sequência que incomoda e choca, o público é apresentado a um projeto científico que retrata a dureza do ambiente ao qual os X-Men – e todos os marginalizados que eles representam – estão destinados.

É justamente essa mistura entre o contexto bruto e impiedoso no qual Wolverine cresceu e sua personalidade que fazem de Logan um filme genial. O filme apresenta a última etapa do desenvolvimento de Wolverine – uma espécie de redenção. A violência do longa pode parecer exagerada, mas ela é fundamental para tornar sua mensagem eficaz. Afinal, como pode um mutante tratado com tanta agressividade ser solidário e carinhoso? É essa questão que Logan tenta responder – e faz isso muito bem.

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Sem exageros no que diz respeito ao drama de sua história, Logan tem ótimas cenas de ação, com uma trilha sonora e fotografia que complementam o dualismo do filme. O destaque no elenco é a pequena Dafne Keen, que atua em inglês, em espanhol e em silêncio, se mostrando talentosa o suficiente para passar todo o poder e a carga dramática de sua personagem com excelência.

Patrick Stewart está mais uma vez incrível e Hugh Jackman encerra sua participação no universo mutante com maestria. O australiano soube inovar e se superar todas as vezes em que entrou na pele de Wolverine. Em Logan, Jackman entrega uma atuação fantástica, talvez a melhor de sua carreira.

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Com uma história bastante centrada no principal herói dos X-Men, Logan não se dá ao trabalho de explicar minuciosamente o contexto no qual se passa. O público tem que deduzir e até mesmo imaginar o que terá acontecido aos outros personagens da saga e ao mundo no qual o protagonista vive.

A linha temporal totalmente confusa da franquia também não ajuda, mas Logan é um trabalho isolado. Apesar de estar conectado a seus antecessores, o foco aqui é exclusivamente a relação de Wolverine e Laura com o mundo que os cerca – e, lógico, um com o outro. É um filme forte, extremamente bonito e que será lembrado pela originalidade e ousadia com a qual foi conduzido. É realmente a história que Hugh Jackman precisava para aposentar suas garras de adamantium.


89th Academy Awards

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Gafe histórica marca cerimônia com mudança na mentalidade da Academia

A 89ª edição do Oscar ficará na história como a “primeira vez” para muitas coisas. Para começar, a gafe gigantesca, sem precedentes e vergonhosa que foi o anúncio do principal prêmio da noite. Depois de passar pelas mãos dos produtores de La La Land, o público descobriu, chocado, que o verdadeiro vencedor da estatueta de Melhor Filme era Moonlight. Esse fato isolado já é o suficiente para dar destaque à cerimônia.

Mas é preciso ressaltar também que a premiação escolheu como Melhor Filme um longa que custou US$ 5 milhões – o mais baixo orçamento a levar a honraria – , protagonizado por um personagem homossexual – fato também inédito na categoria – e com um elenco totalmente negro – algo jamais visto. Para complementar, Mahershala Ali se tornou o primeiro muçulmano a vencer como Melhor Ator Coadjuvante, enquanto o editor de Moonlight é o primeiro negro a ser indicado por montagem.

Atriz de Um Limite Entre Nós, Viola Davis finalmente recebeu seu tão merecido Oscar, e se tornou a primeira mulher negra a vencer a Coroa Tríplice da Atuação – além do boneco dourado, ela também tem um Tony e um Emmy. Foi definitivamente um ano importante, que serviu como o “primeiro” para muitos aspectos da indústria cinematográfica que tendem a mudar no futuro.

Com três Oscar, Moonlight ficou atrás de seu principal adversário, La La Land, que apesar das seis estatuetas, deixou a desejar em categorias nas quais sua vitória era dada como certa. Em seguida, com dois prêmios cada, vieram Manchester à Beira-Mar e Até o Último Homem, cuja tímida vitória surpreendeu em um ano marcado pela diversidade. Afinal, estamos falando de um filme dirigido por Mel Gibson, cujas opiniões flertam abertamente com uma mentalidade fascista.

Quanto à cerimônia, Jimmy Kimmel fez um ótimo trabalho como apresentador, abordando a situação política nos Estados Unidos com a devida ênfase e sem perder o bom humor. Por outro lado, a produção do programa foi uma das piores dos últimos anos, com vários momentos exagerados – como os balões caindo do céu, divertidos na primeira vez, mas forçados na terceira – e “marmeladas” incompreensíveis. Ben Affleck foi chamado para premiar o roteiro de Manchester à Beira-Mar, protagonizado por seu irmão, ao lado de Matt Damon, produtor do longa. Simplesmente não há como explicar tamanha falta de bom senso.

Para piorar, os números musicais – que deveriam ser o forte em um ano com La La Land na disputa – foram extremamente fracos, com exceção da ótima abertura feita por Justin Timberlake.

Confira a lista de vencedores e o que achamos deles.


FILME

Até o Último Homem

A Chegada

Estrelas Além do Tempo

La La Land – Cantando Estações

Lion – Uma Jornada Para Casa

Manchester à Beira-Mar

Moonlight – Sob a Luz do Luar

A Qualquer Custo

Um Limite Entre Nós

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COMENTÁRIO: Decisão extremamente difícil, entre premiar o “mais importante” ou o “artisticamente superior”. Os dois favoritos, La La Land e Moonlight, têm seus méritos, bastante distintos. Se o primeiro brilha pela criatividade, o segundo pelo teor político. Ambos são ousados e merecedores da atenção que vêm recebendo. A estatueta acabou sendo reflexo do contexto, não do filme em si. La La Land é superior do ponto de vista cinematográfico, mas Moonlight é politizado demais para ser ignorado. Resta ver se o Oscar agora se tornará uma plataforma ideológica. Vale ressaltar a presença de A Chegada e Manchester à Beira-Mar aqui, filmes bastante diferentes, mas perfeitos naquilo que se propõem a fazer. Uma das melhores listas de indicados dos últimos anos.


DIREÇÃO

Mel Gibson (Até o Último Homem)

Dennis Villeneuve (A Chegada)

Damien Chazelle (La La Land – Cantando Estações)

Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)

Barry Jenkins (Moonlight – Sob a Luz do Luar)

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COMENTÁRIO: Aos 32 anos, Damien Chazelle é o diretor mais jovem a levar o prêmio para casa, o que é muito merecido. La La Land é paixão, ousadia e qualidade do começo ao fim, tudo isso impulsionado pela objetividade e brilhantismo de um diretor jovem, que já tinha demonstrado seu talento em Whiplash, e que mostra que Hollywood está se renovando.


ROTEIRO ADAPTADO

A Chegada

Estrelas Além do Tempo

Lion – Uma Jornada Para Casa

Moonlight – Sob a Luz do Luar

Um Limite Entre Nós

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COMENTÁRIO: Mais uma categoria difícil, com a delicadeza e impacto de Moonlight contra A Chegada, um filme muito bem executado, com uma história tocante e universal. São, de longe, os dois melhores roteiros adaptados do ano.


ROTEIRO ORIGINAL

Mulheres do Século 20

La La Land – Cantando Estações

O Lagosta

Manchester à Beira-Mar

A Qualquer Custo

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COMENTÁRIO: O mais original, sem dúvidas, é O Lagosta. De qualquer forma, o filme perde por alguns pequenos detalhes, o que deixa La La Land e Manchester como os favoritos da categoria. De forma íntima e poderosa, Manchester se mostrou uma história muito bem pensada. Mas La La Land deveria ganhar justamente pela simplicidade de seu roteiro, que consegue fazer do rotineiro algo grandioso e emocionante.


ATOR

Andrew Garfield (Até o Último Homem)

Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)

Ryan Gosling (La La Land – Cantando Estações)

Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)

Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)

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COMENTÁRIO: Em uma cerimônia marcada pelo politicamente correto, ficou feio dar o prêmio para Casey Affleck, acusado de assédio sexual por colegas de set de filmagem. Denzel também não seria uma boa opção, já que sua performance é grito e raiva o tempo inteiro. Ryan Gosling está ótimo em La La Land, mas logo se apaga frente ao talento de Emma Stone. Com isso, sobram Viggo Mortensen, com uma atuação excêntrica mas arrebatadora, e Andrew Garfield, que mostrou que a Marvel ficou para trás. Uma opção muito mais interessante simplesmente por ter surpreendido a todos com seu trabalho, Andrew merecia a estatueta.


ATRIZ

Isabelle Huppert (Elle)

Meryl Streep (Florence – Quem é Essa Mulher?)

Natalie Portman (Jackie)

Emma Stone (La La Land – Cantando Estações)

Ruth Negga (Loving)

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COMENTÁRIO: Meryl Streep caiu de paraquedas, enquanto Ruth Negga faz um ótimo trabalho, mas nada excepcional. Isabelle Huppert está incrível em Elle, mas o filme é equivocado demais. Natalie Portman entrega uma das performances femininas mais fortes do ano e merecia a estatueta. Só que Emma Stone cresceu e apareceu, esbanjando talento em La La Land sem perder graça e delicadeza. Emma se encaixa perfeitamente como Mia e domina o filme de maneira emocionante e carismática. Mereceu completamente o prêmio, já que Amy Adams, mais uma vez, foi ignorada pela Academia. Uma das maiores vergonhas do ano, a falta de uma indicação para a atriz é indesculpável. Amy deveria ter um Oscar em casa há anos e A Chegada era o filme perfeito para isso – seu trabalho é simplesmente impressionante.


ATOR COADJUVANTE

Michael Shannon (Animais Noturnos)

Dev Patel (Lion – Uma Jornada Para Casa)

Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)

Mahershala Ali (Moonlight – Sob a Luz do Luar)

Jeff Bridges (A Qualquer Custo)

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COMENTÁRIO: Mais uma ótima seleção, tendo Michael Shannon como o único destoante. Em seu lugar, deveriam ter indicado Hugh Grant, a verdadeira estrela de Florence – Quem é Essa Mulher?. Enquanto Jeff Bridges não sai de sua zona de conforto, Lucas Hedges é uma grande promessa para Hollywood. Já Dev Patel consegue transformar um personagem limitado em uma performance emocionante. Tão bom quanto estava Mahershala Ali em Moonlight, que só frustra pelo pouquíssimo tempo de tela – mas nem isso faz de sua atuação menos impactante e bonita.


ATRIZ COADJUVANTE

Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)

Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)

Naomie Harris (Moonlight – Sob a Luz do Luar)

Nicole Kidman (Lion – Uma Jornada Para Casa)

Viola Davis (Um Limite Entre Nós)

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COMENTÁRIO: Outro absurdo entre as categorias de atuação foi indicar Octavia Spencer – completamente apagada em Estrelas Além do Tempo – no lugar da colega de elenco Janelle Monáe, que brilha do começo ao fim. Nicole Kidman está ótima em Lion, mas ficou para trás na corrida. Viola Davis merecia um Oscar há muito tempo, mas é uma pena que ela tenha precisado se promover como coadjuvante em um papel que, na verdade, era de protagonista. Isso tira a oportunidade de atrizes como Michelle Williams e Naomie Harris que, em pouquíssimo tempo tela, entregaram performances memoráveis e muito comoventes. Eram as coadjuvantes mais fortes do ano, já que Viola é e sempre foi a principal força por trás de Um Limite Entre Nós.


ANIMAÇÃO

Kubo e as Cordas Mágicas

Minha Vida de Abobrinha

Moana – Um Mar de Aventuras

The Red Turtle

Zootopia – Essa Cidade é o Bicho

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COMENTÁRIO: Ao contrário do que acontece em muitos anos, a categoria de Animação estava surpreendentemente forte em 2017. Zootopia mereceu pela originalidade de sua história, mas vale ressaltar a beleza de Kubo, a mistura de seriedade e inocência de Abobrinha e também Moana, que apesar de se adequar à fórmula da Disney, tem uma protagonista feminina forte e que dá destaque ao filme.


EDIÇÃO

Até o Último Homem

A Chegada

La La Land – Cantando Estações

Moonlight – Sob a Luz do Luar

A Qualquer Custo

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COMENTÁRIO: Uma das maiores surpresas da noite. Não fez muito sentido dar o prêmio para Até o Último Homem, que pode ter se beneficiado pela divisão entre aqueles que votaram com bom senso. Era o trabalho menos interessante da categoria, que deveria ter ficado com La La Land, pela leveza de suas transições, ou com A Chegada, que não segue uma linha temporal cronológica.


FIGURINO

Aliados

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Florence – Quem é Essa Mulher?

Jackie

La La Land – Cantando Estações

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COMENTÁRIO: Vitória surpreendente, mas que premiou o melhor da categoria. A disputa estava entre La La Land, Jackie e Aliados, cada um com uma característica bastante particular. Mas Animais Fantásticos ter levado foi uma clara justiça histórica em relação a uma franquia que jamais havia vencido um único Oscar – o que é um absurdo, dado o nível de criatividade e detalhe do visual da saga Harry Potter.


MAQUIAGEM E PENTEADO

Esquadrão Suicida

Star Trek – Sem Fronteiras

Um Homem Chamado Ove

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COMENTÁRIO: Não há nem o que comentar em uma categoria que premiou o que há de pior no cinema hollywoodiano. Esquadrão Suicida merece cair no esquecimento eterno, mas graças à injustificável vitória na categoria, agora tem o direito de ostentar um Oscar no currículo. É ridículo.


CANÇÃO

The Empty Chair (Jim: The James Foley Story)

Audition (The Fools Who Dream) (La La Land – Cantando Estações)

City of Stars (La La Land – Cantando Estações)

How Far I’ll Go (Moana – Um Mar de Aventuras)

Can’t Stop The Feeling (Trolls)

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COMENTÁRIO: Mais uma categoria anormalmente forte. City of Stars é quem realmente merecia – mesmo que outras canções de La La Land sejam mais interessantes, como Another Day of Sun. Mas vale ressaltar a beleza e vivacidade de How Far I’ll Go e a energia de Can’t Stop The Feeling. The Empty Chair ainda não sabe o que está fazendo na categoria e é triste pensar que, com sua indicação, não sobrou espaço para uma única música da incrível trilha sonora de Sing Street, um filme simples mas maravilhoso, que merecia muito mais atenção nas premiações.


ANIMAÇÃO EM CURTA-METRAGEM

Blind Vaysha

Borrowed Time

Pear Cider and Cigarettes

Pearl

Piper – Descobrindo o Mundo


DOCUMENTÁRIO

A 13° Emenda

Eu Não Sou Seu Negro

Fogo no Mar

Life, Animated

O.J.: Made in America


DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM

4.1 Miles

Extremis

Joe’s Violin

Watani: My Homeland

The White Helmets


FILME ESTRANGEIRO

O Apartamento

Land of Mine

Tanna

Toni Erdmann

Um Homem Chamado Ove


FOTOGRAFIA

A Chegada

La La Land – Cantando Estações

Lion – Uma Jornada Para Casa

Moonlight – Sob a Luz do Luar

Silêncio


TRILHA SONORA

Jackie

La La Land – Cantando Estações

Lion – Uma Jornada Para Casa

Moonlight – Sob a Luz do Luar

Passageiros


DESIGN DE PRODUÇÃO

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Ave, César!

A Chegada

La La Land – Cantando Estações

Passageiros


EFEITOS VISUAIS

Doutor Estranho

Horizonte Profundo – Desastre no Golfo

Kubo e as Cordas Mágicas

Mogli – O Menino Lobo

Rogue One – Uma História Star Wars


EDIÇÃO DE SOM

Até o Último Homem

A Chegada

Horizonte Profundo – Desastre no Golfo

La La Land – Cantando Estações

Sully – O Herói do Rio Hudson


MIXAGEM DE SOM

13 Horas – Os Soldados Secretos de Benghazi

Até o Último Homem

A Chegada

La La Land – Cantando Estações

Rogue One – Uma História Star Wars


CURTA-METRAGEM

Ennemis Intérieurs

La Femme et le TGV

Silent Nights

Sing

Timecode